segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

12ª. AULA MALEDICÊNCIA E INDULGÊNCIA



I - PEDAGOGIA SITUADA
Como nos comportamos diante de comentários sobre um deslize de alguém? Sentimo-nos atraídos diante da crítica perniciosa? Deixamos transparecer assuntos reservados?
Freqüentemente, nas conversações que costumamos manter nos círculos de amizade, manifesta-se a tendência perniciosa de comentar o mal alheio. Quando entra em pauta tecer referências a pessoas, parece até ser irresistivel a abordagem dos aspectos mais desabonadores das criaturas. Pior do que isso, são os acréscimos, por conta da imaginação doentia, nas calúnias e interpretações malévolas que se costuma fazer.
O falar mal, a crítica mordaz, a interpretação pejorativa, o comentário malicioso, o julgamento falso, a suspeita comprometedora, a denúncia caluniosa são facetas pelas quais a maledicência se apresenta.
II - POR QUE SUPERAR
a) O maledicente é um atormentado que se debate na sua própria condição espiritual inferior, pois tem a visão do mundo tomada pelas pesadas lentes que carrega. Há aqueles que se comprazem em comentar os defeitos alheios, sentem uma certa satisfação por encontrar os outros em falta. Tal atitude é contrária a caridade, pois a verdadeira caridade é simples, modesta e indulgente (ESE, Cap. X item 10). É contra o princípio cristão, segundo o qual não devemos fazer ao próximo o que não queremos para nós mesmos. Como nos sentiríamos se ouvíssemos alguém fazer um comentário pernicioso acerca de nossa pessoa?
b) A palavra malsinante nasce discreta, muitas vezes acaba por incendiar-se perigosamente, colimando logo mais em calúnia devastadora, e acaba até destruindo a região por onde prolifera. A maledicência é um tóxico sutil que pode conduzir o discípulo de Jesus a grandes desventuras íntimas ao agravar a dor alheia. Importa ao cristão elevar o padrão vibratório do ambiente em que se encontrar. Atribuir grande importâncía ao mal alheio é dilatar-lhe a esfera de ação.
c) Por que vês tu, pois, o argueiro no olho de teu irmão, e não vês a trave no teu olho? (Mt, 7:3)
Um dos caprichos da Humanidade é ver cada qual o mal alheio antes do próprio. Por que condenar nos outros o que desculpamos em nós? Antes de criticar alguém, consideremos se a própria reprovação não nos pode ser aplicada. Ouando criticais, que dedução se pode tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais que o culpado (ESE, Cap. X item 16). Se nos julgamos superiores àquele que criticamos é porque ainda somos movidos pelo orgulho, pelo amor-próprio. Eis no fundo o móvel de nossas palavras. Comprazemo-nos na eventual supremacia de nossas qualidades, satisfazemo-nos com o capricho do EU SUPERIOR. Ao invés de uma postura espiritualizada que visa o bem sincero do próximo, estamos antes satisfazendo o nosso próprio ego. O homem autêntico se ama como é e não como gostaria de ser visto. É isso que distingue o amor a si do amor-próprio.
Não julgueis para não serdesjulgados. (Mt., 7:1)
Jesus não ensina com isso que não devamos reprovar o mal, ele mesmo nos deu exemplo disso. Mas, quis dizer que a autoridade da censura está na razão da autoridade moral. (E.S.E., Cap. X, item 13) A autoridade legítima não consiste no sentimento de superioridade, mas no sentimento de sentir o outro de igual para igual. A autoridade não consiste em se achar melhor, mas em querer o bem sincero do outro. Geralmente criticamos no outro o que, mesmo inconscientemente, não aceitamos em nós mesmos; neste sentido geralmente medimos o próximo de acordo com aquilo que somos e sentimos. Aquele que é feliz consigo mesmo, só consegue ver o bem no outro.
d) Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, fala mal da lei e julga a lei, já não é observador da lei, mas juiz. (Tg 4: 11)
A palestra de esclarecimento reclama a energia serena em afirmativas incisivas, no entanto, importa verificar quais os sentimentos, qual a emoção que estamos imprimindo às nossas palavras, pois em assim sendo, ao invés de sermos cooperadores de Deus acabamos por ser críticos de suas obras. Cada irmão é a essência de Deus, importa pois não vermos a deuses só a nós mesmos, mas enxergar a presença de Deus em cada irmão que a nós se achegar. E Jesus soube enxergar a Deus mesmo nos mais marginalizados e excluídos da sociedade.
e) Há culpa em se estudar os defeitos alheios?
- Se é com o fito de os cultivar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade, se é com intenção de proveito pessoal, evitando-se aqueles defeitos, pode ser útil ( .. ). (L. E, 903)
Não é culpável a observância do mal. O erro está em fazer observações em prejuízo do próximo. Tudo depende da intenção: Deus é justo e julga mais a intenção que o fato (L.E, 747). Se a intenção for denegrir, por prazer de fazê-lo, a censura é uma maldade, mas se a intenção for útil, é um dever que a caridade manda cumprir, mas com muita cautela. E nós sabemos qual o verdadeiro móvel de nossas ações e de nossas palavras.
Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele, eis o que mancha o homem. (Mt, 15:11)
Importa, pois, a qualidade dos sentimentos que nos levam a tecer comentários, importa nosso interior perante Deus e perante nossas consciências. Certamente que, quando imbuídos de um sentimento amoroso, não sentiremos nenhuma satisfação diante dos defeitos alheios. É importante "vigiar" não só nossas conversações, mas nossos sentimentos, pois esses são mais autênticos que nossas palavras.
III - COMO SUPERAR
1. Tanto quanto possível busquemos extinguir esse sentimento conflitante que nos domina e impede nossa serenidade, nossa paz íntima, buscando afastar o hábito de criticar a quem quer que seja.
2. Sede pois severos convosco e indulgentes para com os outros. (ESE, Cap. X item 16)
Não se deve esquecer que a indulgência para com os defeitos alheios. É uma das virtudes compreendidas na caridade. Antes de censurar as imperfeições dos outros, vede se não podem fazer o mesmo a vosso respeito ( .. ). (L. E, 903)
Quando vier a tentação de acusar ou apontar os defeitos alheios, lembremo-nos das nossas próprias limitações e das nossas próprias necessidades. Coloquemo-nos no lugar do outro e avancemos firme na resolução de amá-lo, de elevar sempre sua imagem diante de terceiros.
3. A indulgência não vê os defeitos alheios, se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar ( .. ). (ESE., Cap. X, item 16)
Ao invés de evidenciar erros e falhas em nosso lar, transformemos o ambiente através de esclarecimentos tranqüilos e objetivos. Nessas ocasiões, as palavras suaves, o coração indulgente exercem uma atuação benfazeja, qual lenitivos para a alma.
4. De acordo com mensagem de Irmão X, denominada "Os Três Crivos", analisemos se nossas palavras passam primeiramente pelo crivo da verdade, depois pelo crivo da bondade, e, por fim, pelo crivo da necessidade. 

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