sábado, 5 de março de 2016

Estrutura da Psique - Inconsciente coletivo

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Estrutura da Psique - Inconsciente coletivo

Estrutura da Psique, inconsciente coletivo 

Carmem de Melo Lima Nascimento

Psique: Vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha (consciente).

Consciente: área onde ocorrem as relações entre conteúdos psíquicos e o ego (centro do consciente). O conteúdo psíquico que não se relaciona com o ego não pode tornar-se consciente e constituem o imenso domínio do inconsciente.
Inconsciente:
Inconsciente pessoal: Camada mais superficial do inconsciente onde estão as percepções e impressões, os traços de fatos ocorridos durante a vida e perdidos pela memória consciente, as recordações penosas de serem relembradas, as qualidades que ocultamos de nós mesmos (nosso lado negativo) e, principalmente, representações carregadas de forte potencial afetivo, incompatíveis com o consciente.
Inconsciente coletivo: Camada mais profunda correspondente aos fundamentos estruturais da psique, comuns em todos os homens, explicando a possibilidade de compreensão entre os homens em geral. Assim como outros caracteres anatômicos do ser humano, as linhas de desenvolvimento psíquico partem de um tronco comum cujas raízes perdem-se em um passado remoto.
Essa definição diferencia-se demasiadamente do conceito freudiano para quem o inconsciente coletivo era: "Um caos ou uma caldeira cheia de pulsões em ebulição".
Ao centro ordenador do inconsciente coletivo, Jung denominou "Self" (si mesmo) que, em determinados momentos, corresponde ao superego da teoria freudiana:
Self = superego: quando renunciamos aos desejos egoístas por temor à opinião pública. Neste caso o self identifica-se tal à consciência moral coletiva.
Self ≠ superego: quando a renúncia aos desejos egoístas não é feita pelo temor à opinião pública, e sim por uma determinação psíquica determinante do próprio self.

Jung formulou a hipótese do inconsciente coletivo graças à observação clinica de vários pacientes conciliado com estudos direcionados à arqueologia e mitologia. Encontrou uma coincidência que o despertou para a existência de um consciente coletivo em todos os homens: Em abordagem efetuada a um paciente esquizofrênico paranóide, o mesmo indagou ser possível observar o pênis do sol em movimento caso movesse a cabeça de um lado para outro e que o vento seria originado daquele movimento. Alguns anos depois, em seus estudos, verificou que os adeptos de Mitra (Deus romano e persa conhecido como "sol vencedor") descreviam visões de um tubo projetado a partir do disco solar que dava a impressão de soprar um vento de leste infinito. Ou seja, as duas visões (do esquizofrênico e dos adeptos de Mitra) eram exatamente a mesma e, provavelmente, provenientes de um lugar comum.
Logo após esta primeira conclusão, Jung teve um sonho (para ele os sonhos são auto descrições da vida psíquica) onde encontrava-se em sua própria casa. Inicialmente estava no andar superior, num salão ornado de belos quadros e móveis do sec. XVIII. No pavimento térreo os móveis já eram medievais e o piso de tijolos vermelhos. Desce por uma escada e encontra um salão muito antigo e amplo com paredes construídas em estilo romano e lajes de pedra no piso. Puxa uma argola entre as pedras e uma nova escada aparece, dando acesso a uma caverna talhada na rocha com espessa camada de poeira no chão onde espalham-se fragmentos de cerâmica, ossos e dois crânios humanos.
Interpretou o sonho considerando a casa como a imagem de sua própria psique. O primeiro andar de acordo com sua própria formação cultural, o térreo como as camadas mais superficiais do inconsciente e, quanto mais descia, mais se aprofundava em mundos antigos até chegar na origem de tudo.
Dentro desta caracterização, todo ser humano poderia carregar marcas indeléveis da história da humanidade o que, associado às observações clínicas de Jung, originou a concepção do inconsciente coletivo de Jung.

Arquétipos

São possibilidades herdadas para representar imagens similares ou formas instintivas de imaginar.
Seriam originados das impressões superpostas deixadas por certas vivências comuns a todos os seres humanos repetidas vezes através dos milênios (emoções suscitadas por fenômenos da natureza, as experiências entre mãe e filho, encontros homem x mulher, etc).
Poderiam ainda ser originados da mesma forma que as pulsões herdadas que fazem o ser humano reagir de modo sempre idêntico à determinadas situações (instinto).
A noção de arquétipo permite compreender por que em lugares distantes, culturalmente diferentes, aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos dogmas, nos ritos religiosos, nas artes, na filosofia, e nas produções do inconsciente de forma geral como nos sonhos das pessoas normais ou no delírio dos loucos.

Símbolo

É a imagem arquetípica adicionada à outros elementos.
Não traz explicações por si, como os sinais ou alegorias, mas impulsiona na direção de um sentido ainda distante que nenhuma palavra de língua falada exprimir de maneira satisfatória. A imagem da caverna de Platão pode ser, dessa forma, considerada um símbolo.
Um símbolo tem vida e alcançam dimensões que o conhecimento racional não pode atingir. Transmitem intuições estimulantes e, depois que seu conteúdo misterioso seja apreendido pelo pensamento lógico, esvaziam-se e morrem.
Freud considerava os símbolos como resultado do conflito entre a censura e as pulsões reprimidas. Jung descartava os conflitos e via nos símbolos uma ação mediadora, uma tentativa de encontro entre opostos movida pela tendência inconsciente à totalização.
Para Freud a vida psíquica se constitui como uma antiga cidade que, embora as construções recentes apareçam à vista, as antigas continuam remotamente escondidas sob elas, mas permanentemente presentes e iguais.
A concepção de Jung é diversa. Vê o inconsciente num constante trabalho de revolver conteúdos, de agrupá-los e de reagrupá-los. Estes conteúdos do inconsciente, segundo ele, não se mantém iguais para sempre, sofrendo mudanças e produzindo mudanças, influenciando o ego e podendo ser influenciado por ele.
Quando se abrem fendas largas entre o consciente e o inconsciente, surge a neurose. Porém, estabelecer o diálogo entre o consciente e o inconsciente é útil para a saúde psíquica. 


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