domingo, 14 de fevereiro de 2016

Falatórios

Falatórios

"Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade."
Paulo. (II Timóteo, 2:16.)

   Poucas expressões da vida social ou doméstica são tão perigosas quanto o falatório desvairado, que oferece vasto lugar aos monstros do crime.
   A atividade religiosa e científica há descoberto numerosos fatores de desequilíbrio no mundo, colaborando eficazmente por extinguir lhes os focos essenciais.
   Quanto se há trabalhado, louvavelmente, no combate ao álcool e à sífilis?
   Ninguém lhes contesta a influência destruidora. Arruínam coletividades, estragam a saúde, deprimem o caráter.
   Não nos esqueçamos, porém, do falatório maligno que sempre forma, em derredor, imensa família de elementos enfermiços ou aviltantes, à feição de vermes letais que proliferam no silêncio e operam nas sombras.
   Raros meditam nisto.
   Não será, porventura, o verbo desregrado o pai da calúnia, da maledicência, do mexerico, da leviandade, da perturbação?
   Deus criou a palavra, o homem engendrou o falatório.
   A palavra digna infunde consolação e vida. A murmuração perniciosa propicia a morte.
   Quantos inimigos da paz do homem se aproveitam do vozerio insensato, para cumprirem criminosos desejos?
   Se o álcool embriaga os viciosos, aniquilando lhes as energias, que dizer da língua transviada do bem que destrói vigorosas sementeiras de felicidade e sabedoria, amor e paz? Se há educadores preocupados com a intromissão da sífilis, por que a indiferença alusiva aos desvarios da conversação?
   Em toda parte, a palavra é índice de nossa posição evolutiva. Indispensável aprimorá-la, iluminá-la e enobrecê-la.
   Desprezar as sagradas possibilidades do verbo, quando a mensagem de Jesus já esteja brilhando em torno de nós, constitui ruinoso relaxamento de nossa vida, diante de Deus e da própria consciência.
   Cada frase do discípulo do Evangelho deve ter lugar digno e adequado.
   Falatório é desperdício. E quando assim não seja, não passa de escura corrente de venenos psíquicos, ameaçando Espíritos valorosos e comunidades inteiras.

 Do cap. 73 do livro Vinha de Luz, de Emmanuel, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
Essa página tem me assombrado durante as últimas semanas.
Hoje estou me desafiando duplamente.
Eu tenho que enfrentar essa página e fazer um acordo comigo mesmo, desafio 01, e quero fazer isso escrevendo no blog, mas sendo totalmente honesta, desafio 02.
Eu já havia lido essa página em algum momento da minha vida. Esse ano, em uma prece do dij de terça ou sábado, lemos novamente e aí me pegou em cheio.
Não sei se é porque tenho me absorvido demais no falatório ou porque amadureci moralmente para me doer tanto com isso. Prefiro acreditar no segundo.
Vamos ser honestos?
O falatório é quase uma ferramenta social do lado negro da força. Aquela fofoquinha, aquele veneninho que se troca quando acaba o assunto (tem até aqueles momentos que se juntam para trocar essas figurinhas) são bem evidentes, seja entre amigos, família, trabalho e até âmbito religioso.
Raro mesmo é ver quem se controla pra não cometer tal mal.
Nos últimos tempos, toda vez que eu incito uma roda de falatório, contribuo ou simplesmente estou no mesma conversa, a página do Vinha de Luz fica em pisca-alerta na minha consciência.
Não quero que pareça falso moralismo, mas desde que me reconheci e me assumi como uma agente do cristianismo, tento buscar com afinco ser espelho da palavra de Jesus. É uma missão difícil, mas tentando que se começa, certo?
Estou num processo de extirpar o hábito do falatório. Mas, qual é o primeiro passo? O que é falatório e o que é aceitável?
Eu já li na internet, há muito tempo, um texto sobre as três peneiras:
 "Um homem, procurou sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de...
Nem chegou a terminar a frase, quando o sábio ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras?
- Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
 - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
 - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
 - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo.
Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras."
É bizarramente simples e claro os três pontos de reflexão na hora de fazer um comentário sobre algo ou alguém. Difícil mesmo é seguir.
1) É verdade? 2) É caridoso da nossa parte? 3) Tem necessidade?
A primeira peneira é a mais fácil de obedecer, no meu caso. Se algo não é verdade, ou é uma meia verdade, eu faço um alerta ou simplesmente não reproduzo.
A segunda e terceira são minhas peneiras mais vazadas.
Jesus nos disse que é para amar nosso próximo como a nós mesmos, então, esse exercício de pensar se nós gostaríamos de sermos alvo dos comentários que estamos proferindo é um baita freio.
Eu tenho um pânico extremo de achar que estou sendo mal julgada ou que simplesmente estão comentando de mim sem poder me justificar ou defender. Então por que ainda insisto em fazer isso com os outros?
Existe uma porção de textos, de passagens espíritas que nos dá a instrução de ocultar da nossa percepção os defeitos do próximo, seja enaltecendo suas virtudes ou perdoando pela caridade as suas características imperfeitas.
Sobre a necessidade, é uma peneira que eu gosto de forjar bastante. Eu sempre penso: "ah! Só estou alertando!", "Ué, mas é verdade mesmo.", "Essa é minha opinião, só estou dando." Mas é um alerta válido? É algo que realmente  vai ajudar se eu expor ou é mera tricotagem?
O que mais me arde é já ter consciência disso tudo e não praticar. Acho bem difícil não sabermos, no fundo, que tudo isso deve ser respeitado.
Qual é o limite que define o falatório?  Tudo que comentamos a respeito de alguém é falatório e deve ser evitado?
Essas perguntas não são retóricas. Eu realmente não sei.
Na mesma conversa com Fê neném, ele falou que o limite dele é o falar destrutivamente. Quando ele percebe que a conversa tá indo num tom massacrante. Mas que comentar, trocar opinião a respeito  de determinada atitude ou característica da personalidade do sujeito é aceitável.
Eu acho que isso tudo é uma linha muito tênue. Não quero dizer que vou ser alguém que não fala sobre os outros quando, na verdade, não sei o quanto isso é necessário para ser cristão de verdade.
Concordo um pouco com a linha de pensamento do Felipe. O grande mal é o como a gente fala, quando é uma fala distante das boas intenções e é simplesmente fofoca.  O difícil é não cair pro outro lado, né?
Eu gostaria de verdade achar um caminho bom para seguir nesse sentido. Eu quero me despir dos velhos hábitos e mirar nos bons exemplos que me cercam: sejam os grandes espíritos da história ou aqueles ainda na fase de engrandecimento que me cercam nesse plano encarnados.
Quero pedir sinceras desculpas para os meus alvos de falatórios enterrando o hábito que antes os condenou.
Não fiz muito esforço para organizar melhor o texto porque o tema não está muito organizado na minha cabeça. Acho que todo mundo meio que sabe que se entregar nesse vício é prejudicial ao espírito e ao ambiente que nos inserimos. De hoje em diante (promessa de dedinho), não quero ser mais um fonte de más irradiações e contaminando a vibração das comunidades que faço parte.
Acho que seguindo assim, todo mundo sai ganhando.