quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FIBROMIALGIA: PATOLOGIA RÍGIDA DA CONSCIÊNCIA

FIBROMIALGIA: PATOLOGIA RÍGIDA DA CONSCIÊNCIA

Enfermidade que acomete homens e mulheres, de diversas idades, a fibromialgia, dor crônica difusa, pode ter suas implicações espirituais, conforme afirma José Henrique Rubim de Carvalho, clínico geral e atual presidente da Associação Médico-Espírita (AME) de Nova Friburgo. Ele tratou do tema na última edição do Mednesp, o Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil, ocorrido em 2009, em Porto Alegre (RS).

Folha Espírita – O que é a fibromialgia?
José Henrique Rubim de Carvalho – A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica sem quadro inflamatório, não comprometendo as articulações e não causando deformidades. É um reumatismo por envolver músculos, tendões e ligamentos. Ela se caracteriza por dores no corpo, fadiga e alterações no sono. As dores podem ir de um leve incômodo até uma condição incapacitante, na forma de ardência, pontada, rigidez e câimbra, por três meses pelo menos em 11 pontos de 18 pontos dolorosos padronizados.

Não existem exames complementares, como de laboratório, de imagens e neurofisiológico, que confirmem o diagnóstico. Calcula-se que atinja 3% das mulheres e 0,5% dos homens adultos.

Manifestações não relacionadas à dor muscular são observadas na fibromialgia em mais de 50% dos casos. São as comorbidades como: síndrome de fadiga crônica, síndrome do intestino irritável, enxaqueca, síndrome das pernas inquietas, fenômeno de Raynaud, depressão, ansiedade, síndrome da apneia do sono e bexiga irritável, por exemplo.

Acredita-se que os fibromiálgicos perdem a capacidade de regular a sensibilidade dolorosa. O controle da dor é feito pela serotonina, que se encontra diminuída nesses pacientes.

Desta forma, muitos dos impulsos que chegam e saem do cérebro são identificados erroneamente como dor. É como sentir dor onde verdadeiramente não existe a dor. Em verdade, a dor é da alma que se comprometeu moralmente, nesta e em existências passadas.

FE – Essa enfermidade pode aparecer em qualquer faixa etária?

Carvalho – A fibromialgia manifesta-se em qualquer idade, mas, sobretudo, entre os 40 e os 60 anos, talvez em decorrência da diminuição dos hormônios femininos na menopausa. Em torno de 25% dos casos referem apresentar esses sintomas desde a infância. Foi descrita a tendência de a fibromialgia ocorrer em mulheres de uma mesma família.

De acordo com o reumatologista Daniel Feldman, um levantamento israelense aponta que 6,5% das crianças e adolescentes em idade escolar apresentam sintomas de fibromialgia. Existem estudos, porém, que indicam que a fibromialgia juvenil pode se manifestar antes dessa faixa etária. Pesquisa publicada em 1995, na revista científica norte-americana Arthritis Rheumatology, indica que a doença afeta 1,3% das crianças em idade pré-escolar. Pesquisa realizada pela reumatologista Suely Roizenblatt, da Unifesp, mostra que 71% das mães das crianças diagnosticadas com fibromialgia juvenil também tinham a síndrome.

FE – O que pode desencadear a fibromialgia, do ponto de vista clínico?

Carvalho – A falta de condicionamento físico, ou seja, sedentarismo, é apontado como o principal fator de risco. “Pouquíssimos atletas desenvolvem fibromialgia”, diz Jamil Natour, reumatologista da Unifesp. Outros fatores relevantes são: mudanças hormonais na menopausa, estresse e traumas emocionais. Doenças infecciosas e a hereditariedade são também importantes no desencadeamento da enfermidade.

FE – A fibromialgia tem cura? Há algum método que possa melhorar o quadro clínico?

Carvalho – A remissão completa da fibromialgia é difícil, mas não impossível. O tratamento é obrigatoriamente multidisciplinar, abrangendo os aspectos orgânicos, psicológicos, sociais e espirituais. A atividade física, feita em ritmo moderado e com longa duração, eleva a capacidade respiratória (aeróbica), aumenta a musculatura e a força. O exercício de baixo impacto reequilibra o sono, eleva a serotonina, produz endorfinas e somatostatina que melhora o trofismo muscular. Essas medidas resolvem 50% a 60% dos casos. O tratamento alopático engloba diversas drogas, como o antidepressivo tricíclico, em doses baixas. A Homeopatia, a Terapia Floral de Bach e a Acupuntura também apresentam bons resultados, mas os tratamentos psicológicos e espirituais se impõem pela necessidade da transformação moral urgente. Sabemos que o caráter básico dos fibromiálgicos é o perfeccionismo e sua rigidez consciencial característica, transbordando para o corpo todos os conteúdos presentes e pretéritos, que necessitam ser trabalhados.

FE – Como compreender essa doença do ponto de vista espiritual?

Carvalho – A fibromialgia é considerada por muitos como uma depressão mascarada, e, como sabemos, uma enfermidade que não apresenta nenhuma lesão, nenhum quadro inflamatório e nenhuma comprovação laboratorial e radiológica. O caráter perfeccionista de seus portadores leva-nos a inferir os erros cometidos em existências passadas e comprovados por inúmeras regressões de memória desses pacientes.

Um caso bem interessante, de um paciente que foi submetido à regressão de memória, evidenciou uma existência papal, que autorizou a carnificina da “Noite de São Bartolomeu”. Esse papa era extremamente rígido, perfeccionista e com sintomas somáticos compatíveis com a fibromialgia. No final de sua desperdiçada existência, onerado de culpas, pronuncia esta frase reveladora: “Só me resta a dor.” Essa frase-decisão transferiu-se para a atual existência sob a forma de fibromialgia, personalidade perfeccionista e culpada. É a reencarnação para depurar os condenados endividados com os Estatutos Superiores.

FE – Atitudes e pensamentos podem ter algum efeito para a melhora física dos pacientes que sofrem desse mal?

Carvalho – É exatamente esta a proposta: transformação moral, implementada na metodologia da Terapia Regressiva de Memória e na Terapia Floral de Bach, além de outras. Paiva, num trabalho em 2004, mostra-nos que a dor entra para a chamada “zona de conforto”, onde, por mais que o estado seja ruim, existe um benefício secundário que mantém o indivíduo no estado de dor. Está claro que o espírito que escolhe a dor como forma de autopunição não quer se expor a erros, como os já perpetrados em outras existências e na atual, além do que uma personalidade perfeccionista e rígida jamais pode errar. Portanto, é preferível manter-se na tal “zona de conforto”. O trabalho profícuo, então, é a integração com as sombras, para lidar com os opostos e sua diluição através das mudanças de pensamentos, sentimentos, vontade e, consequentemente, as atitudes.

FE – A não aceitação da mediunidade pode ter influência nesses casos?

Carvalho – A fibromialgia é uma patologia medianímica, por ser uma síndrome ectoplasmática, cujo substrato sofre a atuação dos espíritos obsessores, que se afinam com os caracteres morais dos obsidiados. A mediunidade se presta ao trabalho do autoconhecimento, da autoaceitação e notoriamente da transformação moral. Se não houver a compreensão nítida da complexidade holística dessa e de outras patologias, fica extremamente árido o campo de cura ou de abrandamento da sintomatologia presente nas enfermidades.

Entrevista publicada na Folha Espírita, São Paulo, outubro/2010