sexta-feira, 27 de maio de 2011
MIRAGENS DO PERSONALISMO.
"Com efeito, como poderá um homem bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalcaria?".(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X - item 10).
Conhecida fábula humana relata o caso de alguns porcos espinhos que tiveram o seu habitat atingido por intensa queda na temperatura. Quase desfalecendo de hipotermia, a única medida viável seria aproximarem-se, abraçando-se, para serem protegidos com o calor de seus corpos. Contudo, isso os constrangeria a sofrer as fincadas dos espinhos. Um deles, optando por recusar a proximidade, escolheu por debandar em busca de abrigo, escapando do abraço doloroso; logo adiante veio a perecer, sem a menor chance de vencer as intempéries.
A "decisão" infeliz do animalzinho é figura comum nos relacionamentos humanos, estabelecendo doentias crises de personalismo.
Persona é a máscara das artes gregas; significa a cobertura, o inverídico, o ego.
Personalismo é a excessiva valorização de si mesmo, podendo tomar as mais variadas máscaras, quais sejam a vaidade, a tirania, a leviandade, a tristeza...
Faceta de ostensiva influência nas operações da mente, o sentimento do personalista, em razão da natureza das forças que mobiliza, atinge decisivamente o departamento mental da imaginação, desenvolvendo complexos mecanismos de autocentrismo que fomentam miragens variadas sobre si mesmo, levando a criatura a encantar-se em hipnótico fascínio com qualidades, conquistas, posses, valores e experiências da vida, determinando miragens de autovalorizaçao excessiva e pertinaz.
No lar, assoma-se a miragem das regalias de que se faz credor, acreditando, na sua enfermidade personalista, que o dever cumprido é promissória debitada aos familiares a qual o credencia a ser servido incondicionalmente.
Na profissão, ocupa-se com a miragem dos direitos, olvidando, quase sempre, as obrigações e funções que deveria cumprir com empenho, dedicação e espontânea boa vontade.
Na comunidade doutrinária, sofrendo crises de memória, passa, de assistido beneficiado, à condição de trabalhador exigente, que se julga insubstituível e dotado de excelentes quesitos para o trabalho, em miragens de presunção e invigilância.
Nós, que nos decidimos pela autotransformação sob as luzes do Espiritismo, devemos cuidar de fixar o trabalho como oportunidade, e as vitórias como testemunhos da despretensão, na erradicação do cruel personalismo do qual somos, e talvez sejamos por longo tempo, escravos infelizes em busca da libertação de suas algemas.
Razão pela qual a sinceridade nos campos dos sentimentos será antídoto eficaz contra o egoísmo, devassando sem medo e admitindo sem inibição, para nós mesmos, as mais secretas emoções da vaidade e do amor-próprio que se movimentam na intimidade, fazendo um auto-encontro com as facetas sombrias da personalidade. Após esse mergulho interior, regressemos ao mundo das sensações buscando a oração a Deus, integrando-nos, humilde e abnegadamente, com seu Suprimento Universal, revigorando-nos as forças para dominarmos as tendências ora reveladas, e perceberemos, pouco a pouco, o ruir das falsas e atordoantes miragens que a imaginação emitia para os departamentos da decisão e da ação, em prejuízo do nosso melhor ajustamento nas experiências da reencarnação.
Tomados por tais ilusões, atiçamos o autoritarismo, a indiferença e mesmo o descaso a muitos viajantes que nos compartilham os caminhos doutrinários. Nesse clima, os "espinhos" do outro são sinônimo de incômodo e repulsa, levando muitos companheiros, premidos pela presunção, a permitirem um psiquismo inamistoso e, por fim, tombar nas malhas da maledicência, decidindo pelas tormentas do isolacionismo, do centralismo e da insensatez doutrinária.
Esse quadro rememora a fábula dos porcos-espinhos, levando-nos aos rumos da frieza de afeto por desistir de abraçar os diferentes, os supostos oponentes, os menos simpáticos que surgem, inclusive, em nossas leiras de amor.
O amor, o afeto, é antídoto eficaz interrompendo o fluxo rotineiro da "imaginação enfermiça", o qual opera a manutenção de uma auto-imagem centrada na supremacia das qualidades pessoais, que nem sempre possuímos.
Sejamos nós mesmos e aprendamos a nos prezar e valorizar. O eminente Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica, asseverou: "Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos".
O amor é o sentimento projetado para fora destinando a atenção e o interesse, o desejo e a vontade na direção do próximo e da vida.
Os efeitos indesejáveis do personalismo para a tarefa espírita podem ser percebidos no servidor quando se crê demasiadamente valoroso, evitando delegar responsabilidades por acreditar que ninguém as cumprirá com a mesma desenvoltura, ou ainda quando espera tributos de reconhecimento alheio, asilando revolta e desgosto se não for compensado pela gratidão alheia, agastando-se com facilidade e promovendo a desunião, se não for atendido em seus "caprichos de serviço".
Ninguém é insubstituível na vinha, embora devamos assinalar que o tempo no serviço de regeneração da humanidade é escasso e cada abandono significa descontinuísmo e atraso.
Valorizada deve ser a nossa participação, menos para a Seara e mais para nós mesmos, frente à extensão de nossas necessidades. Deixemos de lado o quanto antes as miragens prejudiciais do nosso personalismo e ajuizemos com sinceridade a nossa condição espiritual. Quase sempre somos pequenos vaga-lumes que lampejam no bem, no entanto, sob o fascínio da vaidade, acreditamos ser sóis fulgurantes de luz e calor espraiando seus raios pelo universo...
(Do Livro "Unidos Pelo Amor" - Wanderley S. Oliveira, pelos Espíritos Ermance Dufaux e Cícero Pereira).
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A UNIÃO LEGALIZADA OU NÃO
CAPÍTULO III 22 - |
22 - A UNIÃO LEGALIZADA OU NÃO ENTRE OS HOMOSSEXUAIS. OS QUE COMPREENDEM E OS QUE CONDENAM.
Questão: o Espiritismo é a favor ou contra a legalização do casamento entre homossexuais?
Questão: Como você encara os homens casados, tendo filhos, que têm relacionamento extraconjugal com outros homens?
Questão: Caso um homem tenha uma vida de casado com outro homem, sem outros relacionamentos, como definir, do ponto de vista espírita, essa situação?
Questão: Por que a Doutrina Espírita afirma que nas relações homossexuais não há permuta saudável de energia? Que o investimento afetivo-sexual da relação é cercado por uma plenitude efêmera e ilusória, muitas vezes seguida do sentimento de frustração?
Questão: Homossexuais podem viver juntos, sem que haja relacionamentos sexuais? Se o amor é tudo que nos foi dado como forma de ensinamento para as nossas atitudes, esse amor não deve ser proibido! Vejo que o ato sexual é que deve estar fora dos padrões morais?
O homem casado que tem filhos e mantém relacionamento sexual com outro homem é ao mesmo tempo hetero e bissexual. Sua alma guarda as experiências psicossexuais bem ativas com homem e com mulher. Este comportamento emocional será sempre viciação sexual.
A busca desenfreada de atender ao desejo carnal e prazer do instinto sexual constitui incontrolável descarga mentoeletromagnética de energias psicossexuais por parte de homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Não traz saúde, alegria e paz ao coração. Tudo que constitui viciação sexual obterá certa satisfação carnal, mas não será saudável e completa.
O casamento entre homossexuais é assunto pertinente às leis humanas, aos conceitos jurídicos do Código Civil. O Espiritismo não condena e nem critica. Os costumes da união de homossexuais, porque não ensina a agir com violência, radicalismo, preconceito e fanatismo. Observa com a luz do Cristo, aplicam a indulgência e compaixão, compreensão e respeito à liberdade de cada ser humano.
Na visão espírita do homossexualismo devemos somar a razão de Kardec com o amor de Jesus, ansiamos por enxergar melhor o fenômeno da vida humana, visualizar a realidade dos espíritos reencarnados, instruir construindo, educar o coração sofredor e fortalecer a mente desgovernada.
O Espiritismo não condena as pessoas homossexuais que vivem juntas numa união sexual não-aprovada ainda pela lei civil de nosso país. Entre nós, espíritas, existem os que compreendem, respeitam e não fogem dos laços de amizade cristã com eles. E existem aqueles irmãos de fé que apreciam criticar condenar, zombar por amar mais a verdade do que o semelhante e os excluem de seu círculo de amizades.
O de que mais precisamos na atualidade é compreender de coração evangelizado as experiências afetivo-psicológico-psíquico do homossexual, amá-los, orientá-los e ajudá-los a superar suas ambigüidades e frustrações íntimas. Devemos respeitar plenamente (sem condenar, sem criticar) qualquer união permanente de homossexuais. O que adianta a nós, espíritas, julgá-los, condená-los e persegui-los ! O tempo das cruéis perseguições inquisitoriais, felizmente já passou. Agora é a era do amor sentido, da compreensão do outro, do entendimento de suas grandes lutas morais. Eles têm a liberdade de conviver com quem desejem, mesmo contrariando a família, os amigos e o próprio código da lei civil.
Estes indivíduos não têm potencialidades psíquicas para conviver na união heterossexual, vão viver com quem eles encontrem afinidade na união homossexual. Querem sair da imensa e desoladora solidão afetiva em que se encontram.
Muitos homossexuais chegam a ter melhores dotes de coração do que muitos religiosos fanáticos e dogmáticos ou de espíritas inflexíveis, amantes da verdade teórica mas sem demonstração do amor incondicional na convivência .
Nenhum espírita ajuda, educa e soergue a alma sofredora, se detém o conhecimento sem amor e a sabedoria sem caridade.
Devemos observar as uniões homossexuais (que se multiplicam em todos os povos, grandes e pequenas cidades) sem alarde, sem estranheza, sem desapontamento a qualquer tipo de relacionamento afetivo-sexual: homem com homem e mulher com mulher.
Não é dever de nós, espíritas, sermos: palmatórias do mundo, julgadores contumazes da conduta alheia, condenadores inflexíveis aos que intitulamos pecadores, maledicentes das uniões homossexuais.
Quem ama não critica, não condena e não exige transformações da alma de forma repentina. Quem condena não ama, não ajuda e nem educa o espírito necessitado de apoio, amor e orientação.
Os espíritas mais radicais com o homossexualismo deveriam perguntar a si mesmos: Será que no mundo espiritual, após a nossa desencarnação, os Benfeitores Espirituais irão nos convidar para continuarmos exercendo a atitude condenatória contumaz diante dos espíritos atormentados sexualmente que se contam aos milhões domiciliados nas zonas umbralinas e trevosas do mundo espiritual? O bom senso nos diz que não seremos convidados para agir dessa maneira infeliz.
Com tal conduta de coração endurecido somos espíritas radicais que não amamos, não ajudamos, nem educamos ninguém. Com nossa inflexibilidade vamos desanimar almas, oprimir quem deseja melhorar, destruir as mais nobres esperanças. Seremos espíritas sem Cristo, sem amor legítimo, sem a luz interna do coração.
Os homossexuais são aquelas pessoas talvez, hoje em dia, mais sofrem incompreensão, condenação, preconceito, exclusão, críticas veladas muito especialmente dos religiosos fanáticos, extremistas e puritanos. Disse Jesus com veemência quanto à atitude julgadora das pessoas escravas das expressões infelizes das imperfeições humanas:
"Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo". João, 8:15
Aos que julgam com ar de grandeza, pureza e santidade, Jesus chamou de hipócritas, pedindo-lhes que primeiro extraiam seus próprios defeitos antes de julgar os erros do próximo:
"Hipócrita, tira primeiro a trave de teu olho e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão". Mateus, 7:5
Colocou o Mestre das almas, como única condição para julgar alguém, que não cometesse nenhum erro ou falta contra outrem: "Aquele que entre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedras". João, 8:7
Neste versículo de Mateus, o Divino Mestre mostra que existe uma justiça superior à dos homens. Pede que não julguemos, a fim de não sermos julgados, mais tarde, pelas nossas vítimas, adversários e também pela Lei de Deus, quanto à nossa dureza de coração. "Não julgueis, para não serdes julgados". Mateus, 7:1.
A Lei de Amor de Deus pede que se julgue o próximo, não que o julguemos segundo as nossas imperfeições morais: julguemos segundo a reta justiça de Deus, que é misericórdia. Deste modo acertaremos, pois julgaremos não para condenar (neste caso os homossexuais), mas para em melhores condições ajudar e socorrer, amparar e servir:
"Não julgueis segundo a aparência, mas, sim, pela reta justiça". João. 7:24.
Com a mesma medida de rigorosidade que aplicarmos aos irmãos que se encontram submetidos às grades da culpa. Deus também usará de rigor em nosso julgamento da consciência e de nossos atos. Quem hoje usa de rigorosidade implacável contra homossexuais, talvez em futura encarnação possa passar pela expiação da homossexualidade. Foi o que Jesus quis dizer: "Pois com o critério com julgardes, sereis julgados; e com a medida com tiverdes medido vos medirão também?" Mateus, 7-2
Jesus não veio ao mundo inferior de provas e expiações para a ninguém julgar; assim deverá comportar o espírita; não ser juiz das faltas do próximo. Abramos o coração evangelizado para amar e respeitar, tolerar e conviver, aceitar e relacionar-nos, ser compreensivos e indulgentes:
"Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". João, 3:17.
Walter Barcelos
A homossexualidade
por Flávio Luiz Gomes Bastos - flaviolgb@terra.com.br
O tema homossexualidade é sempre um tema polêmico, controverso. É difícil analisar o comportamento homossexual somente através da ótica científica, ou até mesmo pelas visões filosófica e religiosa. Porque, normalmente, o conceito vem acompanhado de estígma ou de preconceitos historicamente culturais.
No entanto, não podemos fugir a essa pequena verdade inserida em um oceano de outras pequenas verdades que formam o complicado universo do comportamento humano. Não podemos, simplesmente, esconder a cabeça em um buraco e não "ver" que, para muitos indivíduos, a tendência homossexual representa um drama íntimo carregado de conflitos e incertezas.
Tenho, ultimamente, recebido alguns e-mails que abordam esse tema. São pessoas que, aflitas, buscam esclarecimento para as suas dúvidas ou conselhos que possam ser-lhes úteis. Escolho uma mensagem que chamou-me especial atenção pelo seu conteúdo revelador de grande sensibilidade humana: "Espero receber conselhos..." Ao responder-lhe, pela proposta de estudo a seguir, respondo também a todos aqueles que me escreveram.
Meu amigo, comecemos o nosso estudo com um longo questionamento: Quantas são as combinações possíveis entre um homem e uma mulher? O que é que pesa em nossas trocas? Na verdade, o que é ser homem ou mulher? Será que as relações entre as pessoas não valem mais do que o cumprimento dos papéis sexuais pré-estabelecidos?
E busquemos as respostas, a começar pela psicologia através da visão da psicóloga clínica Rosa Helena Azeredo, em "Identidade Sexual". Ela nos diz: "Influenciados que somos a nos comportar conforme o padrão homem ou mulher, desprezamos a riqueza de nosso mundo interior. Negamos o nosso "eu" genuíno, a nossa verdade, na qual "ser" é poder coexistir homem ou mulher em nuances harmoniosamente conjugadas. Abandonamos nosso ser-pessoa para vivermos os modelos impostos de homem e de mulher. Sofremos diante do abismo que se cria entre o ser interno e o ser externo, e nos torturamos quando percebemos que nosso mundo interno não se identifica com os modelos aceitos pela sociedade.".
E continuamos a questionar: Podemos mudar alguma coisa? Se podemos, por onde começar? Será que esses papéis sexuais, que acabam expressando a identidade pressupostamente assumida pelo indivíduo, podem ser diferentes? Rosa Helena responde: "Os papéis sexuais vêm se modificando, assim como a sociedade e seus valores, a cultura, o ser humano e suas necessidades. As transformações são evidentes e somos ao mesmo tempo agentes e pacientes dessas mudanças. Tudo muda, tudo se transforma, e ninguém consegue permanecer estático no transcorrer do tempo. Os estereótipos têm se modificado, como também a força que exercem sobre as pessoas".
Contudo, os estereótipos são importantes e têm uma função. Eles podem ser considerados um fator de manutenção da sociedade: "Os estereótipos culturais, inclusive os sexuais (as definições da sociedade acerca do que significa ser homem ou mulher), constituem a cola que mantém junta a sociedade. São esses estereótipos que personificam os acordos gerais que possibilitam a cooperação entre um grupo de pessoas". (John Money)
E continua com uma constatação: "Com isso, não estamos afirmando que devemos mantê-los intactos e rígidos. Os estereótipos são necessários, mas como tudo muda, eles também devem mudar. Nossa época, mais do que nunca, exige maior abertura e flexibilidade. Vivemos um momento em que as transformações acontecem muito rapidamente e padrões rígidos nos distanciam da evolução dos tempos".
E conclui com uma certeza: "Nosso grande desafio é ajudar nossas crianças a entender e construir suas identidades sexuais. Para isso é preciso manter o mais elástico possível os padrões culturais desse processo de construção de identidade. Agindo dessa forma, poderemos construir uma sociedade mais humana e íntegra, na qual as pessoas poderão ser aceitas em suas singularidades. Dessa forma, estaremos valorizando o que nos deve ser mais caro: as trocas entre as pessoas, as relações de afeto e a complementaridade entre os seres".
Por outro ângulo de visão da sexualidade humana, pela ótica espírita, a segunda referência para o nosso estudo, a energia sexual jamais deverá ser aniquilada, seja por imposição religiosa, seja por trauma psicológico, podendo, contudo, ser transmutada agenciando as grandes construções do espírito na escalada da evolução.
O espiritismo apresenta a sexualidade despida da conotação religiosa dogmática que consagrou o sexo pecaminoso, sujo, proibido e demoníaco; todavia também não legitima a postura da sociedade comtemporânea que forjou o sexo objeto de consumo vulgar. A perspectiva espiritista é da energia criadora, que necessita estar balizada pela razão e sentimento, pelo respeito e entendimento, pela fidelidade e amor, a fim de engendrar a plenitude e a paz. Um sexo para a vida e não uma vida para o sexo.
Segundo Emmanuel, fora disso é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra de sublimação pessoal tantas vezes quantas se fizerem necessárias, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.
O espiritismo resgata a visão crística da sexualidade bem definida no célebre encontro com uma mulher: "...disseram a Jesus: Mestre, essa mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Jesus levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém senhor? Então lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno, vai e segue o teu caminho".
Cristo, ao indagar por três vezes se Pedro o amava, nos permitiu refletir simbolicamente sobre o amadurecimento do nosso potencial afetivo-sexual. E, conforme o médico e terapeuta Alberto de Almeida, didaticamente situaríamos em três níveis esse crescimento:
a) O primeiro traduz um amor infantil caracterizado pelo apego, desejo e posse; é a paixão egóica; o sexo é instintivo, egoísta, "para mim".
b) O segundo revela um amor adulto que experimenta o carinho, a solidarização; o ego está bem estruturado; o sexo é sentimento, partilha, "comigo".
c) O terceiro descortina um amor sábio, expressando desapego, renúncia, sacrifício; há a transcendência do ego; o sexo é sublimação, doação, "a partir de mim".
Concluindo o nosso estudo, chegamos à síntese de que a proposta da moderna sexualidade é a da compreensão amorosa e educativa do ser humano, ou seja, nem apedrejamento, nem conivência culposa; nem julgamento arbitrário, nem a omissão da indiferença. Buscamos, simplesmente, através da compreensão do direito à liberdade de escolha sexual de cada ser, a aceitação de sua verdade interior genuinamente manifesta.
Fraterno abraço!
Homossexualismo é pecado?
José B. Campos
Ultimamente, temos recebido muitos e-mails, solicitando-nos esclarecimento acerca de como o Espiritismo encara as questões do homossexualismo e do pecado. Um deles, em especial, despertou a atenção, porque o amigo remetente, referindo-se à sua atração física por indivíduos do mesmo sexo, faz-nos as seguintes indagações:
“É pecado ser homossexual?”; “Por que sou isso?”; “Que pecado cometi para sê-lo?”; “Até quando serei assim?”; “Se olhar para um rapaz, com carinho, estarei pecando?”; “Se eu gostar de um rapaz, com amor verdadeiro, serei pecador?”.
Na missiva eletrônica, ele acrescenta ter sido interno de um seminário, tempo em que andava sob forte depressão. E que teria abandonado a escola eclesiástica.
Dir-se-ia, pelas suas palavras sinceras e humildade, que o amigo foi um seminarista bom, mas não muito bom seminarista, porquanto não se fez clérigo nem sacerdote, e agora tornou-se espírita. Coisas do existir...
Diz-se que o pecado é a transgressão de preceito religioso (leia-se, dogma). Sendo aquele que o pratica, pecador e ou pecante. O pecador, tem certos defeitos ou vícios; e o pecante, é aquele que peca habitualmente ou que tem baldas (manias). Podendo, um e outro, pelo arrependimento e confissão de sua culpa, e através do ritual da penitência (sacrifícios), conseguir a remissão dos pecados e a comutação da pena eterna. A julgar por esse catecismo, pelo procedimento das pessoas atualmente, muitas penitências serão necessárias para a transformação moral da Humanidade.
Ainda, segundo a “interessante” cartilha cristã, há pecados para todos os gostos, conquanto haja punições ao gosto de todos os confessores e procuradores divinos.
Há os pecados veniais, considerados leves, perdoados sem a necessidade da Santa Comunhão (confissão), bastando, tão somente, que se reze um Ato de Contrição.
Há os pecados capitais: a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula, a inveja e a preguiça, que têm dado muito suor e trabalho a São Miguel Arcanjo, no Purgatório, para levar as almas sofredoras para o Céu. Estes, dependendo da vontade firme do praticante, podem se transformar em pecados mortais, para alegria do Maligno.
Há, finalmente, os temíveis pecados mortais, aqueles que afastam o pecador da Graça Divina, sem direito a indulgências. Dando-lhe, de imediato, passaporte carimbado para o inferno, cujo fogo eterno o queima sem o consumir (?), e causam-lhe a “morte espiritual”.
Cultuamos o hábito diário de ler a Bíblia há 35 anos. Ficamos impressionados com os pregadores da Bíblia como sendo a palavra de Deus, que a tudo condenam sem misericórdia. Parecem-nos molecotes analfabetos apregoando jornais, de cujo noticiário não se podem inteirar. O amor do próximo e a caridade não lhes interessam, a não ser como recurso extremo: a salvação.
Há hora em que devíamos ter o prazer pecaminoso de arremeter-nos contra eles a sapateá-los. Infelizmente, não podemos fazer sempre ao que aspiramos.
Parafraseando o imortal Tenório D’Albuquerque, perguntar não ofende: Em qual tabelionato foi reconhecida a firma, da assinatura de Deus, na procuração passada a esses pastores viperinos, para deliberarem sobre o destino das almas? Onde estarão aqueles religiosos que nos agrediram com gritos proclamadores da excelência desta ou daquela penitência? Extraordinária, a facilidade com que proferiram tantas tolices. Uma fertilidade incomparável! Ignorância imaculada.
O nosso estimado confrade, Divaldo Franco, certa feita, asseverou com muita propriedade: “Proibir e condenar, é sempre uma forma contraproducente de examinar uma questão existente, que merece orientação, educação e esclarecimento.”
Para a “Santa Igreja” e “evangélicos”, o pecado mortal do homossexualismo é um dos “imperdoáveis”, porque profana o corpo, que é o templo de Deus (1Cor, 3:9).
A palavra pecado tem origem no vocábulo grego “imartia”, que significa afastar-se da meta. Portanto, bem diferente de como é concebida pelas igrejas ditas cristãs.
Nós, espíritos, somos seres perfectíveis, dotados de inteligência e livre arbítrio, porém responsáveis diretos pelas conseqüências de nossas atitudes. Através da pluralidade das existências corpóreas, caminhamos rumo à meta imutável da lei divina: a perfeição. Quando nos afastamos do caminho, afastamo-nos dessa meta, gerando o que chamamos de mal. Todavia, quando retornamos ao caminho, pela mudança de conduta ou reparação das faltas cometidas, restabelece-se a harmonia e o mal deixa de existir. Onde haja o bem, o mal desaparece.
Muitos estudiosos afirmam que a homossexualidade é uma opção do ser humano. Alguns discordam, alegando que nenhuma pessoa se sentiria feliz por ser perseguida ou discriminada. Uns, asseveram que ela é orgânica, ou seja, a pessoa não teria outra alternativa. Já outros, apelam para o emocional: o homossexualismo seria efeito de algum trauma. E o Espiritismo, que diz?
O espírito não tem sexo. O mesmo espírito pode animar ora um corpo masculino, ora um corpo feminino. Cada sexo, como cada posição social, lhe proporciona o ensejo de adquirir experiência. O corpo não lhe é mais do que um invólucro perecível de que se serve para se esclarecer e se purificar. Sempre de modo progressivo, jamais regressivo. Desde que cessa a vida do corpo, ele o abandona e retorna à pátria legítima, o mundo invisível, ou mundo espiritual. Em um desses estágios, como homem ou mulher, o abuso que faça do uso das funções sexuais, acarretará o seu reingresso na lide carnal, no sexo oposto.
“Quando o homem, em muitas ocasiões, tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus. Ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinqüência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor.”
Aparentemente, esse processo parece uma punição, mas não é. Deus não perdôa nem castiga. A iluminação dos sentimentos é que o exige. “A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem”, já dissera Kardec.
A prática da homossexualidade não transforma o ser em pessoa abominável. Conhecemos homossexuais que se distinguem pela inteligência apurada, pela cultura aprimorada, pela educação exemplar, pela fraternidade cristã e, principalmente, pelo caráter reto. Conhecemos, também, heterossexuais que mais parecem uma gruta vazia e sombria. Grande e florida por fora, por dentro, um deserto de qualidades.
O homossexual, de ambos os sexos, tem sido condenado ao esquartejamento moral e violentado, psicológica e fisicamente, por gente maldosa, sem qualquer fundamento sério. Para nós, espíritas, serão sempre nossos irmãos amados, tanto quanto os demais, credores do nosso maior respeito e carinho. Dito isto, passamos a responder as indagações, do querido amigo:
“É pecado ser homossexual?”
Não. Também não é uma escolha ideal, mas o amigo não deve sujeitar-se ao jugo dogmático das igrejas.
“Por que sou isso?”
Por livre e espontânea vontade. Da mesma maneira que poderá deixar de ser.
“Que pecado cometi para sê-lo?”
Nenhum. O pecado, ou melhor, o sentimento de culpa só existe na consciência de quem se sente culpado.
“Até quando serei assim?”
Até quando quiser. Se se dispuser e puder controlar seus impulsos carnais, transferindo as energias sexuais para um trabalho de auto reeducação, melhor. Sua indômita força de vontade poderá vencer todos os obstáculos, superar todos os problemas, possibilitando-lhe uma vida saudável. A felicidade conquistada será o galardão de seus esforços. Deus instituiu leis que nos favorecem a todos, já dizia o nosso saudoso Chico Xavier.
“Se olhar para um rapaz, com carinho, estarei pecando?”
Não. Desde que esse olhar não seja de modo lascivo. Um olhar carinhoso, uma palavra fraterna, um sorriso sincero, uma ação solidária, são ingredientes que alimentam as verdadeiras amizades, tornando-as indesuníveis.
“Se eu gostar de um rapaz, com amor verdadeiro, serei pecador?”.
Já disséramos, anteriormente, que o pecado está condicionado à atitude mental de cada um, com base no sentimento de culpa. Quanto ao amor verdadeiro por outro alguém, requisitamos a palavra autorizada e benevolente do nosso irmão e Benfeitor Espiritual, cuja orientação bondosa serve para todos nós:
“Recomendar-lhe a castidade quando as pessoas se degradam em ligações clandestinas, nos braços de amantes, seria temeridade e hipocrisia. Você faria, dentro em pouco, o que elas fazem. Sobre a ignomínia da culpa, a ignomínia da mentira. Daí, a audácia do meu conselho. Se puder resistir à sua carne, aos seus nervos rebeldes, aos seus sentidos alarmados, resista. Será heróico e sublime. A tranqüilidade de sua velhice será o prêmio dessa renúncia na mocidade.
Se, porém, não encontrar na própria alma energias para vencer o corpo, eleja um cônjuge. Faça-o, entretanto, publicamente. Nada de subterfúgios, de mistérios, de clandestinidade. Funde, com ele, um lar. A noção da responsabilidade assumida em público fa-los-á, a um e a outro, cautelosos na escolha, assegurando-lhes, assim, a honestidade e a duração da ventura. Amores escondidos são amores transitórios. Amante que foge, é amante substituído. E quando alguém adota esse regime, o amor perdeu o seu nome. Chama-se prostituição.
O meu conselho é, como se vê, prudente e humano. Você é livre e quer ser feliz. Faltam-lhe as grandes forças interiores, as poderosas energias mentais, que neutralizam os gritos da carne e dos nervos, e elevam a pessoa acima do seu sexo, purificada da animalidade comum. Evite, todavia, em quaisquer circunstâncias, a pessoa que não quiser, em público, assumir os encargos do seu destino. A casa de família em que se entra escondido, deixa de ser um lar para ser um prostíbulo. E a pessoa, que vai encontrar-se secretamente com outra, perde o seu título de honrada para tomar o de meretriz. Aquela pessoa que não fizer um sacrifício igual ao seu, abandonando tudo, e tudo afrontando, para viver ao seu lado, deve ser tomada, simplesmente, como sedutora vulgar e covarde, semelhante aos rufiões que exploram as mulheres na sombra, desfrutando as vantagens e fugindo às responsabilidades. Repila, em suma, o amante. E aceite o cônjuge.
Para doença tão grave, era este, o remédio menos venenoso que havia em minha farmácia.
Humberto de Campos.”
Mais uma vez, parafraseando o grande Tenório: A beleza dos ensinamentos do Espiritismo é inexata, não se exprime por números, não se calcula matematicamente. É de tal magnitude que se torna incalculável, apenas a sentimos.
E, para encerrarmos, recomendamos a todos, permaneçamos no amor de Jesus, sem nos aventurarmos a discriminar ou denegrir o próximo. Permitir a liberdade plena é o fundamento maior do amor cristão, haurido na nossa Doutrina Espírita.
Muita paz,
José B. Campos
O HOMOSSEXUAL NA CASA ESPÍRITA
Marco Aurelio Rocha

Como espíritas que somos e esclarecidos pelos ensinamentos da doutrina, precisamos desenvolver uma postura de tolerância e compreensão para acolher, sem preconceitos, todos os espíritos que nos cercam e que buscam a casa espírita.
O amor de Deus é plenamente destinado a todos, sem exceções. Características do corpo físico, esse invólucro transitório do espírito em vida terrena, não podem definir este espírito nem devem contribuir para gerar sentimentos de rejeição ou repulsa em nossos corações.
Todos aqui estamos nesse mundo de expiação e provas e, para aqui poder atuar, assumimos corpos físicos que tornam possível a vida na Terra. Mas este corpo é, e será sempre, a despeito dos avanços da Medicina, um corpo perecível. Portanto, é no espírito imortal que habita ali, criação amorosa de Deus e que carrega Sua luz, que devemos concentrar nossa atenção e a ele dedicar o nosso amor.
Na ótica da Caridade Cristã, não só devemos acolher esses espíritos, cada um revestido de sua própria individualidade, mas também procurar chegar até eles, encurtando o caminho que nos separa.
A Doutrina Espírita nos ensina que todos nós temos um passado que explica e justifica situações de nossa vida presente. Do mesmo modo que Deus acolhe amorosa e indistintamente todos os seus filhos, assim devemos proceder com nossos irmãos.
Aprendemos também que o espírito possui uma bipolaridade em termos sexuais, podendo encarnar sucessivas vezes ora como Homem, ora como Mulher. No estudo do desenvolvimento dos embriões, a ciência já nos mostra que todo embrião tem as duas (2) potencialidades, feminina e masculina, que só se define após algumas semanas do desenvolvimento fetal.
O que nos define como Homem ou Mulher? É a contribuição do pai, através de seu espermatozóide, que determina o sexo do futuro bebê. Essa conformação genética é solicitada pelo próprio espírito, esclarecido a respeito de suas necessidades para aquela encarnação. Para isso, contribuem os espíritos superiores que se encarregam de ajudar e apoiar esse ser que vem a renascer. Segundo a história de cada um e suas necessidades, será definida sua feição humana. Todos encarnamos melhores, mais evoluídos do que já fomos, para prosseguir em nossa caminhada.
Todavia, esse corpo físico manifesta exigências carnais e a atividade sexual é uma delas.
A mulher, que no mundo cristão de outrora, tinha sua condição feminina desvalorizada e, às vezes, até negada, hoje, com o advento da contracepção, desempenha um papel muito diferente nas relações sociais. Devido a conquistas da ciência como fertilização in vitro, barrigas de aluguel, concepções assistidas etc., nos vemos diante de situações controvertidas, as quais precisamos compreender e nos posicionar segundo a Verdade contida na Doutrina Espírita, a Terceira Revelação.
Jesus nos ama indistintamente, nos aceita como somos e nos oferece o que precisamos e, como espíritas que somos, devemos construir as bases de nossa conduta conforme o exemplo do Mestre.
Precisamos buscar, através do raciocínio e da conscientização e da procura constante de nossa essência espiritual, a compreensão dos processos dolorosos pelos quais passamos na vida para tirar dessas experiências o aprendizado necessário à busca da perfeição e da felicidade, do bem-estar pleno para o qual Deus nos criou.
O mundo atual nos desafia a enfrentar, com coragem e sem hipocrisia, as novas relações interpessoais que ocorrem em todos os espaços onde transitamos.
Hoje sabemos, a ciência nos afirma, que a relação homossexual, feminina ou masculina, é perfeitamente possível tanto do ponto de vista físico (obtenção do prazer sexual) como do psíquico (afetividade, harmonia, companheirismo, etc.).
A OMS, que já catalogou a HOMOSSEXUALIDADE como doença, hoje já não considera assim. Por isso, o termo “homossexualismo” não deve mais ser usado, já que o sufixo “ismo” caracteriza “doença”. Devemos nos referir à Homossexualidade, que designa um estado do ser, uma condição do indivíduo.
Quanto à auto-estima, as pessoas podem ser: Egossintônicas – aceitam-se como são; ou Egodistônicas – rejeitam sua própria condição, não estando em sintonia consigo mesmas.
Desta condição egóica depende a qualidade das relações afetivas que construirão, tanto heteros como homossexuais. Os distúrbios afetivos e psíquicos, que exigem tratamentos específicos para reequilibrar o indivíduo desajustado quanto às normas sociais, derivam desta condição interna do sujeito e que, na visão espírita, sabemos resultar de vidas anteriores.
“...o sexo, na existência humana, pode ser um dos instrumentos do amor, sem que o amor seja o sexo” ( do livro “Mensageiro da Luz” – cap. 13 – André Luiz).
Quando as pessoas se reconhecem com tendências homossexuais, esse processo costuma vir carregado de muita confusão, sofrimento e, principalmente, de culpa. Daí a necessidade do acolhimento e da orientação adequada para que a pessoa seja esclarecida pela palavra de Jesus. Só assim ela terá a possibilidade de se equilibrar para viver de forma digna as provações que precisará enfrentar.
A condição sexual não garante a dignidade do indivíduo, mas sim a forma como ele exerce a sua sexualidade. Muitos heterossexuais se comportam de modo totalmente indigno, usando o outro de forma egoísta, visando seu próprio prazer sem respeito a si mesmo nem aos sentimentos do outro. Estes também precisam ser esclarecidos para evitarem os males que resultam de tais condutas.
Indiferente de sua condição sexual, todos devem se comportar, se vestir e se comunicar de forma adequada a cada situação.
O Atendimento Fraterno é a porta aberta na Casa Espírita para o acolhimento dos espíritos que nos procuram, independente de sua condição ou aparência. Não há espaço aí para indiscrição nem para rejeição ou pré-julgamentos. Não importa o que ele é, mas sim o que ele poderá vir a ser, na medida em que for se esclarecendo.
Essa necessidade é igual para todos os espíritos que sofrem e buscam superar pelo Bem suas necessária provações.
Muitos homens têm características femininas em sua aparência ou em sua conduta (são mais suaves, mais sensíveis, mais frágeis), mas não são menos masculinos por causa disso. São experiências anteriores, ricas e proveitosas, vividas na condição feminina em encarnações passadas, que os fazem constituírem-se assim. O mesmo ocorre com mulheres que apresentam posturas tidas socialmente como masculinas sem que sejam menos femininas em sua constituição física ou psíquica.
Conforme essas características, as pessoas se atraem e os casais se formam e funcionam de forma harmoniosa, encontrando na relação conjugal a completude, o companheirismo que os ajuda e os fortalece na trajetória terrena.
Os desvios sexuais estão relacionados a uma indefinição ou confusão interna que podem afetar seu espírito e, conseqüentemente, atingem seu corpo físico e seu psiquismo.
Controle, educação e disciplina são condições básicas para vivenciar a sexualidade de forma adequada. A união de um casal deve ser pautada no Amor e na prática do Bem; ter ou não ter filhos não deve ser uma obrigação inerente ao casamento.
Estruturas orgânicas como o intersexualismo, precisam ser acompanhadas medica e psicologicamente para definir a condição predominante naquele indivíduo e proceder à correção cirúrgica. Esta situação constitui uma provação duríssima para a pessoa.
Na casa espírita, qualquer trabalhador, em qualquer função que exerça, pode estar em qualquer condição sexual desde que se comporte e conduza suas ações de modo adequado, dentro e fora da casa. Além disso, precisa ter conhecimento da doutrina e uma fé consistente que dêem suporte a seu trabalho.
A homossexualidade não é uma opção da pessoa nem é provocada por condições familiares, relação parental etc., posto sabermos que na maioria das vezes está definida antes de seu nascimento. Portanto, as pessoas são responsáveis pelo modo como decidem exercer sua sexualidade. A sexualidade não é uma escolha, mas o ato sexual é.
Há indivíduos ditos fronteiriços quanto a sua definição sexual devido a conflitos e situações pretéritas. Nestes ocorre um momento onde ele decide por um lado ou por outro e, dependendo do seu grau de esclarecimento, pode fazer uma escolha indevida, problemática para sua vida.
Quando percebemos esses sinais em nossas crianças, é nosso compromisso cristão para com elas que as aceitemos com respeito e carinho e as eduquemos segundo os princípios da nossa fé: os critérios evangélicos de ética, de moral e de caridade. Assim estaremos educando aqueles espíritos para que se tornem pessoas de Bem.
O trabalhador espírita que ainda não se libertou das amarras do preconceito deve se abster do Atendimento Fraterno dirigido a pessoas cujas características possam lhe provocar sentimentos de desconforto.
Tenhamos sempre em mente que a Doutrina Espírita acolhe e compreende, mas não é conivente com condutas que destoam da moral cristã.
Quando o exercício da sexualidade traz angústia e sofrimento ao indivíduo, seja qual for sua condição sexual, é aconselhável que ele se proponha a um período de abstinência sexual, durante o qual buscará estudar e refletir melhor sobre si mesmo, esclarecer-se sobre seu papel no mundo para então escolher um modo de vida que faça dele um membro ajustado e útil à sociedade.
Não esquecer, todavia, que essa abstinência deve ser assumida espontaneamente e nunca imposta por outros, o que quase sempre acaba resultando em desvios sexuais.
Na avaliação dessas situações que ora nos apresentam, como a união civil de homossexuais, devemos sempre usar o bom senso e uma postura tolerante e amorosa para agirmos de forma justa. Reconhecer os direitos legais de um casal homossexual é uma questão de justiça e respeito pelas pessoas, apenas legitima o que já existe e não se constitui um estímulo para “gerar” homossexuais.
Na orientação dos indivíduos homossexuais, devemos alertá-los de que são alvos fáceis para a ação perniciosa de outros espíritos que tentarão utilizá-los para satisfazer suas necessidades sexuais, causando grandes perturbações.
Todos os espíritos devem encarnar várias vezes como homem e como mulher para vivenciarem as experiências específicas de cada papel sexual, enriquecendo assim sua caminhada espiritual.
Homens e mulheres que vivem de forma promíscua sua sexualidade, sendo permanentemente sedutoras e explorando o outro sexualmente, podem no futuro encarnar como homossexuais como provação para elaborar essa questão.
Não há motivos contrários à adoção de crianças por casais homossexuais visto que já sabemos que essa condição não depende de influência parental direta. Se o casal que se dispõe a adotar tem condições de oferecer às crianças a proteção, o carinho e a educação que elas precisam para crescer saudáveis, nada os desclassifica para serem pais.
Finalmente, lembremos sempre que a homossexualidade não é uma condição permanente, é um estado transitório. Os indivíduos não são homossexuais e, sim, estão homossexuais. E somos todos, antes de tudo, filhos muito amados de Deus.
(1) Palestra proferida na Associação Espírita Rita de Cássia (12º Conselho Espírita de Unificação), em 21 de agosto de 2005
Nota: o texto constitui uma síntese da palestra, assim como das respostas dadas às perguntas formuladas pelos participantes do evento.
Bibliografia:
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 84. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003
2. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2004
3. KARDEC, Allan. Revista Espírita.jan. 1866. Tradução CELD
4. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. No Mundo Maior.23.ed.Rio de Janeiro:FEB, 2003.p.190.
5. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Ação e Reação. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p.209
6. LUIZ, André ( Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Nosso Lar. 54. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p.127
7. Ibidem p. 259
8. Ibidem p. 174
9. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Os Mensageiros. 39. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003.p. 159
10. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Vida e Sexo. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, p. 27
11. WORM, Fernando. Vida e Obra de Divaldo Pereira Franco. 5. ed. Salvador: LEAL, 1995. p.77.
12. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Leis de Amor. 21. ed. São Paulo:FEESP, 2003. p. 16-17
13. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Sexo e Destino. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p. 265.
14. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 2. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2003. p. 277.
15. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Vida e Sexo. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p.89
16. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. No Mundo Maior, 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 197
17. Ibidem. P. 196.
18. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Encontro Marcado. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1971. p.102
19. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Evolução em Dois Mundos. 21. ed.Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 138.
20. Ibidem. P. 141-142
21. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Ação e Reação. 24.ed.Rio de Janeiro:FEB, 2003. p.205
22. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Vida e Sexo. 23.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p.90
23. Ibidem. P.92
24. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Encontro Marcado.2.ed.Rio de Janeiro:FEB 1971.p.101-102
25. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Vida e Sexo. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p. 62-63
26. Ibidem. P.90.
27. KARDEC, Allan. Revista Espírita. Tradução da E. CELD.v.1, jan.1866.
28. Ibidem.
29. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Ação e Reação. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, p.209
30. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Vida e Sexo. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002 p.92
31. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Ação e Reação. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 209
32. Ibidem.
33. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Evolução em Dois Mundos. 21. ed.Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 144
34. EMMANUEL (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. O Consolador. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, p.111
35. KARDEC, Allan. A Gênese. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2003. p.488 36. LUIZ, André (Espírito). Psicografia de Francisco C. Xavier. Missionários da Luz. 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 27-28
Postado por às Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Compreendendo a Prática Homossexual
“O Livro dos Espíritos”, o livro básico do Espiritismo, tem como característica principal um conjunto de princípios fecundos, muito bem sintetizados, servindo de apoio para futuros desdobramentos, tendo em vista que longe estamos de conhecer além de nossas possibilidades de reflexionar.
Poderiam ser mais explícitos, os Espíritos responsáveis pela elaboração deste livro, detalharem tudo o mais possível , facilitando, assim, o nosso trabalho para entendê-lo.
Temos, e isto é inconteste, a necessidade de compreender assuntos mais complexos e obscuros, pois habitamos, em decorrência da nossa inferioridade moral-espiritual, um mundo de provas e expiações. Aqui expia-se e se é provado.
Apreciando o aspecto pedagógico de “O Livro dos Espíritos” percebe-se, claramente, que os Espíritos Orientadores não nos trouxeram soluções prontas e acabadas para os inextricáveis problemas existenciais humanos. Necessário que o espírito encarnado se trabalhe intelectualmente, raciocine sobre o que lê, e vença as suas dificuldades através do encontro de saídas, mesmo que saiba, de antemão, que será ajudado e assistido, não de forma bem objetiva, direta, mas através de uma forma um tanto velada, como vemos na resposta à pergunta 501 do livro básico do Espiritismo. Para nos adiantarmos necessitamos de experiência que exercite nossas forças. Assim sendo, regulam, os Espíritos incumbidos de nos adiantarem na senda evolutiva, os conhecimentos trazidos, agindo didaticamente, de tal forma, que não tolham o nosso livre arbítrio. Sem responsabilidade não iríamos avançar pelo caminho conducente a Deus.
Poderiam os Mentores fazerem longas exposições sobre várias questões suscitadas pelo Codificador, propondo alternativas, sugerindo procedimentos e recomendando soluções tais e quais, como muitos desejam.
Na resposta à pergunta 244 de “O Livro dos Espíritos” disseram que só os Espíritos Superiores vêem a Deus e O compreendem. Levando a resposta em seu sentido literal, que se apreende da resposta? Que vamos ver Deus da mesma forma que vemos nossos irmãos em humanidade, vemos uma paisagem, um carro passando, etc. É isso que acontecerá? Claro que não. Vamos sentir, perceber Deus através da visão profunda que tivermos de Suas obras, isto sim. Assim como esta pergunta e resposta são tantas outras. Daí surgem as divergências em nosso movimento. Percebam o esforço do Codificador quando tentou desdobrar, “espichar” o mais possível o que recebeu sintetizado no livro básico, quando procurou dar vida às demais obras componentes do pentateuco espírita.
Queremos, com este prólogo, chegar a seguinte indagação existente na maioria das mentes humanas: a prática homossexual pode ser tida como normal ou não?
Antes de darmos o nosso parecer, recorramos aos que sabem mais.
Disseram os Espíritos que as almas não têm sexo como entendemos; que Deus não criou almas masculinas e femininas, muito menos fez estas inferiores àquelas; que as afeições que unem os Espíritos nada têm de carnal, sendo por isso mais duráveis e estáveis; que o sexo somente existe no organismo, por ser necessário à reprodução dos seres materiais; que sendo os Espíritos criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, daí porque o sexo seria inútil no mundo espiritual; que um Espírito pode renascer num sexo durante muitas encarnações; que pode optar pela mudança de sexo, dependendo de suas condições evolutivas; que as características do sexo, de sua escolha, se tornam as dominantes de sua personalidade; que a diferença, desta forma, só há no organismo, conservando, no entanto, o reencarnante, as inclinações, os gostos e o caráter inerente ao sexo que acabou de deixar, enfim, que carregamos, todos nós, o lado masculino e feminino. Predominando uma ou outra polaridade, estaremos num corpo masculino ou feminino. Conclui a ciência, portanto, que o ser humano nunca é cem por cento masculino ou feminino. O Espiritismo também.
Chega-se, pelos estudos que se faz sobre a temática sexual, que as conclusões dos Espíritos e dos cientistas não divergem, são convergentes e coincidentes.
Mesmo que possa haver definições diferentes sobre sexualidade, caminhamos, particularmente, com uma: é uma energia divina que aqui está sendo trabalhada pelo Espírito atrasado, deste exigindo uso responsável. Agora, responsabilidade somente se adquire com estudo e compreensão. Com ignorância, desconhecimento, não.
O instinto sexual surgiu quando bactérias e células estavam sendo experimentadas em reprodução agâmica, ou seja, assexuada, quando determinado grupo apresentava no imo da própria constituição qualidades magnéticas positivas (masculinas) e negativas (femininas) desfechadas que foram pelos Orientadores Espirituais encarregados do progresso do planeta (1).
Saibamos que a sede do sexo, da sexualidade, da libido, ou do instinto sexual não se acha no veículo carnal, mas no Espírito, em sua estrutura complexa.
Mesmo reconhecendo o pouco que foi dito até aqui, podemos entrar mais firmemente no problema da homossexualidade.
Nas sociedades antigas a prática homossexual era considerada normal em 64% delas, inclusive na Grécia. Nos séculos XI e XII antes do Cristo, as práticas homossexuais eram punidas com a castração. Onde a legislação o proibia nem mesmo a pena de morte conseguiu erradicar o homossexualismo. Compreende-se, perfeitamente, tal dificuldade, tendo em vista que o homossexualismo tem origem no instinto que não se anula do dia para a noite, como hoje querem fazer desaparecer a violência, quando ela instalou-se no Espírito (homem) pelos complexos canais do instinto.
Na Idade Média enterrava-se vivo ou executava-se o homossexual. Quanta barbaridade, quanta ignorância!
O Apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, cap.1, vs.26/27, afirma que “...igualmente os homens, abandonando o uso natural da mulher, abrasaram-se em desejos uns pelos outros, cometendo a infâmia de homem com homem, recebendo em si mesmos a recompensa merecida de seu extravio”.
Ocorre-nos, na oportunidade, quando se quer compreender problema de tão magna significação e complexidade, anotar que está surgindo a hipótese de que, como no reino animal o homossexualismo é uma realidade devidamente constatada na Natureza, portanto, normal, no reino hominal deve ocorrer o mesmo, isto é, a normalidade do homossexualismo, como se tem a da prática heterossexual.
Para quem está se movimentando para validar tal idéia e aceitá-la, devemos recordar “O Livro dos Espíritos”, item “Os Animais e o Homem”, pergunta 592, quando na resposta encontramos, entre outras colocações: “...Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito abaixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto”. “...mas ao Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus” (realçamos).
Precisamos acrescentar mais alguma coisa para tais pessoas, as quais, em essência, estão querendo comparar e igualar o ser humano ao animal?
Seria a prática homossexual – a pederastia e o lesbianismo – um distúrbio de ordem psíquica imposta por uma predisposição orgânica? Não cremos, não aceitamos porque assim seríamos marionetes. Onde encaixaríamos o livre arbítrio? Tê-lo-íamos, como patrimônio divino, para quê? Na mesma situação estariam os criminosos, assassinos, viciados, corruptos, etc, que imputariam suas deficiências morais ao organismo. Aliás, esta questão genética, como também hereditária, como causas desses distúrbios morais humanos, estão devidamente anuladas pelos próprios modernos homens de ciência.
Lemos, de um articulista inteligente, desejando deixar um exemplo, possuidor de uma dialética bem avançada, com argumentação notadamente a favor da normalidade da prática homossexual, escrevendo em um jornal espírita de Pernambuco, que dois espíritos tiveram uma vivência amorosa recíproca e reencontraram-se numa outra encarnação. Até aí tudo bem. Mas ele pergunta: “Deverá ser vetado aos dois vivenciar esse amor que carregam dentro de si por estarem momentaneamente em corpos semelhantes?” Claro que não, meu irmão! Podem e devem, só que não precisam aderir à prática da pederastia ou do lesbianismo, no caso de estarem homem ou mulher, respectivamente. É essa a diferença, meu irmão! Um homem pode amar outro homem, a mulher pode amar outra mulher, não precisam é descer à prática do homossexualismo.
Cresce, dizem os estudos e pesquisas, o número de homossexuais. Não olharíamos assim tal crescimento, mas sim que a prática homossexual está vindo à baila sem que os envolvidos, lésbicas e pederastas, tenham de enfrentar tantos preconceitos.
Descartadas também foram os distúrbios neurológicos e psicóticos como origem do homossexualismo. Quantas pessoas homossexuais existem perfeitamente ajustadas psicologicamente? Conheço várias. É perfeitamente descartada, assim sendo, tal argumentação.
É necessário que se saiba o seguinte: não é pelo fato do homem aceitar como normal o homossexualismo ou outra prática qualquer, que deixará de ser um desvio de comportamento, ou seja, prática anômala.
Digamos que expressões como “desvio de comportamento”, “comportamento não convencional”, “distúrbio de ordem psicológica” são eufemismos usados para encobrir-se que o homossexualismo não é prática normal. É a realidade. Agora, em pleno século XXI, temos é que usar de assertividade, sermos objetivos, esquecendo as perífrases, as meias palavras. O tempo urge.
Vamos tocar mais uma vez na mesma tecla a fim de bem fixá-la em nós: os Espíritos Superiores, que nos orientam, não nos eximem da responsabilidade de pensar, escolher, discernir, concluir e decidir sobre os nossos atos, pelo uso do livre arbítrio, consequentemente. Não disse Léon Denis que “O Espiritismo será o que dele fizerem os homens? Perguntemo-nos: que estamos fazendo do Espiritismo e do Evangelho de Jesus? Vivendo-os porque os entendemos?
Manoel P. de Miranda, livro “Loucura e Obsessão”, psicografia de Divaldo P. Franco, p. 70, traz a palavra de um mentor abordando o homossexualismo: “...temos o transexualismo, que, empurrado pelos impulsos incontrolados do eu espiritual perturbado em si mesmo ou pelos fatores externos, pode marchar para o homossexualismo, caindo em desvios patológicos, expressivos e dolorosos...” Perguntamos: quem vive tais situações teve atitudes, comportamentos sexuais normais?
Hermínio Miranda, no livro “O Espiritismo e os problemas humanos”, edição U.S.E., página 177, depois de recordar que em “O Livro dos Espíritos”, na questão 693, os Espíritos disseram que “Tudo que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral”, afirmou, peremptoriamente: “Mesmo se admitindo a dificuldade de caracterizar com relativa precisão e nitidez os conceitos de normalidade e anormalidade no comportamento humano, e matizá-los com propriedade, não encontramos apoio científico ou doutrinário para considerar normal a prática homossexual masculina e feminina. É um comportamento anômalo, como assinalam os especialistas”.
Hermínio, à página 179, é taxativo: “É evidente, portanto, que, por mais difundidas que sejam as práticas homossexuais e por maior que seja o respeito dedicado aos que se envolvem nelas, o homossexualismo é um comportamento delinqüente, do ponto de vista espiritual, ainda que não entendido assim pela legislação humana. E nisto estão de acordo Espíritos e cientistas encarnados que consideram a prática como “ato anômalo”, em conflito com a “a lei magna” por pessoas de “frágil estrutura psicológica”, em “precário equilíbrio emocional”.
Destacou Hermínio que o Espírito Emmanuel colocou, no livro “Vida e Sexo”, capítulo 21 – Homossexualidade, edição FEB, que devemos ter atenção e respeito, em pé de igualdade, com os homossexuais como temos com os heterossexuais, levando muitos espíritas a ver no homossexualismo uma prática normal, quando não foi o que desejou expressar o Espírito comunicante responsável pelo livro.
À página 91 escreveu Emmanuel: “O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprio sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins”. Ressalta, em seguida, casos em que Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de grupamentos humanos, rogam uma vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica...”.
Perguntamos: “quem abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas”, agiram dentro de preceitos morais que possam ser aceitos como normais?” Quem aprende em “regime de prisão” errou ou acertou? Praticou algo normal ou anormal? Quem está “reajustando os próprios sentimentos” (no caso os sexuais) feriram ou não a normalidade da prática sexual?
Emmanuel, mais adiante, ainda fala que os homossexuais são necessitados de “amparo educativo adequado”. Viviam conduta sexual normal aqueles que tinham necessidade desse tipo de amparo?
Aprendemos em Espiritismo, e isto dito por mais de um Espírito Nobre: aquele que abusa de suas funções sexuais quando num corpo masculino virá num feminino para aprender em “regime de prisão” a não ferir seu semelhante no sexo oposto. O mesmo acontecendo com o Espírito que reencarna num feminino. Existe, sim, as exceções, isto é, o caso em que o Espírito, pelo fato de vir em missão, não deseja casar, preferindo, para tanto, a polaridade oposta a da sua individualidade psicológica. Quantos homens e mulheres utilizam-se da beleza física para oprimir, corromper e dominar o(a) próximo(a) através do uso de sua sexualidade em desequilíbrio? A lei divina, ou de causa e efeito, impõe, ao espírito infrator, envergando essa ou aquela polaridade sexual, humilhações, desgostos e vexames sob o império de uma sexualidade em contraste à sua morfologia hetero ou homo. Enfrentará um estado anômalo sexualmente falando, isto através de uma abstinência sexual imposta e educativa, não lograda como acontece com os Espíritos que se elevaram moral-espiritualmente. São os anseios de mulher num corpo masculino e os de homem em feminino. É o que se chama, na Doutrina Espírita, de “inversão sexual”.
Chico Xavier, entrevistado, esclareceu: “O que o homossexual precisa evitar é a pederastia e o lesbianismo, a prática sexual com alguém do mesmo sexo. A pederastia e o lesbianismo, sim, são problemas suscitados pela ânsia de experimentar sensações. Já a homossexualidade está vinculada a um processo afetivo entre homens e mulheres do Planeta, de modo que é um estado natural, em que as almas se afinam para fazer o bem. Vamos dar ao assunto a cor que o assunto traz: todo homem deve fugir da pederastia. Toda mulher pode, perfeitamente, ficar fora do lesbianismo. Nada de menosprezo, de maledicência, de deboche, de preconceito ou escárnio” (2).
Necessário deixarmos bem definido: não temos nada, absolutamente nada contra os homossexuais, são espíritos irmãos em humanidade. Tenho, sim, que ser claro, objetivo, assertivo e dizer aos tímidos como devemos considerar a prática do homossexualismo, o que muitos não fazem escudados num falso sentido de caridade. Já imaginaram se todos os pais disserem aos seus filhos e filhas que tal conduta é normal? Que teremos na face da Terra daqui há alguns séculos? Adito: dou-me muito bem com um casal homossexual masculino. Carrego preconceito?
Será que precisamos escrever textualmente que consideramos anormal o homossexualismo, que é uma prática sexual anômala, até prova em contrário vinda do Mundo Espiritual Superior através de um médium confiável?
(1) Livro “Evolução em dois mundos”, página 48, André Luiz, Espírito, Chico Xavier, FEB.
(2) Revista Espírita Allan Kardec, ano XII, nº 45, páginas 11/12.
Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição de agosto de 2005 e
Espiritismo e Homossexualismo
Pesquisa do Datafolha, realizada em São Paulo durante a 9ª Parada GLBT revelou um dado muito interessante quanto a concepção filosófico-religiosa dos participantes: católicos, 36% Espíritas kardecistas e espiritualistas (19%), Nenhuma (18%), Evangélica Pentecostal (4%), Não Pentecostal (3%), Umbanda (3%), Candomblé e outras afro-brasileiras (3%), Judaica (1%), Outras (9%), Ateus (5%). A pesquisa teve uma pequena variação entre a diversidade de preferência sexual dos pesquisados (gays, lésbicas e bissexuais).
Os dados do Censo 2000 escondiam essa particularidade cultural GLBT e colocava as concepções filosófico-religiosas da seguinte forma: Católicos (73,8%), Evangélicos ou Protestantes (15,5 – 10% pentecostais) e Espíritas Kardecistas (1,4%).
Segundo a reportagem da Folha de São Paulo ( 19/06/2005), que foi comentada pelo sociólogo Antonio Flávio Pierucci, essa preferência do grupo sócio-cultural GLBT pelo kardecismo seria motivada forte rejeição dos Evangélicos ou Protestantes pelo homossexualismo e, por outro lado a rejeição da população pelas igrejas pentecostalistas.
Os números do Censo também mudam, embora na mesma ordem, quando se trata do perfil da população da cidade de São Paulo: Católicos (59%), Evangélicos ou Protestantes (23%) e Kardecistas (6%).
Mas não podemos deixar de lado uma dúvida: por que esse grupo sócio-cultural GLBT mantém alta sua preferência pelo catolicismo e salta numericamente em relação ao kardecismo?
Em relação ao seu passado histórico, o Catolicismo tem sido progressivamente mais tolerante com as preferências sexuais. Tanto entre os adeptos como no quadro de sacerdotal, a presença declarada GLBTs é uma realidade incontestável. Historicamente, grande parte do clero e de suas congregações sempre funcionaram como oásis de proteção social ( tolerância e aceitação, ainda que camufladas) das pessoas que não se enquadravam nas convenções sexuais individuais e familiares. O sacerdócio sempre serviu de escudo para ocultar esse preconceito e rejeição da sociedade pelos homossexuais. Historicamente também, a atração de alguns tipos homossexuais pelas corporações disciplinares rígidas e dogmáticas, incluindo as militares, sempre foi um fato notório, igualmente como forma de camuflagem social. Nas décadas de 60 e 70, quando da explosão da liberdade sexual, essas corporações, sobretudo do clero, passaram por uma grave crise vocacional. Só voltaram a se recuperar quando uma outra crise atingiu a sociedade: a instabilidade econômica. Essas corporações sempre foram também um porto seguro diante da incerteza e instabilidade econômica.
A rejeição pelas Igrejas Pentecostais mostra uma lamentável relação reciprocidade: “Eu só vou gostar de quem gosta de mim”. Na concepção protestante, com raríssimas exceções, os homossexuais continuam sendo vistos como desvios ou aberrações da natureza, quando não instrumentos de Satanás para perversão social da família. Essa ilógica mítica da teologia medieval – que se rivalizava radicalmente com o paganismo – coloca Deus e o Homem bem abaixo da idéia de perfeição e evolução. Nesses grupos protestantes o homossexualismo é tratado como uma questão de “regeneração pela salvação”, ou seja, o abandono da “degeneração”, a negação da condição homossexual como característica autêntica, pois esta é um desvio, um vício sexual; e finalmente o resgate da heterossexualidade. Regenerado ou convertido, o indivíduo que estava “invertido” encontrará o equilíbrio e a conseqüente harmonia social que lhe impede de ser visto como pessoa “normal”. Poderá, inclusive constituir família e freqüentar as igrejas.
Já os 19% de preferência pelo kardecismo revela algumas particularidades também curiosas. A doutrina espírita é essencialmente progressista, embora grande parte dos seus adeptos não consiga acompanhar essa constante progressão diante das transformações do mundo e da Ciência. Segundo o Livro dos Espíritos e as demais obras da Codificação, os seres humanos são Espíritos encarnados. Na essência, os Espíritos são bissexuais e se manifestam na carne pela lei biológica do gênero: ora pode ser masculino, ora pode ser feminino. Os ciclos evolutivos de reencarnações é que determinam a manifestação do sexo, pela prova (escolha) ou pela expiação (relação traumática de causa e efeito). O caso do homossexualismo é bastante semelhante com as transições ou mutaçõe s orgânicas, com o importante diferencial psíquico: o Espírito que realizou muitas encarnações num determinado sexo geralmente traz na existência atual os traços mentais das encarnações anteriores e isso muitas vezes marca o próprio corpo físico. A herança e as tendências de quem encarna não diz respeito apenas ao aspecto biológico, mas principalmente aos hábitos mentais e suas conseqüências carnais. Portanto, em tese e essência, o homossexualismo não é um desvio ou aberração natural, a não ser nos excessos passionais, possíveis pela liberdade de ação humana em qualquer opção e característica sexual. Pode ser, do ponto de vista moral ou das conseqüências de atitudes morais – nas relações afetivas -, um desvio relativo das referências éticas e dos valores cultivados socialmente pelo indivíduo ou pelo grupo do qual faz parte. Homossexuais também têm suas crenças e valores, liberais ou conservadores, formados em suas origens fam iliares.
O livro Sexo e Destino, da série André Luiz (FEB Editora), psicografado pelo médium Chico Xavier, revela informações bastante compatíveis com a doutrina contida nas obras de Allan Kardec. Ali encontramos, por exemplo, relatos ilustrativos sobre a dinâmica social e espiritual das leis naturais e morais que afetam os Espíritos e os seres humanos encarnados nessa rotina das múltiplas existências. São experiências dramáticas de pessoas envolvidas em tramas afetivas, quase sempre solucionadas pela mudança de mentalidade em exercício pessoal e social, no próprio ambiente onde ocorreram os erros e danos morais. A reencarnação funciona, nesses casos, como veículo reparador de experiências fracassadas.
Ora, esse tipo de conhecimento, para quem o aceita e digere mental e filosoficamente, provoca mudanças significativas na mentalidade e no comportamento. Muda pontos de vistas e conseqüentemente atitudes preconceituosas. É claro que nem todos os espíritas conseguem digerir plenamente tais informações, mas é o início de um processo de educação ou reeducação de conceitos e atitudes. Para os homossexuais esta pode ser, em tem sido, uma explicação bastante razoável para sua condição sexual conflitante, individual e coletivamente. A partir delas é possível refletir com mais clareza e maturidade sobre um assunto ainda tão polêmico e constrangedor para milhões de seres humanos.
Como herdeiro do pensamento socrático e da tradição herética e libertária do cristianismo, o kardecismo é um revolucionador de paradigmas e conceitos, adversário natural do preconceito e do pensamento retrógrado. Nascemos dos preconceitos materialistas do século XIX que ainda hoje insiste em ver os fenômenos espíritas e o universo metafísico com coisas absurdas e sobrenaturais. Sabemos também que o conhecimento desperta para Verdade e que esta gera uma responsabilidade que muitos ainda não se sentem preparados para abraçar.
Esperamos que esses números estatísticos cresçam cada vez mais entre os GLBTs. Muito mais importante ainda não é apenas a aceitação da Doutrina Espírita pelos homossexuais, mas aceitação incondicional dessa condição e opção sexual pelos espíritas e nas instituições sociais espíritas.
Espiritismo e Diversidade Sexual
Por Mundo Fraternal
Aqui se apresenta um estudo condensado sobre este importante tema que é ahomossexualidade, tema este que tem recebido crescente destaque nos meios de comunicação. Procurei ser o mais breve possível, porém devo destacar que o texto que se segue foi resultado de pesquisas de grande número de fontes (livros, artigos na Internet, artigos de jornal e revistas, etc.) Espero que este material sirva de apoio para uma melhor compreensão do tema dentro da comunidade espírita, lembrando que Kardec nos alerta que o Espiritismo deve sempre andar lado a lado com os progressos da Ciência. Este trabalho é especialmente dedicado a todas as pessoas do mundo que sofrem discriminação, velada ou explícita, pelos mais diversos motivos: seja pela cor da pele, seja pelas suas crenças, seja por sua orientação sexual, etc. Se este texto fizer uma única pessoa diminuir um pouco que seja o seu preconceito, então todo este trabalho terá valido a pena. Conforme se costuma dizer na comunidade espírita: primeiro conhecer, para depois criticar. Não é isto que dizemos às pessoas que criticam o Espiritismo sem nunca terem lido as obras de Kardek? Aliás, kardec diz que o Espiritismo deve ir aonde a Ciência está, em permanente atualização. Tanto a OMS quanto o Conselho Federal de Medicina não consideram mais a homossexualidade como doença ou desvio ou problema psíquico desde 1985. Alguns espíritas estão "apenas" uns 15 anos atrasados... 1) Considerações Gerais O homossexual é o indivíduo, homem ou mulher que, ao contrário dos heterossexuais, sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Não se trata de escolha. Nunca ouvi alguém dizer "Sábado vou virar homossexual". Aliás, se fosse questão de escolha, eles seriam em muito menor número, para não enfrentarem os preconceitos de tantas pessoas - no trabalho, na sociedade e dentro de seus próprios lares. A maioria das pessoas é heterossexual, mas algumas são lésbicas, gays ou bissexuais. Algumas pessoas são altas e outras, baixas. Algumas são pretas ou pardas, enquanto outras são amarelas, vermelhas ou brancas. A maior parte é composta de destros, mas há alguns canhotos. Há uma ampla gama de diferenças individuais entre os seres humanos. A orientação sexual parece ser uma dessas diferenças.[1] Quando observamos as brincadeiras infantis, vemos que a curiosidade da criança se dirige tanto para o corpo feminino como para o corpo masculino. Será mais tarde, na puberdade ou na adolescência que se definirá a sua inclinação para a homo ou heterossexualidade. Nos ambientes em que existe uma convivência mais ou menos longa de pessoas do mesmo sexo é fácil que surjam comportamentos do tipo homossexual acidental entre pessoas declaradamente heterossexuais. Esta situação é observada principalmente no internato e no serviço militar. Saindo desses ambientes, a maioria retorna ao comportamento heterossexual.[2] Uma pessoa não se torna homossexual pelo simples fato de ter uma ou algumas relaçõeshomossexuais. Da mesma forma, um homossexual não se torna heterossexual pelo fato de ter relações com pessoas do sexo oposto. Devemos também ter em mente que podem ocorrer mudanças na orientação sexual de uma pessoa ao longo da vida. Essas mudanças ocorrem naturalmente e fora do controle das pessoas. Não é uma simples questão de escolha. Simplesmente acontece. A homossexualidade não é simplesmente uma prática sexual com alguém do mesmo sexo. Ahomossexualidade é um desejo de se vincular emocional, física e afetivamente com alguém do mesmo sexo. Muitos acreditam que a pessoa é homossexual por ter dificuldade em ser heterossexual. Isto é um engano. Ele não sente desejo por alguém de sexo oposto ao seu, ou sente muito pouco. Ele pode até ter uma prática sexual com alguém do sexo oposto, mas seu desejo real é em relação ao mesmo sexo. 2) Análise Científica Os resultados foram surpreendentes e verificou-se que as práticas homossexuais eram muito mais freqüentes do que se pensava. Um dos conceitos kinsenianos mais populares foi o do continuum. Para o autor, "não podemos representar dois tipos diferentes e opostos de população: homossexual um e heterossexual outro; não se podem dividir, simplesmente e de acordo com um critério maniqueísta, em totalmente brancas e totalmente negras as coisas este mundo(...)". Criou a famosa escala que leva seu nome. O continuun de Kinsey Grau Comportamento 0 Exclusivamente heterossexual, sem traços homossexuais 1 Predominantemente heterossexual, acidentalmente homossexual. 2 Predominantemente heterossexual, homossexual em maior grau que o acidental 3 Igualmente homossexual e heterossexual 4 Predomínio homossexual, mais que acidentalmente heterossexual 5 Predomínio homossexual, acidentalmente heterossexual 6 Exclusivamente homossexual Esta classificação não é estática para um mesmo indivíduo, ele pode alterar sua orientação sexualao longo de sua vida, independente de sua vontade. Outra obra fundamental sobre este assunto foi “homossexualidade em Perspectiva”, de Masters e Johnson em 1979. Neste trabalho foram observados, em laboratório, o comportamento sexual de noventa e seis homossexuais, dos quais quarenta e quatro com relação estável. Uma população heterossexual também foi observada, para servir de comparação. Uma das observações mais interessantes de Masters e Johnson foi a diferença entre o desempenho, a forma de fazer amor, entre os casais homossexuais e heterossexuais. O casal homossexual em relação ao casal heterossexual tende a ser mais vagaroso na execução das carícias, ao contrário dos casais heterossexuais, onde foi observado um desejo de "acabar logo". Obviamente havia exceções.[3] O discurso científico legitima a idéia de que o amor entre iguais não é patologia. A Organização Mundial de Saúde retirou o termo "homossexualismo" do Catálogo Internacional de Doenças desde 1993, o que o Conselho Federal de Medicina já tinha reconhecido desde 1985. Em dezembro de 1998 a Associação Americana de Psiquiatria (APA) se posicionou contra as "terapias de cura" - como são chamadas as falsas terapias pretensamente destinadas a "reverter"homossexuais em heterossexuais. Com isso confirmou que a orientação sexual não é um problema de saúde, sequer psíquico. A associação adverte: "Os riscos em potencial da pretensa "terapia de cura" são muito grandes, podendo causar depressão, ansiedade e comportamento auto-destrutivo'. Nesses "tratamentos", segundo a APA, não se apresenta ao paciente a possibilidade de que uma pessoa possa encontrar a felicidade e formar relações satisfatórias como gay ou lésbica. E afirma categoricamente; "A APA se opõe a qualquer tratamento psiquiátrico que se baseie na suposição de que a homossexualidadepor si só é um distúrbio mental, ou que se baseie na hipótese de que o paciente deve mudar"[4] 3) Breve histórico seu parceiro também guerreiro.[5] Alemanha, França, Dinamarca, Holanda, Suécia e Noruega são exemplos de países de Primeiro Mundo que já regulamentaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A menor ou maior aceitação da homossexualidade depende da época e do lugar, como ilustram alguns exemplos que se seguem. - Grécia - Quando os gregos escreviam sobre o amor entre os homens eles o exaltavam como a mais alta forma de afeição. Ele incluía uma ligação emocional, uma profunda amizade, valores em comum e um compromisso em torno de uma tarefa. Sexo não era o ponto principal do relacionamento, e sim a virtude. A relação envolvia mais freqüentemente um adulto e um jovem, sendo que o mais velho atuava como mentor do mais jovem, introduzindo-o à cultura e ao aprendizado.[6] - Japão - Por volta de 1637 o Japão se fechou para o resto do mundo. As grandes cidades eram prósperas, o budismo amplamente aceito, e o hábito da homossexualidade tornou-se popular, sob o nome de shudo, não apenas entre as classes dos monges e samurais, mas também entre a burguesia. O shudo, assim como o conceito do amor por meninos na Grécia clássica era uma filosofia. Tinha sido desenvolvido pelos monges budistas e os samurais na época medieval, e punha ênfase na moralidade e espiritualidade. - China - Existe uma enorme quantidade de histórias que revelam a grande naturalidade com que os chineses viam a homossexualidade e a bissexualidade. As fontes Ming revelam lampejos de amor homossexual em diferentes classes e regiões. Em Fujian havia uma forma de casamento entre homens, uma cerimônia na qual o mais velho se referia ao mais jovem como o "irmão adotivo mais moço". Uma carpa, um galo e um pato eram sacrificados, e os homens sujavam as mãos uns do outro com sangue e juravam lealdade eterna. A cerimônia era concluída com um banquete. O homem mais moço ia morar na casa do mais velho e era tratado pela família como um afilhado. - Índios americanos - Nas sociedades em que as mulheres têm mais igualdade com os homens, como a dos índios americanos, existe uma maior tranqüilidade em relação à troca de sexos. Os homens podem optar por ser mulheres ou as mulheres por ser homens, se desejarem, podendo se vestir de acordo. As pessoas desse tipo eram valorizadas como sendo de grande talento. Nessas sociedades, o gênero é visto como algo fluido, não tendo a grande significância que os poderes ocidentais lhe deram e ainda dão. (Estes 3 últimos exemplos foram tirados do livro "homossexualidade, uma história", de Colin Spencer, editora Record). -Índios brasileiros - No livro "Devassos no Paraíso", de João Silvério Trevisan (Ed. Record), fundamental para o entendimento da homossexualidade no Brasil, há vários relatos de antropólogos famosos sobre a naturalidade com que nossos indígenas praticavam a homossexualidade, desde as remotas expedições ao Brasil. - Alemanha nazista - A posição dos nazistas era, e ainda é, totalmente contra a prática dahomossexualidade. Assim, em 1936, um total de 5.321 homossexuais foi condenado e em 1.939 este número subiu para 24.450. Estes, depois de condenados, passavam pelas mãos da Gestapo (a polícia de elite de Hitler) e eram enviados para campos de concentração, onde eram freqüentemente castrados e mantidos sob regime de trabalho forçado e de subnutrição especialmente concebidos para acelerar sua morte. Marcados com um triângulo cor de rosa costurados em seus uniformes, eles sofriam não só a perseguição e a violência dos seus captores, como também dos outros prisioneiros, e ainda hoje, quando se fala nas vítimas dos campos de concentração eles são sistematicamente excluídos.[7] O filme inglês Bent ilustra bem isso. Um prisioneiro que era ao mesmo tempo judeu e homossexualsubornou um oficial alemão para que trocasse o seu distintivo, que era um triângulo cor de rosa, pela cruz de Davi (a marcação dos judeus) para aumentar suas chances de sobrevivência. - União Soviética - Em dezembro de 1917, o governo bolchevique aboliu as leis contra oshomossexuais. A tomada de posição da União Soviética, de que a homossexualidade não prejudicava ninguém e que não era um problema legal, mas sim científico, fez com que os radicais de outros países também apoiassem as reivindicações homossexuais. Mas as coisas mudariam com a ascensão de Stalin ao poder. Começou-se uma campanha contra oshomossexuais e estes começaram a ser expulsos do Partido, discriminados, vigiados e denunciados. Em janeiro de 1934 foram efetuadas detenções em massa em Moscou, Leningrado e outras cidades. Artistas, intelectuais e outros foram condenados a vários anos de prisão na Sibéria, e foi gerada, desta forma uma onda de pânico e suicídios. Finalmente em março de 1934, com o apoio pessoal de Stalin, foi introduzida uma lei punindo homossexuais masculinos com até oito anos de prisão. Nova Zelândia - Após propor uma nova lei de união civil que beneficia homossexuais, a primeira-ministra deixou claro que não apóia pessoalmente as relações entre gays e lésbicas. Mas diz que governa para todos e que esse é um direito civil fundamental e, por isso mesmo, defende o projeto. [8] 4) Repressão durante o regime militar 5) homossexualidade na imprensa espírita Em "Doenças da Alma", da FE Editora, Roberto Brólio nos ensina:". O homossexualismo, tão generalizado em todos os países, não constitui anomalia da Criação, mas a vivência colhida pelo Espírito, que imprime ao organismo seus próprios sentimentos, independente de sua constituição física". No JORNAL ESPÍRITA, edição de fev/99, página 3, encontramos outro trecho de uma reportagem sobre homossexualidade: "Cada indivíduo terá que justificar a sua atitude, no entanto uma lei é incontestável: temos o dever de nos respeitarmos e respeitarmos o nosso semelhante. Não está em causa qualquer sintomatologia ou patologia, mas uma experiência de vida: A postura mental e a conduta sexual é que irão estabelecer a moralidade ou a imoralidade destas experiências sexuais, sejam homo ou heterossexuais". Não existe homogeneidade nos livros espíritas em relação ao tema. Em geral, o que é dito é o seguinte: "Não devemos de forma alguma discriminar os irmãos que estão vivenciando a experiênciahomossexual. Alguns deles assim nasceram como expiação, mas há, por outro lado, espíritos muito evoluídos que assim nasceram por escolha própria. (Eu acrescentaria apenas que a maioria não está em nenhum desses dois extremos)". Lembremos sempre que o bom senso nos ensina que jamais devemos generalizar as situações no que se refere à vida espiritual, cada caso é único. Em alguns artigos a homossexualidade é vista principalmente como fonte de sofrimentos e na Revista Espírita chegou a ser taxada de patologia. Em um certo livro o autor chegou ao cúmulo de declarar: "Há homossexuais que se sentem bem como estão. Não há como tratá-los". O autor é evidentemente livre para expor suas idéias, mas deve ficar claro que elas estão em desacordo com a posição científica moderna, com a maioria das correntes espiritualistas da chamada Nova Era e com o progresso obtido pelas organizações de direitos humanos em todo o mundo. Alguns espíritas toleram os homossexuais, mas recomendam que as relações sexuais com pessoas do mesmo sexo devam ser evitadas. Os homossexuais argumentam que o que torna uma prática sexual saudável ou não é o envolvimento afetivo entre os parceiros, independente se são ou não do mesmo sexo. Se um homem e uma mulher querem ter um relacionamento duradouro e há vínculos de harmonia entre eles, o relacionamento sexual será visto como algo perfeitamente natural. Por que seria diferente para um outro casal, nas mesmas condições, só que entre indivíduos do mesmo sexo? E um casalhomossexual não pode ter sido heterossexual em existências passadas? E se o ato não fosse natural, então porque encontramos relações homossexuais tão freqüentemente entre os animais? Alguns espíritas condenam a homossexualidade com o seguinte argumento: "Cargas elétricas de mesmo sinal de repelem e cargas de sinais opostos se atraem". Primeiramente não se pode comparar seres humanos com cargas elétricas. Levada esta teoria às últimas conseqüências, uma pessoa pacífica deveria se casar um alguém violento, ou seja, seu "oposto". Em quantas ocasiões as pessoas se atraem mais pela semelhança que pela diferença? As palavras de Kinsey nos darão uma boa reflexão sobre o tema: "Os machos não se dividem em dois grupos distintos: homossexuais e heterossexuais. O mundo não está dividido em ovelhas e carneiros. Nem todas as coisas são negras, nem todas são brancas. É um princípio fundamental do sistema de classificação que raramente na Natureza se encontram categorias nitidamente separadas. Só a mente humana inventa as categorias e tenta abrigar os fatos em compartimentos separados. O mundo vivente representa uma continuidade em todos os aspectos. Quanto mais depressa aprendermos esta noção, aplicando-a ao comportamento sexual do homem, tanto mais depressa compreenderemos claramente o que é a realidade do sexo". 6) Imprensa em geral A conservadora e prestigiosa revista inglesa The Economist surpreendeu a todos quando, em 1996 apresentou matéria de quatro páginas e outra de editorial, com direito a fato de bonequinhos gays e o pedido: "Deixem que eles se casem". Não, a revista não falou sobre consumo gay ou discutiu aspectos legais do casamento. Sua argumentação foi toda feita em termos de política social. "Oshomossexuais são como os canhotos", diz a reportagem, "uma minoria bastante comum". Diz o jornal: "homossexuais precisam de estabilidade emocional e econômica tanto quanto heterossexual - e a sociedade inteira se beneficia quando isso ocorre". "Então os faça abandonar ohomossexualismo e escolher um parceiro do sexo oposto para se casar", era a velha resposta. Hoje, isto é impensável. homossexuais não escolhem sua condição; na verdade, eles tentam desesperadamente, às vezes a ponto do suicídio, evitá-la. Para a sociedade, a escolha está entre o casamento homossexual e a alienação do homossexual. E não há nenhum interesse na última escolha" (Sui Generis) A revista SUPERINTERESSANTE de agosto/99 traz em sua reportagem de capa considerações sobre os dez anos de estudos realizados pelo biólogo Bruce Bagemihl. Vejamos alguns trechos: - Mais de setenta espécies de aves realizam casamentos duradouros de indivíduos do mesmo sexo. Essas uniões são também adotadas por trinta mamíferos. Leões e elefantes machos, por exemplo, formam laços mais duradouros do que pares heterossexuais. - Ocorre algo interessante com uma espécie de pássaro da América Central, o pássaro-cantor, na qual um macho atrai o outro por meio do canto, no início do período reprodutivo, e depois eles se juntam. Constróem, então, o ninho e cuidam dos ovos e das crias abandonadas por outros indivíduos. Machos de guepardo, um felino africano, adotam filhotes e os criam. Fazem o papel de pais e mães. - Tirando o homem, poucas espécies apresentam homofobia - que é aversão aohomossexualismo. - Não é falta de opção e muito menos engano. Mesmo em territórios onde há muitas fêmeas, muitos animais machos preferem fazer sexo entre si - Já foram registrados casos de casais de gansas que viveram mais de quinze anos juntos. O casamento só terminou quando a morte as separou - Periquitos formam casais tanto de machos como de fêmeas. Os pares passam meia hora trocando carícias. Eles também se alimentam mutuamente. - Há zebras que morrem sem jamais ter copulado heterossexualmente. Optam pela condutahomossexual para sempre. A FOLHA DE SÃO PAULO é um jornal tradicionalmente com uma postura gay friendly, inclusive mantendo uma seção fixa na Revista da Folha, a GLS. É comum que as grandes revistas semanais de grande circulação (Isto É, Época, Veja, etc.) apresentem de tempos em tempos reportagem de capa sobre o tema. 7) O homossexual e a sociedade A falta de um casamento e de famílias convencionais induz os casais gays a valorizarem enormemente os amigos gays que, num certo sentido, formam uma espécie de família. Edmund White fala da duração e intensidade das relações homossexuais e diz que uma tendência sexual comum pode unir as pessoas com experiências muito diferentes, cruzando as fronteiras de raça, classe social e crenças.[9] Os casais gays de ontem e hoje são muito mais heterogêneos que os heterossexuais no tocante à idade, cor e classe social dos parceiros.[10] Num estudo encomendado pelo governo americano, concluiu-se que apenas 10% dos homossexuaismasculinos são efeminados. O marco da luta dos homossexuais pelos seus direitos aconteceu em Nova York no ano de 1969.Cansados de serem perseguidos pela polícia nos bares de freqüência gay, os homossexuais se envolveram em vários dias numa verdadeira batalha contra a polícia. Mas as verdadeiras conquistas dos homossexuais seriam vencidas nos tribunais, nas Universidades, no mercado de trabalho, nos palcos e nos cinemas.[11] 8) homossexuais casados Estima-se que nos Estados Unidos, 40% dos homens casados se envolvem com relaçõeshomossexuais regulares. A maioria dos homossexuais consegue manter relações sexuais com suas mulheres nos primeiros dois anos de casamento, embora sem muita paixão. Eles ficam encantados pela excitação ou exaltação de estar casado. Tiram proveito do convencionalismo e aceitação social dos pais. A maioria dos homossexuais casados tem filhos e se tornam pais responsáveis e afetuosos. Uma pesquisa na França revelou que as mulheres casadas com homossexuais têm menos problemas de alcoolismo, devido ao fato de os maridos homossexuais ficarem mais tempo com a família. A maioria dos homossexuais relata ter apresentado ansiedades e depressões crescentes depois dos primeiros anos de casamento. Em geral a freqüência de suas relações com a esposa diminuiu ou cessa por completo depois do nascimento do primeiro filho. É interessante que a separação ou o divórcio ocorram com tanta freqüência depois de quinze a vinte anos de casamento, época em que as crianças estão mais independentes. A meia-idade aumenta a consciência da "finitude da vida". Junto com esta consciência cresce também o desejo de reverter, antes que seja tarde, as discrepâncias entre as reais necessidades, desejos e ambições e as responsabilidades e expectativas sociais. Em raros casos, a "passagem" para a heterossexualidade é definitiva. Mas isto só é possível para os pseudo-homossexuais, aqueles que tiveram alguma experiência homossexual apenas em determinadas circunstâncias. Para os homossexuais de fato, as tendências homossexuais existirão sempre. Se ele as reprime, elas ressurgirão um dia ou outro e uma vontade, uma promessa, um sacramento ou um ato jurídico não poderá nada contra o desejo.[12] 9) Casais homossexuais Como a relação homossexual não é reconhecida pela (nossa) sociedade, geralmente ela é vivida de forma meio secreta e está sujeita a maiores tensões que as relações heterossexuais. É até admirável como alguns homossexuais conseguem manter um relacionamento estável em situação tão adversa. As relações homossexuais podem ser longas ou breves, felizes ou infelizes como todas as relações entre duas pessoas.[13] Mesmo sendo parte de corrente minoritária na Igreja Católica, o padre Trasferetti diz: "Eu tenho encontrado casais (homossexuais) que estão juntos há dez, vinte anos e levam uma vida normal e são profundamente humanos. Eu diria até que muitos são mais humanos do que muitos casais heterossexuais". Grandes nomes da história da humanidade foram homossexuais. Só para citar alguns: Sócrates, Alexandre - o Grande, Michelângelo, Leonardo da Vinci, Oscar Wilde, Pasolini, Luchino Visconti, Martina Navratilova. Alguns deles formaram casais estáveis e se tornaram notórios[14]. -Imperador de Roma, Adriano (76-138) foi amante de Antínuo durante seis anos, até a morte de seu ex-escravo. Saudoso, mandou construir uma cidade - Antinuópolis - para eternizar o amado. -Aclamadíssima, a poeta americana Elizabeth Bishop desembarcou no Brasil em 1951. Aqui, iria conhecer o amor de sua vida, a aristocrática Lota Macedo Soares, responsável pelas obras do aterro do Flamengo, no Rio. -Monumento das letras francesas do século XX e autora de Memórias de Adriano, Youcemar (1903-1987) dividiu alegrias e tristezas com Frick durante 40 anos. -Ginsberg (1929-1999) foi um dos expoentes do movimento beatnik, que pregava a mais absoluta liberdade nas artes e nos costumes. Viveu até a morte com o também poeta Peter Orlovski. 10) Bissexualidade A bissexualidade é, das orientações sexuais, a que mais polêmica causa. Geralmente, a pessoa é interpretada pelas outras como não resolvidas, "em cima do muro" ou muito promíscuas, etc. Os grupos homossexuais excluem os bissexuais, e os heteros não o compreendem. A rejeição vem de todos os lados. Muitos gays e lésbicas desprezam os bissexuais, acusando-os de insistir em manter os "privilégios heterossexuais" e não ter coragem de se assumir. E muitos heterossexuais costumam ver a bissexualidade como um estágio, e não como uma condição permanente. Homens e mulheres bissexuais são tratados como se não tivessem capacidade afetiva para uma relação amorosa fixa. Muita gente acredita, erroneamente, que estas pessoas estarão sempre sexualmente insatisfeitas se tiverem somente um dos parceiros. Na verdade, o bissexual sente desejo afetivo-sexual por ambos os sexos e sente-se satisfeito com qualquer um deles, mas não precisa se relacionar com duas pessoas ao mesmo tempo.[15] 11) Travestis e Transexuais Quase todos os travestis são homens e heterossexuais, freqüentemente casados e com filhos. Essas pessoas começam a usar roupas do sexo oposto na infância e na adolescência, mas a maioria não apresenta comportamento efeminado. Um exemplo clássico de travesti com essas características é o cineasta americano Ed Wood, famoso por ser considerado o pior diretor de Hollywood de todos os tempos. Ele era casado, sentia atração sexual apenas por mulheres e, no entanto, sentia necessidade de vestir roupas femininas em casa. Um grupo especial de travestis, provavelmente o mais popular, apesar de ser justamente a minoria, usam roupas do sexo oposto publicamente e procuram contatos homossexuais, enquanto disfarçados de mulher. Importante: ao contrário do transexual, o travesti não almeja mudar de sexo. Transexual é o indivíduo, homem ou mulher, que sente um desejo impulsivo de mudar de sexo. Julga-se vítima de erro biológico e procura alterar sua aparência para que seu corpo corresponda à identidade emocional e psicológica que experimenta. Alguns chegam a fazer a operação para mudança de sexo. Muitos não consideram o transexual como homossexual, mas uma categoria à parte. 12) homossexuais e homossexuais Por surpreendente que possa parecer, apenas 10% dos homossexuais masculinos são efeminados, ou seja, apresentam trejeitos tipicamente femininos. Na maioria dos casos é impossível saber se um homem é homo ou heterossexual apenas pelas aparências. Mesmo entre os homossexuais masculinos existe uma diversidade de grupos. De um lado temos oshomossexuais extremamente efeminados, passando pelas "barbies" (os que priorizam a forma física obtida nas academias de ginástica e adoram boates). No meio encontramos os que não em nada quase nada diferenciam dos heterossexuais, com exceção, é claro, da orientação sexual. No outro extremo temos os "bears" (ursos, em inglês) - geralmente homens peludos, de aspecto bastante viril e que, em sua maioria, sentem atração por homens com as mesmas características. A lista está longe de ser completa. Portanto, antes de contar uma piadinha infame ao seu vizinho ou a seu colega de trabalho, lembre-se de que apesar dele ter voz grossa, ser musculoso, viril etc. ele pode ser homossexual e provavelmente vai fingir que está achando graça de sua piadinha; mas, na verdade, está sendo ferido no mais íntimo de seus sentimentos. E lembre-se também de que não são somente os filhos dos outros, os parentes dos outros e os amigos dos outros que são homossexuais. 13) Os pais [16] Pergunta: Por que meu filho me contou isso? Resposta: Provavelmente, porque confia em você e precisa de seu apoio para dividir o peso de uma postura ainda encarada como preconceito. Pergunta: Ele vai ficar desmunhecando? Vai querervestir-se de mulher? Resposta: Não. São conceitos estereotipados (e incorretos) como esses que incitam o preconceito e dificultam a aceitação dos homossexuais. Pergunta: O que os vizinhos vão pensar? Resposta: O que vão falar independe de você. Não é possível controlar a opinião alheia. Pergunta: Meu filho vai contaminar-se com o vírus da AIDS? Resposta: No Brasil, o número de heterossexuais contaminados já superou o de homossexuais. Todos estão igualmente expostos à doença. Segundo Estágio: Culpa Pergunta: Onde foi que eu errei? Resposta: Não errou. Ninguém, nem mesmo os pais, tem influência para direcionar a sexualidade de outra pessoa. Pergunta: Quem levou meu filho para esse caminho? Resposta: Ninguém. Como também ninguém levou você a ser heterossexual. Pergunta: Como podemos reverter isso? Resposta: Não se reverte. As tentativas de mudar o comportamento sexual dos gays foram sempre malsucedidas. Terceiro Estágio: Negação Pergunta: Não é só uma fase? Resposta: Provavelmente não é. Para seu filho ter tomado coragem de contar a verdade, deve ter pensado e refletido muito. Dilema: Ele não pode ser gay. Ele não tem nada de gay! Resposta: Ser homossexual não significa usar fio dental na praia ou falar fino. È uma preferência amorosa, muitas vezes conhecida apenas pelo parceiro. (Lembre-se que a maioria doshomossexuais masculinos, por exemplo, não são efeminados) 14) A homofobia Um dos maiores inimigos dos homossexuais são os jornais sensacionalistas. Alguma vez você já viu uma manchete de jornal com o título "Heterossexual abusa sexualmente de crianças"? Certamente não. Mas se o infrator fosse homossexual os jornais sensacionalistas não deixariam de colocar a palavra homossexual na manchete. O Departamento de Estado Norte-Americano de Saúde, Educação e Bem-estar diz, por exemplo, que nos EUA, 90% de todos os abusos sexuais contra crianças são cometidos por homens heterossexuais contra menores de idade do sexo feminino. As instituições religiosas, que teoricamente deveriam servir de ponte para tolerância e compreensão entre os homens, às vezes fazem o papel oposto. Dom Euzébio Oscar Sheid, Arcebispo Metropolitano de Florianópolis declarou: "O homossexualismo é uma tragédia. gay é gente pela metade. Se é que são gente!"[17] Meninos e meninas homossexuais sofrem muito com o preconceito, principalmente na adolescência. Eles receberam uma carga de informações desqualificativas a respeito da homossexualidade e quando se vêem homossexuais acreditam estar condenados a ser tudo o que ouviram falar de ruim sobre "veados" e "sapatonas". 15) Filmes Filmes com temática homossexual, quer seja em primeiro ou em segundo plano, tem tido uma presença marcante no mercado, principalmente nos últimos anos. Ao contrário da televisão brasileira, que geralmente aborda o assunto de forma superficial e caricata, alguns filmes retratam o ambientehomossexual com bastante realismo. Entre a grande quantidade de filmes que poderíamos recomendar, estão: O Banquete de Casamento, Amores possíveis, Morango com Chocolate, Traídos Pelo Desejo, Tudo Sobre Minha Mãe, Beleza Americana, Filadélfia, O Padre, Satyricon (Fellini), Jeffrey - de caso com a vida, Wilde, Quando a Noite Cai, Aimée e Jaguar, Delicada Atração, Segredos e Confissões,etc. 16) Epílogo Quantas vezes devem os homossexuais ter pensado: mas que mal estou fazendo, e a quem? O quadro mundial é cinzento e, por isso mesmo, devemos ser mais e mais gratos às leis recentes que, nos países mais esclarecidos em todo o mundo, têm combatido a discriminação social.[18] Terminarei com um trecho de uma carta recebida de um médium, divulgador e orador espírita: "Felizmente conquistei um espaço muito bom no grupo e na sociedade, mas ainda assim o preconceito é algo que sempre enfrentam. Sou homossexual, tenho um companheiro com o qual vivo há mais de quinze anos. Sempre pensei em divulgar mais material para que as pessoas reflitam melhor sobre essa questão, pois muitos jovens hoje estão fazendo uma opção por um caminho de infelicidade e solidão, após ouvirem nas casas e obras espíritas que a única opção para o homossexual é o celibato, que é orientado a sublimar suas energias sexuais para as artes, e para o trabalho ao próximo. Muitos jovens que poderiam sonhar com o amor, encontrar alguem, formar um lar feliz com um companheiro, ou companheira, trilham um caminho de isolamento, pela ignorância de muitos líderes espíritas que não hesitam em expor suas opiniões pessoais, mesmo sabendo que estão influenciando na decisão de uma vida inteira para muitas pessoas. Se esquecem que Jesus e Kardec jamais se pronunciaram sobre isso, e fazem muitos se sentirem errados, aberrações da natureza, vítimas condenadas pela lei de Causa e Efeito." Contato e-mail: mundofraternal@yahooo.com.br ---------------------------------------------------------------------- [1] HELMINIAK, Daniel A. - O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade - Ed. GLS [2] ENCICLOPÉDIA DA sexualidade, Ed. Três - vol. 38 [3] SUPLICY, Marta - Conversando sobre sexo. Círculo do Livro. 1987 e Enciclopédia da sexualidade- Ed.Três nº 9 [4] Sui Generis. [5] TRASFERETTI, José - Pastoral com homossexuais - Ed. Vozes. [6] HELMINIAK, Daniel A. - op cit. [7] FRY, Peter e MACRAE Edward - O que é homossexualidade - Ed. Brasiliense - 1991 [8] FISCHER, André - in REVISTA DA FOLHA (FOLHA DE SÃO PAULO) [9] SPENCER, Colin - op cit. [10] MOTT, Luiz - Revista Libertárias - setembro/98 - pág. 51 [11] FRUM, David - How we got here - the 70's - Basic Books. [12] ISAY, Richard - Tornar-se gay, o caminho da auto-aceitação - cap. 4 - Ed. GLS. [13] SUPLICY, Marta - Conversando sobre sexo. Círculo do Livro. 1987 [14] SUPERINTERESSANTE - Setembro/2001 [15] PICAZIO, Cláudio - Sexo Secreto - Cap. 3 - Ed. GLS [16] VEJA [17] SUPLICY, Marta in PÁGINA CENTRAL, edição março/1999 [18] SPENCER, Colin - op cit. |
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