sábado, 5 de março de 2016

A Estrutura Psíquica segundo Carl Gustav Jung

https://psicologadrumond.wordpress.com/2013/08/15/a-estrutura-psiquica-segundo-carl-gustav-jung/

A personalidade é denominada por Jung como psique. Em sua teoria há inúmeros sub-sistemas que interagem o tempo todo. Assim, podemos dizer que a principal característica do sistema psíquico aqui é o dinamismo. Jung foi chamado por Freud de “o príncipe herdeiro da psicanálise”, mas seu cargo foi logo dispensado, pois em suas pesquisas Jung formulou uma teoria que divergiu muito da freudiana.

jung

O ponto-chave desta separação entre os dois psiquiatras foi a formulação do conceito de inconsciente. Jung percebeu que o inconsciente não era apenas um reservatório de emoções sombrias e desejos primitivos e perversos, mas que também era fonte de criatividade e elo inexorável entre o homem primitivo e o contemporâneo. Para tanto, dividiu o inconsciente em pessoal e coletivo.

Continuou com a ideia da consciência, estipulando o ego como seu centro. Nada chega até a consciência se não for pelo ego. Assim, o ego é o organizador da consciência, composto de percepções conscientes, recordações, pensamentos e sentimentos. É o ego que fornece continuidade e identidade à personalidade. Apesar de ser uma parte pequena na psique total, é o ego que desempenha a função básica de vigia da consciência. Ao contrario do que pensamos, quando interagimos socialmente, não mostramos o ego, nem vemos o ego de outrem, mas sim a persona. O ego é um organizador das diversas personas.

Persona é o termo que Jung utilizou para designar os muitos papéis sociais que desempenhamos para interagir com o mundo. A persona se desenvolve desde os primeiros anos de vida, quando a criança aprende quais valores são socialmente aceitos e quais comportamentos são valorizados pelos seus pais. Assim, o indivíduo apresenta padrões de comportamento condizentes com aquilo que aprendeu como sendo a conduta adequada frente a cada um dos ambientes e situações nas quais precisa desempenhar funções.
As características ou comportamento que são considerados indesejados, os aspectos instintivos e animalescos, são reprimidos no inconsciente pessoal, e formam o que Jung chamou de sombra, que, apesar de estar no inconsciente, continua exercendo sua influência no campo da consciência. Essa influência torna-se maior e perigosa quando a sombra é negligenciada.
Foi Jung que utilizou pela primeira vez o termo Complexo, sendo depois amplamente utilizado por Freud (como no complexo de édipo, por exemplo). Mas, de uma forma diferente, o complexo não seria uma patologia, mas sim uma estrutura inerente ao sistema psíquico. Os complexos pertencem ao campo do inconsciente pessoal, apesar de seu núcleo ser herdado geneticamente e, portanto, pertencer ao inconsciente coletivo, o qual abordaremos em seguida. Os complexos seriam aglomerados de energia psíquica atraídos por um determinado padrão de sentimento, pensamento, percepções, memórias advindas de uma ou mais experiências. Cada complexo possui um centro, denominado arquétipo, que estipula uma imagem simbólica coerente com a energia psíquica aglomerada. Vamos exemplificar para tornar isso mais claro.

Todos possuímos um complexo materno, que pode ser positivo ou negativo, conforme as experiências de um indivíduo. A partir da interação do indivíduo com a sua mãe real, uma pessoa pode sofrer um “trauma”e passar a ter dificuldades em lidar com essa representação da mãe, constituindo assim um complexo materno negativo, que acaba concentrando energia psíquica de forma intensa neste complexo, mantendo o indivíduo inconscientemente fixado nesta relação mal resolvida. Neste caso, a imagem simbólica do arquétipo poderia ser uma bruxa, quando num complexo materno positivo seria Durga, Nossa Senhora, Iemanjá, e todas as figuras da grande mãe de todas as culturas.

Nas pesquisas sobre o simbolismo das alucinações e fantasias de seus pacientes psiquiátricos, Jung descobriu a existência de determinados padrões de comportamento característicos da espécie humana, e portanto, herdados por todas as pessoas em quaisquer culturas e regiões. Deu o nome de arquétipo à esta tendência inata que direcionam o desenvolvimento humano. É o equivalente psíquico ao DNA.

O arquétipo, apesar de constituir o núcleo central dos complexos, pertencem ao inconsciente coletivo, que é a parte mais arcaica do inconsciente presente em todos os seres humanos. Cabe ressaltar que, apesar de todas as pessoas herdarem os arquétipos, a expressão de um ou de outro dependerá das experiências de vida do indivíduo.
Porém também temos os arquétipos que existem como estruturas psíquicas, cujo funcionamento dinâmico depende também das experiências de um indivíduo. É o caso do animus e anima. Animus é o arquétipo do masculino na mulher e a anima é o arquétipo do feminino no homem. Sua formação e ativação, portanto, também seu modo de funcionamento são ativados pela experiência que o indivíduo têm com o sexo oposto.
Dentro de todo sistema arquetípico, existe um arquétipo central, centro regulador de toda psique – consciente e inconsciente -, potencial inato ordenador e organizador da vida psíquica, que direciona o desenvolvimento da personalidade que é chamado de Self.

O Self é um fator interno de orientação, é o Self que envia símbolos à consciência para que possam ser interpretados e revelados. Este entendimento e integração permitem ampliar a consciência sobre si mesmo e cumprir a meta do desenvolvimento psicológico total.
Então entramos aqui num quesito importante a respeito do que se fala em muitos centros que tratam a espiritualidade: a morte do ego. Como vimos, o ego é apenas um instrumento, uma pequena parte da psique consciente, mas deveras importante. Muito mais influencia negativamente a sombra do que o ego. O caminho que tantos pregam chamando de “morte do ego”, é na verdade a ligação do ego com o Self, o que leva a um desenvolvimento consciente do Self, somente acessível através de um árduo processo de compreensão e aceitação dos nossos processos inconscientes. Assim, o ego não parece ser mais o centro da personalidade, mas se torna apenas uma das inúmeras estruturas psíquicas.

A este processo de desenvolvimento da personalidade rumo à consciência plena de todos os seus aspectos foi denominado por Jung como individuação. A meta da individuação é atingir a experiência profunda de que todos os níveis da psique sao um mesmo todo, pleno de potencialidades. E desse modo o indivíduo pode se perceber dentro da sua verdadeira natureza, ou seja, indivisível, completo, total e repleto de possibilidades de realização.



A obra de Jung é extensa e muitos livros de domínio público podem ser encontrados na rede. Ofereço aqui alguns:

C.G.Jung – Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo

Carl Gustav Jung – A Estrutura da Alma

Carl Jung_Memórias, Sonhos, Reflexões



Filmes:

1.Programa BBC Face to Face, legendado, uma entrevista histórica com Jung na década de 50: http://www.youtube.com/watch?v=h2WkkPtTT1w

2. Filme “Jornada da Alma”, dividido em 10 partes, aqui o link da primeira parte, você pode achar as outras partes facilmente neste mesmo link: http://www.youtube.com/watch?v=_1XJIFKxGJ4

3. Filme “Um método perigoso”, mostra o início da psicanálise: http://www.youtube.com/watch?v=KBbnrIejvjY