sexta-feira, 27 de março de 2015

O autoconhecimento

O autoconhecimento

Paulo Henrique D. Vieira

de Uberlândia, MG

A busca do ser humano por respostas sobre a natureza e as coisas, a vida e si mesmo, já remonta de muitos e muitos séculos.

No século V a.C. o filósofo grego Sócrates, já se preocupava com isso e dizia que antes do homem se preocupar em querer conhecer a origem da natureza ou das coisas, deveria primeiro procurar conhecer-se a si mesmo.

No pórtico do templo de Apolo, estava gravada a expressão “conhece-te a ti mesmo”, que se tornou a bandeira do filósofo grego.

Sócrates andava pelas ruas e praças de Atenas; pelo mercado e pela assembléia, indagando as pessoas: “Você sabe o que você diz?”, “Você realmente tem certeza em que você acredita?”, “Você está realmente conhecendo aquilo em que acredita, aquilo em que pensa, ou em aquilo que você diz?”

Fazendo estas perguntas as pessoas, Sócrates deixava seus interlocutores embaraçados, curiosos, irritados e na maioria das vezes surpresos, pois quando estas pessoas tentavam responder ao filósofo suas indagações, percebiam que na maioria das vezes não sabiam responder e que nunca tinham verdadeiramente parado para refletir em suas crenças, valores e ideais. Logo em seguida as pessoas esperavam que Sócrates respondesse à elas o objeto de suas indagações, no que o filósofo respondia: “Eu também não sei, e é por isso que estou perguntando.”  De onde surgiu a célebre frase atribuída a ele: “Tudo o que sei é que nada sei”.

Sócrates dava uma prova de humildade e sabedoria, afirmando a consciência da própria ignorância.

Por questionar as idéias, os valores e os comportamentos que os atenienses julgavam corretos e verdadeiros, estimular o povo e principalmente a juventude ateniense a pensar e refletir se todos aqueles valores da época eram verdadeiros, Sócrates foi considerado um perigo pelos poderosos de Atenas.

Acusado de desrespeitar os deuses, corromper a juventude e violar as leis, como todo mártir, Sócrates foi condenado a morte.

Negou-se a defender-se perante a assembléia, e quando interrogado pelos discípulos pelo porquê de sua decisão, disse: “ se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. (...)”.

A filosofia de Sócrates deixou marcas tão profundas no pensamento humano, que ele foi considerado pela maioria dos filósofos o pai da filosofia; Kardec colocou na introdução do Evangelho segundo o Espiritismo o resumo de sua doutrina e do seu principal discípulo – Platão - e Emmanuel afirma no livro A Caminho da Luz que: “Sua existência, em algumas circunstâncias, aproxima-se da exemplificação do próprio Cristo.(...)” 1

Mas transportando a essência do pensamento de Sócrates para os nossos dias, será que atualmente o homem e principalmente nós espíritas, conhecedores de tantas verdades do mundo espiritual, conhecemos à nós mesmos?

Qual será o móvel de nossas ações perante a Doutrina Espírita, nossa família, a sociedade e mesmo perante à nós mesmos?

Sabemos que somos imortais, mas será que nas horas de crise ou nas situações difíceis, temos sabido manter a calma daquele que sabe que toda tempestade chega e passa e que por mais que a noite seja densa, não há nada que possa impedir o nascer de um novo dia?

Temos consciência que reencarnamos para o resgate dos débitos do passado e o conseqüente desenvolvimento intelecto-moral que todo espírito carece, mas temos sido capazes de manter as esperanças diante da debilidade orgânica crônica, das pessoas que estão ligadas a nós e que não mantemos afinidade, da situação econômica difícil, da insatisfação de sonhos que gostaríamos de realizar, mas que as circunstâncias nos impossibilitaram de faze-lo?

Hoje compreendemos que em nossa jornada evolutiva não fizemos apenas amigos, antes mesmo prejudicamos e perseguimos muitas pessoas, mas diante das criaturas que hoje demonstram aversão por nós, temos demonstrado a humildade e o amor exemplificados por Jesus visando a reconciliação necessária, ou estamos acalentando animosidades que apenas dificultarão nossa situação no futuro?

Kardec deixou claro que fora da caridade não há salvação, mas temos nos esforçado em doar algo de nós em favor do nosso semelhante, ou temos exercitado a falsa bonomia, achando que alguns trabalhos assistenciais realizados uma vez por semana nos descortinarão as portas do paraíso?

É por tudo isto, por todas estas grandes verdades que os espíritos trouxeram para os homens através de Allan Kardec, e posteriormente em nosso século, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier - com obras tão elucidativas como as de André Luiz e Emmanuel - cujas deste último expressando um alto teor evangélico, apresentando o Espiritismo como o próprio cristianismo redivivo, que constatamos que nós espíritas temos uma responsabilidade muito grande perante a vida, pois nenhuma outra religião explica os mecanismos da existência tão claramente quanto a nossa, em nenhuma outra existe um evangelho tão claro, onde são elucidadas até as mais alegóricas parábolas de Jesus.

Daí a necessidade do autoconhecimento pregado por Sócrates, que foi também abordado no Livro dos Espíritos 2 por Santo Agostinho, como a maneira mais eficaz de se melhorar nesta vida e se resistir ao mal.

Na subdivisão da pergunta 919 do Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos qual é o meio para se chegar ao autoconhecimento e na resposta que se segue a formulação da pergunta, se aconselha a interrogarmos a consciência ao final de cada dia, passando em revista o que fizemos e perguntar a nós mesmos se não faltamos com o cumprimento de algum dever e se ninguém tem motivos para se queixar de nós. Aconselha ainda a indagarmos de nós mesmos o que estamos fazendo e qual o móvel de nossas ações, se estamos praticando ações que censuraríamos nos outros e que não teríamos coragem de confessar. Se ao entrarmos no mundo dos espíritos – onde nada é oculto – teríamos medo do olhar de alguém. Que devemos analisar nossos atos e examinar o que podemos estar fazendo contra Deus, depois contra o próximo, e por fim contra nós mesmos.

E o espírito comunicante finaliza categórico:

“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do melhoramento individual.”

Todos nós somos criaturas humanas, passíveis de erro e por isso mesmo tudo isto aqui exposto sensibiliza antes a nós mesmos. Mas precisamos compreender que o Criador nos atribuiu apenas a imortalidade, nos concedendo todas as possibilidades para o progresso intelecto-moral, mas que este só pode ser efetuado por nós mesmos, visto sermos dotados de livre-arbítrio, que é a faculdade de fazer ou não fazer, o poder de decidir entre o bem e o mal. Sem o estudo do Evangelho e o conhecimento das verdades espirituais; sem o trabalho que aprimora a alma e sem o conhecimento de nós mesmos, fica muito difícil palmilharmos o caminho da luz. Talvez daí todos os erros  cometidos nestes dois mil anos por aqueles que sucederam a vinda do Cristo, pois se não conhecemos a nós mesmos, mais complexas se tornam as palavras do Mestre:

— “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” 3

1 A Caminho da Luz, pág. 93 - Sócrates - 22.ª edição FEB

2 O Livro dos Espíritos, cap. XII - Perfeição Moral, item V - “Conhecimento de Si Mesmo”, perg. 919 e 919-a - Edição             EME

3 João, VIII - 32

Bibliografia:

1.   ANGLO, Coleção. Período Socrático ou Antropológico – Vários Autores.
(Jornal Verdade e Luz Nº 168 de Janeiro de 2000)

Ensaio Prático sobre o Autoconhecimento

Ensaio Prático sobre o Autoconhecimento

Adoniram Nascimento

Como deve ser o perfil do Espírita?

Allan Kardec diz que o "bom Espírita é aquele que, sejam quais forem seus antecedentes, reconhece suas imperfeições e é sincero e perseverante no propósito de se emendar. Que o verdadeiro Espírita não se limita em admirar a moral espírita, mas a pratica e a aceita em todas as suas conseqüências. Convencido de que a existência terrena é uma prova passageira, trata de aproveitar estes curtos instantes para avançar na via do progresso, esforçando-se por fazer o bem e reprimir suas más inclinações".

Sabemos como deverá ser o produto final do perfil desejado, isto é importante. Mas como poderemos analisar o nosso perfil, como espíritas, hoje?

Como ainda não conseguimos "ser Espírita" o tempo todo, em todas as relações interpessoais de nossa vida, para melhor análise iremos separar, de uma maneira geral, o perfil do espírita em três aspectos: como pessoa, como Espírita e como dirigente espírita (a distinção feita entre espírita e dirigente espírita, deve-se ao fato de podermos "ser espíritas" sem desempenhar a função de dirigente ou de estarmos "sendo dirigentes" sem estarmos "sendo espíritas").

Teremos então que fazer uma auto-análise dentro de cada espaço. E esta auto-análise foi muito bem recomendada, notem bem, por Sócrates, Jesus e pelos Espíritos Superiores junto a Allan Kardec na codificação da Doutrina Espírita.

Mas esta auto-análise só poderá ser feita por cada um; é um processo de introspecção; é olhar para dentro de si mesmo, mas com a coragem de se ver como realmente é. Sem dúvida, é descobrir como amar dentro do autoconhecimento.

Poderemos traçar cada um dos perfis atribuindo valores a nós mesmos, referentes a determinadas características dentro de cada aspecto mencionado e criar através destas referências um gráfico ou uma curva que demonstre cada aspecto analisado. Estes valores podem ser: positivos, negativos, estacionários, bom, regular, ruim, ou quaisquer outros que possam definir uma curva.

As características escolhidas, dentro de cada aspecto, para sofrerem um processo de análise, podem nascer de nossa própria reflexão, como um questionamento a nós mesmos e às nossas atitudes e pensamentos.

Estas características podem fazer parte de três grupos principais:

Grupo I - as que gerenciam nosso campo íntimo

Exemplos:

Ideal ativo - motivação - realização.
Determinação
Confiança em si
Conhecimento
Persistência
Capacidade de liderança - orientação
Grupo II - as que gerenciam nossas relações com o outro (como está sendo minha relação com o próximo? Poderemos a partir disto tirar várias questões).

Exemplos:

Promover a União
Confiança nos companheiros
Tolerância
Amar as pessoas
Respeito - compreensão
Valorização do trabalho coletivo
Grupo III - as que determinam nossa coerência em relação ao pensar e agir. (Sou coerente entre aquilo que penso, acredito, apregôo e as minhas atitudes concretas?).

Exemplos:

Fé inabalável
Forte e clara ligação com os Bons Espíritos
Humildade nas atitudes
Positividade
Certeza de que a ação é a solução
Fidelidade
Estas características não têm nada de absoluto, poderemos encontrar outras que completem ou definam melhor cada grupo.

Cada aspecto (pessoa, espírita e dirigente) deve seguir a mesma ordem de análise (Grupo I, Grupo II e Grupo III ou qualquer outra combinação, desde que a mesma seja mantida). Conservada a mesma ordem de análise, para os três aspectos, poderemos determinar pontos de ascendência, descendência e estabilidade quando no ato de montar as curvas.

Montados os gráficos ou curvas, iremos compará-los entre si. Quanto mais homogênea for a comparação, mais coerentes são nossas atitudes como pessoa, como espírita e como dirigente espírita. Quanto mais positiva for a coerência, mais próximos estaremos do perfil desejado, que é o do Homem de Bem ou do Verdadeiro Espírita.

Agora, quanto mais heterogênea for a comparação, menos coerentes estamos sendo. Como pessoas não estamos sendo espíritas; somos espíritas só dentro do Centro ou Sociedade Espírita; como dirigentes não estamos sendo espíritas, muitas vezes fugindo das responsabilidades assumidas em liderar um grupo; enfim poderemos encontrar várias discrepâncias em nossas atitudes envolvendo estes três aspectos que ainda persistimos em mantê-los separados.

Fazer ao outro aquilo que gostaríamos que fizessem a nós mesmos, deve ser o lema para qualquer impulso que nos leve ao autoconhecimento, pois assim estaremos sendo realmente sinceros.

O que tentamos aqui fazer é incentivar, de forma prática, o início à busca do autoconhecimento, através da "Lei da Coerência", que é pensar, falar e fazer a mesma coisa, dentre as diversas atividades que compõem a nossa vida.

Revista Internacional de Espiritismo - janeiro/97.

(Jornal Mundo Espírita de Junho de 1997)

A PROPOSTA ESPÍRITA DO AUTOCONHECIMENTO

A PROPOSTA ESPÍRITA DO AUTOCONHECIMENTO

           O Espiritismo nos esclarece que o Homem é um espírito imortal, que mediante sucessivas reencarnações, caminha progressivamente para a perfeição relativa que todos estamos destinados. O cerne da sua proposta educativa é o progresso espiritual do Ser através da Reforma Íntima.
            O primeiro passo para qualquer caminhada é o conhecimento do percurso a seguir. Na busca pelo autoaperfeiçoamento não deve ser diferente. O conhecimento de si mesmo é o caminho.
            Mas em que consiste esse autoconhecimento? Como proceder essa inadiável caminhada para dentro?
            É importante primeiramente compreender que o progresso moral é uma construção gradativa de valores, que deve ser conquistada degrau a degrau, sem saltar etapas de aprendizado, o que inclui os prováveis equívocos de quem busca acertar, porém, sem culpas castradoras, e com vistas à reparação dos males praticados e a realização de ações dignificantes e renovadoras. É uma proposta de autodescobrimento, onde o indivíduo através de análise de seus pensamentos e atitudes encontra respostas acerca das suas dores íntimas e das trevas interiores que clamam por luz.
O Mestre Nazareno, sabedor da Centelha Divina que somos todos, convidou-nos a fazer brilhar a nossa luz, lançando o desafio de que cada um tomasse a própria cruz e o seguisse. Uma análise psicológica nos sugere que a cruz a que ele se refere são os nossos erros, culpas e imperfeições. Segui-Lo é o caminho da Verdade e da Vida. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”, ainda nos afirmou Ele, instigando ao autoconhecimento.
Avancemos!
         

Fernando de Sá Leitão    

Autoconhecimento sinceridade

Autoconhecimento sinceridade

A voz do Creador falando:
“- Aonde quer que vás, lá estou ! “
A paz reside no silêncio do ser. O Evangelho de Cristo é água, alimento, para a fé viva.
A consciência espiritual aparece quando a influência dos sentidos fica diminuída pela
poderosa força da renúncia voluntária. Não te deixes seduzir pelas reluzências das coisas terrenas. Cuidado com as fantasias,
com miragens.
Alcançando o sentido da evolução, caminharás por variáveis que te conduzirão à consciência
do autoconhecimento.
Para realmente venceres é preciso coragem, bons pensamentos e muita força pessoal.
Não vaciles, o momento é de transformação; não te esqueças de que a verdade é sempre a fé,
que é visão plena do Existente.
Meu amigo: desperta, levanta-te e não permitas que nada te detenha até que realizes o
autoconhecimento.
Confia na prece e perceberás que, no Evangelho, em só pedires te será dado; em só buscares,
encontrarás; bastará que chames para que te seja dada a resposta.
Deus conhece tua dor; tuas desilusões e tua sinceridade.

Mensagem extraída da obra:
“Amor A linguagem silenciosa da vida”

O abraço afetuoso LEOCÁDIO JOSÉ CORREIA
Mensagem psicografada pelo médiun Maury Rodrigues da Cruz Em 21-10-96

Terapia do Autoconhecimento - Joanna

TERAPIA DO AUTOCONHECIMENTO______

"Silencia as ansiedades do sentimento e acalma os tormentos, reflexionando em torno das tuas reais necessidades.

Aprofunda a auto-análise e tem a coragem de te desnudares perante a própria consciência.

Enumera as tuas mais graves emoções perturbadoras e raciocina sobre a sua vigência no teu comportamento.

Enfrenta-as, uma a uma, não as justificando, nem as escamoteando sob o desculpismo habitual.

Resolve-te por sanar a situação aflitiva dos teus dias, optando pela aquisição da saúde.

Consciente de que és o que fizeste de ti, e poderás ser o que venhas a fazer de ti próprio, não postergues a decisão do auto-encontro.

Enquanto a anestesia da mentira te obnubile o raciocínio, transitarás de um para outro problema, sem que consigas a paz real.

Reunirás valores de fora, que perdem o significado, logo são conseguidos, anelando pelo bem-estar fugidio, que se te anuncia e logo desaparece.

* * *

O homem que se conhece possui um tesouro no coração.
O discernimento que o caracteriza é a sua luz acesa no imo, apontando-lhe rumo.

Conhecendo a fragilidade da veste carnal, valoriza cada hora e aplica-a bem, vivendo-a intensamente, em cujo comportamento recolherás os melhores frutos.

* * *

Cada vez que te resolvas por te autodescobrires, conduze uma proposta de libertação.

Começa pelos vícios sociais da mentira, da maledicência, da calúnia, do pessimismo, da suspeita, passando aos dramas do comportamento, na inveja, no ciúme, no ressentimento, no rancor, no ódio... Posteriormente, elabora as medidas educativas às dependências aos alcoólicos, ao tabagismo, às drogas alucinógenas, à luxúria, aos distúrbios da conduta e às investidas das alucinações psicológicas...

Cada passo ser-te-á uma conquista nova.

Toda vitória, por pequena que se te apresente, significará um avanço.

Como os condicionamentos são a segunda natureza, em a natureza humana, gerarás hábitos salutares, que te plenificarão em forma de equilíbrio e paz.

* * *

Toda terapia eficiente impõe disciplinas saudáveis, às vezes ásperas, cujos resultados chegam, à medida que são utilizadas.

Na do autodescobrimento, a coragem e o interesse pela própria realização facultarão as forças para que não desistas no tentame, nem te entregues à acomodação mental que te informa ser impossível executá-la.

Começa-a hoje e agora, aguardando que o tempo realize, na cura, o ciclo que investiste para que se te instalassem os distúrbios."

* * *
Joanna de Ângelis psicografia de Divaldo P. Franco
Do livro "Momentos de Iluminação"

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/auto-conhecimento/auto-conhecimento-joanna-de-angelis/#ixzz3VdocdXUg

Buscando o Autoconhecimento - RME

Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, perguntou aos Espíritos:

Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

Os Benfeitores da Humanidade responderam: Um sábio da antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo.

A Doutrina Espírita nos mostra o caminho que devemos percorrer para conseguirmos esse intento: o autoconhecimento.

A caminhada, portanto, é em sentido contrário ao que temos buscado até agora. É para dentro de nós mesmos, e não no exterior.

Alguns de nós não nos conhecemos, não fazemos ideia de quem somos, de qual será o nosso comportamento diante de determinada situação. Enfim, somos um ilustre desconhecido de nós mesmos.

Pelo desconhecimento dos nossos sentimentos, às vezes tomamos atitudes equivocadas, que nos causam desagrado, tão logo nos damos conta do ocorrido.

Uma senhora afirmava sempre que, se um dia fosse assaltada, ficaria imobilizada, petrificada. Certamente não teria forças para qualquer atitude.

A sua amiga, por sua vez, dizia que reagiria, que se fosse preciso lutaria, não deixaria barato não.

Um dia, ambas estavam conversando na calçada. Um garoto passou e levou a bolsa daquela que disse que reagiria. Ela ficou paralisada.

A outra, que afirmara que ficaria imobilizada, saiu correndo atrás do menino, dando-lhe com a sua bolsa nas costas e gritando para que devolvesse a bolsa da amiga.

O menino, que não esperava tal reação, jogou a bolsa no chão e se foi, pois achou melhor salvar a própria vida.

Isso prova que ambas desconheciam suas tendências pois, diante do inesperado, tiveram reações contrárias às que afirmavam que teriam.

Muitos de nós também nos desconhecemos, não costumamos fazer uma análise profunda da nossa intimidade.

Assim, facilmente nos surpreendemos conosco mesmos diante de situações inusitadas.

Para sabermos quanto de orgulho e egoísmo, piores chagas da sociedade, ainda carregamos em nós, basta que nos observemos com sinceridade, nos pequenos atos do quotidiano, que perceberemos com clareza.

Observemos a nossa reação diante da indiferença de um amigo, ou quando verificamos o pouco caso que fazem de um trabalho que executamos, do penteado ou da roupa que vestimos, ou quando alguém nos chama à atenção.

Cada pessoa é um universo que precisa ser descoberto para que possa fazer brilhar a luz que jaz latente em seu íntimo.

Todos somos lucigênitos, filhos da Luz, pois o Criador que é a Luz Suprema, assim nos fez a todos.

Se perscrutarmos com atenção nossa intimidade, perceberemos que já temos muitas conquistas mas que ainda nos falta dar alguns passos para que brilhe de fato a nossa luz. É só uma questão de tempo e de disposição.

Santo Agostinho, um dos pais da Igreja, colaborou na codificação da Doutrina Espírita.

A resposta a que nos referimos, no início, foi dada por ele. Recomenda que cada um de nós faça como ele fizera quando viveu na Terra. A cada noite ele fazia uma análise de como fora o seu dia. Se questionava se fizera alguma coisa contra Deus, contra seu próximo ou contra ele próprio. E sempre buscava corrigir o que precisava ser corrigido, buscando ser, a cada dia, melhor que no dia anterior.

É uma caminhada longa a do autodescobrimento, no entanto, necessária ao nosso aperfeiçoamento.

Redação do Momento Espírita.

Espiritismo e Autoconhecimento - Morel

http://www.espiritoimortal.com.br/espiritismo-e-autoconhecimento/

terça-feira, 10 de março de 2015

RESPEITO - Hammed 2


Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é por onde quer chegar,
adquirirá o respeito - dos outros e de si mesma.
A medida que a criança cresce e se desenvolve no convívio familiar, ela reproduz ou
copia tudo o que vê, ouve e observa. Os adultos servem de padrões, quer dizer, são
modelos e exemplos. Por meio da identificação com os pais, tios, avós ou irmãos mais
velhos, ou mesmo da imitação de seus atos e atitudes, a criança, de forma consciente
ou inconsciente, modela-se firmemente no ambiente doméstico.
Socialização é o processo de adaptação do indivíduo ao grupo social; é o
desenvolvimento das relações na vida grupai, caracterizado pelo espírito de
coletividade e pelo sentimento de cooperação e solidariedade.
Particularmente na criança, a socialização se inicia a partir do momento em que o
recém-nascido é conduzido para casa pelos pais. No entanto, não devemos esquecer
que, desde a sua concepção, a alma, já ligada ao diminuto embrião humano, sofre forte
influência do ambiente em que vive.
De acordo com Jean Piaget, cada criança, na fase da "socialização doméstica", assimila
e modela tudo o que a sensibiliza de acordo com sua individualidade — utilizando sua
personalidade única e peculiar, o que irá distingui-la de todas as outras pessoas.
Acontecimentos caseiros, atos e opiniões dos adultos, considerações sobre ética,
religião, costumes, moral e filosofia, proibições e preconceitos, permissões e
intolerâncias, tudo vai-se modelando na "argila plástica", que é a mentalidade infantil,
e delineando a criança dentro de preceitos, regras de conduta e de princípios que
variam culturalmente, de família para família, e interiormente, de criança para criança.
Mesmo nos gêmeos idênticos, o desenvolvimento psicossocial ocorrerá de forma
diferenciada devido à bagagem espiritual que cada alma traz consigo - produto de
suas vidas sucessivas.
Consulta Kardec a Espiritualidade Maior, na terceira parte, capítulo IX, de O Livro dos
Espíritos: 11 De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?'. E os Obreiros do Bem respondem: "Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É
um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens
pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito" 1
A formação machista que as crianças recebem na infância as influencia durante toda a
vida. Homens são treinados para ser fortes, corajosos, agressivos, seguros, bemsucedidos
e auto-suficientes. Para os estudiosos do comportamento humano, o
"estereótipo do macho" iniciou-se nas eras pré-históricas, quando os nossos
antepassados do sexo masculino tiveram que abandonar o medo e disputar a comida
com os animais.
Machismo é um conjunto de normas, costumes, leis e atitudes baseado em regras
socioculturais do homem, que tem por finalidade explícita e/ou implícita criar e
manter a submissão da mulher em todos os níveis: afetivo, sexual, procriativo,
profissional.
Quando a mulher, nos seus mais diversos relacionamentos, romper com essa visão de
que deve ser submissa, reclusa,frágil e dependente do homem, ela recuperará toda a
estrutura de poder e o senso de iniciativa.
A "guerra dos sexos", na maioria das vezes, tenta impor, com ou sem armas, a
supremacia do homem sobre a mulher
por meio da violência, clara ou dissimulada, salvaguardando
interesses falocratas de mentalidades medievais.
O machista atua como tal, sem poder explicar seus atos ou perceber suas atitudes
externas, porque não se dá conta das estruturas preconceituosas que internalizou nesta
ou em outras existências. Ele se limita apenas a reproduzir ou pôr em prática tudo
aquilo que viveu culturalmente no lar, na escola, no templo religioso, na cidade, no
país, enfim em qualquer lugar ou situação que o tenha influenciado.
Muitas mulheres, de forma inconsciente, compartilham do machismo na
medida em que não notam as estruturas psicológicas de "hegemonia
masculina" que regulam suas relações afetivas e sociais. E podem reproduzi-las, sem
perceber, na educação dos filhos, sejam eles homens ou mulheres, contribuindo dessa
forma para que a idéia machista se perpetue automaticamente.
São muitos os provérbios humilhantes e os insultos irônicos endereçados às mulheres,
estes acompanhados de risos sarcásticos e depreciativos. O "sexismo" — atitude de
discriminação fundamentada no sexo - leva mulheres ingênuas, inseguras e
dependentes a aceitar essas críticas mordazes como naturais, porquanto o modelo de
educação em que organizaram seu mundo íntimo baseou-se nesses valores e crenças
distorcidos.
A mulher precisa descobrir que não depende de ninguém para viver a própria
existência, pois tem dentro de si uma extraordinária capacidade de fazer mudanças
positivas. Ela, como o homem, tem um mundo diante de si, e todos podem crescer até
onde permite sua capacidade, seu dom, seu talento nato. Todos nós estamos em constante mutação e nos transformamos todo o tempo nos aspectos físico, mental,
emocional e espiritual. Nada na Natureza permanece estático; tudo flui através dos
processos da vida, dentro e em torno de nós.
Em muitas ocasiões, a mulher, em vez de reverter a situação desgostosa em que vive,
tenta mudar de forma superficial, apenas substituindo o cônjuge por outro, mas sem
renovar seu modo de sentir, pensar e agir. Como não se preocupa em erradicar os
velhos padrões ou crenças inadequados de seu mundo interior, corre o risco de atrair
outro parceiro igual ou muito parecido com o que acaba de deixar. A lei de atração
perpetua tanto alegria como tristeza para nossas vidas.
Não devemos jamais deixar que uma empresa, associação ou ligação afetiva,
profissional ou de amizade, venha eclipsar nossa vida a ponto de desrespeitarmos
quem somos.
Neste novo milênio, cabe à mulher recuperar sua dignidade e o respeito por si mesma.
Descobrir, verdadeiramente, que o respeito anda de mãos dadas com a auto-estima e o
bem-estar. Deve iniciar o processo - que muitas já o fizeram - de valorizar suas forças
individuais e únicas, usando a energia interior para descobrir capacidades inatas e
novos talentos adormecidos.
Constituições modernas já estabeleceram, há muito tempo, leis e direitos que firmam a
igualdade entre os sexos. No entanto, essas leis e direitos só terão valor e significado
quando forem totalmente assimilados e colocados em prática por todos aqueles que os
validaram.
É possível que determinadas pessoas discordem e não aceitem nossas ponderações,
mas nem por isso tudo está perdido. A diversidade de opinião e a forma de olhar o
mundo dependem da singularidade evolutiva de cada criatura.
O equilíbrio vai sendo pouco a pouco atingido. A visão g-machista gradativamente se
desfaz, nascendo em seu lugar a amizade, o respeito e a cooperação entre seres
humanos. Na estrutura social do porvir, pouco importará o sexo do indivíduo, pois todos serão igualmente valorizados e jamais oprimidos.
Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é e por onde quer chegar,
adquirirá o respeito - dos outros e de si mesma. Acreditar que alguém exista só para
nos servir é uma visão egocêntrica e degradante da atual humanidade. Enquadrar
pessoas em papéis sexuais nitidamente definidos - subserviência, inferioridade,
subordinação -, usando-as como objetos que podem ser controlados e descartados, é
imensamente cruel e impiedoso. O amor cristão não considera os papéis sexuais, e sim
encoraja todos os seres a exprimir a liberdade, o respeito e o amor uns pelos outros.
' Questão 818
De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?
"Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das
instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco
avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito."

RESPEITO - Hammed 1


Somente optando pelo auto-respeito é que conseguiremos o respeito alheio,
encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.
De que maneira as pessoas nos tratam? Sentimo-nos constantemente usados ou
desrespeitados? Às vezes, permitimos que os outros nos tracem metas ou objetivos
sem antes nos consultar? Sabemos distinguir quando estamos doando realmente ou
quando estamos sendo explorados? Respeitamos nossos valores e direitos inatos?
Costumamos representar papéis de vítimas ou de perfeitos?
A pior situação que podemos viver é passar toda uma existência sem nos dar o devido
amor e respeito, fazendo coisas completamente diferentes do que sentimos.
Nossos sentimentos são parte importante de nossa vida. Se permitirmos que eles fluam
em nós, então saberemos o que fazer e como nos conduzir diante das mais variadas
situações do cotidiano.
Em virtude disso, não devemos nos esquecer de que, quando nos respeitamos
plenamente, mostramos aos outros como eles devem nos tratar.
Se nós não nos aceitarmos, quem nos aceitará? Se nós não nos amarmos, quem nos
amará?
Marcos relata em seu Evangelho a seguinte orientação:
"Pois ao que tem será dado, e ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." 1Realmente, "será dado" (respeito) ao que se respeita e não "ao que não tem ou pensa
ter". Assim funciona tudo em nossa vida íntima - "temos o que damos". Devemos
esperar dos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.
Examinemos nossos sentimentos e atitudes e nos perguntemos: Por que permito que
me tratem com desconsideração? O que estimula os outros a se comportarem com
desprezo em relação à minha pessoa?
Se nós não nos auto-responsabilizamos pela forma como somos tratados,
continuaremos impotentes para mudar o contexto penoso em que estamos vivendo. É
muito cômodo culpar os outros por qualquer desilusão ou sofrimento que estejamos
passando. Não é fácil aceitar a responsabilidade pelas nossas próprias ilusões e
desenganos.
Quando renunciamos ao controle de nós mesmos, com toda a certeza outros
indivíduos tomarão as rédeas de nossa vida.
Somos iguais perante os olhos da Divindade. "(...) todos tendem ao mesmo fim e Deus fez
suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: o sol brilha para todos. Com isso dizeis uma
verdade maior e mais geral do que pensais."2
Realmente "o sol brilha para todos", pois "(...) Deus não deu, a nenhum homem,
superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte (...)."
Não somos nem melhores nem piores que ninguém. Ao recusarmos o respeito a nós
mesmos, estamos abdicando do direito de exigi-lo. Sem senso de valor individual, nos
sentiremos diminuídos diante do mundo e destituídos da habilidade de dar e de
receber amor. O mais valioso tesouro que possuímos é a dignidade pessoal.
Não é lícito sacrificá-la por nada ou por ninguém. Quando autorizamos os outros a
determinar o quanto valemos, uma
sensação de vazio nos toma conta da alma. O autodesrespeito é um grande desserviço
a nós mesmos. Quando ele se instala em nossa casa mental, passamos a não mais
prestar atenção aos avisos e intuições que brotam espontaneamente do reino interior.
As vozes de inspiração divina são sempre idéias claras, providas de síntese e
simplicidade, que a Vida Providencial murmura no imo de nossa alma.
Quando nos respeitamos, somos livres para sentir, agir, ir, dizer, pensar e saber o que
autodeterminamos, confiantes em que, se estivermos prontos, no tempo exato o Poder
Superior o do Universo nos dará todo o suprimento, todo o apoio e toda a orientação
para cumprirmos o sublime plano que Ele nos | reservou.
Somente optando pelo auto-respeito é que conseguiremos o respeito alheio.
Encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.
' Marcos, 4:25
2 Questão 803 Todos os homens são iguais diante de Deus?"Sim, todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: O sol brilha para
todos. Com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais."
Nota - Todos os homens serão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem com a mesma fraqueza,
estão sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Portanto, Deus não deu, a nenhum
homem, superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante dele, todos são iguais.