quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Alzheimer e rigidez

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@oconsolador.com.br
Londrina, Paraná (Brasil) BLOG
ESPIRITISMO SÉCULO XXI


 Alguns leitores de nossa revista pedem-nos com frequência esclarecimentos a respeito do mal de Alzheimer e como a doutrina espírita vê essa doença.

O assunto já foi tratado nesta revista em três oportunidades, como o leitor pode conferir nos textos seguintes:

Editorial n. 68:
http://www.oconsolador.com.br/ano2/68/editorial.html

O Espiritismo responde n. 143
http://www.oconsolador.com.br/ano3/143/oespiritismoresponde.html

Cartas n. 259
http://www.oconsolador.com.br/ano6/259/cartas.html

A propósito do assunto, o confrade Leonardo Marmo Moreira, colaborador de nossa revista e conhecido estudioso da doutrina espírita, escreveu, a nosso pedido, algumas considerações a respeito do tema, que adiante resumimos.

O mal de Alzheimer consiste em um grave distúrbio mnemônico ainda pouco conhecido em suas complexidades pela ciência atual. Essa doença caracteriza-se por esquecimentos bastante pronunciados, sobretudo da chamada “memória curta”, também denominada “memória recente”. A partir de determinado momento, a sintomatologia vai-se agravando e o paciente passa também a perder a lembrança de fatos mais distantes no tempo, ou seja, a “memória longa ou distante”. Por último, o indivíduo perde a chamada “memória da rotina”, não conseguindo mais desenvolver tarefas triviais do cotidiano sem a ajuda de outrem. É por essa razão que os médicos e terapeutas recomendam aos pacientes manter a rotina, para que a segurança no desempenho das atividades corriqueiras do cotidiano não seja afetada.

Exemplos bastante drásticos de tal patologia, mas não necessariamente raros, abrangem casos esdrúxulos como o paciente que passa a guardar o relógio ou o telefone dentro da geladeira, ou casos como um homem que durante toda a vida fez perfeitamente o nó da gravata (ou amarrou os cadarços dos sapatos) e que, a partir de certo momento, passa a não mais saber fazer tal tarefa.

A enfermidade pode ocorrer precocemente (como, por exemplo, em alguns pacientes de Síndrome de Down) e, como total, supostamente associada à hereditariedade. Mas, de um modo geral, o mal de Alzheimer verifica-se em pessoas de idade avançada – frequentemente, a partir dos 65 anos – e, neste caso, não teria necessariamente forte correlação genética.

Uma das peculiaridades do mal de Alzheimer é que seu diagnóstico é feito comumente por exclusão, ou seja, a partir da eliminação de outras hipóteses causais para o conjunto de sintomas de esquecimento apresentados pelo paciente. Isso ocorre porque outras opções de busca do respectivo diagnóstico envolvem, frequentemente, métodos altamente invasivos, como é o caso da biópsia cerebral, o que, obviamente, não deve ser o procedimento de escolha inicial por parte dos médicos e estudiosos dessa enfermidade.

As medidas preventivas mais recomendadas são a atividade física; a busca por uma ótima condição cardiorrespiratória; evitar ao máximo e, se ocorrer, controlar rigorosamente os sintomas do diabetes; a realização de trabalhos intelectuais, em que se recomenda até mesmo o exercício de práticas como a resolução de palavras-cruzadas e quebra-cabeças, entre outras.

Estudos desenvolvidos pela Associação Médico-Espírita do Brasil, em que destacamos a atuação da Dra. Alessandra Granero, médica geriatra, e do Dr. Décio Iandoli Júnior, renomado professor e autor de obras espíritas, têm levantado – no tocante ao Alzheimer –  algumas hipóteses de causas espirituais, baseados em estudos sistemáticos de obras espíritas, como as obras de André Luiz. Estes estudiosos têm citado a rigidez de caráter (inflexibilidade), a culpa, os processos obsessivos graves, a depressão e os sentimentos doentios, tais como ódio e mágoa (sobretudo quando mantidos a médio e longo prazos), como causas espirituais para a ocorrência do mal de Alzheimer.

É interessante que características intelecto-morais relacionadas à religiosidade aparentemente não são facilmente perdidas, pelo menos nas fases iniciais da doença, o que permite com mais facilidade recorrer a terapias espirituais efetivas, com a participação ativa do paciente.

Obviamente, o papel da família em enfermidades desse tipo é de importância central, tanto para a melhoria da qualidade de vida do paciente, quanto do ponto de vista das questões espirituais, pois muitas vezes o grupo familial está associado às causas cármicas que poderiam estar na raiz de tal problemática. O acompanhamento espiritual é fundamental também para a família, pois os entes queridos sofrem muito com o gradual “distanciamento” do ser amado, que passa por um processo lento, porém consistente, de perda de interação cognitiva com os familiares e amigos. Alguns chegam a afirmar tratar-se de um lento e gradual “processo de desencarnação”.

Se analisarmos que, em concordância com André Luiz em “Ação e Reação”, as tarefas desenvolvidas na terceira idade repercutem muito em nossa futura condição espiritual na erraticidade, devemos considerar de alta responsabilidade o esforço dos amigos, familiares e terapeutas, mesmo que aparentemente improfícuo, na melhoria das condições dos irmãos que estão passando por essa provação. A necessidade de trabalho intelectual e a tendência à depressão denotam a necessidade de amplo esforço em tarefas de alto nível intelecto-moral.

As prováveis causas espirituais, como processos obsessivos e atitudes de intransigência moral, entre outras, indicam a necessidade de contínuo esforço de esclarecimento espiritual, se possível com leitura diária de páginas evangélico-doutrinárias e frequência, se possível semanal, à casa espírita para tratamento com passes.