quarta-feira, 17 de abril de 2013
Tempestades no Umbral – Aspectos da Reforma Íntima
Palestra – Tempestades no Umbral – Aspectos da Reforma Íntima
Por Breno Costa
I – Revisão
Estudamos que não existe uma classe diferente de espíritos, sendo todos criados iguais, simples e ignorantes.
Analisamos que é a afinidade vibracional que mantém a pessoa em sofrimento nas faixas vibratórias densas do chamado Mundo Espiritual. Somente com a mudança de vibração mental é que a pessoa consegue a real liberdade.
Vimos que aqueles que pedem socorro serão socorridos, mas, que, às vezes, este socorro não é imediato em razão de as forças inferiores também serem organizadas e possuírem defesas e severos cativeiros, aos quais as mentes desajustadas se ajustam.
II – Fogo Purificador
Da mesma forma que ocorre aqui, em nossa dimensão, no plano de existência conhecido como mundo espiritual, existem tempestades magnéticas.
Em especial, nas regiões densas do umbral, as tempestades magnéticas são necessárias para desintegrar a matéria mental densa criada pelos habitantes dessas faixas vibratórias.
Ocorre que estas tempestades não são apenas magnéticas, elas são formadas por fogo, que tem a finalidade de queimar e desintegrar a matéria mental densa.
Como vimos nos estudos anteriores, o grupo de André Luiz não conseguiu prestar socorro para alguns espíritos que estavam em severo cativeiro das forças inferiores.
Porém, com a chegada da tempestade, todos os espíritos infelizes que ali estagiavam, incluindo os trevosos, procuraram a casa de repouso para fugir dos efeitos devastadores dos trovões, dos raios e do fogo.
Foi neste momento em que os espíritos que conseguiram alterar sua faixa vibratória mental receberam o socorro. Porém, aqueles que apenas estão com medo da tempestade, mas que os continuavam nas trilhas do mal, não puderam adentrar na casa de repouso.
O campo mental dos espíritos que chegam na casa de repouso é analisado porque ele revela a natureza íntima da pessoa.
Vejamos estas passagens do livro “Obreiros da Vida Eterna” (fls. 160 e seguintes):
“Velaríamos pelo funcionamento regular de certos aparelhos geradores de energia eletromagnética, destinados à emissão constante de forças defensivas e vigiaríamos o setor que nos fora confiado, de modo a sanar qualquer anormalidade.
(…).
Mentor: Temos determinação para receber todos os sofredores que se apresentarem renovados, facultando-lhes ingresso ao pátio interno.”
(…)
Com efeito, justificavam-se as medidas, porque ouvíamos agora ensurdecedora algazarra de multidões que se aproximavam.
Sucederam-se outros ribombos ameaçadores, despejando fogo na superfície e energia revolvente no interior do solo que pisávamos.
Ondas maciças de sofredores aterrados começaram a alcançar as defesas. Era dolorosa a contemplação da turba amedontrada e expectante.
(…)
Quase quatro horas difíceis se escoaram, exigindo-nos delicada atenção na tarefa. E, agora, a paisagem era mais sufocante, mais terrível… Serpentes de fogo desenovelavam-se dos céus e penetravam o solo, que começou a tremer sob os nossos pés.”
A tarefa descrita por André Luiz era justamente a de vigília da segurança da casa de repouso, permitindo apenas espíritos que estavam em condições íntimas de se ajustarem ao novo ambiente; caso contrário, mentes enfermiças e revoltadas poderiam, após passado o susto, causar muitos danos à missão socorrista.
III – A Importância da Reforma Íntima
A necessidade de reforma íntima é, junto com a caridade fraterna, um dos pilares da doutrina espírita.
Mas, por que ela é realmente tão importante?
Além da evidente questão moral, com a depuração de nossa mente e evolução do espírito, ascendendo para níveis mais sutis de vibração, há ainda, questões paralelas que é interessante observar.
Mantendo-se em pensamentos grosseiros, alimentando más paixões e práticas não edificantes, a pessoa põe sua mente em vibrações densas durante sua vida terrena, de maneira que, ao desencarnar e adentrar na dimensão vibratória conhecida como mundo espiritual, não conseguirá elevar seu grau de consciência suficientemente para entender que houve uma mudança de realidade, com a alteração de planos de existência.
Em regra, poderá passar toda a erraticidade presa às regiões densas do umbral ou das trevas (abismos) e voltará a reencarnar devido à intercessão de um ente querido ou à intervenção dos espíritos superiores que resgatam as almas transviadas (como visto nos estudos sobre reencarnação).
Assim, temos que a pessoa que passa a vida terrena sem elevar seu grau de consciência, quando desencarna, voltando para a dimensão vibratória mais sutil, mantém-se em regra inconsciente e vai reencarnar novamente somente com ajuda alheia, para, quem sabe, finalmente despertar sua consciência.
Aqui reside uma das principais finalidades da moral espírita, na medida em que poderia ser possível deixar para a ciência a descoberta e comprovação da existência de vida após a morte e demais fatos que envolvem a relação entre dimensões.
Porém, a filosofia espírita possui como objetivo consolar e elucidar. Vale dizer, ao mesmo tempo em que traz conforto para o coração daqueles que perdem entes queridos (explicando que houve apenas uma separação passageira e que todos se mantêm vivos), ilumina, também, a consciência das pessoas, viabilizando a libertação das regiões que se expressam em faixas vibratórias densas dominadas por entidades inferiores.
Como visto, aqueles que se mantém em vibrações grosseiras poderão ser vítimas de entidades inferiores, incluído aqui até mesmo severo e às vezes prolongado cativeiro (sempre por aquiescência própria, motivada pela sintonia vibratória).
Vejamos, portanto, que a reforma íntima, além da questão moral propriamente dita, envolve a elevação do grau de consciência da pessoa como ser eterno do Universo.
Assim, seguindo o Evangelho de Jesus Cristo (em essência e independentemente de rótulos = não basta bater no peito e gritar “Senhor, Senhor”, é preciso viver – seja qual for a religião adotada e mesmo entre os que nenhuma escolhem – essencialmente o lema “fora da caridade não há salvação”) e efetivamente buscando a reforma íntima, a pessoa eleva sua consciência e altera sua vibração mental, alcançado uma verdadeira libertação.
Com isso, ao falecer seu corpo físico e voltar seu espírito imortal para a dimensão vibratória denominada de Mundo Espiritual, a pessoa estará apta a facilmente compreender a mudança de realidade, adaptando-se mais rapidamente à nova espécie de plano de existência.
O bom resultado será que, elevada sua consciência, liberta da ignorância, a pessoa ascenderá facilmente para as colônias espirituais, podendo programar sua volta à matéria densa de forma a melhor aproveitar as oportunidades de elevação.
Além, é claro, de estar livre do ataque das forças do mal que ainda existem em nosso planeta e que habitam as faixas vibratórias densas do Umbral e dos abismos.
Vejamos a mensagem final de André Luiz no livro Agenda Cristã, denominada “Conclusão”:
“Que a vida física é uma escola abençoada, é insofismável; mas, se você não se aproveitar dela a fim de aprender suficientemente as lições que se destinam ao seu engrandecimento espiritual, em nada lhe valerá o ingresso no aprendizado humano.
Que o caminho do bem é laborioso e difícil, não padece dúvida; no entanto, se você não se dispuser a segui-lo, ninguém o livrará da perigosa influência do mal.
Que a felicidade eterna é realização superior, fora dos quadros transitórios da carne, é incontestável; contudo, se você deseja perseverar no campo dos prazeres fáceis e inferiores das esferas mais baixas, dentro delas perambulará, indefinidamente.
Que Deus está conosco, em todas as circunstâncias, é verdade indiscutível; todavia, se você não estiver com Deus, ninguém pode prever até onde descerá seu espírito, nos domínios da intranquilidade e da sombra”.
IV – Exercícios Mentais e Práticas Edificantes
Estes exercícios mentais e práticas edificantes visam despertar nossa atenção para a necessidade de alterar nossos hábitos, ajudando em uma efetiva reforma íntima.
Até agora, os exercícios mentais e as práticas edificantes que sugerimos para todos fazermos durante a semana são:
1 – Afastar todo e qualquer pensamento não edificante durante o dia a dia;
1.1 – Evitar “perder a razão” (estado de cólera, raiva);
1.2 – Indignar-se com serenidade e razoabilidade.
1.3 – Exercitar a indulgência (capacidade de compreender e não divulgar defeitos alheios).
1.4 – Não se queixar da vida, evitar reclamações diárias e negativismos/evitar pessimismo.
1.5 Não criticar o próximo, não julgar.
2 – Sempre que passar por alguém emitir bons pensamentos (principalmente para pessoas claramente necessitadas);
2.1 – Fazer pequenas gentilezas a quem está próximo.
2.2 – Participar de algum programa de caridade.
2.3 – Cultivar o otimismo sempre.
2.4 – Cultivar a tolerância com as diferenças e erros alheios.
3 – meditar cinco minutos por dia, ao menos três vezes na semana, preferencialmente antes de orar e preferencialmente antes de dormir.
4 – Leitura diária de mensagens curtas e edificantes, de preferência quando acordar e antes de dormir, de preferência antes de meditar/orar.
5 – Fazer Evangelho no Lar uma vez na semana.
6 – Perseverar.
7 – Estabelecer um hábito angular (hábito novo em sua vida, como deixar de ingerir alcoólicos, iniciar prática de exercícios, largar o cigarro, etc) e exercitar ao máximo o autocontrole dos atos cotidianos.
8 – Ser discreto (adotar a discrição sobre nossas vidas particulares).
O exercício proposto de hoje é: Não se ofender.
Como dito por alguns, o verdadeiro cristão não é aquele que perdoa e sim aquele que não se ofende.
Isso porque consegue compreender.
A compreensão está acima do perdão.
Quem compreende, não se ofende, mas sim, possui paciência, tolerância e compaixão.
Vejamos esta mensagem de André Luiz (Livro Agenda Cristã, “Em seu benefício”):
“Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.
Evite aborrecimentos com as pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro.
(…)
Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.
Não se zangue com o ingrato; provavelmente, é desorientado ou inexperiente.
Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão e, se você
tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar.
Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição.
Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.”
Percebamos as noções de equilíbrio e harmonia. Afinal, porque se desgastar por aquele que erra?
Personalidade forte não é quem maltratada as pessoas, mas sim quem tem a tranquilidade de se conhecer e nada precisa provar para ninguém.
Muitas vezes nossas reações quanto a uma suposta ofensa, nada mais é do que vaidade e orgulho. Trata-se de novo ataque para demonstrar que você não é “aquilo que pensam”. Porque nossa vaidade foi ferida e nosso orgulho não aceita isso.
Assim, não se ofender, além de demonstrar personalidade efetivamente forte e manter a harmonia mental, exercita nosso espírito para se livrar da vaidade e do orgulho, estimulando a humildade e a tolerância.
Vejamos este interessante texto do colunista “Arnaldo Jabor”:
A Lei do Caminhão de Lixo
por Arnaldo Jabor
Um dia peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando um carro preto saiu de repente do estacionamento, direto na nossa frente.
O taxista pisou no freio bruscamente, deslizou e escapou de bater em outro carro… foi mesmo por um triz!
O motorista desse outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente, mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado lhe perguntei: ‘Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro, a nós e quase nos manda para o hospital?!?!’
Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de “A Lei do Caminhão de Lixo.”
Ele me explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo.
Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamento.
À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente.
Nunca tome isso como pessoal.
Isto não é problema seu! É dele !!!
Apenas sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente.
Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.
Fique tranquilo… respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragar o seu dia.
A vida é muito curta, não leve lixo com você !
Limpe-se dos sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações.
Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.
A vida é dez por cento do que você faz dela e noventa por cento da maneira como você a recebe !!!
FIM”
Interpretando esta coluna com nossos estudos, fica fácil compreendê-la em sua real essência. Lembremos que todo pensamento emite vibrações e mantendo-se em vibrações positivas não atraíamos os fluídos negativos. O lixo que transborda, citado na coluna, nada mais é do que as vibrações negativas emitidas por aqueles que se encontram em desequilíbrio.
O que devemos fazer? Ter tolerância, compaixão, paciência, não ficar ofendido, exercitando a humildade e abafando o orgulho e sua filha, a vaidade.
Fonte:
http://avidanomundoespiritual.com.br/palestra-tempestades-no-umbral-aspectos-da-reforma-intima/
segunda-feira, 15 de abril de 2013
ABANDONAR PAI, MÃE E FILHOS
Uma grande multidão caminhava com Jesus. Ele se volta para eles e lhes diz: “Se alguém vem a mim e não aborrece (odeia) a seu pai, a sua mãe e mulher e filhos e irmão e irmã e, ainda sua vida, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14: 25 e 26)
Nesta passagem evangélica temos uma variação na colocação das palavras “aborrecer” e “odiar” - no rodapé do cap. XXIII – 8ª. edição FEESP do Evangelho Segundo o Espiritismo, temos esta explicação: “A palavra “odiar” na época em que foi escrita queria dizer “amar menos” .
Como os Evangelhos foram escritos por cabeças e mãos humanas, e muito tempo depois da passagem de Jesus pela Terra, não vamos nos prender à letra, mas sim ao sentido lógico das frases e palavras, que também sofreram influências e adaptações, conforme interesses e entendimentos dos tradutores.
Jesus prega plenamente o amor, até entre os inimigos. Seria um contra senso acreditar que ele falasse em odiar e, mesmo, aborrecer, no sentido comum que ora conhecemos.
Esta passagem chama atenção por dois detalhes, comuns, mas importantes. O que Jesus quis dizer é que as famílias tinham suas crenças por tradições muito rigorosas naquilo que adotavam. Para as famílias e seus membros, desviarem-se das tradições era considerado escândalo, por isso era motivo de humilhação, portanto, de aborrecimento.
Então, aquele que não se sujeitasse a abandonar as tradições de família, assim como suas próprias convicções, não poderia aceitar e seguir Jesus. Jesus pregava uma renovação, considerada pelos tradicionais como revolucionária. Até hoje encontramos pessoas que afirmam que Jesus foi um revolucionário.
Para que uma pessoa seguisse e se adaptasse àquela renovação era necessário que primeiramente ela renunciasse às próprias convicções, contrariando, assim, suas famílias. Jesus pedia para que não ficassem presos a erros e preconceitos, apenas para se conservar na crença dos pais, ou dos filhos e dos outros. Além disso, Ele colocava em evidência a necessidade da liberdade de pensar e agir dentro das opções de cada um. Para seguir Jesus era preciso quebrar as tradições.
Nós sabemos que o que Jesus dizia não era para criar rivalidades ou abandonar as obrigações com a família. Isto seria uma insensatez e falta de responsabilidade. Jesus convidava a partirem para uma doutrina renovadora , mesmo contrariando as opiniões da família. Ainda hoje é comum algumas pessoas, que se consideram espíritas, mas a família não pode saber, porque não aceitam o Espiritismo.
Também é comum as pessoas dizerem: “Eu nasci nesta religião, é a religião dos meus pais e não sou eu que vou mudar!” Puro comodismo!...
É fácil manter o rótulo de religiosos sentindo-se desobrigados de qualquer compromisso com a religião, desobrigados inclusive do temido compromisso de trabalhar pela própria reforma interior. O mesmo acontecia naquela época.
O outro detalhe é sobre aqueles que usavam, e ainda usam, a família como obstáculo para se dedicarem a uma religião que exige trabalho e dedicação.
“Não posso, no momento, abandonar a família” e, com isso, deixa sempre para depois os compromissos com a vida espiritual.
Jesus não exigia que o seguissem fisicamente e nem exige hoje, que abandonemos a família para seguir o cristianismo, mas sugere que estudemos os seus ensinamentos, para que, mais esclarecidos e colocando-os em prática possamos, viver e conviver melhor com os familiares e com o mundo.
Com a mente desperta e livre podemos nos respeitar e valorizar o amor fraternal.
Dora Contri - FEESP
Comunidade Espirita
ODIAR PAI E MÃE
O TEXTO EVANGÉLICO
“Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e mesmo sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E todo aquele que não carrega sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Assim, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14, 25 a 27 e 33)
“Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”. (Mateus, 10, 37)
4.2. O SIGNIFICADO DA PALAVRA ODIAR
Non odit em latim, kai ou misei em grego, não quer dizer odiar mas amar menos. O que exprime o verbo grego misein, o verbo hebreu, do qual deve ter se servido Jesus, o diz ainda melhor; não significa somente odiar, mas amar menos, não amar tanto quanto, igual a um outro. No dialeto siríaco, do qual se diz que Jesus usava mais freqüentemente, essa significação é ainda mais acentuada. A palavra odiar se refere, portanto, ao sentido de ódio como o entendemos na atualidade. E mesmo que quiséssemos traduzir por odiar, iríamos de encontro ao caráter e a personalidade de Jesus. De duas uma: ou a palavra foi escrita de forma indevida, ou a tradução não pode captar o seu verdadeiro significado. De qualquer forma, tomá-la como amar menos faz mais sentido e dá uma conotação mais racional ao nosso modo de pensar.
4.3. DEIXAR PAI E MÃE
Quando Jesus nos chama para o seu apostolado e pede-nos para deixarmos pai e mãe, isso não significa que devemos abandoná-los ao sabor da sorte, o que implicaria em falta de caridade, virtude constantemente pregada por Ele mesmo. O que se depreende daí é que devemos nos preocupar com a vida futura, a vida religiosa. Esta tem para nós mais importância do que os nossos parentes e amigos. Quantas não são as pessoas que não podem freqüentar uma religião porque um dos seus familiares não o permite? Quantas pessoas não vão às escondidas ao um Centro Espírita? E por que não proclamam abertamente a sua religião? Simplesmente para não perturbar o ambiente doméstico.
O Espírito Emmanuel nos alerta: “renunciar por amor ao Cristo é perder as esperanças da Terra, conquistando as do Céu”. Ele nos diz: “Se os pais são incompreensíveis, se a companheira é ingrata, se os irmãos parecem cruéis, é preciso renunciar à alegria de tê-los melhores ou perfeitos, a fim de trabalhar no aperfeiçoamento com Jesus. Acaso, não encontras compreensão no lar? Os amigos e irmão são indiferentes e rudes? Permanece ao lado deles, mesmo assim, esperando para mais tarde o júbilo de encontrar os que se afinam perfeitamente contigo”. (Xavier, 1973, cap. 154
Aborrecer pais e filhos no limiar da nova era
“Certas palavras, aliás muito raras, atribuídas ao Cristo, fazem tão singular contraste com o seu modo habitual de falar que, instintivamente, se lhes repele o sentido literal (…)” (ESE, cap. 13, item 3)
Com efeito, frases como “se alguém vier a mim, e não aborrecer, pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas, 14,26) só seriam mais bem compreendidas após a exemplificação dos seus apóstolos, especialmente de Paulo. Após seu encontro inesquecível com o Mestre, a caminho de Damasco, já haviam se passado mais de três anos, quando o ex-fariseu batia à porta de seu velho pai. Rejeitado em Jerusalém, doente e necessitado de tudo, alimentava a esperança de ser acolhido na casa paterna para nela encontrar paz. Mas, suas esperanças se evaporaram ao toque do ombro de rocha de Isaac: “Saulo, é cristão?”
Não poderia mais voltar, negando fidelidade ao Messias esperado… “Sou, meu pai, pela graça do senhor Jesus” – respondeu resignadamente o tarsense.
Aquele testemunho foi a condição para mais uma vez ser expulso, mas agora era da casa de sua infância, e pela boca áspera de seu genitor. Dirigindo-se cambaleante às montanhas do Tauro, em uma fenda escondida, recebe, ao final da tarde, um impulso de compaixão divina, que sua gratidão iria registrar na carta II Coríntios: eram Abigail e Estêvão insuflando as palavras divinas: “Saulo, ame, trabalhe, espere e perdoe.” E deste conselho foram outros três anos de trabalho na tecelagem, aguardando o chamado do Mestre.
Os mais de seis anos de espera e meditação foram o cadinho onde a força de Saulo, mais tarde Paulo, foi forjada para difusão do Evangelho de Jesus: do Oriente até a capital Imperial, em uma área de 3 milhões de quilômetros quadrados e durante mais de duas décadas. Durante todo este período o apóstolo de Cristo foi preso, chicoteado, apedrejado, humilhado, sofreu naufrágio, quase morto por uma serpente, expulso das cidades, perseguido, e abandonado sempre. Mas, em todas estas situações, amou, trabalhou, esperou e perdoou – tudo para se tornar digno de Cristo.
Estudando sua vida, podemos afirmar: Paulo de Tarso aborreceu seus pais, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e, inclusive, a si próprio para se tornar digno de Jesus.
E a pergunta que naturalmente decorre: Ora, como fez isso, se não teve esposa nem descendência, e era filho único?
Conforme a recomendação ponderada acima do Codificador, certas palavras de Jesus Cristo merecem maiores reflexões, sobretudo se lhes emprestamos significados atuais.
Aborrecer pais e filhos, irmãos e amigos, portanto, não poderia significar desprezar-lhes os corações e os justos sentimentos, provocando aflições, descontentamento e vergonha, porque este entendimento estaria em contradição com a essência do Evangelho, no qual extraímos os ensinos honrar pai e mãe, perdoar sempre, ser pacífico e brando, humilde e simples…
Como também não poderia ser um incentivo ao recolhimento solitário e egoístico em mosteiros, conventos e comunidades isoladas a fim da oração improdutiva e da contemplação ociosa, na tentativa ilusória de se afastar da impureza temporal – proposta absurda da própria Igreja. Tampouco um convite ao abandono dos deveres sagrados de família e das obrigações da sociedade. Afinal ambos seriam uma contradição ao ensino de Jesus que conclamava seus seguidores serem o sal da terra, o fermento que leveda, a luz para todos, que deveriam exemplificar as lições morais e dar a César o que é de César.
Diante destas observações, que é então aborrecer pais e filhos? E por que Paulo o fez, a despeito das constatações acima?
Aborrecer pais e filhos é, pois, aborrecer as crenças ancestrais, as tradições antigas, e os modelos sociais impostos a favor de um propósito – o trabalho com Jesus!
Paulo, ante a grandeza de Cristo, não teve dúvidas: soube reconhecê-lo como o Messias, aquele que vinha libertar a humanidade da estreiteza material e nos apresentar a vida eterna através da vitória na cruz.
Assim, quando seus pares e, também, quando Isaac naquele encontro doloroso, lhe disseram: “O Messias será um senhor de exército que liderará Israel na vitória contra Roma” – Saulo, afirmou, não! O Messias veio nos mostrar que a verdadeira vitória é a conquista da vida eterna, vencendo nossas imperfeições, e a libertação real é aquela que vem através do amor aos inimigos e o perdão das ofensas.
“Israel é o povo da Promessa e deverá reinar sobre todos os outros. Somente o judeu é o modelo escolhido por Deus, pois tem a marca da circuncisão, não come carnes proibidas, não se dá com pagãos…”– E Saulo, com coragem, bradava mais uma vez, não! Jesus quer vida para todas as nações e nenhuma de suas ovelhas se perderá. A verdadeira pureza é aquela do coração, independente de rituais e marcas físicas, e o sacrifício mais agradável a Deus é aquele que se faz ao amor próprio. Deus é um sol que ilumina a todos, judeus e não judeus…
Com estas palavras, especialmente as últimas, conquistou animosidades dos de sua raça. Aborrecendo-os, divulgou o Evangelho e hoje somos herdeiros dele.
Se Saulo aborreceu seus pais na divulgação da segunda revelação, o nobre Prof. Rivail também aborreceu aos seus na Codificação da Doutrina Espírita – o Consolador Prometido por Jesus.
Em abril de 1857, o Prof. Rivail revelando extrema coragem publicou na sociedade parisiense o Livro dos Espíritos, inaugurando os pilares na Nova Revelação. Enfrentou repúdio e perseguição, pois idéias engessadas da ciência e religião foram comprometidas. Mas do brilhantismo e persistência do seu trabalho, foram publicados outros quatro livros, e a Revista Espírita durante doze anos.
Hoje, no limiar da nova era, os espíritas somos convocados a prestar o testemunho, dando continuidade à obra inacabada, conforme sintetizado nas palavras do Espírito de Verdade: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (ESE, cap. 06, item 05) Amor e instrução – o roteiro sagrado para o Planeta de Regeneração que, tanto quanto com Paulo, reclama o questionamento dos valores materialistas estabelecidos e das tradições religiosas alicerçadas nos dogmas, tudo a favor de um novo objetivo: o Evangelho de Jesus vitalizado pelas luzes do Consolador!
Assim, para a conquista deste objetivo, será necessário antepor resistências…
Ouviremos dos sábios das Ciências: “não é o homem senão o corpo físico; e a alma é uma ilusão” – mas, diremos não! A verdadeira vida é a espiritual; somos espíritos eternos no caminho do progresso, através da experiência material.
E outros dirão: “Fora da Igreja não há salvação, a qual se obtém pelo batismo nas águas, pela confissão de Jesus Salvador, o Deus Encarnado, e pelos rituais prescritos.” – e, ainda assim, diremos não, porque a salvação é a consciência em paz perante Deus e sua Criação, obtida não pela fé contemplativa, mas pela vida fraterna, amando e perdoando sempre nosso próximo, conforme exemplificado por Jesus Cristo – o Governador Espiritual do Nosso Planeta.
E finalmente: “Há somente uma única vida, na qual é proibido o contato com os mortos. E quem incorre em semelhante pecado, sofrerá com as penas eternas, aonde Satanás é seu promotor.” – e negaremos tal afirmação, porquanto a mediunidade é hálito de Deus, alimentando de esperanças suas criaturas, fazendo-nos lembrar que somos imortais e a reencarnação é a ferramenta abençoada com a qual nenhuma das ovelhas do Senhor se perderá nas diversas moradas do Pai; e mesmo que Satanás existisse, é ele também criatura divina, herdeira da felicidade, tanto quanto todos nós!
Espíritas, sejamos todos nós, por palavras e na vivência, herdeiros da Codificação e de todos os seus heróis, aborrecendo a ilusão materialista e a presunção dogmática, porque é chegado o grande momento, e assim nos tornarmos dignos de Jesus, Nosso Senhor!
REFERÊNCIAS
KREMER, Ruy. Paulo, um homem em Cristo. 1ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 2011, cap. 07 pg 68
XAVIER, F. C. Paulo e Estêvão: episódios históricos do Cristianismo Primitivo / ditado pelo espírito Emmanuel. 43ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 2006, cap. 03 2ª parte, pg 365 e 385
ESE: Evangelho Segundo o Espiritismo
Enviado por nosso amigo, leitor e colaborador Manuel Ferreira Barbosa Neto
Palestrante Espírita – Goiânia – GO
Aborrecer Pai e Mãe - ESE
1 – E muita gente ia com ele; e voltando Jesus para todos, lhes disse: Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai e sua mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e ainda a sua mesma vida, não pode ser meu discípulo. E o que não leva a sua cruz, e vem em meu seguimento, não pode ser meu discípulo. – Assim, pois, qualquer de vós que não dá de mão a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo. (Lucas, XIV: 25-27, 33).
2 – O que ama o pai ou a mãe, mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim. (Mateus, X: 37).
3 – Certas palavras, aliás muito raras, contrastam de maneira tão estranha com a linguagem do Cristo, que instintivamente repelimos o seu sentido literal, e a sublimidade da sua doutrina nada sofre com isso. Escritas depois da sua morte, desde que nenhum evangelho foi escrito durante a sua vida, podemos supor que, nesses casos, o fundo do seu pensamento não foi bem traduzido, ou ainda, o que não é menos provável, que o sentido primitivo tenha sofrido alguma alteração, ao passar de uma língua para outra. Basta que um erro tenha sido cometido uma vez, para que os copistas o reproduzissem, como se vê com freqüência nos fatos históricos.
A palavra odiar, nesta frase de Lucas: “Se alguém vem a mim, e não odeia a seu pai e sua mãe”, está nesse caso. Ninguém teria a idéia de atribuí-la a Jesus. Seria, pois, inútil discuti-la ou tentar justificá-la. Primeiro, seria necessário saber se ele a pronunciou, e, em caso afirmativo, se na língua em que ele se exprimia essa palavra tinha o mesmo sentido que na nossa. Nesta passagem de João: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo a conserva para a vida eterna”, é evidente que ela não exprime a idéia que lhe atribuímos.(1) .
A língua hebraica não era rica, e muitas das suas palavras tinham diversos significados. É o que acontece, por exemplo, com aquela que, no Gênese, designa as frases da criação e servia ao mesmo tempo para exprimir um período de tempo qualquer e o período diurno. Disso resultou, mais tarde, a sua tradução pela palavra dia, e a crença de que o mundo fora feito em seis dias. O mesmo acontece com a palavra que designa um camelo e um cabo, porque os cabos eram feitos de pelos de camelo, e que foi traduzida por camelo, na alegoria da agulha. (Ver cap. XVI, nº 2)(2)
É necessário ainda considerar os costumes e as características dos povos que influem na natureza particular das línguas. Sem esse conhecimento, o sentido verdadeiro de certas palavras nos escapa. De uma língua para outra, a mesma palavra tem um sentido mais enérgico ou menos enérgico. Pode ser, numa língua, uma injúria ou uma blasfêmia, e nada significar, nesse sentido, em outra, conforme a idéia que exprima. Numa mesma língua as palavras mudam de significação com o passar dos séculos. É por isso que uma tradução rigorosamente literal nem sempre exprime perfeitamente o pensamento, e, para ser exata, faz-se por vezes necessário empregar, não os termos correspondentes, mas outras equivalentes ou circunlóquios explicativos.
Estas observações aplicam-se especialmente à interpretação das santas Escrituras, e em particular aos Evangelhos. Se não levarmos em conta o meio em que Jesus vivia, ficamos sujeitos a enganos sobre o sentido de certas expressões e de certos fatos, em virtude do hábito de interpretarmos os outros de acordo com as nossas próprias condições. Assim, pois, é necessário não dar à palavra odiar (ou aborrecer) a acepção moderna, que é contrária ao espírito do ensinamento de Jesus. (Ver também o cap. XVI, nº 5 e segs.).
(1) No original francês, o verbo empregado é odiar, motivo porque o mantivemos no teto de Kardec. O texto evangélico acima reproduzido não é tradução do francês, mas da nossa tradução clássica da Bíblia, de Figueiredo, que emprega o verbo aborrecer. (Nota do Tradutor).
(2) Non odit, em latim; Kai ou misei, em grego, não quer dizer odiar, mas amar menos. O que o verbo grego misein exprime, o verbo hebreu, que Jesus deve ter empregado, o exprime ainda melhor, pois não significa apenas odiar, mas também amar menos, não amar igual a outro. No dialeto siríaco, que dizem ter sido o mais usado por Jesus, essa significação é ainda mais acentuada. É nesse sentido que ele é empregado no Gênese (XXIX: 30-31). “E Jacó amou também a Raquel, mais que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido neste passo é: menos amada, e é assim que se deve traduzir. Em muitas outras passagens hebraicas, e sobretudo siríacas, o mesmo Raquel, mais que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido neste passo é: menos amada, e é assim que se deve traduzir. Em muitas outras passagens hebraicas, e sobretudo siríacas, o mesmo verbo é empregado no sentido de : não amar tanto quanto a outro, e seria um contra-senso traduzi-lo por odiar,que tem outra acepção bem determinada. O texto de São Mateus resolve, aliás, toda a dificuldade. ( Nota de M. Pezzani).
domingo, 14 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Entusiasmo - Adenáuer Novaes
“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a casa edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos que se encontram na casa.” Mateus, 5:14 a 16.
Talvez essa seja uma das afirmações mais positivas que o Mestre nos trouxe, pois nos convida a viver a Vida de forma plena, verdadeira e confiantes no futuro. Concita-nos a que, através de nossa potencialidade interior, realizemos e construamos em favor da harmonia do universo. Mostrar a expressão superior do aspecto espiritual da Vida, através de feitos positivos, sem estimular nossa natural vaidade, é importante para que estimulemos aqueles que se encontram deprimidos ou sentindo-se derrotados.
É preciso que façamos brilhar nossa luz interior a fim de que nós próprios percebamos que ela existe e que é importante que nos sintamos filhos de Deus face à manifestação Dele em nós. Nossa luz interna, chama divina que habita em nosso mundo interior, é Deus presente que nos impulsiona à realização no mundo.
O sentido de fazer brilhar a nossa luz é o de construir uma Vida digna de realizações nobres e o de estimular o próximo a também crescer. É também o de não temer o futuro nem qualquer circunstância que a Vida nos coloque, tendo consciência de que tudo que nos ocorre, mesmo aquilo que nos faz sofrer, é para o nosso bem. Nada que ocorre com o ser humano é para seu prejuízo. O universo, isto é, a Vida, está sempre a favor do Espírito imortal.
O Cristo nos falou: “Assim brilhe também a vossa luz...”30, convidando-nos a iniciar um programa de reabilitação e reerguimento moral. Pode-se começar esse programa em etapas, da seguinte forma:
1. Procure alguém para desabafar. Um amigo que se predisponha a ouvi-lo. Conte-lhe sua vida, principalmente as coisas que têm causado culpa em sua consciência. Confesse-se. Não se preocupe com a censura alheia. Seja você mesmo, sem preocupações de imagem. Deus conhece você, e isso basta. Alivie sua alma com a exteriorização do que o oprime. Você verá o quanto isso fará bem ao seu estado emocional e psicológico. Devolverá a paz que você perdeu quando se envolveu em seus próprios problemas e conflitos. Não pense em castigo divino, pois esse termo é fruto do dogmatismo e da ignorância religiosa do passado que atribuía equivocadamente conceitos de bem e mal às atitudes humanas;
2. Comemore seus feitos. Relacione suas vitórias na vida e considere que você tem algo a dizer e fazer no mundo. Suas realizações devem ser consideradas sinais de que você é capaz de fazer mais do que fez. Comemore datas importantes de sua vida. Chame seus amigos. Reuna-os em momentos importantes. Seja alegre, sem excesso. Nesses encontros fale de sua satisfação em viver. Evite festas ruidosas e vazias, promovendo encontros simples, mas harmoniosos e que favoreçam a fraternidade e o amor em sua vida. Considere que, para Deus, você é tão importante quanto uma farpa ao vento ou uma galáxia inteira;
3. Acredite em você. Tenha consciência de suas possibilidades de realização, acredite no seu sucesso. Não creia que a derrota seja algo definitivo em sua vida. Reenquadre as situações de forma a perceber que, mesmo que não tenha alcançado o que queria, lembre-se de que alguma coisa você aprendeu. Nós vivemos desses pequenos aprendizados. São eles que fazem, constituem e alicerçam nossa personalidade. Suas aparentes derrotas não são decorrentes de defeitos de caráter, mas de inadequação de estratégias. Você não está só. Além de pessoas encarnadas à sua volta, você conta com Espíritos amigos e familiares que desejam seu sucesso. Acredite em você, neles e na existência de Deus;
4. Reafirme seus propósitos de felicidade. Relembre seus ideais juvenis. Aqueles que você constituiu quando se encontrava no vigor de sua juventude, acreditando que poderia transformar o mundo. Você pode fazê-lo, tenha certeza. Pode não conseguir transformar o mundo dos outros, mas com certeza transformará o seu. Seu mundo é constituído daquilo que você acredita ser a realidade e do que você espera que seja. Sua felicidade é construção pessoal e depende de seus feitos. O universo à sua volta é fruto de dois senhores: Deus e você. Ser feliz é um estado de espírito. Não é um lugar fora de você. Construa-o a cada dia de sua Vida;
5. Utilize seu encanto pessoal. Viva confiante na sua força interior e na presença divina em você. Seduza o outro através do amor que habita em você. Encante pelo sentido que você atribui à sua Vida. Ela tem mais sentido quando você se preocupa consigo e com as pessoas à sua volta. Suas idéias, emoções e ações devem buscar atender objetivos nobres e que tragam o bem estar em sua volta. Irradie sentimentos de amorosidade e compaixão. Dê um sentido divino ao que você faz. Cada ato seu deverá conter uma expressão do Bem. Seja nobre em suas emoções, pensamentos e atitudes. Não seja artificial nem vazio, não demonstre o que você não pode sustentar;
6. Conscientize-se de sua destinação espiritual. Perceba-se Espírito. Isto é mais importante do que adotar um rótulo religioso. Essa percepção significa a consciência da própria imortalidade, da reencarnação, da evolução a que está sujeito, da sua individualidade e da presença de Deus em você. Sua verdadeira essência é espiritual. Seu corpo é instrumento, é invólucro para seu progresso espiritual. Perceba que seu referencial de Vida não se encontra neste mundo de provas e expiações, mas do outro lado da Vida. Sem se ausentar do mundo, considere que os máximos valores do ser humano estão no espiritual;
Do ponto de vista psíquico pode-se perceber que a mensagem implícita nessa parábola vai ao encontro da necessidade de se colocar o Self no comando da vida consciente. Pôr a candeia no velador quer dizer, colocar o princípio organizador do Self à frente do ego. Fazer brilhar a luz é, nesse sentido, seguir o processo de individuação pari passu com a evolução espiritual, sem a pressa característica de quem não percebe que temos várias existências, nas quais poderemos ir, aos poucos, vencendo novas etapas, mas conscientes da urgência da autotransformação.
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.”
O desenvolvimento espiritual é um processo pessoal e intransferível. Ninguém substitui ninguém no processo de crescimento espiritual. Cada um deverá trilhar sua própria caminhada na direção de si mesmo. Um dia, em algum lugar, inexoravelmente, de forma exclusiva, nos depararemos conosco mesmos. Sem dúvida esse será um momento singular e extremamente solitário, no qual desejaríamos a companhia de alguém, mas que, depois, teremos a certeza de que seria mesmo melhor estarmos sozinhos. Renunciar a si mesmo é renunciar ao ego e à separatividade da consciência. Para renunciar a ele é necessário que ele esteja devidamente estruturado. Ninguém renuncia ao que não está consolidado. Um ego enfraquecido deve primeiro ser trabalhado para recompor a própria consciência da existência.
Ir nas pegadas do Cristo é colocar a mente a serviço do bem, da paz, da harmonia, confiantes no destino superior da alma humana. Somos filhos de Deus e merecemos um destino melhor do que aquele que nossos medos nos conduziriam se não fosse a esperança que todos temos. A psiquê humana foi estruturada, ao longo da evolução espiritual, para que o Espírito se adaptasse adequadamente à Vida e apreendesse as leis de Deus.
O terapeuta, tanto quanto o trabalho que os Espíritos fazem nas desobsessões, são auxiliares da cura. Cada um será responsável pela sua própria cura. Ninguém se elevará na evolução por tabela ou imitação do outro. A evolução do ser humano é singular.
Psicologia subjetiva - Adenáuer Novaes
“Tu és mestre em Israel, e não compreendes estas cousas?” João, 3:10.
Há passagens no Evangelho cuja compreensão se torna difícil se não buscarmos uma análise subjetiva, desvinculada da época e da cultura em que foi citada. A análise subjetiva visa buscar o sentido psicológico contido por detrás das palavras metaforicamente utilizadas.
Há aparentes aberrações e contradições em certos trechos, em parte creditadas às traduções e à ausência de vocábulos, à época, que expressassem o sentido que o Cristo pretendia afirmar. Escolhemos alguns trechos que merecem uma análise psicológica a fim de retirarmos as interferências culturais e as limitações lingüísticas impostas.
Mesmo que acreditemos que as palavras do Cristo tivessem um sentido e um objetivo únicos, e que visassem permitir exclusivamente uma única interpretação, não poderíamos deixar de considerar que sua percepção por parte de quem as ouvisse ou lesse, sofreria variações de acordo com a cultura em que estivesse inserido, bem como com seu nível de evolução. O que equivale dizer que o Cristo quis passar uma mensagem calcada nas leis de Deus, e o fez através de frases cuja construção permitisse flexibilidade e maleabilidade de compreensão ao longo da evolução do ser humano. O que de fato ocorreu, pois até hoje é possível, e o será por muito mais tempo, entender o significado do amor inscrito em sua mensagem imortal.
Se pegarmos, por exemplo, a seguinte colocação do Cristo em Mateus, 10:37:
“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”
A frase propõe uma submissão sectária ao Cristo à custa do afastamento da família, o que depõe contra seu propósito em fortalecer a sociedade a exemplo de um reino onde vigorasse a paz e o amor.
Por outro lado se buscarmos perceber sob um ponto de vista psicológico, notaremos que se trata de valorização excessiva das influências atávicas do ser humano, em detrimento da percepção da mensagem renovadora do Evangelho.
Durante muito tempo, e por várias encarnações, seguimos os ditames da cultura, explícitos nos sentimentos ligados à noção de pátria ou nação, nas tradições de clãs e famílias, nos sectarismos de grupos, partidos, castas e sociedades exclusivistas. Essa ligação, muitas vezes, nos impede de avançar ao encontro de sentimentos, idéias e emoções superiores e da valorização de sentimentos altruístas de fraternidade, igualdade e amor. Ligamo-nos psicologicamente a esses determinantes, esquecendo-nos da transformação individual que nos compete realizar.
Aos poucos, e a partir de experiências significativas nas diversas culturas, o Espírito percebe sua inserção numa família maior, a família cósmica. Esse sentimento de integração numa família maior, não o afasta de continuar vinculado a uma família ou clã, nação, etc.
A desvinculação psicológica das ligações parentais é fundamental para o desenvolvimento espiritual do ser humano. Devemos permanecer ligados afetivamente àqueles que fazem parte de nossa família originária, porém devemos aprender a separar as tendências egóicas do grupo familiar
daquelas que são da individualidade. Somos Espíritos que devemos realizar o progresso social, porém sem perder nossa individualidade.
O Espírito imortal possui faculdades por nós desconhecidas e que ainda vamos descobri-las ao longo da evolução. O Cristo, com suas palavras, atingia o Espírito buscando facultar-lhe o desenvolvimento dessas faculdades. Para conseguir isso temos que aprender a nos desvincular das influências parentais que nos afastam do encontro conosco mesmos, com o próximo e com Deus.
Ele pede ainda o sacrifício da própria vida, o que seria um contra-senso, pois o objetivo do Cristo é a consciência da vida e de seu valor. A vida que deve ser sacrificada é a do ego com seus desejos de poder e de realizar-se sem se orientar pelos princípios organizadores do Espírito através do Self.
Ir ao Cristo, aborrecendo a família e sacrificando a Vida é o processo de individuação a que se refere Jung, em que o Espírito se ilumina permanecendo consciente de seus referenciais psicológicos sem se deixar determinar-se por eles. É uma mensagem direta ao inconsciente para que este se realize na consciência.
A psiquê é uma estrutura do Espírito que executa funções complexas a serviço do processo evolutivo. Nela se processam elaborações psíquicas que irão redundar em ações e reações do Espírito. O Cristo falava com a consciência de que poderia alcançar aquela estrutura. Asfrases, aparentemente desconexas para o ego, não são para a psiquê, pois esta possui a faculdade de decodificar o sentido das mensagens existentes por detrás das palavras.
“Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.”
Seria absurdo pensar que o Cristo estaria incentivando o descuido para com o funeral necessário ao corpo de todo aquele que desencarna. Todo corpo merece funeral digno, seja com cremação ou enterro. Porém, como bem colocou Allan Kardec, ele, ao dizer aquela frase, se referia aos excessivos cuidados, não só com o corpo do falecido, como também com seus pertences. Costuma-se agir como se o desencarnado ainda estivesse presente, transferindo-se para os objetos que lhe pertenceram, os sentimentos que se tinha por ele. O alerta do Cristo é para que nos voltemos para o
Espírito e não para a matéria. Os mortos são aqueles que se ligam demasiadamente às coisas materiais que pertenceram ao desencarnados.
Por outro lado, no aspecto psicológico, podemos entender que, na psiquê, temos aspectos desconhecidos ou negados, os quais Jung chamou de sombra. Ela pode ser negativa ou positiva, pois contém não só aquilo que não sabemos que internamente existe em nós, e que são conquistas positivas, como também conteúdos que negamos em nossa personalidade, por serem aspectos sombrios e de difícil aceitação como componentes de nossa personalidade.
Há conteúdos psíquicos que fazem parte de nossa personalidade e que são responsáveis por atitudes aversivas e inadequadas que ainda temos, aos quais permitimos que continuem influenciando nosso comportamento, cujo valor que lhes atribuímos contribui para que permaneçamos em estágios evolutivos infantis. Embora nossa sombra possua conteúdos bem vivos e atuantes em nós, tornam-se mortos pela forma como os relegamos. São matéria morta da psiquê que nos tornam mortos para a vida. ‘Enterrar’ essa matéria é trabalhar seu conteúdo de forma a diluir seus efeitos até que desapareçam ou se transformem.
A nossa limitação está em conseguir descobrir qual o conteúdo daquela matéria. O que faz parte dela é uma incógnita, a qual nem sempre se descobre a solução. Devemos começar pela auto-análise, onde tentaremos descobrir os dificultadores de nossa existência, que estão dentro de nós.
Muitas vezes choramos ou lamentamos exageradamente alguma dor ou perda, esquecendo-nos que estamos passando por uma ‘morte’ necessária. Alguns aspectos do ego precisam morrer para permitir a expressão do Espírito. Durante a Vida enfrentamos várias mortes e, aprender a dar o valor adequado, nem maior nem menor, às nossas dores é sinal de maturidade psicológica. Não adianta se insurgir contra os ciclos naturais da Vida. É preciso reconhecer quando é o momento de enterrar velhas atitudes, idéias, emoções e escolhas para iniciar um novo estágio evolutivo.
Devemos também ter a consciência de que não é aconselhável dar mais atenção ao ‘lixo’ do passado, após ter sido trabalhado o suficiente para ser dissolvido. Quem permanece com as sombras do passado acaba por se tornar sombrio. Quem só enxerga o aspecto negativo da existência, torna-se uma pessoa depressiva e triste, contaminando os outros com quem convive.
“Não vim trazer paz, mas espada.”
Parece também contraditória essa colocação do Cristo, mas se analisarmos que a psiquê deve estar sempre num embate entre o consciente e o inconsciente, entenderemos que aquela divisão é o confronto entre os opostos em nós. A divisão que ele veio trazer não é só aquela que nos coloca em confronto com aqueles que ainda não entendem sua mensagem. A divisão se dá quando assumimos sua mensagem como roteiro de Vida e temos que romper com nosso passado, reiniciando a vida sob novas condições.
O ser humano, ao entrar em contato e interiorizar a mensagem do Cristo, entrará em conflito face às exigências do mundo a que está acostumado. Sua psiquê, através do ego, até então acostumado com os mecanismos de defesa frente à necessidade de mudar de direção, ver-se-á na obrigatoriedade de transformar-se. A divisão é a percepção dos opostos e a necessidade de integrá-los para alcançar-se efetivamente a paz de espírito.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Reforma íntima passo a passo
Para fazermos nossa Reforma Íntima, é necessário, em primeiro lugar, que tenhamos consciência de nossos erros, ou seja, que saibamos o que e porque precisamos mudar. Mesmo que as pessoas nos mostrem nossos defeitos e falhas, não seremos capazes de eliminá-los enquanto acharmos que agimos de maneira correta. É necessário pois, refletirmos sobre tudo o que nos é dito e termos o discernimento para diferenciar o que está certo e o que está errado em nossas condutas.
Nós, seguidores da Doutrina Espírita, que acreditamos na comunicação dos espíritos, em suas mensagens e orientações , não temos motivos para continuar buscando justificativas para nossos erros.
Não podemos nos acomodar na condição de espíritos imperfeitos, justificando todas as nossas faltas, aceitando com naturalidade nossos tropeços e nos modificando apenas naquilo em que não exige muito esforço de nossa parte. Esta é uma escolha muito cômoda e com pouquíssimos méritos.
Precisamos, sim, reconhecer nossos defeitos, identificar nossas maiores dificuldades e procurar nos melhorar a cada dia, sem remorso e culpa quando falharmos em nossos objetivos de melhoria, agindo de maneira impulsiva, fazendo mau uso da palavra ou tendo pensamentos infelizes.
Temos que ter em mente que não conseguiremos mudar completamente de um dia para outro. Nossa reforma interior deve ser feita passo a passo, uma conquista de cada vez.
Um alcoólatra ou um fumante pode abandonar seu vício, mas isso não quer dizer que deixará de ter a necessidade de beber ou fumar de uma hora para outra. Apenas com o tempo, com persistência e muita determinação, esta vontade deixará de existir e ele poderá, finalmente, dizer que está curado!
Assim, devemos nos preocupar, primeiramente, na mudança de nossas ações e de nossas palavras para então procurarmos modificar nossos pensamentos. É muito difícil, por exemplo, não ficarmos revoltados quando alguém nos agride e nos ofende; mas podemos evitar o revide. É difícil amarmos uma pessoa com quem antipatizamos; mas isso não impede que a tratemos com respeito. Muitas vezes, por mais que nos esforcemos, torna-se impossível controlar um sentimento de inveja, ciúme, ódio... mas temos todas as possibilidades de não externarmos essas emoções.
Quando conseguirmos dominar nossos impulsos, teremos ultrapassado o obstáculo mais difícil. A partir desse momento começaremos a descobrir os resultados de nossa nova conduta; perceberemos, pouco a pouco, que tudo aquilo que fizemos com dificuldade e contra nossa vontade, tem-nos proporcionado um melhor relacionamento com nossos familiares, amigos e, até mesmo, com os nossos desafetos. Os problemas estarão cada vez mais fáceis de serem solucionados e nos sentiremos mais felizes, mais leves e, o mais importante, mais próximos de Jesus.
Autoria:
Alexandre Ferreira
Do site: http://www.neapa.org.br/ea0413c
terça-feira, 2 de abril de 2013
lista de defeitos morais - CE Jesus de Nazaré
Os três defeitos morais; orgulho, vaidade e egoísmo resumem e englobam todos os outros defeitos morais existentes. Esses são alguns defeitos você tem que analisar com calma e parcimônia, não tenha medo de ser cruel com você mesmo, você merece ser feliz o mais rápido possível e ser verdadeiro consigo mesmo é a tônica deste trabalho. Não encubra seus defeitos por medo de sofrer ou por orgulho, não vale a pena. O ideal é identificar os cincos defeitos que mais te incomoda e cuidar destes primeiro.
Orgulho
Egoísmo
Vaidade
Inveja
Ambição
Drogas
Alcoolismo
Cigarro
Prostituição
Paixão sexual
Violência
Revolta
Preguiça
Ociosidade
Consumismo
Desamor
Crueldade
Ódio
Impaciência
Maledicência
Ciúme
Melindre
Mágoa
Inveja
Rancor
Desânimo
Medo
Depressão
Tristeza,
Prepotência
Ganância
Avareza
Luxúria
Intolerância
Crítica
Discórdia
Comodismo
Omissão
Irresponsabilidade
Indisciplina quanto aos sentimentos
Avareza
Cobiça
Vontade de se apropriar das coisas alheias
Instinto de destruição
Maledicência
Sensualidade
Avareza
Ingratidão
Destempero
Mentira
Exagero
Descontrole emocional
Falta de piedade
Agitação
Fofoca
Indisciplina
Calunia
Desejar mal
Falar sem pensar
Impor ideias
Desejar o mal
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