quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Mitos e Verdades Sobre Autoestima

Rosemeire Zago

Psicóloga clínica, nesses vinte anos de experiência atuando no atendimento de adultos, desenvolveu seu próprio perfil profissional. Seu diferencial na elaboração de todo o trabalho é mostrar a importância do autoconhecimento e do inconsciente.
As pessoas procuram amor em todos os lugares, menos dentro delas mesmas.

Como está sua autoestima? Pare um minuto e pense quantas oportunidades perdeu porque acreditou que não conseguiria? A vida de quem não acredita em si mesmo é assim: medo, dúvida, vergonha, frustração, insegurança, culpa, insatisfação e confiança zero.

Quando nos sentimos incapazes é como se algo nos impedisse de ir adiante. Quando insistimos em agradar e ainda assim somos maltratados, abandonados, quando amamos mais ao outro do que a nós mesmos, na verdade estamos com carência de autoestima.

Mas afinal, o que é autoestima? Muito se fala sobre ela, mas geralmente a confundem com falsos valores. Para acabar com a confusão, segue uma lista de mitos e verdades sobre o tema.

...Quem está mais preocupado em ter do que em ser pode estar com baixa autoestima. Verdade: Em geral, pessoas que trabalham muito para obter bens materiais, poder, sucesso, estão distante da família, da espiritualidade e dos próprios sentimentos...

1. Cuidar da aparência, ir à academia, cabeleireiro, comprar roupas, quer dizer que a autoestima está elevada.
Mito: Cuidar de si nem sempre quer dizer autoestima elevada. Fazer cirurgias plásticas, casar, trabalhar, ganhar dinheiro, comprar carro novo, nada disso cria autoestima. Muito pelo contrário. Quem precisa disso para se sentir valorizado só quer ser aceito pela imagem que a mídia “vende” do que “precisa” ser comprado. A pessoa que busca tudo isso pode querer compensar algo que não sente ter internamente. Gostar, cuidar e aceitar-se é um passo importante na conquista da autoestima elevada, mas não a determina.

2. Autoestima elevada é o mesmo que vaidade.
Mito: Definitivamente não! Mas é comum as pessoas confundirem. Nem sempre quem cuida de sua imagem pessoal está com autoestima elevada. É uma ilusão acreditar que buscar fora pode elevar a autoestima de uma pessoa.

3. Mostrar-se superior aos outros é sinal de autoestima elevada.
Mito: Arrogância, querer ser superior é apenas uma maneira de diminuir o outro para se elevar. Quem tem consciência de seu valor é acima de tudo humilde.

4. A dependência é uma característica da autoestima baixa.
Verdade: Quem sente ter recebido pouco amor na infância enfrenta muitos vazios e carências. Passa a buscar preencher o vazio pelas relações afetivas. Confunde carência com amor e carência leva a dependência. A independência é uma virtude da autoestima.

5. Quem se mostra sempre alegre, seguro, confiante, está com autoestima elevada.
Mito: Nem sempre. A pessoa que transmite segurança em demasia, valoriza-se excessivamente, está sempre brincando ou querendo ajudar pode ter falta de amor-próprio. Ela busca o reconhecimento por outros caminhos e apesar de passar uma imagem de total segurança, quer apenas ocultar uma autoestima bem frágil.

6. Autoestima não muda, uma pessoa que está com baixa autoestima não pode fazer nada.
Mito: Autoestima oscila de acordo com as situações. Por exemplo, se há uma situação de perda, seja de um trabalho ou de uma pessoa, a tendência é que a autoestima diminua. É sempre uma questão de grau e todos podem elevar sua autoestima.

7. Amar mais o outro que a si mesmo está relacionado com baixa autoestima.
Verdade: A falta de amor-próprio é sinal de muita carência, necessidade de amor, principalmente por si mesmo. A autoestima, juntamente com o amor-próprio é a base para o ser humano encontrar seu equilíbrio.

8. A inveja pode ser um sinal de autoestima baixa.
Verdade: O desejo de ter o que é do outro é uma das emoções mais primitivas. Há uma tendência do ser humano em supervalorizar o outro em detrimento de si mesmo. A inveja geralmente surge quando uma pessoa sente-se incapaz e inferior, percebendo o outro como portador de todos os atributos que ela acredita não possuir. O pensamento de quem sente inveja, ainda que seja inconsciente é: “o outro é capaz de conseguir, eu não sou”.

9. Autoconhecimento eleva a autoestima.
Verdade: Autoestima está totalmente relacionada com autoconhecimento. Quanto mais você obtê-lo mais conseguirá elevar a sua!

10. Autoestima elevada depende do reconhecimento e aprovação de outras pessoas.
Mito: Qualquer tipo de dependência é sinal de baixa autoestima, pois quanto mais se busca reconhecimento e/ou aprovação, maior será a valorização da opinião de terceiros. A dependência torna uma pessoa mais fácil de manipular e mais vulnerável e fragilizada. Consequentemente, menor será sua autoestima. O importante é reconhecer os próprios méritos, tarefa difícil, pois é comum que desde pequenas as pessoas sejam incentivadas a supervalorizar os outros na mesma medida em que se desvalorizam.

11. Quando duvido de minha capacidade minha autoestima está baixa.
Verdade: Sempre.

12. A autoestima começa a se formar na infância.
Verdade: A autoestima começa a se formar a partir do tratamento das outras pessoas, mas também pode ser afetada pelos êxitos ou fracassos no decorrer da vida. Na infância é possível alimentar ou destruir a autoconfiança. Ou seja, as experiências do passado exercem influência significativa na vida adulta. Pais exigentes, agressivos, críticos, autoritários, que demonstram que a criança não é digna de confiança, impondo suas próprias vontades, não ouvindo o que elas têm a dizer, criam filhos inseguros e dependentes. Por outro lado, a superproteção também pode gerar muita insegurança em adultos que não foram incentivados a acreditar em si mesmos quando crianças. Ainda que inconscientemente, eles crescem acreditando que os outros faziam tudo por eles por não serem capazes de fazer eles mesmos.

13. Ter sofrido algum tipo de abuso, seja físico, sexual, emocional, maus-tratos, durante a infância, pode comprometer a autoestima.
Verdade: Qualquer tipo de violência é tão apavorante para a criança que ela não consegue manter a própria identidade e passa a focar apenas o exterior. Com o tempo, perde a capacidade de gerar autoestima que vem do seu interior, não sabendo identificar quem ela é. A criança agredida, impotente e ferida, acredita que é a única responsável pelo abuso de que é vítima. E pode se transformar em um adulto agressor.

14. A baixa autoestima interfere em todas as áreas da vida, principalmente no campo profissional, afetivo.
Verdade: Sim, interfere nas relações como um todo, pois a pessoa tende a ser crítica, rígida, exigente e controladora, porque na verdade é insegura, não confia em sua própria capacidade. Assim, mantém relações profissionais e/ou afetivas mesmo que sejam destrutivas. Quanto maior a autoestima, maiores são as chances de se manter relações saudáveis.

15. Uma pessoa que mantém relações destrutivas pode estar com baixa autoestima.
Verdade: Sim, pois em geral não consegue terminar uma relação mesmo que traga muito sofrimento. E ainda pode fazer de tudo para agradar, cede em tudo, esquecendo e perdendo-se de si mesma. Tem muito medo de ficar só.

16. Quem é perfeccionista pode estar com autoestima baixa.
Verdade: A insegurança interna é compensada pelo perfeccionismo excessivo. Aquele que não permite erros, nem seu nem dos outros, exigindo perfeição, na verdade quer provar o quanto é capaz, porque ele mesmo não acredita nisso. Demonstra insegurança, não se permite errar e quando isso acontece, não assume.

17. Manter um trabalho muito inferior à capacidade profissional pode ser um sinal de baixa autoestima.
Verdade: O sucesso não é garantia alguma de autoestima elevada, mas quem tem consciência de seu valor tende a buscar condições de exercê-lo.

18. Pessoas sempre preocupadas em agradar – o tipo bonzinho – está com autoestima elevada.
Mito: Quem faz de tudo para agradar é porque precisa do reconhecimento constante para se sentir importante, útil, porque no fundo não se aceita, não tem autoconfiança. Quer ser agradável para mostrar que sua presença é importante. É facilmente manipulável e induzido a fazer o que não quer. Não consegue dizer “não”. Está sempre tentando adivinhar o que os outros querem que ele seja e como deve agir.

19. Conversar consigo mesmo pode ajudar a elevar a autoestima.
Verdade: Manter o diálogo interno, ou seja, conversar muito consigo mesmo, identificando seus sentimentos e suas necessidades, pode ajudar muito nesse processo.

20. A psicoterapia ajuda a elevar a autoestima.
Verdade: Sim, é um dos caminhos mais indicados. Para elevar a autoestima é preciso se conhecer e para obter autoconhecimento o mais indicado é fazer psicoterapia com um profissional que estuda o comportamento humano, o psicólogo. Ao realizar um processo de autoconhecimento a percepção do próprio valor irá aumentar, o básico para uma elevada autoestima. Quem se conhece tem mais controle sobre suas emoções, conquista maior equilíbrio entre emoção e razão, ouve mais sua voz interior (também conhecida como intuição) e assim, depende muito menos da opinião de terceiros.

21. Autoestima elevada é confundida com egoísmo, narcisismo.
Verdade: Há uma tendência em classificar como egoísta quem pensa em seu desenvolvimento pessoal, em se realizar, evoluir. A criança é ensinada a suprir a necessidade do outro, a respeitar o outro, mas somente quando supre e respeita suas próprias necessidades consegue pensar no outro. Fica uma pergunta: Você quer ser e conviver com pessoas submissas, manipuladas, exploradas ou responsáveis, realizadas, independentes e felizes?

22. A auto-estima influencia tudo que fazemos.
Verdade: Sim, pois é o resultado de tudo que acreditamos ser, por isso o autoconhecimento é fundamental. Uma pessoa com baixa autoestima estará sempre duvidando de sua capacidade em todas as áreas da vida, comprometendo suas relações, pois quem não acredita em si mesmo não acredita em nada nem ninguém.

23. Quem está mais preocupado em ter do que em ser pode estar com baixa autoestima.
Verdade: Em geral, pessoas que trabalham muito para obter bens materiais, poder, sucesso, estão distante da família, da espiritualidade e dos próprios sentimentos. As conquistas externas podem compensar relações insatisfatórias. Também pode ser uma forma de obter aprovação e reconhecimento. Na verdade, a busca interna e inconsciente é de atenção e amor. A maioria das pessoas não valoriza o que tem de mais sagrado: sua saúde e seus sentimentos. Quando o ser humano aprender a identificar o que sente, perguntando-se o que ele deseja no fundo de sua alma; valorizar suas próprias conquistas, acreditando ser capaz de conquistar aquilo que realmente o faz feliz, com certeza a busca do prazer momentâneo diminuirá e teremos gente muito mais satisfeita consigo mesma, buscando muito mais ser do que apenas a ilusão do ter.

Mas afinal, o que é autoestima? É ter consciência de seu valor pessoal, ou seja, acreditar, respeitar e confiar em si, é a soma da autoconfiança com o autorrespeito. É ter a certeza de ser merecedor e digno de felicidade e amor. É acreditar na sua capacidade, aceitar-se, e acima de tudo, amar-se.