Se fosses o pedinte agoniado que estende a mão à bondade pública...
Se fosses a mãezinha infeliz, atormentada pelo choro dos filhinhos que desfalecem de fome...
Se fosses a criança que vagueia desprotegida à margem do lar...
Se fosses o pai de família, atribulado, ante a doença e a penúria que lhe devastam a casa...
Se fosses o enfermo desamparado, suplicando
remédio...
Se fosses a criatura caída em desvalimento, implorando compreensão...
Se fosses o absidiado, carregando inomináveis suplícios interiores, para desvencilhar-se das trevas...
Se fosses o velhinho atirado às incertezas da
rua...
Se fosses o necessitado que te roga socorro, decerto perceberias com mais segurança a função da fraternidade para sustento da vida.
Se estivéssemos no lado da dificuldade maior que a nossa, compreenderíamos, de imediato, o imperativo da caridade incessante e do auxílio mútuo.
Reflitamos nisso. E nós, que nos afeiçoamos a estudos diversos, com vistas à edificação da felicidade e ao aperfeiçoamento do mundo, façamos, quanto possível, semelhante exercício de compaixão.
terça-feira, 14 de julho de 2015
A mensagem da compaixão
A mensagem da compaixão
Dentro da noite clara, a assembleia familiar em casa de Pedro centralizara-se no exame das dificuldades no trato com as pessoas.
Como estender os valores da Boa Nova? Como instalar o mesmo dom e a mesma bênção em mentalidades diversas entre si?
Findo o longo debate fraternal, em que Jesus se mantivera em pesado silêncio, João perguntou-lhe, preocupado:
— Senhor, que fazer diante da calúnia que nos dilacera o coração?
— Tem piedade do caluniador e trabalha no bem de todos — respondeu o Celeste Mentor, sorrindo —, porque o amor desfaz as trevas do mal e o serviço destrói a ideia desrespeitosa.
— Mestre — ajuntou Tiago, filho de Zebedeu —, e como agir perante aquele que nos ataca, brutalmente?
— Um homem que se conduz pela violência — acentuou o Cristo, bondoso —, deve estar louco ou envenenado. Auxiliemo-lo a refazer-se.
— Senhor — aduziu Judas, mostrando os olhos esfogueados —, e quando o homem que nos ofende se reveste de autoridade respeitável, qual seja a dum príncipe ou dum sacerdote, com todas as aparências do ordenador consciente e normal?
— A serpente pode ocultar-se num ramo de flores e há vermes que se habituam nos frutos de bela apresentação. O homem de elevada categoria que se revele violento e cruel é enfermo, ainda assim. Compadece-te dele, porque dorme num pesadelo de escuras ilusões, do qual será constrangido a despertar, um dia. Ampara-o como puderes e marcha em teu caminho, agindo na felicidade comum.
— Mestre, e quando a nossa casa é atormentada por um crime? Como procederei diante daquele que me atraiçoa a confiança, que me desonra o nome ou me ensanguenta o lar?
— Apiada-te do delinquente de qualquer classe — elucidou Jesus — e não desejes violar a Lei que o próximo desrespeitou, porque o perseguidor e o criminoso de todas as situações carrega consigo abrasadora fogueira. Uma falta não resgata outra falta e o sangue não lava sangue. Perdoa e ajuda. O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu esforço.
— Mestre — atalhou Bartolomeu —, que fazer do juiz que nos condena com parcialidade?
— Tem compaixão dele e continua cooperando no bem de todos os que te cercam. Há sempre um juiz mais alto, analisando aqueles que censuram ou amaldiçoam e, além de um horizonte, outros horizontes se desdobram, mais dilatados e luminosos.
— Senhor — indagou Tadeu —, como proceder diante da mulher que amamos, quando se entrega às quedas morais?
— Jesus fitou-o com brandura, e inquiriu, por sua vez:
— Os sofrimentos íntimos que a dilaceram, dia e noite, não constituirão, por si só, aflitiva punição?
Fez-se balsâmico silêncio no círculo doméstico e, logo ao perceber que os aprendizes haviam cessado as interrogações, o Senhor concluiu:
— Se pretendemos banir os males do mundo, cultivemos o amor que se compadece no serviço que constrói para a felicidade de todos. Ninguém se engane. As horas são inflexíveis instrumentos da Lei que distribui a cada um, segundo as suas obras. Ninguém procure sanar um crime, praticando outros crimes, porque o tempo tudo transforma na Terra, operando com as labaredas do sofrimento ou com o gelo da morte.
Dentro da noite clara, a assembleia familiar em casa de Pedro centralizara-se no exame das dificuldades no trato com as pessoas.
Como estender os valores da Boa Nova? Como instalar o mesmo dom e a mesma bênção em mentalidades diversas entre si?
Findo o longo debate fraternal, em que Jesus se mantivera em pesado silêncio, João perguntou-lhe, preocupado:
— Senhor, que fazer diante da calúnia que nos dilacera o coração?
— Tem piedade do caluniador e trabalha no bem de todos — respondeu o Celeste Mentor, sorrindo —, porque o amor desfaz as trevas do mal e o serviço destrói a ideia desrespeitosa.
— Mestre — ajuntou Tiago, filho de Zebedeu —, e como agir perante aquele que nos ataca, brutalmente?
— Um homem que se conduz pela violência — acentuou o Cristo, bondoso —, deve estar louco ou envenenado. Auxiliemo-lo a refazer-se.
— Senhor — aduziu Judas, mostrando os olhos esfogueados —, e quando o homem que nos ofende se reveste de autoridade respeitável, qual seja a dum príncipe ou dum sacerdote, com todas as aparências do ordenador consciente e normal?
— A serpente pode ocultar-se num ramo de flores e há vermes que se habituam nos frutos de bela apresentação. O homem de elevada categoria que se revele violento e cruel é enfermo, ainda assim. Compadece-te dele, porque dorme num pesadelo de escuras ilusões, do qual será constrangido a despertar, um dia. Ampara-o como puderes e marcha em teu caminho, agindo na felicidade comum.
— Mestre, e quando a nossa casa é atormentada por um crime? Como procederei diante daquele que me atraiçoa a confiança, que me desonra o nome ou me ensanguenta o lar?
— Apiada-te do delinquente de qualquer classe — elucidou Jesus — e não desejes violar a Lei que o próximo desrespeitou, porque o perseguidor e o criminoso de todas as situações carrega consigo abrasadora fogueira. Uma falta não resgata outra falta e o sangue não lava sangue. Perdoa e ajuda. O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu esforço.
— Mestre — atalhou Bartolomeu —, que fazer do juiz que nos condena com parcialidade?
— Tem compaixão dele e continua cooperando no bem de todos os que te cercam. Há sempre um juiz mais alto, analisando aqueles que censuram ou amaldiçoam e, além de um horizonte, outros horizontes se desdobram, mais dilatados e luminosos.
— Senhor — indagou Tadeu —, como proceder diante da mulher que amamos, quando se entrega às quedas morais?
— Jesus fitou-o com brandura, e inquiriu, por sua vez:
— Os sofrimentos íntimos que a dilaceram, dia e noite, não constituirão, por si só, aflitiva punição?
Fez-se balsâmico silêncio no círculo doméstico e, logo ao perceber que os aprendizes haviam cessado as interrogações, o Senhor concluiu:
— Se pretendemos banir os males do mundo, cultivemos o amor que se compadece no serviço que constrói para a felicidade de todos. Ninguém se engane. As horas são inflexíveis instrumentos da Lei que distribui a cada um, segundo as suas obras. Ninguém procure sanar um crime, praticando outros crimes, porque o tempo tudo transforma na Terra, operando com as labaredas do sofrimento ou com o gelo da morte.
Compaixão - Momento Espírita
Hamilton é um homem simples. Trabalha como operador de escavadeira, na cidade de Salvador, Bahia.
Em certa manhã, ele recebeu uma missão difícil de realizar: deveria destruir as duas casas singelas onde Telma morava com o marido, sete filhos e mais cinco parentes.
O terreno em que Telma construíra suas casinhas, fora doado a sua mãe por um antigo patrão, mas o patrão teria vendido essa propriedade a um engenheiro.
O suposto comprador entrou na justiça com o pedido de reintegração de posse e o processo foi julgado a seu favor.
A família de Telma deveria ser despejada.
E lá foi Hamilton...
Tomou o volante da máquina e apontou para as casas, mas não conseguiu avançar.
A cena era comovente...
Sentada na calçada, com alguns dos filhos, estava Telma.
Com seu salário de merendeira, certamente não teria condições de alugar uma casa para abrigar sua família numerosa.
Com a cabeça apoiada nas mãos, Telma chorava discretamente.
Hamilton, pai de nove crianças, não resistiu e também chorou.
Desligou a máquina. Desobedecendo a ordem de um dos policiais que estava lá para garantir o despejo, ele se recusou a executar o serviço.
Endureça seu coração e cumpra a ordem, falou o policial.
O operário não se moveu. Pela desobediência, recebeu ordem de prisão.
Como era hipertenso, Hamilton passou mal e teve de ser levado ao hospital.
A história entrou nos noticiários da noite.
Hamilton teve a prisão revogada e virou herói nacional.
Duas semanas depois, a Prefeitura de Salvador anunciava que regularizaria o terreno de Telma, para que ela pudesse morar sem temer outra ação de despejo.
* * *
A compaixão é um sentimento nobre, que brota nos corações daqueles que se deixam sensibilizar pelo sofrimento dos outros.
Sem se importar somente com a parentela corporal, quem tem compaixão se coloca no lugar daqueles que sofrem, mesmo que jamais os tenha visto.
É um sentimento que, segundo Jesus, deveria animar o coração do cristão verdadeiro.
Colocar-se no lugar dos semelhantes, fazer o que gostaria que lhe fosse feito: eis um princípio de fraternidade e solidariedade verdadeiras.
Como Hamilton, o operário que virou herói nacional, existem muitos anônimos que lutam pelos direitos dos outros com disposição e coragem.
E a compaixão é muito comum onde a pobreza é mais acentuada.
Quem sofre ou já sofreu, geralmente se compadece quando percebe alguém sofrendo.
Essa empatia, no entanto, não se constitui regra, pois existem pessoas que são indiferentes ao sofrimento alheio, ainda que conheçam de perto o que é sofrer.
Jesus, o Mestre, ergueu bem alto essa bandeira, recomendando que façamos ao próximo o que gostaríamos que o próximo nos fizesse.
E quem não gostaria de receber do próximo sentimentos de compaixão e indulgência?
Bem, a receita está aí. E a Humanidade já a conhece há, pelo menos, dois milênios.
É simples e não precisa ter dinheiro nem poder para exercê-la. Basta ter um coração piedoso, como o de Hamilton.
* * *
A piedade fraternal, que é o amor em começo, filha dileta da caridade excelsa, logo descobre como coparticipar de todo esse triste festival de angústias no cenário desolador das dores humanas.
Redação do Momento Espírita,
com base em matéria publicada no Almanaque Brasil de
Cultura Popular, nº 55, de outubro de 2003 e no verbete Piedade, do
livro Repositório de sabedoria, v. II, ed. Leal.
Em 6.8.2012.
Em certa manhã, ele recebeu uma missão difícil de realizar: deveria destruir as duas casas singelas onde Telma morava com o marido, sete filhos e mais cinco parentes.
O terreno em que Telma construíra suas casinhas, fora doado a sua mãe por um antigo patrão, mas o patrão teria vendido essa propriedade a um engenheiro.
O suposto comprador entrou na justiça com o pedido de reintegração de posse e o processo foi julgado a seu favor.
A família de Telma deveria ser despejada.
E lá foi Hamilton...
Tomou o volante da máquina e apontou para as casas, mas não conseguiu avançar.
A cena era comovente...
Sentada na calçada, com alguns dos filhos, estava Telma.
Com seu salário de merendeira, certamente não teria condições de alugar uma casa para abrigar sua família numerosa.
Com a cabeça apoiada nas mãos, Telma chorava discretamente.
Hamilton, pai de nove crianças, não resistiu e também chorou.
Desligou a máquina. Desobedecendo a ordem de um dos policiais que estava lá para garantir o despejo, ele se recusou a executar o serviço.
Endureça seu coração e cumpra a ordem, falou o policial.
O operário não se moveu. Pela desobediência, recebeu ordem de prisão.
Como era hipertenso, Hamilton passou mal e teve de ser levado ao hospital.
A história entrou nos noticiários da noite.
Hamilton teve a prisão revogada e virou herói nacional.
Duas semanas depois, a Prefeitura de Salvador anunciava que regularizaria o terreno de Telma, para que ela pudesse morar sem temer outra ação de despejo.
* * *
A compaixão é um sentimento nobre, que brota nos corações daqueles que se deixam sensibilizar pelo sofrimento dos outros.
Sem se importar somente com a parentela corporal, quem tem compaixão se coloca no lugar daqueles que sofrem, mesmo que jamais os tenha visto.
É um sentimento que, segundo Jesus, deveria animar o coração do cristão verdadeiro.
Colocar-se no lugar dos semelhantes, fazer o que gostaria que lhe fosse feito: eis um princípio de fraternidade e solidariedade verdadeiras.
Como Hamilton, o operário que virou herói nacional, existem muitos anônimos que lutam pelos direitos dos outros com disposição e coragem.
E a compaixão é muito comum onde a pobreza é mais acentuada.
Quem sofre ou já sofreu, geralmente se compadece quando percebe alguém sofrendo.
Essa empatia, no entanto, não se constitui regra, pois existem pessoas que são indiferentes ao sofrimento alheio, ainda que conheçam de perto o que é sofrer.
Jesus, o Mestre, ergueu bem alto essa bandeira, recomendando que façamos ao próximo o que gostaríamos que o próximo nos fizesse.
E quem não gostaria de receber do próximo sentimentos de compaixão e indulgência?
Bem, a receita está aí. E a Humanidade já a conhece há, pelo menos, dois milênios.
É simples e não precisa ter dinheiro nem poder para exercê-la. Basta ter um coração piedoso, como o de Hamilton.
* * *
A piedade fraternal, que é o amor em começo, filha dileta da caridade excelsa, logo descobre como coparticipar de todo esse triste festival de angústias no cenário desolador das dores humanas.
Redação do Momento Espírita,
com base em matéria publicada no Almanaque Brasil de
Cultura Popular, nº 55, de outubro de 2003 e no verbete Piedade, do
livro Repositório de sabedoria, v. II, ed. Leal.
Em 6.8.2012.
Aulas de Compaixão
E o mentor, finalizando a aula valiosa, falou com simplicidade:
– Para auxiliar com segurança nas trilhas humanas, é necessário que a compaixão se nos faça base em qualquer atitude.
Nenhuma exasperação conduz à beneficência.
Qualquer apontamento destrutivo é agente perturbador no campo das boas obras.
Entreguemo-nos à sementeira do amor, sem aguardar qualquer tributo de gratidão.
Os espíritos reencarnados trazem por si pesada carga de tribulações, para que nos seja lícito atormentá-los com admoestações e censuras.
Quase sempre, todos eles sofrem e choram…
Esse apresenta alto nível de vigor, no entanto, carrega as desvantagens da precipitação; aquele atingiu a segurança econômica, mas transporta enfermidade oculta a frenar-lhe os movimentos; outro acumulou enorme fortuna, contudo, lastima o desequilíbrio dos descendentes; outros muitos que ontem se mostravam despreocupados, hoje lamentam a perda de criaturas inesquecíveis; esse conquistou a fama, entretanto, se vê relegado à solidão; aquele que obteve influência e poder sobre milhares de pessoas, todavia, precisa apoiar-se em algum coração amigo, a fim de não cair sob o peso das próprias obrigações; outro é sábio, mas necessita escorar-se em alguém, de modo a não sucumbir ante as exigências da vida comunitária; e outros muitos se destacam em campeonatos de beleza e inteligência, no entanto, acalentam consigo os impulsos negativos que os aproximam da doença e da morte.
Misericórdia para todos é o que nos pede o Senhor da vida.
O instrutor dera por terminada as elucidações, mas um companheiro abeirou-se dele e perguntou:
– Professor, existirá, porventura, algum processo pelo qual possamos instalar facilmente a compaixão por dentro de nós?
O interpelado sorriu com bondade e rematou:
– Amigo, a compaixão é fruto do discernimento. Quantos de nós, que nos achamos neste recinto, já atravessamos as estradas humanas, e, por isso, conhecemos quanto custa trabalhar pelo bem nos constrangimentos e dificuldades do plano físico. Em razão disso, recordemos a lição de Jesus: aquele de nós que houver passado pelo caminho dos homens, com a grandeza dos anjos, atire a primeira pedra.
Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Deus Aguarda
O QUE É COMPAIXÃO?
O QUE É COMPAIXÃO?
Quanto mais compaixão tivermos pelos outros, mais nossa visão de mundo se expandirá. Toda criatura digna tem como característica comum a compaixão.
A compaixão não considera as vestes físicas. Encoraja homens e mulheres, adultos e crianças, europeus e asiáticos, a descobrir sua essência real, a reencontrar suas necessidades naturais e a expressar sua unicidade como seres humanos. A partir daí, todos se favorecem, não apenas por terem maior liberdade de agir e pensar, mas também por terem autonomia de modificar suas vidas, modificando sua mentalidade.
A compaixão e a sensibilidade são partes do amor cristão e ferramentas eficazes para entrarmos em contato com o que os outros sentem e escutá-los com atenção silenciosa. Só podemos expressar autêntica compaixão se utilizarmos uma atmosfera de aceitação e respeito pelas dificuldades alheias. Dessa maneira podemos penetrar e tocar o Espírito de outra pessoa.
Quanto mais compaixão tivermos pelos outros, mais nossa visão de mundo se expandirá. Toda criatura digna tem como característica comum a compaixão.
“(…) Que os antigos tenham visto no Senhor do Universo um deus terrível, ciumento e vingativo, isso se concebe; na sua ignorância, emprestaram à divindade as paixões dos homens. Mas não está aí o Deus dos cristãos que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no lugar das primeiras virtudes: poderia ele próprio faltar às qualidades das quais faz um dever? Não há contradição em atribuir-lhe a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo ele é justo, e que o homem não compreende sua justiça, mas justiça não exclui a bondade, e ele não seria bom se consagrasse penas horríveis, perpétuas, à maior parte das suas criaturas (…)”.
Alguns dicionários oferecem as palavras pena e dó como vocábulos de significação semelhante ao termo compaixão. No entanto, há diferença considerável entre elas. A base do aspecto conceitual da pena e do dó tem profunda ligação com uma restrita forma de ver, ou seja, o sentimento do indivíduo estaria confinado a uma linha horizontal, enquanto a compaixão estaria vinculada a uma atuação vertical.
Se nos expressamos utilizando essa alegoria de linhas geométricas, é para bem elucidar os limites em que todos nós estamos circunscritos, em se tratando do campo do sentimento e da emoção.
Ter dó aprende-se socialmente; quando temos dó ou pena de alguém é porque acreditamos que essa criatura é impotente e inferior e que, sem a nossa ajuda, não será capaz de resolver sua problemática existencial. Em outras palavras, subentende-se: “sinto-me mais poderoso, importante, eficiente e superior em relação a ela”.
Por outro lado, o sentimento de compaixão provém das profundezas da alma, envolve o sofredor em um clima de generosidade, utilizando como forma de ajuda a solidariedade. Na atitude compassiva, a criatura vê o necessitado de igual para igual, sem nenhuma distinção, e percebe que ele precisa de uma mão amiga naquele momento circunstancial e aflitivo de sua vida.
Ter compaixão é lembrar que a dor do outro poderia ser sua. É reconhecer o sofrimento do próximo e ajudá-lo a superar o momento difícil. A compaixão está intimamente ligada à ação.
O grande “pecado” que ocorre nos dias atuais entre os povos e raças e, da mesma forma, em todas as áreas dos relacionamentos humanos é a indiferença e a insensibilidade com a condição aflitiva dos seres humanos.
A insensibilidade é a mais vil transgressão das leis naturais, porque ela corrói e destrói o modo solidário de ser e viver, não só em família, mas também em sociedade.
A alegoria evangélica que o Mestre Jesus fez das sementes que caíram ao longo do caminho, entre os espinhos e sobre pedregulhos, nos faz recordar os relacionamentos que não germinam sufocados pela frieza e pela superficialidade que frequentemente existem entre os seres humanos. Um olhar atencioso e um abraço carinhoso curam mais do que inúmeras caixas de remédios – o amor expressado dissipa toda e qualquer enfermidade.
Através dos olhos da alma podemos identificar com maior nitidez as aflições e dores escondidas nos outros e, dessa forma, reconfortá-los ou acalentá-los com os braços da compaixão.
Fonte: extraído do livro “Os prazeres da alma”, de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed – Editora Boa Nova.
NA LUZ DA COMPAIXÃO
"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia". - Jesus.
(MATEUS, 5:7)
Misericórdia, significa compaixão pela dor, pelo sofrimento alheio, por isso, tendo compaixão do próximo, sentindo a extensão da dor do outro, e fazendo algo de útil em seu benefício para diminuir seu sofrimento, alcançaremos a misericórdia do Pai, que se exterioriza oferecendo meios para que nada falte ao homem.
Ter compaixão significa, também, saber perdoar, esquecimento das ofensas.
Quando Jesus disse a Pedro, que se deve perdoar ao irmão, não sete vezes, mas, setenta vezes sete, ensinou que a misericórdia não tem limites.
Quando compreendermos, que a dor é uma benção que Deus permite para testar a nossa confiança na sua justiça, a nossa postura diante das ofensas, humilhações, ironias, etc. será de tolerância, compreensão para com quem nos agride, porque já teremos condições de entender que a ignorância gera todos os males. Pois, é pela ignorância das Leis Divinas que as pessoas cometem enganos.
Se ao tomar conhecimento dessas Leis, a criatura refletir, meditar procurando interiorizá-las, o seu comportamento, o seu modo de ver a vida se modifica para melhor, passando então, a ser mais compreensiva, mais tolerante porque percebe que ela própria comete enganos.
Fica evidente que erros são filhos da ignorância, que à medida que o Espírito aprende e melhora, as suas atitudes também melhoram.
Com essa compreensão aprende a desculpar, a perdoar verdadeiramente as ofensas que recebe, porque sabe que é melhor ser agredido do que ser o agressor.
Como a Lei de Causa e Efeito está sempre agindo, quando usarmos de misericórdia para com o próximo, também, por nossa vez receberemos misericórdia, porque todos somos suscetíveis de erros.
Em todas as situações difíceis o cristão deve manter firmeza interior, porque assim estará agindo com entendimento e compaixão.
"Deixa que a luz da compaixão te clareie a rota, para que a sombra te não envolva".
Maria Aparecida Ferreira Lovo
Abril / 2007
Pena ou Compaixão
Você já sentiu pena de alguém que está passando por sérias dificuldades? E de si mesmo? E daquela barata semi-esmagada, bem abaixo de seus pés, aguardando a última pisada? Ê tema complicado.
É comum que digamos estar sentindo pena de alguém. Não menos comum é ouvirmos que não se quer que ninguém sinta pena de si. Pena parece algo humilhante, ofensivo, dá entender que a pessoa está, digamos, acabada. De outro lado, quem sente pena, está sensibilizado, gostaria de ajudar, quer o bem da pessoa que passa por dificuldade. Não obstante a boa vontade, precisamos estabelecer importante diferença entre pena e compaixão.
A percepção de quem sente pena é de cima para baixo, de alguém que se acha melhor e mais forte – naquele particular momento – do que o outro de quem se tem pena. Mais que isso, a pena pressupõe que percebemos o outro incapaz de reagir, de conseguir erguer-se por si só. Por isso, a atitude de quem sente pena é exageradamente passional, mas nitidamente fora do foco, desviante, porque busca prestar solidariedade ao outro sem acreditar na força da pessoa em dificuldade. Pior que isso, geralmente quem sente pena traz no seu íntimo uma negação implícita de empatia, pois não raro confessa: “não queria estar no lugar dele”. Ora, como ter empatia, sem buscar a sintonia fina com a dor alheia? Isso gera atitudes distanciadas, humilhantes e reforça no outro a sensação de que ele é um coitadinho e que o problema que ele vai ter de enfrentar é um monstro horrendo e quase invencível, devorador de esperanças. De tabela, faz o outro se sentir perdido, incapaz e dependente da ajuda exterior, na medida que não lhe desperta o interesse de aprender e coragem de crescer com a situação.
Carl Rogers, notável psiquiatra americano já falecido, um dos precursores da psicologia humanista e criador da terapia centrada na pessoa, afirma que toda pessoa tem o que chamou de tendência realizadora, que nos conduz à luz interior, que nos arrasta para o crescimento. Rogers defende a tese de que todos temos as respostas para nossas inquietações e as potencialidades necessárias para resolvermos nossos problemas. Algo parecido com a afirmação crística de que o Reino dos Céus está em nós? Não é mera coincidência. Ter pena é, pois, negar a tendência realizadora do ser humano e sua capacidade de crescimento. Na doutrina budista, a compaixão é a pedra fundamental dos ensinamentos de Buda. O Dalai-Lama – líder espiritual do Budismo Tibetano - tem girado o mundo ensinando e defendendo que tenhamos uma vida mais compassiva. Nos últimos anos a ciência tem atestado inúmeros benefícios à saúde desse estilo de vida.
Com o estudo adiantado e sistematizado do que acontece no mundo dos espíritos, já sabemos que a lei do progresso preside o universo. Tudo avança. Todas as pessoas trazem em si o gérmen da evolução. Todas. Ter pena é subestimar, negar mesmo a lei do progresso.
A compaixão exige outra atitude. Ter compaixão é ser empático, ou seja, é nivelar-se com o outro, ombreando-o lado a lado, sem, contudo, carregá-lo. Por isso, imprescindível que se acredite nele e que ele também volte a acreditar em si e na vida, mesmo com suas naturais agruras. Geralmente pessoas que passam por grandes dificuldades têm afetados núcleos íntimos importantíssimos à essência humana, como a auto-estima, a auto-confiança, o amor-próprio, a fé, a capacidade de iniciativa e empreendimento, o discernimento crítico, o senso de oportunidade e de gestão, a capacidade de entregar-se e, principalmente, de amar. Ser compassivo é ajudar de forma eficaz a reconstrução dessa essencialidade, então desestruturada por um momento difícil. Veja que não disse que essas potencialidades se perderam. Disse que estão desestruturadas, embaralhadas entre sentimentos ambíguos e pensamentos confusos. O que Carl Rogers fazia? Escutava. Desenvolveu técnicas terapêuticas onde era muito mais importante ouvir do que dar conselhos prontos. Qual seu método? Algo similar a maiêutica socrática, ou seja, através de perguntas que conduzem o interlocutor às suas próprias conclusões. Através de suas técnicas, Rogers propiciava – sem pena ou dó, mas de forma compassiva - que a pessoa fizesse uma viagem para dentro de si mesma em busca de seu eu, de sua essência. Ouvir, respeitosa e inteligentemente, é apenas uma forma de ser compassivo. Quem tem pena, como dito alhures, quer distância, não deseja envolvimento, traz os conselhos embrulhados com lacinho e tudo, os doa ao coitadinho e tchau, quase sempre fazendo um discurso de entrega da salvação sobre seu próprio exemplo de vida. Paulo Freire – maior pedagogo que essa pátria pariu - sempre afirmou que a liberdade não pode ser doada, mas conquistada.
Mas de tudo, o mais perigoso mesmo é a autocomiseração. Trocando em miúdos, é sentir pena de si mesmo. Diria que é o resultado da impregnação do sentimento de pena que tanto recebeu dos outros, passando a hospedá-lo em seu íntimo e a comportar-se como um desgraçado. Outro dia acompanhei duas senhoras disputando desgraças. Uma falava de sua vida enfermiça, listando as intermináveis mazelas de seu corpo físico. A outra, para não ficar por baixo, alardeava as suas. Do cabelo ao coração, não teve órgão são (até rimou). Quando no final das contas o placar deu empate, deixaram as doenças e travaram combate no campo emocional. _ Por que a senhora não tem o marido que eu tenho. Eu sou uma desafortunada mesmo. Não?! Respondia a outra, cheia de argumentos. _ O meu é que é dose pra leão. Começa pelo ronco (neste momento devo admitir que quase intervenho, ronco não deveria contar ponto negativo, afinal, ninguém ronca porque quer. Já deu para perceber que eu ronco um pouquinho né...). Enfim, a fila andou e as duas seguiram suas lamentações. Exemplo de autocomiseração pública.
Em verdade a pena e a autocomiseração quase sempre se valem do que se chama em medicina de ganho secundário. Trata-se de comportamento que o doente passa a ter, alongando seu estado de enfermidade – muitas vezes inconscientemente – para continuar usufruindo ganhos que não tem quando em estado saudável ou porque não quer enfrentar os riscos da vida e prefere ficar ali parado, se fingindo de morto vivo. É a síndrome da barata semi-esmagada. Aquela mesma que você poupou a última pisada e quando foi procurar cadê? Fugiu para um lugar seguro, longe dos riscos da vida (Aliás, elas são invencíveis em nos enganar. Que técnica! Também ninguém tem pena, nem compaixão delas). Quer outro exemplo de ganho secundário? Mais atenção de amigos e parentes, doações de bens materiais, etc... Temos de nos questionar sobre o que está por trás disso? Especialmente do nosso comportamento. Será que só damos atenção aos outros quando há ameaça de perdê-los? Será que estamos ajudando o outro, quando fazemos tudo para que ele não enfrente a vida como ela é? Será que só somos caridosos quando estamos diante de tragédias? A resposta não é simples, mas um dos seus componentes, por certo é a culpa. Muitas das nossas ações são movidas por culpa, muito mais do que por amor, caridade ou compaixão. E muitos são os que sabem explorar esses sentimentos. Outro dia uma jovem, cerca de 30 anos, foi mais uma vez a uma instituição de caridade pedir ajuda. Já tinha aparecido relatando enfrentar várias doenças. Certa vez, apareceu inclusive cega. Desta vez inovou. Apareceu mancando com extremas dificuldades, apoiada em improvisada bengala de pau. Segundo explicou, tinha sofrido grave acidente. Precisava como nunca de uma cesta básica. Após receber a cesta, caminhou arrastando-se. O doador saiu à rua, segundos depois, e ainda pôde ver a jovem erguer-se ereta e firme, ao tempo que lançava ao longe a bengala e seguia lépida a seu destino.
O convite aqui, repise-se, não é cair na fácil tentação de se concluir que não se deve ajudar o pedinte ou para se julgar o mérito do ato da jovem, mas sua mensagem implícita. Por que ela estabeleceu este tipo de comunicação visando tocar o doador em algum ponto do seu ser onde estava alojada a culpa, parceira velada e mascarada da pena.
A verdadeira ajuda está em fazer com que o outro se redescubra e se reeduque como ser capaz de enfrentar sua própria história. Isto não se consegue com pena, só com compaixão.
Viver Compaixão
Recentemente, Dalai Lama, monge e líder tibetano, esteve no Brasil fazendo palestras em vários lugares, tendo sido ouvido por milhares de pessoas. O conceito de espiritualidade, para ele, está relacionado, segundo suas próprias palavras, com as qualidades do espírito humano – tais como o amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.
Tal conceito não poderá ser refutado por nenhuma religião, filosofia ou qualquer outro tipo de segmento, já que encerra uma verdade em si mesma.
Dentre as qualidades acima citadas, todas são relevantes, mas, gostaria de dar destaque à compaixão, em razão da sua importância e necessidade de ser exercitada em nós.
Primeiramente, citaria uma definição de Hammed, autor espiritual de vários livros, recebidos através da psicografia, que diz assim: “Ter compaixão é possuir um entendimento maior das fragilidades humanas. Somos compassivos quando nos tornamos mais realistas, menos exigentes e mais flexíveis com as dificuldades alheias”. E diz ainda, “Compaixão é o desenvolvimento do sentimento de fraternidade que move o ser fraterno a ter uma noção ética com vistas à integração e à solidariedade entre as pessoas”.
A propósito dos acontecimentos de violência que temos presenciado, a situação geral do planeta, guerras, misérias e miseráveis, corruptos e corrompidos, certamente, a ausência de compaixão em nós, é um dos motivos de tantas mazelas e tristezas.
Ser compassivo é ser ativo. Pensar na dor do próximo como se sua fosse. Despojar-se de todo sentimento de superioridade, tratando de igual para igual o ser necessitado, para que ele possa, com apoio e compreensão, livrar-se da situação aflitiva, sem nenhum constrangimento.
Porém, uma outra necessidade surge, que é aprender a sensibilizar-se e desenvolver o afeto que está latente em nós. Para Ermance Dufaux, “deveremos nos habituar a olhar o mundo, a natureza, os acontecimentos, as pessoas, sob uma ótica reflexiva, pelas vias da meditação, buscando sempre os “porquês” de tudo, ainda que, em princípio, não tenhamos condições de compreender com profundidade em nossas análises”.
A indiferença e a insensibilidade diante das dores alheias provocam o agravamento das relações humanas, banalizando acontecimentos extremamente graves.
Outro aspecto que merece atenção é a diferença entre ser compassivo e sentir dó ou pena. Enquanto a compaixão provém de um coração puro, solidário, compreensivo, o sentir dó ou pena implica uma atitude de arrogância, por se acreditar que aquele que se encontra em aflição é inferior ou incapaz de sobreviver sem a nossa ajuda.
A compaixão se aplica em todas as situações, em todos os locais e não deve se restringir ao âmbito de nossas vidas privadas.
É claro que exercer a compaixão irrestritamente não é tarefa das mais fáceis, levando quase sempre a um exaurimento de forças, pois a exposição constante aos sofrimentos somada com a sensação de não ter seu esforço ou valor reconhecido, pode provocar sentimentos de impotência e até de desespero.
Porisso, lembremos mais uma vez, palavras de Jesus, “Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino de Deus “ e esse Reino certamente nos pertencerá quando nos tornarmos agentes da paz , da alegria, observadores dos princípios éticos e morais que devem nortear a vida de todos nós, seres humanos.
Martha Triandafelides Capelotto – Divulgadora do Espiritismo.
COMPAIXÃO
COMPAIXÃO
Segundo o que versa o verbete do Dicionário Digital Aulete sobre COMPAIXÃO, temos: Sentimento pesar, pena e simpatia para com o sofrimento de outrem, associado ao desejo de confortá-lo, ajudá-lo etc.; DÓ; PIEDADE.
A compaixão, este sentimento tipicamente humano, tem sido destaque da mídia ultimamente. Quantas não foram as calamidades de toda sorte ocorridas recentemente, nas quais milhares de pessoas mobilizaram-se para auxiliar seus irmãos desafortunados e vítimas de tsunamis, guerras civis, terremotos, enchentes, enfim, diversos eventos provocados pelo homem ou pela natureza e que são exaustivamente veiculados nas emissoras de TV, imprensa escrita, internet... Diante dessa avalanche de informações e de sua reiterada repetição, não é difícil que as pessoas tenham seu íntimo despertado para este sentimento: a compaixão.
Desperta a compaixão em nossos íntimos, passamos então a nos mobilizar para auxiliar nossos irmãos ou pelos menos minimizar seus tormentos. Entidades de ajuda humanitária então demovem grandes esforços, doações são realizadas e levadas a quem necessita. Quantas dores então são amainadas, quantos necessitados enxergam então um norte de esperança...a compaixão! A compaixão que leva à caridade, à solidariedade...
E quanto à compaixão anônima, aquela que podemos praticar nos pequenos gestos do dia-a-dia?
Quantos reparam no irmão bem próximo, familiar, amigo, vizinho, a ponto de perceber uma angústia em seu olhar, uma necessidade de uma palavra de encorajamento ou um gesto de afeto?
Quantos, ao passar por um indigente que esmola uns trocados, permanecem sem se irritar ou se questionar se aquele infeliz é criminoso ou viciado ou o que ele poderá fazer com os trocados que vier a dar? Então, não dá os trocados e isenta sua consciência, justamente por conta da idéia preconceituosa, também isenta de compaixão... Quantos, nesta situação, aproximam-se do irmão de jornada (já que todos somos filhos de uma mesmo Pai estamos neste Planeta em evolução) e lhe pergunta: Tens fome? Posso lhe oferecer algo para comer? Mas é mais fácil pré conceber a situação e nada fazer, apesar de penalizar-se da pessoa...
E nesse último exemplo vemos a diferença ainda entre dó e compaixão: enquanto aquela é estática, esta é dinâmica, leva à ação, ao movimento, ao fazer, ou seja, conduz à caridade em ação.
É justamente o medo de envolver-se com o outro que torna a compaixão difícil de ser praticada, nesta realidade globalizada e, ao mesmo tempo, individualista em que vivemos, que paradoxo!. Remeter donativos às vítimas da fome na África e isentar a consciência é fácil, mas que dizer de estender a mão a quem precisa, envolver-se em seus problemas, ajudar a resolvê-los? Mas não, o problema não é seu, cada um que resolva os que tem, porque nos falta tempo e vemos tais atitudes até entre os irmãos de causa religiosa, em quaisquer denominações.
Será tão difícil exercitar a compaixão e tirarmos a ferrugem da porção de humanidade que temos latente em nossas almas? Seria muito complicado oferecer uma sobra de comida a um animalzinho abandonado que aporta à soleira de sua porta em busca de abrigo e em fuga aos maus tratos? Tão difícil, em seu local de trabalho, deixar de lado a competitividade insana e perguntar ao colega visivelmente abatido: estás bem, precisa conversar? Tão complicado assim dar um abraço em alguém? Isso mesmo, quantas vezes abraçou alguém nesta semana?
A compaixão, como todos nossos propósitos para o bem, exige prática diuturna, pois com o tempo desabrocha como qualidade natural que reside em nós e passa não só ser uma obrigação para com nossos irmãos, mas uma necessidade para nossos espíritos que buscam o caminho da luz e da perfeição relativa. ‘Sede perfeitos, como Vosso Pai é perfeito’, disse nosso querido Mestre.
Avante então irmãos, mãos à obra, deixemos aflorar a compaixão guardada em nós, coloquemo-nos na situação de nossos irmãos, pratiquemos a caridade e, acima de tudo, busquemos agora e, cada vez mais, nos tornarmos mais ‘humanos’. Um grande abraço e muita paz.
Segundo o que versa o verbete do Dicionário Digital Aulete sobre COMPAIXÃO, temos: Sentimento pesar, pena e simpatia para com o sofrimento de outrem, associado ao desejo de confortá-lo, ajudá-lo etc.; DÓ; PIEDADE.
A compaixão, este sentimento tipicamente humano, tem sido destaque da mídia ultimamente. Quantas não foram as calamidades de toda sorte ocorridas recentemente, nas quais milhares de pessoas mobilizaram-se para auxiliar seus irmãos desafortunados e vítimas de tsunamis, guerras civis, terremotos, enchentes, enfim, diversos eventos provocados pelo homem ou pela natureza e que são exaustivamente veiculados nas emissoras de TV, imprensa escrita, internet... Diante dessa avalanche de informações e de sua reiterada repetição, não é difícil que as pessoas tenham seu íntimo despertado para este sentimento: a compaixão.
Desperta a compaixão em nossos íntimos, passamos então a nos mobilizar para auxiliar nossos irmãos ou pelos menos minimizar seus tormentos. Entidades de ajuda humanitária então demovem grandes esforços, doações são realizadas e levadas a quem necessita. Quantas dores então são amainadas, quantos necessitados enxergam então um norte de esperança...a compaixão! A compaixão que leva à caridade, à solidariedade...
E quanto à compaixão anônima, aquela que podemos praticar nos pequenos gestos do dia-a-dia?
Quantos reparam no irmão bem próximo, familiar, amigo, vizinho, a ponto de perceber uma angústia em seu olhar, uma necessidade de uma palavra de encorajamento ou um gesto de afeto?
Quantos, ao passar por um indigente que esmola uns trocados, permanecem sem se irritar ou se questionar se aquele infeliz é criminoso ou viciado ou o que ele poderá fazer com os trocados que vier a dar? Então, não dá os trocados e isenta sua consciência, justamente por conta da idéia preconceituosa, também isenta de compaixão... Quantos, nesta situação, aproximam-se do irmão de jornada (já que todos somos filhos de uma mesmo Pai estamos neste Planeta em evolução) e lhe pergunta: Tens fome? Posso lhe oferecer algo para comer? Mas é mais fácil pré conceber a situação e nada fazer, apesar de penalizar-se da pessoa...
E nesse último exemplo vemos a diferença ainda entre dó e compaixão: enquanto aquela é estática, esta é dinâmica, leva à ação, ao movimento, ao fazer, ou seja, conduz à caridade em ação.
É justamente o medo de envolver-se com o outro que torna a compaixão difícil de ser praticada, nesta realidade globalizada e, ao mesmo tempo, individualista em que vivemos, que paradoxo!. Remeter donativos às vítimas da fome na África e isentar a consciência é fácil, mas que dizer de estender a mão a quem precisa, envolver-se em seus problemas, ajudar a resolvê-los? Mas não, o problema não é seu, cada um que resolva os que tem, porque nos falta tempo e vemos tais atitudes até entre os irmãos de causa religiosa, em quaisquer denominações.
Será tão difícil exercitar a compaixão e tirarmos a ferrugem da porção de humanidade que temos latente em nossas almas? Seria muito complicado oferecer uma sobra de comida a um animalzinho abandonado que aporta à soleira de sua porta em busca de abrigo e em fuga aos maus tratos? Tão difícil, em seu local de trabalho, deixar de lado a competitividade insana e perguntar ao colega visivelmente abatido: estás bem, precisa conversar? Tão complicado assim dar um abraço em alguém? Isso mesmo, quantas vezes abraçou alguém nesta semana?
A compaixão, como todos nossos propósitos para o bem, exige prática diuturna, pois com o tempo desabrocha como qualidade natural que reside em nós e passa não só ser uma obrigação para com nossos irmãos, mas uma necessidade para nossos espíritos que buscam o caminho da luz e da perfeição relativa. ‘Sede perfeitos, como Vosso Pai é perfeito’, disse nosso querido Mestre.
Avante então irmãos, mãos à obra, deixemos aflorar a compaixão guardada em nós, coloquemo-nos na situação de nossos irmãos, pratiquemos a caridade e, acima de tudo, busquemos agora e, cada vez mais, nos tornarmos mais ‘humanos’. Um grande abraço e muita paz.
Compaixão
Compaixão
Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão. Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.
Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.
Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.
Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.
Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.
Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas.
A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.
É o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.
O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos.
A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.
É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.
Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.
Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.
Expandir esse sentimento é dar significação à vida.
A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apiada.
Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.
Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para as lamentações pessoais.
Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.
Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.
Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Da obra: Responsabilidade
Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão. Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.
Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.
Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.
Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.
Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.
Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas.
A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.
É o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.
O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos.
A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.
É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.
Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.
Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.
Expandir esse sentimento é dar significação à vida.
A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apiada.
Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.
Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para as lamentações pessoais.
Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.
Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.
Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Da obra: Responsabilidade
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