quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A liberdade do perdão e do auto-perdão



— É vaidade de nossa parte querermos agradar a todo mundo. Jesus, que foi o ser mais perfeito que já veio a este planeta, não conseguiu.

— Jesus praticou só o bem, e claro, num mundo de expiação e provas, isso contraria muitos interesses. Quem se contraria com a prática do bem, não está com boas intenções.

— Não devemos nos preocupar com isso, nem pensar em ser o estereótipo do “bom moço” ou da “boa moça”.

— Não é um bom sinal, portanto, quando todos têm uma boa impressão sobre nós —certamente há muita falsidade no meio disso. Isso não é atestado de boa conduta.

— Lembre-se da parábola em que Jesus diz que não há como servir a Deus e a Mamon. Na época de Jesus, Mamon era uma espécie de demônio, ligado às coisas financeiras, às posses materiais.

— Se estamos sendo rigorosos na prática da honestidade e da Caridade, fica complicado não achar alguém a quem desagrademos.

— Como há gente que não se preocupa tanto com estes valores, se nós nos esforçamos por eles, é óbvio que vamos contrariar os interesses destas pessoas. Portanto, vamos tomar cuidado com a hipocrisia.

— Nunca devemos forçar as pessoas, nem as situações.

— Se estamos levando esclarecimento, auxílio, e vemos que a pessoa está interessada, vamos continuar. Mas se a pessoa não está interessada em ouvir, é perda de tempo. Vamos deixar a pessoa no rumo dela, e no final das contas ela vai acabar aprendendo.

— Jesus não veio para nos transformar em seres perfeitos. Mas para ensinar o caminho para que possamos construir nossa própria perfeição.

— Devemos então construir o Reino de Deus dentro do nosso próprio coração, sem nos preocuparmos com os erros dos outros, mas apenas com nossos próprios.

— Polemizar nunca é bom. Se você esquece o erro, ele desaparece. O que é bom vai ficar. O que é mal, não.

O perdão liberta

— Mas, para perdoar, não é preciso esperar que o inimigo se arrependa? E se o malfeitor tentar nos prejudicar, inclusive com falsidade?

— O perdão não extingue a necessidade da vigilância, ensina Jesus. Mesmo que eu perdoe, devo ter cuidado para não dar chances para que a pessoa que tenha me prejudicado volte a fazer algum tipo de mal. Isso seria faltar com a Caridade.

— Da mesma forma, o amor não prescinde da verdade. A paz é um patrimônio que precisamos todos defender, fazendo aquilo que estiver em nosso alcance.

— Devemos perdoar e pronto, sem ficar pensando se o outro perdoou ou se arrependeu —se fico pensando, ainda o cobro de alguma forma.

— A única forma de esquecer o mal é criar o bem. Não vou conseguir crescer espiritualmente se odiar alguém —portanto, se espero alguém se arrepender, e a pessoa demora 200 anos, 300 anos para se arrepender, vou ficar marcando passo ao lado dela? Preciso, então, perdoar.

Perdoar a si mesmo

— O auto-perdão é fundamental também.

— A partir do momento em que você erra, vem o arrependimento. Se ele continuar lhe sufocando, você não terá força para reagir.

— As pessoas mais orgulhosas têm mais dificuldade para isso —a humildade é fundamental.

— Se sou orgulhoso, acho-me muito bom. No fundo, poderia traduzir meu pensamento assim: “Como um ser tão perfeito foi fazer isso?”.

— Se tenho humildade, penso o contrário e fico mais leve. Errei porque sou imperfeito, tenho defeitos, e está na hora de parar para consertar.

— O auto-perdão então ajuda a eliminar o sentimento de culpa, que é algo terrível.

— Ao invés de se deixar dominar pelo sentimento de culpa, use o auto-perdão. Mude —culpa não resolve o problema de ninguém.

— Tive capacidade de fazer o mal? Então eu tenho capacidade. Vou usá-la para fazer o bem. Dá trabalho? Claro. Mas vou conseguir.

Palestra conferida por André Luiz (espírito) em São Paulo no dia 03/03/2010 durante comentário do capítulo 10 (O Perdão) do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos.