terça-feira, 17 de setembro de 2013

Provações de vida

Provações de vida

“ Estou vivendo um momento de muita provação. Estou com uma filha doente, com dificuldades financeiras e com suspeita de estar com uma doença grave. ”.

O líder negro americano, Martin Luther King, disse certa vez: “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantem em tempos de controvérsia e desafio”. Ter uma visão idealizada de como a nossa vida “deveria ser” mina as nossas energias e nos desprepara para o enfrentamento da realidade hostil que a vida constantemente nos reserva.

A própria palavra provação nos indica que estamos diante de uma prova: a de sermos humanos com todas as implicações de nossos limites. A condição humana nunca foi e jamais será um mar de rosas. Ser feliz é sofrer menos. Diante das intempéries da existência temos duas opções: ou lamentar a escuridão ou acender uma vela.

Para algumas pessoas o sofrimento é um desafio. É a oportunidade de aprendizado e de mobilização de todo nosso potencial para mudarmos as condições adversas. A queixa sistemática atrasa nosso caminho e não resolve nada. Ao contrário da acomodação que nos faz sentar no quentinho da dor, a pro atividade indica uma capacidade adaptativa à situação real, por pior que ela seja. O sofrimento nos convida à luta. O que agrava é que fomos educados para tentar fazer do mundo aquilo que queremos que ele seja ao invés de percebê-lo tal qual ele é e nos adaptarmos criativamente a ele.

Quando emaranhados numa teia de vários fatos adversos, costumamos deixar que vários sentimentos se apossem de nós: tristeza, culpa, vergonha e ansiedade. Tratar prioritariamente desses sentimentos talvez seja o melhor caminho para reagrupar energia indispensável na resolução dos problemas. Quando um exército se sente enfraquecido diante do inimigo a sabedoria indica que ele deve se retirar da batalha e juntar forças para posteriormente voltar à luta.

Quando não sabemos o que fazer é melhor não fazer. Recolher-se taticamente na própria dor e cuidar da depressão e da ansiedade, ainda que com a ajuda de remédios, pode nos propiciar um acúmulo de energia para lidarmos com os problemas. Nessas ocasiões, a grande tentação é sentir pena de si mesmo.Esse é o menor caminho para se colocar como “vítima” da situação, culpar o mundo pelos seus infortúnios e escapar do papel de construtor do próprio destino. Diante de qualquer ameaça temos duas tendências: fugir ou enfrentar. A vítima opta sempre pela fuga, conseguindo com isso o agravamento dos problemas. Pessoas resistentes à mudança, quando em situações complicadas e dolorosas, têm a impressão de que o mal nunca vai passar, acentuando a angustia e o medo. Se até as coisas boas passam por que as ruins vão permanecer?

A transitoriedade de tudo, incluindo o mal é um pensamento necessário para nos flexibilizarmos e botarmos a mão na massa. Através da adversidade nós evoluímos e aprendemos a lidar com a vida humana.Fugir dos problemas é uma ilusão. Não é o tempo que resolve nossas questões. Somos nós aproveitando o tempo para fazermos mudanças nos nossos padrões e no nosso modo de ver as situações. Nessas horas, a humildade é fundamental, pois, às vezes, torna-se imperativo pedir ajuda. Pessoas que passaram por problemas semelhantes ou especialistas do humano podem nos dar referências importantes para sairmos do pântano.

A autopiedade nos imobiliza e nos faz afundar mais. Outra tentação é sentir-se sem valor, julgando-se incompetente, com culpa pelo que está acontecendo. O auto-amor, a auto-estima devem estar além das vicissitudes. Têm de ser incondicionais. Sentir pesar pelos fatos é natural. Colocar em cheque, porém, o nosso valor enquanto pessoa humana vai nos atrasar no caminho da superação. Entregar os pontos, excluindo-se dos problemas, acreditar na sorte e no azar é que estrutura o pessimismo. Como já se disse: “O pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, e o realista ajusta as velas do barco”Nós somos as velas dessa embarcação chamada vida.

Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas