sábado, 26 de setembro de 2015

Sócrates

Sócrates

Seu nome em grego é Sokrátes. Sua cidade natal foi Atenas, no ano de 469 a.C., tendo nascido filho de um escultor, de nome Sofronisco e de uma parteira, Fenarete.



Fisicamente, era considerado feio, com seu nariz achatado, olhos esbugalhados, uma calva enorme, rosto pequeno, estômago saliente e uma longa barba crespa.



Casou-se com Xantipa e teve três filhos mas dizem que trabalhava apenas o necessário para que a família não viesse a perecer à fome.



Tendo sido proclamado pelo oráculo de Delfos, como o mais sábio dos homens, Sócrates passou a se incumbir de converter os seus concidadãos à sabedoria e à virtude. Considerava-se protegido por um "daimon" , gênio, demônio, espírito, cuja voz, afirmava, desde a infância, o aconselhava a se afastar do mal.



Não tinha propriamente uma escola, mas um círculo de familiares, discípulos com os quais se encontrava, de preferência , no ginásio do Liceu. Em verdade, onde quer que se encontrasse, na casa de amigos, no ginásio, na praça pública, interrogava os seus interlocutores a respeito das coisas que, por hipótese, deveriam saber, fossem eles um adolescente, um escravo, um futuro político, um militar, uma cortesã ou sofistas.



Desta forma, conclue que eles não sabem o que julgam saber e, o que é mais grave, não sabem que não sabem. Por sua vez, ele, Sócrates, não sabe mas sabe que não sabe.



Era considerado um homem corajoso e de muita resistência física. Todos se recordavam de como ele, sozinho, enfrentara a histeria coletiva que se seguira à batalha naval de Arginusas, quando dez generais foram condenados à morte por não terem salvo soldados que estavam a se afogar.



Ele ensinava que a boa conduta era aquela controlada pelo espírito e que as virtudes consistiam na predominância da razão sobre os sentimentos. Introduziu a idéia de definir os termos, pois, "antes de se começar a falar, era preciso saber sobre o que é que se estava falando."



Para Sócrates, a virtude supõe o conhecimento racional do bem. Para fazer o bem, basta, portanto, conhecê-lo. Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.



Foi denunciado como subversivo , por não acreditar nos deuses da cidade, e também corruptor da mocidade. Não se sabe exatamente o que os seus acusadores pretendiam dizer, mas o certo é que os moços o amavam e o seguiam. O convite a pensar por si mesmos atraía os jovens e talvez fosse isso que temessem pais e políticos. Ocorreu também que um dos seus discípulos, de nome Alcibíades, durante a guerra com Esparta tinha se passado para o lado do inimigo. Embora a culpa não fosse de Sócrates, pois a decisão fora pessoal, Atenas buscava culpados.



Foi julgado por um tribunal popular de 501 cidadãos e condenado à morte. Poderia ter recorrido da sentença e, com certeza, receber uma pena mais branda. Entretanto, racional como era, afirmou aos discípulos que o visitaram na prisão:



"Uma das coisas em que acredito é no reinado da lei. Bom cidadão, como eu tantas vezes vos tenho dito, é aquele que obedece às leis de sua cidade. As leis de Atenas condenaram-me à morte, e a inferência lógica é que, como bom cidadão, eu deva morrer."



É Platão quem descreve a morte do seu mestre, no diálogo Fédon. Sócrates passou esta noite a discutir filosofia com seus jovens amigos. O tema, "Haverá uma outra vida depois da morte?"



Embora fosse morrer em poucas horas, discutiu sem paixão sobre as probabilidades de uma vida futura, ouvindo mesmo as objeções dos discípulos que eram contrários à sua própria opinião.



Quando o carcereiro lhe apresentou a taça de veneno, em tom calmo e prático, Sócrates lhe disse:



"Agora, você que entende dessas coisas, diga-me o que fazer."



"Beba a cicuta, depois levante-se e passeie até sentir as pernas pesadas, respondeu o carcereiro. Então, deite-se, e o torpor subirá para o coração."


Sócrates a tudo obedeceu. Como os amigos chorassem e soluçassem muito, ele os censurou. Seu último pensamento foi de uma pequena dívida que havia esquecido. Afastou a coberta que lhe haviam colocado sobre o rosto e pediu:



"Crito, devo um galo a Esculápio...Providencie para que a dívida seja paga."



Fechou os olhos e cobriu novamente o rosto. Quando Crito tornou a lhe indagar se tinha outras recomendações a fazer, ele não mais respondeu. Havia penetrado o mundo dos espíritos. Era o ano 399 a .C.



Sócrates nada escreveu e sua doutrina somente nos chegou pelos escritos de seu discípulo Platão. Ambos, mestre e discípulo, são considerados precursores da idéia cristã e do espiritismo, tendo o Codificador dedicado as páginas da introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo para esse detalhamento.



O nome de Sócrates se encontra especialmente em Prolegômenos de O livro dos espíritos, logo após o de O espírito da verdade, seguido de Platão. Ainda encontramos seus comentários aos itens 197 e 198 de O livro dos médiuns, no capítulo que trata dos médiuns especiais, demonstrando que o trabalhador verdadeiro não cessa suas atividades, embora a morte do corpo fisico e de que, afinal, somos verdadeiramente uma só e única família universal: espíritos e homens , envidando esforços para o atingimento da Perfeição.



Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 19; Grandes vidas, grandes obras , Seleções do Reader's Digest, 1968.

Sócrates

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Sócrates: um dos mais importantes filósofos da antiguidade

Biografia e ideias de Sócrates

Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 aC, e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza  da alma humana.

Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes. Em seus pensamentos, demonstra uma necessidade grande de levar o conhecimento para os cidadãos gregos. Seu método de transmissão de conhecimentos e sabedoria era o diálogo. Através da palavra, o filósofo tentava levar o conhecimento sobre as coisas do mundo e do ser humano.

Conhecemos seus pensamentos e ideias através das obras de dois de seus discípulos: Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito seus pensamentos.

Sócrates não foi muito bem aceito por parte da aristocracia grega, pois defendia algumas ideias contrárias ao funcionamento da sociedade grega. Criticou muitos aspectos da cultura grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos gregos.

Em função de suas ideias inovadoras para a sociedade, começa a atrair a atenção de muitos jovens atenienses. Suas qualidades de orador e sua inteligência, também colaboraram para o aumento de sua popularidade. Temendo algum tipo de mudança na sociedade, a elite mais conservadora de Atenas começa a encarar Sócrates como um inimigo público e um agitador em potencial. Foi preso, acusado de pretender subverter a ordem social, corromper a juventude e provocar mudanças na religião grega. Em sua cela, foi condenado a suicidar-se tomando um veneno chamado cicuta, em 399 AC.

Algumas frases e pensamentos atribuídos ao filósofo Sócrates:

- A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.

- A palavra é o fio de ouro do pensamento.

- Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

- É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.

- Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem.

- A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.

- O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.

- Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.

- Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.

- Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados.

- O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.

- A verdade não está com os homens, mas entre os homens.

- Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.

- Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.

- Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.

- Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.

- Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates

Conhece-te a ti mesmo


http://www.espiritoimortal.com.br/conhece-te-a-ti-mesmo-vence-te-a-ti-mesmo-ama-te-a-ti-mesmo/

Conhece-te a ti mesmo

Conhece-te a ti mesmo

Grupo Espírita Apóstolo Paulo

Conhece-te a ti mesmo

919 - Qual o meio mais eficaz para nos melhorarmos nesta vida e resistirmos às solicitações do mal?
R: Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo. (O Livro dos Espíritos)

Ter humildade : "Sem humildade construímos virtudes que não temos, como se tivéssemos uma roupa para esconder deformidades de nosso corpo"(Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7; item 11).
Compreender o próximo: "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra"(Jesus, no Evangelho de João, cap. 8; versículos 1 a 10)
Interrogar a consciência: "O homem de bem interroga a consciência sobre todo o bem que fez e todo aquele que deixou de fazer" (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17; item 3)
*O Reino de Deus e a criança
Evangelho de Mateus, capítulo 18; versículos 1 a 5
Paulo, I Epístola aos Coríntios, IV: 20)
Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Conhece-te a ti mesmo

Nesta palestra, deveremos mostrar ao público a necessidade de nos conhecermos para compreender os problemas que nos cercam.
Inicie dizendo que todos temos problemas, e que geralmente colocamos a culpa em quem convive conosco.
Ou é o marido que reclama que a esposa age friamente; ou a esposa, que diz que o marido não dialoga com ela; ou os pais, que afirmam que os filhos são rebeldes; ou os filhos, que dizem não serem compreendidos pelos pais. Ainda há o patrão, que acredita que o empregado só faz "corpo-mole"; ou o empregado, que acha o patrão mesquinho.
Mas, se analisarmos bem, será que os problemas que nos afligem são causados pelos que nos rodeiam, ou são, na verdade, provocados pelas atitudes que tomamos ou que deixamos de tomar?
Será que temos feito por merecer uma esposa mais disposta, um marido mais companheiro, filhos mais educados, pais mais compreensivos, empregados mais motivados e patrões mais altruístas? Ou será que temos apenas agido como egocêntricos, querendo apenas que "venha a nós" o nosso desejo, e nada de distribuir aos outros o que desejaríamos para nós?
Procure neste momento deixar o público refletir, pois a partir de agora é que haverá a sintonia necessária para que exista a absorção esperada dos ensinamentos da Doutrina e do Cristo.
Então, passe para a pergunta de "O Livro dos Espíritos", descrita abaixo:

919 - Qual o meio mais eficaz para nos melhorarmos nesta vida e resistirmos às solicitações do mal?
R: Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo. (O Livro dos Espíritos)

Nesta pergunta de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, conhecedor das mazelas humanas, questiona o Espírito de Verdade sobre como poderíamos melhor evitar o mal que nos cerca, e melhor, como poderíamos progredir. E a resposta dos Espíritos é clara, ou seja, que devemos nos conhecer interiormente.
Fale ao público que precisamos ter coragem e fazermos um viagem dentro de nós mesmos. Analisarmos se temos feito por merecer o bem que desejamos em nossa vida.
Mas, para que esta análise seja real, precisamos seguir alguns passos para que não caiamos na tentação de acreditarmos ser o que não somos. Isso porque somos grandes juizes de nós mesmos, e encobertamos, às vezes até inconscientemente, as imperfeições que contribuem para a existência de nossas dificuldades.
Cite, então, algumas dicas para que possamos nos analisar melhor:

Ter humildade : "Sem humildade construímos virtudes que não temos, como se tivéssemos uma roupa para esconder deformidades de nosso corpo"(Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7; item 11).
Fale da importância de termos humildade sincera. Pois sem ela, como diz o Evangelho, tenderemos a encobrir nossos defeitos e exaltarmos nossas virtudes. Humildade para compreendermos que erramos sim, e que podemos aprender com esse erro, sendo melhor no amanhã do que fomos no hoje. Não ter vergonha de assumir um erro, mas lutar com perseverança para resistir à tentação de errar de novo.
Envolva o público na necessidade de orar a Jesus pedindo ajuda na conquista da humildade, que nos livrará de uma série de angústias.

Compreender o próximo: "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra"(Jesus, no Evangelho de João, cap. 8; versículos 1 a 10)
E se conseguirmos ser humildes, conseguiremos compreender que assim como erramos, também o próximo que convive ou não conosco tem a possibilidade de errar. E então, veremos que ninguém está sem pecados, ou seja, todos temos atitudes a serem corrigidas. Isso nos dará maior força para aprendermos a perdoar, e consequentemente, conviver melhor com que está ao nosso redor".

Interrogar a consciência: "O homem de bem interroga a consciência sobre todo o bem que fez e todo aquele que deixou de fazer" (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17; item 3)
Por fim, depois que tivermos buscado a humildade e a compreensão do próximo, devemos fazer a análise sincera de nossa consciência, e verificar se fomos úteis em todos os momentos que tivemos a oportunidade. Se temos a condição de, à noite, ao colocarmos a cabeça sobre nosso travesseiro, estarmos com a consciência tranquila, cientes de que nossas responsabilidades como marido, esposa, pais, filhos, patrão ou empregado foram cumpridas a contento. E, se não foram, o que poderemos fazer para melhorarmos no dia seguinte.
Diga ao público que este é o momento de refletirmos sobre a vida, e compreender quantos sofrimentos e decepções poderíamos ter evitado se tivéssemos agido com humildade, perdão e auto-análise.
Pare então por alguns segundos e vá para a parte final da palestra.

O Reino de Deus e a criança
Evangelho de Mateus, capítulo 18; versículos 1 a 5
Leia, ou, se puder, conte sem ler, a passagem que existe na referência citada acima. Nela, Jesus toma uma criança como exemplo, mostrando que o homem precisa assemelhar-se aos pequeninos para ganhar o Reino de Deus.
Ou seja, a criança tem a humildade de estar sempre disposta a aprender com tudo que a cerca, de forma atenta e constante; perdoa sempre, de forma sincera, aqueles que convivem com ela, não guardando mágoa ou ódio; e por fim, faz as coisas aos outros de maneira desinteressada, sem esperar nada em troca.
Explique então aos assistentes que agindo como as crianças iremos nos conhecer melhor, pois diz o Mestre que este é o caminho para entrarmos no Reino de Deus, que nada mais é do que um estado de espírito, onde encontraremos a paz e a felicidade que procuramos.

http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/conhecer%20te%20a%20ti%20mesmo.htm

A RECEITA DE SANTO AGOSTINHO

A RECEITA DE SANTO AGOSTINHO

Ana Cristina Vargas

É raro, no meio espírita, comentar-se sobre autoconhecimento sem fazer referência ao pensamento de Santo Agostinho, exposto na questão 919 de O Livro dos Espíritos. Nela o tema foi tratado diretamente em preciosos quatro parágrafos, encerrando uma receita.

O conhecimento espírita desperta um anseio pelo progresso que nos faz pedir que nos apontem caminhos. O Codificador pediu aos espíritos superiores a fórmula da melhoria pessoal, e não pediu para as próximas encarnações, pediu para esta vida e ousou mais: tinha que ser prática e eficaz.

Respondeu-lhe o Espírito Santo Agostinho, dizendo: “Um sábio da Antigüidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.”

Referia-se a Sócrates e apontou a necessidade de focarmos os interesses na busca por e em nós mesmos. Ouve-se muito: “Conheço fulano como a palma da minha mão, ele não me engana.” Ou seja, conheço o outro, conheço para fora, mas quando perguntam “Quem é você?”, dizemos um nome que nem ao menos foi de nossa livre escolha e completamos informando profissão, estado civil e endereço. Pronto, qualquer um nos encontra, o que não significa um encontro pessoal.

O Codificador retruca reconhecendo a sabedoria da resposta, mas alegando dificuldades para se atingir o conhecimento interior e insiste no pedido de uma receita. Disse Jesus: “Pedi e obtereis.” Ele obteve a fórmula e a legou àqueles que em si descobrem esse anseio.

Ensinou o interrogado: “Fazei o que eu fazia de minha vida sobre a Terra: ao fim da jornada, eu interrogava minha consciência, passava em revista o que fizera, e me perguntava se não faltara algum dever, se ninguém tinha nada a lamentar de mim.”

Estava dada a receita da espiritualidade prática e eficaz para melhorar já nesta vida: conhecer a si mesmo examinando a consciência.

Mas como se faz um exame de consciência? Será que basta rememorar os acontecimentos do dia e verificar como nos comportamos, se fomos gentis, cordiais, caridosos, se cumprimos nossos deveres profissionais, familiares, se fizemos prece etc.? Talvez temeroso de que caíssemos nesta simplificação, ele especificou que o modo de fazer é realizar um interrogatório preciso e diário a si mesmo sob o amparo de Deus e do anjo guardião. Ele sugeriu que colocássemos para nossa reflexão ao menos cinco questões, a saber:

1) “Perguntai-vos o que fizeste e com qual objetivo agistes em tal circunstância”.

A primeira parte da questão é tranqüila, basta recordar as atitudes do dia. A segunda aprofunda- se pedindo para identificarmos os objetivos de nossas ações, os interesses e propósitos que as motivaram, os quais podem estar escondidos muito fundo, num canto sombrio do nosso ser, e ainda se apresentarem mascarados.

2) “Se fizeste alguma coisa que censurais em outrem”.

A nossa capacidade de olhar para fora é bem desenvolvida, então vamos aproveitar e conhecer o que estamos projetando. É sempre fácil apontar erros, condenar e exigir dos outros esquecendo que só conseguimos reconhecer aquilo que também possuímos. Esse é um procedimento importante da receita que se repetirá.

3) “Se fizeste alguma coisa que não ousaríeis confessar”.

Um questionamento ético em relação à minha conduta com o próximo e também pessoal, na medida em que devemos responder se tudo o que pensei, senti e fiz pode ficar exposto à luz? Ou falta coragem para assumir opiniões, atitudes, vontades, o “eu” e as motivações reais e profundas das minhas ações, que somente eu e Deus podemos saber quais são.

4) “Se aprouvesse a Deus me chamar neste momento (em que estou lendo está página), reentrando no mundo dos Espíritos, onde nada é oculto, eu teria o que temer diante de alguém?”.

Queremos distância da morte. Não é agradável pensar nela ou falar sobre ela. Aceitá-la não é fácil, trabalhar as perdas é um processo doloroso e delicado. Imagine pensar na própria morte, diariamente. Frente a cada decisão, refletir como ficaria a situação se morrêssemos naquele momento. Brigamos com um filho, ou com o marido, ou com um amigo, ficamos magoados, com raiva e morremos num ataque fulminante do coração. Que situação! Essa questão nos põe em xeque com um mundo onde as máscaras não enganam senão quem as usa. Se pensarmos sob esse enfoque, mudaremos muitas atitudes.

5) “Examinai o que podeis ter feito contra Deus, contra vosso próximo, e enfim, contra vós mesmos”.

Discutimos muito as nossas relações amorosas, profissionais e familiares, mais ou menos nessa ordem de prioridade. Mas a relação com Deus vai entre tapas e beijos e não paramos para discuti-Ia. Começa que Dele nem sempre fazemos um juízo claro, a nossa resposta pessoal é em geral vaga ou politicamente correta. Confundimos repetição mecânica de palavras com falar com Ele. Nós o bendizemos quando a vida corre como desejamos, mas é sobre Ele que lançamos nossas incompreensões e ingratidões quando as coisas não são como queríamos. Por fim, Ele é o cangaceiro das nossas vinganças, cada vez que vencidos pela ira desejamos o mal ao próximo e não o realizamos com as próprias mãos. Mas, ironicamente, embora O contratemos para nossas desforras, ainda O tememos. E uma relação complicada: nós a vivemos com uma grande dose de irreflexão misturada ao medo, à ira, à ingratidão. Temos um comportamento mimado e não apto ao diálogo.

Desta tríade, a relação com o outro é a mais debatida, só que em geral sob a ótica de vítima: “O que eles fizeram comigo”. O convite é para largarmos essa postura e assumirmos nossas responsabilidades.

A relação conosco é outra e apenas em circunstâncias limites começamos a discutír. Falamos muito sobre reencarnação, obsessão, lei de amor, depressão, sentimentos mal resolvidos, doenças, mas pouco nos perguntamos: “Por que sou e estou assim?” Como lido com as alegrias e as tristezas?”, “Cuido bem de mim, como corpo e alma?”

O autor da receita mostra conhecimento e compreensão da alma humana antecipando-se ao propor: “Mas, direis, corno se julgar? Não se tem a ilusão do amor próprio que ameniza as faltas e as desculpas?”.

Ilusões e justificativas podem comprometer o resultado e para evitar que algo saía errado na execução da receita, ele deixou também os segredinhos. Para evitar auto-enganos, façamos o seguinte:

1) “Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, perguntai-vos como a qualificaríeis se fosse feita por outra pessoa; se a censurais em outrem, ela não pode ser mais legítima em vós, porque Deus não tem duas medidas para a justiça.”

2) “Não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque estes não têm nenhum interesse em dissimular a verdade e, freqüentemente, Deus os coloca ao vosso lado como um espelho para vos advertir com mais franqueza que o faria um amigo.” É o verdadeiro “te enxerga”. É uma proposta valiosa para reformularmos comportamento sobre críticas e inimizades, vendo nelas auxiliares divinos para nosso crescimento. Assim, esvazia-se a raiva e a indignação. A humildade é o caminho que acaba com a falsa superioridade que nos faz preferir ignorar as críticas e inimizades a aprender com elas.

3) “Aquele que tem vontade séria de se melhorar explore, pois, sua consciência, a fim de arrancar dela as más tendências.”

O produto da fórmula ê uma visão clara de quem somos e do que precisamos reformar.

A promessa final é excelente, nada menos que uma felicidade eterna. Vale a pena conferir.
Fonte: Revista Literária Espírita Delfos . Catanduva, SP: BOA NOVA. Ano V. Ed. 03. Nº 21. 2005. p. 10-13

CONHECE-TE A TI MESMO

CONHECE-TE A TI MESMO

Espiritismo, filosofia

"Nosce te Ipsvm"



A velha máxima proposta por Sócrates na antiguidade, representa até hoje, a fórmula para o progresso moral do homem. Conhecer a si mesmo é o princípio regenerador que deve nortear a busca do nosso desenvolvimento pessoal e por consequência, a transformação do meio em que vivemos.

Espíritos em evolução necessitam estagiar em mundos de provas e expiações, o que nem sempre  constitui tarefa fácil.  Não raro, o retorno a vida física significa para o espírito uma existência dolorosa, carregada de dificuldades e sofrimento.

Contudo, raramente compreendemos que o sofrimento de agora é o reflexo de uma ação negativa no pretérito. Todos estamos sujeitos a lei de causas de efeitos, que é a prova da misericórdia Divina, que nos concede nova oportunidade de regeneração.
Então, se nossas maiores aflições são consequências de nosso atos, a chave para conquista da felicidade e a paz interior que tanto almejamos, está em nossas mãos. O autoconhecimento nos remete a análise de nossas virtudes e principalmente de nossas falhas, proporcionando-nos uma oportunidade para redenção.
Allan Kardec em "O Livro dosEspíritos", indaga Santo Agostinho sobre o assunto:

919 - Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo."

(Allan Kardec - O Livro dos Espíritos)

O homem pode não apresentar dificuldades em  destacar suas próprias virtudes, mas o mesmo não acontece ao apontar seus erros, talvez, influenciado pelo amor próprio que é inerente a natureza humana.

 Mas como é possível conhecer a si mesmo?


"Conhece-te a ti mesmo"
Ainda na mesma questão da obra base do espiritismo, Santo Agostinho explica que o autoconhecimento é uma prática diária, onde é possível arguir a própria consciência o que de proveitoso realizamos durante aquele dia e principalmente, quais foram as ações negativas praticadas contra nós e nossos semelhantes. Desta forma, passamos a conhecer nossos erros, permitindo-nos iniciar a reforma íntima tão lembrada pela Doutrina Espírita.

[...]"Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. "

(Santo Agostinho - O Livro dos Espíritos)

As Leis Divinas estão gravadas em nosso espírito, basta consultar a própria consciência para saber se estamos agindo de acordo com os princípios morais instituídos pelo Criador. Contudo, influenciado pelo orgulho e a vaidade ou simplesmente por ignorância, é possível negligenciar a razão e então, faz-se necessário colocar em prática a recomendação do Cristo:

[...] "Em tudo, faça aos outros o que você quer que eles lhe façam; nisto se resumem a lei e os profetas."

(Mateus 7:12)

Trocar de lugar com o semelhante constitui a melhor forma de avaliar nossa conduta. Será que o que gostaríamos de receber é o mesmo que estamos proporcionando a outrem?


Sócrates
Outro parâmetro de avaliação que pode nos proporcionar autoconhecimento, são as críticas dirigidas a nós. Faz-se necessário aceitá-las com bom ânimo ao invés de encará-las como ofensa. Levemos em conta as advertências de nossos inimigos que muitas vezes nos fornecem o espelho para enxergarmos nossas fraquezas.

Como podemos analisar, conhecer a si mesmo é ferramenta indispensável para o progresso moral. O autoconhecimento é tão importante, que nos fora revelado na antiguidade, antes mesmo da passagem do Cristo na Terra através da filosofia socrática.

Para o Espiritismo, Sócrates é tido como um dos precursores da Doutrina codificada por Allan Kardec, pois cultivou o campo e semeou o princípio do autoconhecimento, construindo toda sua filosofia que está alicerçada sobre este preceito:

 ''Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses''
(Sócrates)

O que era o Oráculo de Delfos?

O que era o Oráculo de Delfos?


Revista Mundo Estranho

Era o mais importante centro religioso da Grécia antiga. Entre os séculos 8 a.C. e 2 a.C., ele foi muito procurado por pessoas que supostamente recebiam previsões sobre o futuro, conselhos e orientações. A cidade de Delfos era a sede do principal templo grego, dedicado ao deus Apolo, e em cujos subterrâneos funcionava o famoso oráculo. Na mitologia, o local pertencia originariamente a Gaia (divindade que representa a Terra) e era guardado por sua filha, a serpente Píton. O deus Apolo, associado ao dom da profecia, teria assumido o controle do lugar após matar a serpente, que caiu numa fenda do solo e teria entrado em decomposição, passando a emitir vapores intoxicantes. Os gregos acreditavam que quando uma sacerdotisa - uma mulher de vida irrepreensível escolhida entre as camponesas - inalava tais gases, ela tinha seu espírito possuído por Apolo, que fazia as profecias por meio dela. "A forma mais conhecida de consulta consistia em fazer uma pergunta à sacerdotisa, conhecida como pítia.

Numa espécie de transe mediúnico, ela pronunciava as respostas em versos semelhantes aos usados nos poemas Ilíada e Odisséia, de Homero", diz Fernando Brandão dos Santos, professor de literatura grega da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP). O centro religioso era consultado por cidadãos comuns e também por líderes políticos, que usavam as profecias para orientar seus governos. Após o Império Romano tomar Delfos, no século 2 a.C., o local sofreu diversas pilhagens e a posterior expansão do cristianismo também contribuiu para a sua decadência. O templo pagão foi fechado definitivamente por um decreto do imperador Teodósio no final do século 4. Algumas questões sobre Delfos, porém, intrigariam cientistas muitos séculos depois. Na década passada, geólogos, químicos e arqueólogos trabalharam na região e concluíram que realmente gases estranhos podiam emanar do Templo de Apolo.

Mas tais vapores não têm nada a ver com a mitológica decomposição da serpente Píton, como você pode conferir neste infográfico.

Mergulhe nessa

Na livraria:

The Road to Delphi: Scenes from the History of Oracles, Michael Wood, Farrar Straus & Giroux, 2003

Na internet:

www.ancient-greece.org/history/delphi.html

www.oracleofdelphi.com/oraclestory.htm

O ORÁCULO DE DELFOS

O ORÁCULO DE DELFOS

            O Oráculo de Delfos, assim como outros Oráculos da época, eram na Grécia como em outras sociedades antigas, uma forma mais elevada de se exercer a religiosidade e a transcedentalidade, significava uma ponte entre o mundo espiritual; mundo dos deuses e o material; mundo dos homens. As informações dos deuses eram recebidas em Delfos mediunicamente ao que tudo indica, por mulheres  chamadas pitonisas, as quais sentavam-se sobre um banco de três pernas, daí o famoso nome “trípode” que localizava-se no interior do templo, onde havia uma sala construída ao redor de uma fenda existente no solo pétreo, no qual emanava um vapor frio e estonteante, que era capaz de provocar delírios ou o transe mediúnico. Em seus rituais, as pitonisas também mastigavam folhas de louro, que diziam ser a árvore do deus Apolo para poderem através do transe profético invocar a alma imortal de Orfeu, filho de Apolo, elemento de ligação entre os dois mundos, que ao som de sua mágica lira de sete cordas revelaria todos os mistérios. Qualquer que fosse o método utilizado, a sacerdotisa era tida como diretamente inspirada por Deus, o qual por meio de seus mensageiros falavam através delas recitando oráculos completamente ambíguos e enigmáticos. Muitas das vezes, quando a pergunta, dirigida pelo consulente era difícil de ser respondida, o oráculo usava de ambigüidade como resposta, como foi o caso da célebre passagem do rei Creso da Líbia, que consultou o oráculo de Delfos, nas vésperas de uma batalha decisiva com os persas. Indagou Creso se deveria ou não atravessar o rio Alísio e atacar o persas. O oráculo respondeu-lhe:  “atravessando o rio e dando o combate imediato ao inimigo, o rei Creso veria a destruição de um grande reino”. Creso, atravessou o rio e perdeu a batalha. Ao acusar o oráculo por ter feito uma falsa predição, os sacerdotes do templo, defenderam-se alegando que ele não havia interpretado perfeitamente a profecia; o reino a que se havia referido a predição era o dele e não o dos persas. Além dos sacerdotes e sacerdotisas, existiam também as sibilas, que eram mulheres dotadas do dom da profecia, uma espécie de premonição.





Inúmeras são as passagens bíblicas nas quais os  profetas e as profetisas de Israel  também utilizavam-se comumente dos oráculos, através das suas  faculdades psíquicas ou mediúnicas, como a clauriaudiência, clarividência, precognição, retrocognição, ou por meio de mecanismos como o Urim e Tumim(Êxodo cap.28 v.30), entre outras,  para orientar o povo hebreu. Demonstrando-nos que essa prática era de caráter universal, e ainda hoje é largamente utilizada sob outras denominações.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sincronicidade

Sincronicidade

Por Thiago Leite

Muitas vezes ocorre de encontrarmos uma pessoa logo após pensarmos nela. Surpreendem certas ocasiões em que sonhamos com alguém que há muito tempo não vemos e, pouco tempo depois, temos notícias dela ou a avistamos em algum lugar. Muitas pessoas, quando estão em meio a uma pesquisa ou um problema, passam pela experiência de se deparar com uma solução ou uma grande ajuda repentina, como se esta “caísse do céu”.

Mas não há nada de místico nesse fenômeno, nem se trata de providência divina. Todos nós passamos por isso várias vezes na vida Além disso, quando estamos bem atentos, percebemos que é muito mais comum do que estamos acostumados a acreditar.

Consideramos que a consciência (a pessoa) se manifesta através de energias mais ou menos sutis (algumas podem ser percebidas pelos 5 sentidos, como é o caso da matéria, e outras só são perceptíveis através de sentidos extrafísicos como a clarividência). Também levamos em conta que essas energias estão em constante trânsito no universo, chocando-se e transformando-se naturalmente (energia imanente) ou pela intervenção das consciências (energia consciencial),

Essa intervenção consciencial se dá pela manifestação básica da consciência, que ocorre na indissociabilidade de três elementos: pensamento, sentimento e energia (ou seja, pensene). Todo ato, aconteça ele no íntimo da consciência ou através da interação física e energética, traz automaticamente os três elementos. Os pensamentos repercutem ao nosso redor e, como toda ação física, provocam reações e respostas, sejam do ambiente, sejam de outras consciências.

Dessa forma, todas as pessoas estão interconectadas por energias e tudo no universo está relacionado, ou seja, qualquer mudança repercute em larga escala, mesmo que imperceptivelmente. Nossos pensamentos e sentimentos podem ser decodificados por outras consciências, a longa distância, através da reverberação de nossas energias.

Quando pensamos bem dos outros e empreendemos um trabalho assistencial e cosmoético (através de uma ética universalista), outras pessoas se prontificam a ajudar, mesmo que inconscientemente. Em especial, os amparadores extrafísicos (consciências que estão no período entre uma vida humana e outra e não se manifestam com um corpo físico, técnicos em assistência e tarefa do esclarecimento) nos ajudam com insights, orientações e energias. Essa ajuda também promove encontros e reencontros de pessoas, que podem gerar melhores resultados através da sinergia.

A iniciativa pessoal, com intenção e vontade positivas, faz com que nos integremos a trabalhos assistenciais maiores. Nesse processo, descobrimos naturalmente, através da teática (teoria e prática), quais são nossos verdadeiros talentos e sua utilidade para o bem-estar e evolução dos outros. Quando começamos a desenvolver esses talentos em prol da assistência maxifraterna, o universo passa a conspirar a nosso favor.

É difícil separar, nessa engrenagem mais ampla, as causas e efeitos. Toda ação e reação acontecem de modo sincrônico. Saber aproveitar as oportunidades no fluxo dos acontecimentos e de acordo com as necessidades com que nos deparamos, aliadas a nossas potencialidades assistenciais, nos torna mais integrados no maximecanismo das inter-relações conscienciais.

Quanto mais estivermos em harmonia com o universo, mais os acontecimentos ao nosso redor estarão conectados e com mais fluidez no manifestaremos. Perceberemos melhor as sincronicidades, que serão encaradas como sinais das oportunidades evolutivas e dos desafios assistenciais a enfrentar.

Você já percebe as sincronicidades em sua vida? Considera-as como mera coincidência ou como consequência de um mecanismo multidimensional? Você consegue utilizá-las a favor dos outros e de si mesmo?

FONTE: http://intercampi.org/2011/05/27/artigo-sincronicidade/

Jung e os Fenômenos Mediúnicos

Jung e os Fenômenos Mediúnicos

(3o artigo)

Allan Kardec (1804-1869), dentro de uma visão mais ampla e que oferece um panorama coerente da vida, definiu o Espiritismo como ciência, filosofia e religião, sendo, por isto, uma árvore frondosa e capaz de acolher toda manifestação do sentimento e do conhecimento humanos. Assim, a investigação sobre a realidade espiritual, a reflexão acerca da mesma e a associação desses esforços às noções de Deus e do destino, se incluem, naturalmente, no Espiritismo.

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos grandes colaboradores para a divulgação dos fenômenos mediúnicos, embora não conste que tenha feito uma profissão de fé nos moldes espíritas, pois, como cientista, evitou pronunciar-se ostensivamente quanto à realidade das comunicações, a sobrevivência da alma e até mesmo a reencarnação, embora toda a sua vida tenha sido cercada por médiuns e fenômenos. Destacamos a mediunidade de sua mãe Emilie, que possuía a faculdade de vidência, naquele tempo interpretado como “segunda vista”, e que proporcionou algumas revelações na intimidade familiar, como descreve a Profª. Paola Giovetti em longo artigo recentemente divulgado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), da Itália, no qual afirma: “Este interesse pelos fenômenos ocultos foi sempre característico na família materna de Jung, e o próprio Jung, em avançada idade, confessou que a mediunidade de sua prima Elene lhe possibilitou caminhar muito em direção ao que ele chamava ‘reino das sombras’, e que ela foi ‘uma alma realizada”. Assim, enaltecendo a médium, Jung enaltece e valoriza a mediunidade.

Avançando em estudos sobre a fenomenologia mediúnica, Jung modifica a usada conceituação do subconsciente para empregar um novo termo, e assim definir os fenômenos mediúnicos: sincronicidade, conforme texto de uma carta enviada ao estudioso da paranormalidade, o inglês Dr. John R. Smythies, na qual se lê: “No meu trabalho sobre a sincronicidade não me esgoto de fazer especulações”. Isto escrevia ele em 1952, quando em seus estudos constatou e existência de relações significativas entre ocorrências nas quais não se observava uma ligação de natureza causal.

Jung dedicou boa parte de sua vida ao estudo dos sonhos e das visões, e ele mesmo viveu experiências interessantes neste vasto campo, embora lutasse com sérias limitações, pois agia sem o amparo e sem a interpretação que a Doutrina Espíritas oferece e que o ajudaria a melhor compreender que todos os espíritos  reencarnados gozam de parcial liberdade enquanto repousa o corpo físico, o que lhes permite entrar em contato com outros espíritos, encarnados ou não.

Num desses momentos de parcial liberdade, Jung-espírito entrou em contato com vários desencarnados, sendo que um destes era uma entidade culta, que dialogou com ele em latim. Isto o deixou em desvantagem, pois não dominava inteiramente aquela língua. E despertou sob forte agitação, como que envergonhado. Outro exemplo: quando em desdobramento (na terminologia espiritista), Jung vai ao encontro do espírito do pai em busca de orientação e conselho em relação à maneira de conduzir seus estudos psicológicos. Pouco antes do falecimento de sua genitora, Jung teve um outro encontro com o pai, na erraticidade,  e este lhe falou de um problema consciencial gerado durante a vida de casado, quando cometera pequeno deslize de adultério.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista “Luce e Ombra” publica a foto da faca, como ilustração.

Veremos, em novas oportunidades, outros valiosos e importantes fatos mediúnicos na vida desse respeitável cientista.

Fonte: SEI – Serviço Espírita de Informações
Boletim nº 1909

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