Caridade e Reforma Íntima
O Bem é amar a Deus e ao próximo (Mateus, XII: 34-40). Jesus nos ensinou isso há dois mil anos.
Quando ele retornou com o pseudônimo Espírito da Verdade, coordenando uma falange de Espíritos superiores que escreveram a revelação espírita, codificada por Allan Kardec, Jesus reduziu a expressão anterior ao amor ao próximo, já que não é possível amar a Deus (qualquer que seja o nome que lhe dermos) sem amar ao próximo! Isso foi necessário pois fazíamos questão de “não entender” o que Jesus havia nos ensinado, muita vezes torturando e matando o próximo em nome de Deus!
Essa nova máxima é Fora da Caridade Não Há Salvação (O Maior Mandamento, Capítulo XV – Fora da caridade não há salvação, O evangelho segundo o espiritismo de Allan Kardec).
Agora, nós devemos passar da teoria à prática. Isso se denomina método ou processo de reforma íntima.
Devemos nos perguntar: somos caridosos?
Mas não temos condições de responder a esta pergunta sobre nós mesmos. Nós somos extremamente complacentes conosco próprios. Nos vemos de forma idealizada, como se olhássemos para nós mesmos nos espelhos curvos dos parques de diversão: achamos que somos melhores do que realmente somos!
Então, precisamos perguntar aos próximos, nossos familiares, nossos cônjuges ou companheiros(as), nossos amigos, nossos inimigos, nossos colegas de estudo, de trabalho, de lazer, nossos vizinhos, nossos funcionários etc., o nosso maior defeito e a nossa maior virtude. Não que nos interessaria saber nossa maior virtude. Só perguntaremos nossa maior virtude para não constranger aquele a quem perguntamos, se somente perguntarmos nosso maior defeito.
Tirando os excessos de benevolência daqueles que nos amam, de malevolência daqueles que nos odeiam e a indiferença daqueles que nos ignoram, restará um meio termo que é quem está você.
Será muito pior, normalmente, do que supomos estar.
Quem está você, eu disse.
Você vai dizer: deveria ser quem é você!
A frase está certa: nós somos espíritos imortais, que é uma resposta genérica que pouco explica para os fins que estamos propondo. Estamos num certo ponto da nossa evolução. Explicar este ponto em que estamos na evolução é a explicação precisa de quem estamos nós!
Estamos em continua e permanente evolução moral e intelectual, numa trajetória espiritual ascensional, para frente no tempo e para cima na evolução. Hoje somos melhores do que fomos no passado e, amanhã, seremos melhores do que somos hoje. A evolução é semelhante a um pássaro que somente voará para cima se possuir as duas asas desenvolvidas: uma dessas “asas” é a moral; a outra é a inteligência. Não se ascende espiritualmente sem as duas!
Voltando ao método de reforma íntima, vamos escrever os nossos maiores defeitos, segundo as respostas de nossos próximos, iniciando pelo mais simples e terminando com o mais complexo.
Agora, que sabemos quem estamos, devemos responder a uma segunda pergunta:
Se fôssemos uma terra, que terra seríamos?
Usaremos a analogia com a terra da Parábola do Semeador (Mateus, XIII: 1-9;18-23).
Quem são os semeadores? Jesus é o grande semeador, seguido pelos seus emissários, Espíritos superiores, inclusive nosso Espírito protetor. Também são semeadores nossos pais, nossos professores, nossos amigos e, até mesmo, nossos inimigos, que tem coragem de nos dizer a verdade que os amigos talvez não tenham coragem de dizer.
Nós somos terra árida e pedregosa? Ferimos como as pedras, como o pó nos olhos do próximo?
Ou somos terra arada, semeada, mas deixamos essas sementes morrerem antes de brotarem? Pela indiferença, pela riqueza, pelo poder, pelos prazeres físicos.
Ou somos terra que já produz caules frágeis, mas que são espinheiros? Nos achamos bons, mas contanto que não mexam conosco! Se nos provocarem, viramos fera!
Ou somos terra que já produz arvoredos com flores? As flores são a melhor representação da caridade pelo pensamento e pelas palavras. Caridade não é darmos o excedente, o supérfluo. É fazer o bem ao próximo, com o nosso sacrifício. É dividir nossa comida, nossa roupa, nossa saúde, nossa felicidade com quem mais necessita. Implica em sacrifício de quem faz a caridade. Quando colhemos flores e as levamos para nossa casa, para nos deixar felizes, elas se sacrificaram por nós. Nós também, para fazer caridade, devemos nos sacrificar pelos próximos.
Ou somos terra que já produz árvores com frutos? Os frutos são a melhor representação da caridade por ações.
Ou somos terra que já produz grandes árvores com flores e frutos, um pomar? Em termos espirituais, isso ocorre quando a nossa caridade pelo pensamento, pelas palavras e pelas ações são bons exemplos para outros que, por sua vez, farão caridade para seus respectivos próximos! Como se nossos frutos ao se espalharem pela terra, produzem outras árvores, que darão novos frutos e, assim, sucessiva e infinitamente!
Sabendo quem estamos (auto-crítica), podemos iniciar o processo de reforma intima: com a lista de nossos vícios e desvios de conduta, do menos grave para o mais grave, devemos iniciar a reforma íntima pelo menos grave, estabelecendo um prazo realista para superá-lo. Um mês, por exemplo!
Solucionou esse primeiro defeito moral, passamos para o próximo, e assim, sucessivamente, até o mais grave. Os prazos podem variar, de um para outro vício e desvio de conduta, mas não se deve superar 6 meses para cada. Se não conseguir, tentar novamente em menor prazo (p. ex.: nos 6 meses iniciais não conseguiu; tentar novamente com prazo de 3 meses; não conseguiu ainda, tentar novamente com prazo de 2 meses etc.).
Se há desvio ou vício de conduta difícil de erradicar, não ficar estacionado na solução deste, procurando resolver outro desvio ou vício de conduta concomitantemente, cada um com seu prazo respectivo.
Anotar os progressos: que terra nos tornamos?
Pode ser que a solução dos desvios e vícios de conduta mais difíceis ocorra em outra(s) reencarnação(ões)! Não nos decepcionemos! Mas devemos tentar resolvê-los já nesta reencarnação! É nossa obrigação!
Finalizo perguntando a mim mesmo e a vocês: o que estamos esperando para iniciarmos, hoje mesmo, nosso processo de reforma íntima? Mãos à obra!
Celso
Sugestão de leitura: Fundamentos da Reforma Íntima, Abel Glaser/Cairbar Schutel (Espírito), Matão/SP: Casa Editora “O Clarim” (http://www.oclarim.org/loja/livraria/132/rqspPUV8qUm1HwRZJDbNXTgRYgV8p47E8tzxDxnq_.pdf)
https://estudosdeespiritismo.wordpress.com/2014/11/22/caridade-e-reforma-intima/
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Máscaras e outras "defesas" emocionais
Máscaras e outras "defesas" emocionais
Enquanto escrevia o texto "10 coisas que aprendi com o Espiritismo" (link) veio à tona este tema, que é de extrema importância nos dias de hoje.
Se tivermos paciência e atenção para observar, perceberemos que as pessoas não sabem lidar com as suas emoções. Vivemos em tempos acelerados e se não conseguirmos nos adaptar, somos acometidos de depressão, estresse ou outros males.
E nesse mundo acelerado, temos ainda menos tempo para aprender. Talvez em um mundo menos conectado e veloz fosse um pouco mais fácil. Ou talvez a infinidade de informações disponíveis na rede torne as coisas mais fáceis. Ainda assim, não sabemos como lidar com as emoções.
Isso decorre de falta de conhecimento interior. Peça para uma pessoa listar as suas características físicas e não faltarão adjetivos. Peça para a mesma pessoa listar a sua personalidade e teremos sorte se conseguirmos três palavras.
Estamos muito orientados ao exterior. Não conhecemos a nós próprios. Os orientais com a sua enigmática meditação e as frases emblemáticas como "as respostas estão dentro de você" povoam os guias de auto-ajuda. E com razão!
E enquanto não nos conhecemos e nem sabemos lidar com as nossas emoções, acabamos nos valendo de alguns recursos.
- Máscaras: um recurso muito comum que utilizamos para nos proteger emocionalmente. Costumamos ter "um rosto" apropriado para cada ocasião. No trabalho, somos sérios e dedicados. Com os amigos, somos bagunceiros e irresponsáveis. Ao tentar conquistar uma pessoa, somos rechados de virtudes. Na casa espírita, somos as pessoas mais santas da Terra.
Não haveria problema se não estivéssemos exibindo uma pessoa que não somos realmente. Não adianta passarmos por boas pessoas na casa espírita e na frente do chefe, enquanto em casa maldizemos e amaldiçoamos a todos que não compactuam com as nossas opiniões. Não adianta mostrarmos a pessoa divertida e ativa que somos para os amigos ou para o novo par, se em casa ficamos atirados no sofá reclamando de tudo.
As máscaras então servem para que evitemos de mostrar a pessoa que realmente somos. E é exatamente aí que está o problema! Ao deixarmos de ser autênticos, as pessoas acabam gostando dos nossos "personagens" e não de nós. Criamos um vazio existencial tremendo, porque percebemos que sem aqueles personagens, sem aquelas máscaras, não somos nada.
Ser autêntico é bem difícil no início. Estamos expostos a tudo. Todas as críticas serão para nós (e não para os nossos personagens). Mas também todos os méritos serão nossos. Este é o primeiro passo para a nossa realização pessoal: sermos aceitos (e amados) exatamente como somos.
- Muros: os muros são também muitíssimo comuns, e podem atuar em conjunto com as máscaras. Os muros são basicamente barreiras emocionais que colocamos para que as pessoas não tenham acesso a nós. São linhas imaginárias de intimidade às quais se é impossível transpor.
Todos nós conhecemos aquelas pessoas que até são bem simpáticas e agradáveis, mas por mais que tentemos, não conseguimos abertura para nos aproximar mais e aprofundar os laços de amizade. Sempre damos de cara com essa muralha que nos impede de interagir em um nível mais íntimo e de mais cumplicidade. Algumas pessoas inclusive adicionam "espinhos" às suas muralhas, mantendo um contra-ataque preparado para quem se aproximar muito.
O problema desses muros é que eles nos deixam trancados em uma prisão solitária. As coisas ruins não entram, mas as boas também não. E também nada sai. Ficamos isolados do mundo com nossas tristezas, medos, amarguras e dores.
Desse modo, deixamos de receber tudo de bom que as pessoas tentam nos dar. Também deixamos de extravasar aquilo que sentimos, o popular "desabafo". Então nos debatemos e gritamos dentro de uma prisão que nós mesmos construímos e que nós temos a chave da porta.
- Vícios: os vícios, como já muito mencionado aqui, são utilizados como válvula de escape da realidade. O indivíduo lotado de problemas, e não sabendo lidar com toda essa pressão, busca nos vícios um alívio rápido para sua tensão.
Mas como sabemos os vícios são extremamente corrosivos, e em muitos casos se tornam um caminho sem volta.
Abordamos isso na série "O que está por trás dos vícios?" (link).
- Conclusão: muitos são os mecanismos que utilizamos para nos proteger emocionalmente. O medo das lesões afetivas e outras frustrações nos leva a todas essas armaduras que tanto nos protegem quanto nos aprisionam.
Quando aprendemos a lidar com as emoções e quando começamos a nos auto-conhecer, vamos nos libertando dessas prisões e percebemos como a vida pode ser leve e fácil. As complicações somos nós que criamos.
Paremos de nos esconder do mundo. Mais temos a perder do que a ganhar.
Só podemos ser felizes quando nossa alma é livre e leve. E isso só depende de nós.
Enquanto escrevia o texto "10 coisas que aprendi com o Espiritismo" (link) veio à tona este tema, que é de extrema importância nos dias de hoje.
Se tivermos paciência e atenção para observar, perceberemos que as pessoas não sabem lidar com as suas emoções. Vivemos em tempos acelerados e se não conseguirmos nos adaptar, somos acometidos de depressão, estresse ou outros males.
E nesse mundo acelerado, temos ainda menos tempo para aprender. Talvez em um mundo menos conectado e veloz fosse um pouco mais fácil. Ou talvez a infinidade de informações disponíveis na rede torne as coisas mais fáceis. Ainda assim, não sabemos como lidar com as emoções.
Isso decorre de falta de conhecimento interior. Peça para uma pessoa listar as suas características físicas e não faltarão adjetivos. Peça para a mesma pessoa listar a sua personalidade e teremos sorte se conseguirmos três palavras.
Estamos muito orientados ao exterior. Não conhecemos a nós próprios. Os orientais com a sua enigmática meditação e as frases emblemáticas como "as respostas estão dentro de você" povoam os guias de auto-ajuda. E com razão!
E enquanto não nos conhecemos e nem sabemos lidar com as nossas emoções, acabamos nos valendo de alguns recursos.
- Máscaras: um recurso muito comum que utilizamos para nos proteger emocionalmente. Costumamos ter "um rosto" apropriado para cada ocasião. No trabalho, somos sérios e dedicados. Com os amigos, somos bagunceiros e irresponsáveis. Ao tentar conquistar uma pessoa, somos rechados de virtudes. Na casa espírita, somos as pessoas mais santas da Terra.
Não haveria problema se não estivéssemos exibindo uma pessoa que não somos realmente. Não adianta passarmos por boas pessoas na casa espírita e na frente do chefe, enquanto em casa maldizemos e amaldiçoamos a todos que não compactuam com as nossas opiniões. Não adianta mostrarmos a pessoa divertida e ativa que somos para os amigos ou para o novo par, se em casa ficamos atirados no sofá reclamando de tudo.
As máscaras então servem para que evitemos de mostrar a pessoa que realmente somos. E é exatamente aí que está o problema! Ao deixarmos de ser autênticos, as pessoas acabam gostando dos nossos "personagens" e não de nós. Criamos um vazio existencial tremendo, porque percebemos que sem aqueles personagens, sem aquelas máscaras, não somos nada.
Ser autêntico é bem difícil no início. Estamos expostos a tudo. Todas as críticas serão para nós (e não para os nossos personagens). Mas também todos os méritos serão nossos. Este é o primeiro passo para a nossa realização pessoal: sermos aceitos (e amados) exatamente como somos.
- Muros: os muros são também muitíssimo comuns, e podem atuar em conjunto com as máscaras. Os muros são basicamente barreiras emocionais que colocamos para que as pessoas não tenham acesso a nós. São linhas imaginárias de intimidade às quais se é impossível transpor.
Todos nós conhecemos aquelas pessoas que até são bem simpáticas e agradáveis, mas por mais que tentemos, não conseguimos abertura para nos aproximar mais e aprofundar os laços de amizade. Sempre damos de cara com essa muralha que nos impede de interagir em um nível mais íntimo e de mais cumplicidade. Algumas pessoas inclusive adicionam "espinhos" às suas muralhas, mantendo um contra-ataque preparado para quem se aproximar muito.
O problema desses muros é que eles nos deixam trancados em uma prisão solitária. As coisas ruins não entram, mas as boas também não. E também nada sai. Ficamos isolados do mundo com nossas tristezas, medos, amarguras e dores.
Desse modo, deixamos de receber tudo de bom que as pessoas tentam nos dar. Também deixamos de extravasar aquilo que sentimos, o popular "desabafo". Então nos debatemos e gritamos dentro de uma prisão que nós mesmos construímos e que nós temos a chave da porta.
- Vícios: os vícios, como já muito mencionado aqui, são utilizados como válvula de escape da realidade. O indivíduo lotado de problemas, e não sabendo lidar com toda essa pressão, busca nos vícios um alívio rápido para sua tensão.
Mas como sabemos os vícios são extremamente corrosivos, e em muitos casos se tornam um caminho sem volta.
Abordamos isso na série "O que está por trás dos vícios?" (link).
- Conclusão: muitos são os mecanismos que utilizamos para nos proteger emocionalmente. O medo das lesões afetivas e outras frustrações nos leva a todas essas armaduras que tanto nos protegem quanto nos aprisionam.
Quando aprendemos a lidar com as emoções e quando começamos a nos auto-conhecer, vamos nos libertando dessas prisões e percebemos como a vida pode ser leve e fácil. As complicações somos nós que criamos.
Paremos de nos esconder do mundo. Mais temos a perder do que a ganhar.
Só podemos ser felizes quando nossa alma é livre e leve. E isso só depende de nós.
sábado, 11 de outubro de 2014
Veja dicas para vencer a insegurança e construir uma autoimagem positiva
http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/12/01/inseguranca-razoes-aparecem-ja-na-infancia-mas-e-possivel-mudar-isso.htm
Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo 01/12/201207h00
Compartilhe22140 Imprimir Comunicar erro
Thinkstock
Relacionamentos na infância, com pais ou cuidadores, são fundamentais no desenvolvimento da autoimagem
Relacionamentos na infância, com pais ou cuidadores, são fundamentais no desenvolvimento da autoimagem
Há algumas pessoas que parecem estar permanentemente andando na corda bamba, tal a insegurança que permeia seus passos no dia a dia. O ruim é que, muitas vezes, tal sentimento não só gera um desconforto diário como atrasa, inviabiliza ou impede muitas realizações. Então, se você já se sentiu assim, ‘prejudicado’ por sua falta de confiança, está na hora de pensar sobre o assunto para mudar. E adivinha por onde começar? Sim, pelo início de tudo, os primeiros anos de vida.
“A capacidade do indivíduo de acreditar ou não em si mesmo depende de sua história. Os relacionamentos na infância com os pais ou cuidadores são fundamentais no desenvolvimento do self – o eu, a autoimagem”, explica Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), que atua em psicoterapia de família e casal, aconselhamento de carreira e coaching.
Pergunta básica: eu gosto de mim?
A construção de uma autoimagem positiva depende, então, da maneira como experimentamos nossas relações afetivas e, também, de fatores sociais e relacionais que o meio externo propicia para a qualidade dessas vivências. “A maior ou menor insegurança tem a ver com o autoconceito: o que a pessoa acha que é, seja consciente ou inconscientemente. Isso envolve características físicas e psicológicas, pontos positivos e negativos, autoestima. Em resumo, a percepção de seu próprio valor”, diz a psicóloga.
A insegurança traz, a reboque, uma série de situações e sentimentos negativos. O sujeito, por exemplo, paralisa quando tem que tomar uma decisão, encontra dificuldade de saber qual o melhor caminho a seguir, acredita que está sempre sendo julgado e criticado. “Enfim, não há confiança em si mesmo e, a partir daí, surgem vários ‘medos’: alguns específicos, como o de dirigir, e outros gerais, como o de enfrentar opiniões contrárias a sua”, salienta Leonard F. Verea, médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão (Itália), especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica.
Autossabotagem
É possível, também, que a insegurança leve o indivíduo a não se considerar merecedor de ser feliz ou alcançar seus objetivos e sonhos. “Ele acaba desenvolvendo crenças e valores que limitam seu olhar sobre si mesmo e a vida. Daí para se autossabotar, ou seja, criar situações que bloqueiam sua felicidade, é um pulo”, diz o psiquiatra. Além da influência dos primeiros anos de vida – conceitos que lhe foram transmitidos verbalmente ou por atitudes –, o quadro é agravado pelas condições da sociedade moderna. “Há muita competição e exigência de que cada um seja perfeito em todas as áreas da vida. Como se isso fosse possível, e fazendo com que sejamos cobrados além de nossa capacidade.”
A falta de autoconfiança é, no mínimo, limitante. O inseguro perde a oportunidade de conhecer e experimentar o novo – seja uma pessoa, um lugar, um desafio. Por não valorizar seu potencial e não identificar suas habilidades, ele se fecha em si mesmo. “Nessa, deixa passar possíveis parceiros interessantes, não enxerga uma boa chance de emprego, não se lança em estudos e viagens, não investe em projetos pessoais e profissionais – e assim por diante”, considera Leonard Verea, acrescentando que tudo isso faz com que a pessoa se sinta infeliz, não fazendo o que gosta e não buscando prazeres.
Aprovação alheia
Há outro aspecto que ronda a insegurança: a dependência excessiva de pessoas e situações. “A opinião alheia influencia e direciona as ações. Existe uma real dificuldade de construir a vida com independência afetiva e até financeira. Dessa forma, fica travado o crescimento psicológico e social”, destaca Cristiane Moraes Pertusi. E tem outro lado: como não confia em si mesmo, alguns inseguros também não acreditam no outro. “E, aí, se tornam perfeccionistas ou controladores, pois esta é a única forma de se sentirem mais seguros.”
A boa notícia é que tal sentimento é passível de modificação. Uma criança insegura pode se tornar um adulto seguro. “O caminho é se valorizar mais, acreditar no seu potencial, ir atrás do autoconhecimento”, recomenda Verea. “Como o desenvolvimento psicológico e social é contínuo durante a vida, dá para melhorar o autoconceito e a autoestima. As relações experimentadas são como o oxigênio ou o ar que respiramos: se ele for bom e puro, construiremos nosso self positivo; se for poluído, trará distorções e prejuízos”, completa Pertusi. Veja, a seguir, dicas de ambos os terapeutas para ter mais segurança:
DICAS PARA SE TORNAR UMA PESSOA MAIS SEGURA
Cultive o pensamento positivo. “Avalie os bons aspectos da sua vida, valorizando-os. Ao mesmo tempo, considere o que você poderia aprimorar ou modificar para se fortalecer em todos os sentidos”, aconselha Cristiane Moraes Pertusi
Confie em si mesmo. Isso, claro, requer autorreflexão e autoconhecimento. “Caso esteja se sentindo vacilante em seus relacionamentos e sua carreira, busque auxílio de um psicoterapeuta ou coaching”
Corra atrás do autoconhecimento, recomenda Leonard Verea. “Observe quais sentimentos e pensamentos o levam à insegurança. E, ao descobrir, tente se lembrar quando foi a primeira vez que se viu assim. Talvez você perceba que é possível olhar para o fato de forma diferente”
Não tenha medo de mudanças. E vá além: analise se alguma área está precisando de uma virada radical. Em caso positivo, liste ações que ajudarão a melhorar seu desempenho
Faça uma lista de suas qualidades e seus pontos fortes. “Trata-se de um ótimo exercício para encher o copo da autoestima”, avalia Pertusi. Pense no que o faz ser único e especial, escreva e, se possível, fixe em um lugar visível para conferir sempre. “Identifique suas habilidades e as coloque em prática”, completa Verea
Converse com pessoas que são importantes para você. Peça um feedback de seus pontos fortes. “Só depois solicite que falem dos aspectos que precisaria desenvolver”, diz a psicóloga
Invista em relações afetivas positivas – amorosas ou de amizade –, que lhe façam bem e onde você é admirado
Valorize sua opinião frente a fatos e situações
Seja paciente e flexível consigo próprio e pare de se criticar por qualquer coisa. Não exija tanto de você, e tenha tolerância e positividade em relação a seus pensamentos, não se martirizando à toa. “Não se menospreze ou se rebaixe. Em vez disso, modifique o que acredita não ser legal em você”, sugere Leonard Verea
Não se leve tão a sério. “Você pode aprender com seus erros e reformular suas atitudes sempre que necessário”, salienta Pertusi
Se necessário, procure apoio com psicoterapia e aconselhamento psicológico
Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo 01/12/201207h00
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Thinkstock
Relacionamentos na infância, com pais ou cuidadores, são fundamentais no desenvolvimento da autoimagem
Relacionamentos na infância, com pais ou cuidadores, são fundamentais no desenvolvimento da autoimagem
Há algumas pessoas que parecem estar permanentemente andando na corda bamba, tal a insegurança que permeia seus passos no dia a dia. O ruim é que, muitas vezes, tal sentimento não só gera um desconforto diário como atrasa, inviabiliza ou impede muitas realizações. Então, se você já se sentiu assim, ‘prejudicado’ por sua falta de confiança, está na hora de pensar sobre o assunto para mudar. E adivinha por onde começar? Sim, pelo início de tudo, os primeiros anos de vida.
“A capacidade do indivíduo de acreditar ou não em si mesmo depende de sua história. Os relacionamentos na infância com os pais ou cuidadores são fundamentais no desenvolvimento do self – o eu, a autoimagem”, explica Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), que atua em psicoterapia de família e casal, aconselhamento de carreira e coaching.
Pergunta básica: eu gosto de mim?
A construção de uma autoimagem positiva depende, então, da maneira como experimentamos nossas relações afetivas e, também, de fatores sociais e relacionais que o meio externo propicia para a qualidade dessas vivências. “A maior ou menor insegurança tem a ver com o autoconceito: o que a pessoa acha que é, seja consciente ou inconscientemente. Isso envolve características físicas e psicológicas, pontos positivos e negativos, autoestima. Em resumo, a percepção de seu próprio valor”, diz a psicóloga.
A insegurança traz, a reboque, uma série de situações e sentimentos negativos. O sujeito, por exemplo, paralisa quando tem que tomar uma decisão, encontra dificuldade de saber qual o melhor caminho a seguir, acredita que está sempre sendo julgado e criticado. “Enfim, não há confiança em si mesmo e, a partir daí, surgem vários ‘medos’: alguns específicos, como o de dirigir, e outros gerais, como o de enfrentar opiniões contrárias a sua”, salienta Leonard F. Verea, médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão (Itália), especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica.
Autossabotagem
É possível, também, que a insegurança leve o indivíduo a não se considerar merecedor de ser feliz ou alcançar seus objetivos e sonhos. “Ele acaba desenvolvendo crenças e valores que limitam seu olhar sobre si mesmo e a vida. Daí para se autossabotar, ou seja, criar situações que bloqueiam sua felicidade, é um pulo”, diz o psiquiatra. Além da influência dos primeiros anos de vida – conceitos que lhe foram transmitidos verbalmente ou por atitudes –, o quadro é agravado pelas condições da sociedade moderna. “Há muita competição e exigência de que cada um seja perfeito em todas as áreas da vida. Como se isso fosse possível, e fazendo com que sejamos cobrados além de nossa capacidade.”
A falta de autoconfiança é, no mínimo, limitante. O inseguro perde a oportunidade de conhecer e experimentar o novo – seja uma pessoa, um lugar, um desafio. Por não valorizar seu potencial e não identificar suas habilidades, ele se fecha em si mesmo. “Nessa, deixa passar possíveis parceiros interessantes, não enxerga uma boa chance de emprego, não se lança em estudos e viagens, não investe em projetos pessoais e profissionais – e assim por diante”, considera Leonard Verea, acrescentando que tudo isso faz com que a pessoa se sinta infeliz, não fazendo o que gosta e não buscando prazeres.
Aprovação alheia
Há outro aspecto que ronda a insegurança: a dependência excessiva de pessoas e situações. “A opinião alheia influencia e direciona as ações. Existe uma real dificuldade de construir a vida com independência afetiva e até financeira. Dessa forma, fica travado o crescimento psicológico e social”, destaca Cristiane Moraes Pertusi. E tem outro lado: como não confia em si mesmo, alguns inseguros também não acreditam no outro. “E, aí, se tornam perfeccionistas ou controladores, pois esta é a única forma de se sentirem mais seguros.”
A boa notícia é que tal sentimento é passível de modificação. Uma criança insegura pode se tornar um adulto seguro. “O caminho é se valorizar mais, acreditar no seu potencial, ir atrás do autoconhecimento”, recomenda Verea. “Como o desenvolvimento psicológico e social é contínuo durante a vida, dá para melhorar o autoconceito e a autoestima. As relações experimentadas são como o oxigênio ou o ar que respiramos: se ele for bom e puro, construiremos nosso self positivo; se for poluído, trará distorções e prejuízos”, completa Pertusi. Veja, a seguir, dicas de ambos os terapeutas para ter mais segurança:
DICAS PARA SE TORNAR UMA PESSOA MAIS SEGURA
Cultive o pensamento positivo. “Avalie os bons aspectos da sua vida, valorizando-os. Ao mesmo tempo, considere o que você poderia aprimorar ou modificar para se fortalecer em todos os sentidos”, aconselha Cristiane Moraes Pertusi
Confie em si mesmo. Isso, claro, requer autorreflexão e autoconhecimento. “Caso esteja se sentindo vacilante em seus relacionamentos e sua carreira, busque auxílio de um psicoterapeuta ou coaching”
Corra atrás do autoconhecimento, recomenda Leonard Verea. “Observe quais sentimentos e pensamentos o levam à insegurança. E, ao descobrir, tente se lembrar quando foi a primeira vez que se viu assim. Talvez você perceba que é possível olhar para o fato de forma diferente”
Não tenha medo de mudanças. E vá além: analise se alguma área está precisando de uma virada radical. Em caso positivo, liste ações que ajudarão a melhorar seu desempenho
Faça uma lista de suas qualidades e seus pontos fortes. “Trata-se de um ótimo exercício para encher o copo da autoestima”, avalia Pertusi. Pense no que o faz ser único e especial, escreva e, se possível, fixe em um lugar visível para conferir sempre. “Identifique suas habilidades e as coloque em prática”, completa Verea
Converse com pessoas que são importantes para você. Peça um feedback de seus pontos fortes. “Só depois solicite que falem dos aspectos que precisaria desenvolver”, diz a psicóloga
Invista em relações afetivas positivas – amorosas ou de amizade –, que lhe façam bem e onde você é admirado
Valorize sua opinião frente a fatos e situações
Seja paciente e flexível consigo próprio e pare de se criticar por qualquer coisa. Não exija tanto de você, e tenha tolerância e positividade em relação a seus pensamentos, não se martirizando à toa. “Não se menospreze ou se rebaixe. Em vez disso, modifique o que acredita não ser legal em você”, sugere Leonard Verea
Não se leve tão a sério. “Você pode aprender com seus erros e reformular suas atitudes sempre que necessário”, salienta Pertusi
Se necessário, procure apoio com psicoterapia e aconselhamento psicológico
terça-feira, 7 de outubro de 2014
INVEJA II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)
INVEJA II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)
Se tivermos o hábito de investigar nossos comportamentos autodestrutivos e fizermos uma análise desses antecedentes históricos em nossa vida, poderemos, cada vez mais, compreender o porquê de permanecermos presos em certas áreas prejudiciais à nossa alegria de viver.
Esses comportamentos infelizes a que nos referimos não são apenas as atitudes evidentemente desastrosas mas os diminutos atos cotidianos que podem passar como aceitáveis e completamente admissíveis. Entretanto, tais atos são os grandes perturbadores de nossa paz interior.
Muitos indivíduos não se preocupam em estudar as raízes de seus comportamentos rotineiros, porque acreditam que, para assumir a responsabilidade da renovação íntima, precisariam despender um enorme sacrifício Sendo assim, preferem permanecer apegados aos antigos costumes, utilizando-se dos preconceitos e de crenças distorcidas, sem se darem conta de que estes são as matrizes de seus pontos vulneráveis.
Para afastar todo e qualquer anseio de transformação interior, utilizam-se de um processo psicológico denominado "racionalização" artifício para desviar a atenção dos "verdadeiros motivos" das atitudes e ações; para se verem livres das "crises de consciência", procurando assim justificar os fatos inadequados de suas vidas.
Somente alteraremos nossos atos e atitudes doentios quando tomarmos plena consciência de que são eles as raízes de nossas pertubações emocionais e dos inúteis desgastes energéticos. É examinando nosso dia-a-dia à luz das escolhas que fizemos ou que deixamos de fazer é que veremos com clareza que somos, na atualidade, a "soma integral" de nossas opções diante da vida.
Os indivíduos que possuem o hábito da crítica destrutiva estão, em verdade, dissimulando outras emoções, talvez a inveja ou mesmo o despeito. Existem posturas efetuadas tão costumeiramente e que se tornam tão imperceptíveis que poderíamos denominá-las "atitudes crônicas".
Inveja é definida como sendo o desejo de possuir e de ser o que os outros são, podendo tornar-se uma atitude crônica na vida de uma pessoa. É uma forma de cobiça, um desgosto em face da constatação da felicidade e superioridade de outrem.
Observar a pessoa sendo, tendo, criando e realizando provoca uma espécie de dor no invejoso, por ele não ser, não ter, não criar e não realizar. A inveja leva, por consequencia, a maledicência, que tem por base ressaltar os equívocos e difamar, eis a estratégia do depreciador: "Se eu não posso subir, tento rebaixar os outros; assim, compenso meu complexo de inferioridade".
A inveja nasce quase sempre por nos compararmos constantemente com os outros. Nessa comparação, o homem desconhece o fato de que é um ser único com expressões íntimas completamente diferente das dos outros seres. É verdade, porém, que possuímos algumas semelhanças e características comuns com outras pessoas, mas, em essência, somos almas criadas em diferentes épocas pelas mãos do Criador e, por isso, passamos por experiências distintas e trazemos na própria intimidade missões peculiares.
Anormalidade, normalidade, sobrenaturalidade e paranormalidade são de fato catalogações da incompreensão humana alicerçadas sobre as chamadas comparações.
A ausência do amadurecimento espiritual faz com que rotulemos de forma humilhante e pretensiosa, os credos religiosos, a heterogeneidade das raças, os costumes de determinados povos, as tendências sexuais diferentes, os movimentos sociais inovadores, as decisões, o comportamento, o sucesso dos outros e muitas coisas ainda. Tudo isso ocorre porque não conseguimos digerir com ponderação a grandeza do processo evolutivo agindo de forma diversificada sob as leis da natureza.
O autêntico impulso natural quer que sejamos simplesmente nós mesmos. Não faz parte dos impulsos inatos da alma humana a pretensão de nos considerarmos melhor que as outras pessoas. O que devemos fazer é admirar-nos como somos, é respeitar nossas diferenças e reconhecer nossos valores.
O extraordinário educador Rivail questiona os Mensageiros do Amor: "Os Espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo?. E eles respondem com notável orientação: "... isso lhes é um suplício, porque compreendem que estão dela privados por sua própria culpa..."
A inveja é o extremo oposto da admiração. É uma ferramenta cômoda que usamos sempre que não queremos assumir a responsabilidade por nossa vida. Ela nos faz censurar e apontar as supostas falhas das pessoas, distraindo-nos a mente do necessário desenvolvimento de nossas potencialidades interiores. Em vez de nos esforçamos para crescer e progredir, denegrimos os outros para compensar nossa indolência e ociosidade.
Não há nada a nos censurar por apreciarmos os feitos das pessoas e/ou por a eles aspirarmos; o único problema é que não podemos nos comparar e querer tomar como modelo o padrão vivencial do outro.
A inveja e a censura nascem da auto-rejeição que fazemos conosco, justamente por não acreditarmos em nossos potenciais evolutivos e por procurarmos fora de nós as explicações de como deveremos sentir, pensar, falar, fazer e agir; ora dando uma importância desmedida aos outros, ora tentando convencê-los a todo custo de nossas verdades.
Hammed - as dores da alma
Se tivermos o hábito de investigar nossos comportamentos autodestrutivos e fizermos uma análise desses antecedentes históricos em nossa vida, poderemos, cada vez mais, compreender o porquê de permanecermos presos em certas áreas prejudiciais à nossa alegria de viver.
Esses comportamentos infelizes a que nos referimos não são apenas as atitudes evidentemente desastrosas mas os diminutos atos cotidianos que podem passar como aceitáveis e completamente admissíveis. Entretanto, tais atos são os grandes perturbadores de nossa paz interior.
Muitos indivíduos não se preocupam em estudar as raízes de seus comportamentos rotineiros, porque acreditam que, para assumir a responsabilidade da renovação íntima, precisariam despender um enorme sacrifício Sendo assim, preferem permanecer apegados aos antigos costumes, utilizando-se dos preconceitos e de crenças distorcidas, sem se darem conta de que estes são as matrizes de seus pontos vulneráveis.
Para afastar todo e qualquer anseio de transformação interior, utilizam-se de um processo psicológico denominado "racionalização" artifício para desviar a atenção dos "verdadeiros motivos" das atitudes e ações; para se verem livres das "crises de consciência", procurando assim justificar os fatos inadequados de suas vidas.
Somente alteraremos nossos atos e atitudes doentios quando tomarmos plena consciência de que são eles as raízes de nossas pertubações emocionais e dos inúteis desgastes energéticos. É examinando nosso dia-a-dia à luz das escolhas que fizemos ou que deixamos de fazer é que veremos com clareza que somos, na atualidade, a "soma integral" de nossas opções diante da vida.
Os indivíduos que possuem o hábito da crítica destrutiva estão, em verdade, dissimulando outras emoções, talvez a inveja ou mesmo o despeito. Existem posturas efetuadas tão costumeiramente e que se tornam tão imperceptíveis que poderíamos denominá-las "atitudes crônicas".
Inveja é definida como sendo o desejo de possuir e de ser o que os outros são, podendo tornar-se uma atitude crônica na vida de uma pessoa. É uma forma de cobiça, um desgosto em face da constatação da felicidade e superioridade de outrem.
Observar a pessoa sendo, tendo, criando e realizando provoca uma espécie de dor no invejoso, por ele não ser, não ter, não criar e não realizar. A inveja leva, por consequencia, a maledicência, que tem por base ressaltar os equívocos e difamar, eis a estratégia do depreciador: "Se eu não posso subir, tento rebaixar os outros; assim, compenso meu complexo de inferioridade".
A inveja nasce quase sempre por nos compararmos constantemente com os outros. Nessa comparação, o homem desconhece o fato de que é um ser único com expressões íntimas completamente diferente das dos outros seres. É verdade, porém, que possuímos algumas semelhanças e características comuns com outras pessoas, mas, em essência, somos almas criadas em diferentes épocas pelas mãos do Criador e, por isso, passamos por experiências distintas e trazemos na própria intimidade missões peculiares.
Anormalidade, normalidade, sobrenaturalidade e paranormalidade são de fato catalogações da incompreensão humana alicerçadas sobre as chamadas comparações.
A ausência do amadurecimento espiritual faz com que rotulemos de forma humilhante e pretensiosa, os credos religiosos, a heterogeneidade das raças, os costumes de determinados povos, as tendências sexuais diferentes, os movimentos sociais inovadores, as decisões, o comportamento, o sucesso dos outros e muitas coisas ainda. Tudo isso ocorre porque não conseguimos digerir com ponderação a grandeza do processo evolutivo agindo de forma diversificada sob as leis da natureza.
O autêntico impulso natural quer que sejamos simplesmente nós mesmos. Não faz parte dos impulsos inatos da alma humana a pretensão de nos considerarmos melhor que as outras pessoas. O que devemos fazer é admirar-nos como somos, é respeitar nossas diferenças e reconhecer nossos valores.
O extraordinário educador Rivail questiona os Mensageiros do Amor: "Os Espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo?. E eles respondem com notável orientação: "... isso lhes é um suplício, porque compreendem que estão dela privados por sua própria culpa..."
A inveja é o extremo oposto da admiração. É uma ferramenta cômoda que usamos sempre que não queremos assumir a responsabilidade por nossa vida. Ela nos faz censurar e apontar as supostas falhas das pessoas, distraindo-nos a mente do necessário desenvolvimento de nossas potencialidades interiores. Em vez de nos esforçamos para crescer e progredir, denegrimos os outros para compensar nossa indolência e ociosidade.
Não há nada a nos censurar por apreciarmos os feitos das pessoas e/ou por a eles aspirarmos; o único problema é que não podemos nos comparar e querer tomar como modelo o padrão vivencial do outro.
A inveja e a censura nascem da auto-rejeição que fazemos conosco, justamente por não acreditarmos em nossos potenciais evolutivos e por procurarmos fora de nós as explicações de como deveremos sentir, pensar, falar, fazer e agir; ora dando uma importância desmedida aos outros, ora tentando convencê-los a todo custo de nossas verdades.
Hammed - as dores da alma
INVEJA I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)
INVEJA I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)
A inveja sempre foi uma emoção sutilmente disfarçada em nossa sociedade, assumindo aspectos ignorados pela própria pessoa. As atitudes de rivalidade, antagonismo e hostilidade dissimulam muito bem a inveja, ou seja, a própria "prepotência da competição", que tem como origem todo um séquito de antigas frustrações e fracassos não resolvidos e interiorizados.
O invejoso é inseguro e supersensível, irritadiço e desconfiado, observador minucioso e detetive da vida alheia até a exaustão, sempre armado e alerta contra tudo e todos. Faz o gênero de superior, quando, em realidade, se sente inferiorizado; por isso, quase sempre deixa transparecer um ar de sarcasmo e ironia em seu olhar, para ocultar dos outros seu precário contato com a felicidade.
Acreditamos que, apesar de a inveja e o ciúme possuírem definições diferentes, quase sempre não são diferenciados ou corretamente percebidos por nós. As convenções religiosas nos ensinaram que jamais deveríamos sentir inveja, pelo fato de ela encontrar ligada à ganância e à cobiça dos bens alheios. Em relação ao ciúme, os padrões estabeleceram que ele estaria, exclusivamente, ligado ao amor. É por isso que passamos a acreditar que ele é aceitável e perfeitamente admissível em nossas atitudes pessoais.
Analisando as origens atávicas e inatas da evolução humana, podemos afirmar que a emoção da inveja não é uma necessidade aprendida. Não foi adquirida por experiência nem por força da socialização, mas é uma reação instintiva e natural e, como tal, também é encontrada no reino animal. O agrado e carinho a um cão pode pode provocar agressividade e irritação em outro animal, por despeito.
Nos adultos essas manifestações podem ser disfarçadas e transformadas em atos simulados de menosprezo ou de indiferença. Já as crianças, por serem ingênuas e naturais, mordem, batem, empurram, choram e agridem.
A inveja entre irmãos é perfeitamente normal. Em muitas ocasiões, ela surge com a chegada de um irmão recém-nascido, que passa a obter, no ambiente familiar, toda a atenção e carinho. Ela vem à tona também nas comparações de toda espécie, feitas pelos amigos e parentes, sobre a aparência física privilegiadas de um deles. Muitas vezes, a inveja manifesta-se em razão da forma de tratamento e relacionamento entre pais e filhos. Por mais que os pais se esforcem para tratá-los com igualdade, não o conseguem, pois cada criança é uma alma completamente diferente da outra. Em vista disso, o modo de tratar é consequentemente desigual, nem poderia ser de outra maneira, mas os filhos se sentem indignados com isso.
A emoção da inveja no adulto é produto das atitudes internas de indivíduos de idade psicológica bem inferior à idade cronológica, os quais, embora ocupem corpos desenvolvidos, são verdadeiras almas de crianças mimadas, impotentes e inseguras, que querem chamar a atenção dos maiores no lar.
O Mestre de Lyon interroga as Vozes do Céu: "Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?" E elas, com muita sabedoria, informam: "... Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade (...) São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja ..."
A necessidade de poder e de prestígio desmedidos que encontramos em inúmeros homens públicos nas áreas religiosas, política, profissional, esportiva, filantrópica, de lazer e outras tantas, deriva de uma "aspiração de dominar" ou de um "sentimento de onipotência", com o que tenhamos contrabalançar emocionalmente o complexo de inferioridade que desenvolveram na fase infantil.
Encontramos esses indivíduos, aos quais os Espíritos se reportam na questão acima, nas lutas partidárias, em que, só aparentemente, buscam a igualdade dos "direitos humanos", prometem a "valorização da educação", asseguram a melhoria da "saúde da população" e a "divisão de terras e rendas". Sem ideais alicerçados na busca sincera de uma sociedade equânime e feliz, procuram, na realidade, compensar suas emoções de inveja mal elaboradas e guardadas desde a infância, vivida em dificuldades e carências no mesmo ambiente de indivíduos ricos e prósperos.
Tanto é verdade que a maioria desses "defensores do povo", quando alcançam os cumes sociais e do poder, esquecem-se completamente das suas propostas de justiça e igualdade.
Eis alguns sintomas interiorizados de inveja que poderemos enumerá-los como dissimulados e negados:
perseguições gratuitas e acusações sem lógica ou fantasiadas;
inclinações superlativas à elegância e ao refinamento, com aversão à grosseria;
insatisfação permanente, nunca se contendo com nada;
manifestação de temperamento teatral e pedantismo nas atitudes;
elogios afetados e amores declarados exageradamente;
animação competitiva que leva às raias da agressividade.
O caráter invejoso conduz o indivíduo a uma imitação perpétua à originalidade e criação dos outros, e como consequência lógica a frustração acarretando uma sensação crônica de insatisfação escassez, imperfeição e perda, estimulando sempre uma crescente dor moral e prejudicando o crescimento e desenvolvimento espiritual das almas em evolução.
Hammed - as dores da alma
A inveja sempre foi uma emoção sutilmente disfarçada em nossa sociedade, assumindo aspectos ignorados pela própria pessoa. As atitudes de rivalidade, antagonismo e hostilidade dissimulam muito bem a inveja, ou seja, a própria "prepotência da competição", que tem como origem todo um séquito de antigas frustrações e fracassos não resolvidos e interiorizados.
O invejoso é inseguro e supersensível, irritadiço e desconfiado, observador minucioso e detetive da vida alheia até a exaustão, sempre armado e alerta contra tudo e todos. Faz o gênero de superior, quando, em realidade, se sente inferiorizado; por isso, quase sempre deixa transparecer um ar de sarcasmo e ironia em seu olhar, para ocultar dos outros seu precário contato com a felicidade.
Acreditamos que, apesar de a inveja e o ciúme possuírem definições diferentes, quase sempre não são diferenciados ou corretamente percebidos por nós. As convenções religiosas nos ensinaram que jamais deveríamos sentir inveja, pelo fato de ela encontrar ligada à ganância e à cobiça dos bens alheios. Em relação ao ciúme, os padrões estabeleceram que ele estaria, exclusivamente, ligado ao amor. É por isso que passamos a acreditar que ele é aceitável e perfeitamente admissível em nossas atitudes pessoais.
Analisando as origens atávicas e inatas da evolução humana, podemos afirmar que a emoção da inveja não é uma necessidade aprendida. Não foi adquirida por experiência nem por força da socialização, mas é uma reação instintiva e natural e, como tal, também é encontrada no reino animal. O agrado e carinho a um cão pode pode provocar agressividade e irritação em outro animal, por despeito.
Nos adultos essas manifestações podem ser disfarçadas e transformadas em atos simulados de menosprezo ou de indiferença. Já as crianças, por serem ingênuas e naturais, mordem, batem, empurram, choram e agridem.
A inveja entre irmãos é perfeitamente normal. Em muitas ocasiões, ela surge com a chegada de um irmão recém-nascido, que passa a obter, no ambiente familiar, toda a atenção e carinho. Ela vem à tona também nas comparações de toda espécie, feitas pelos amigos e parentes, sobre a aparência física privilegiadas de um deles. Muitas vezes, a inveja manifesta-se em razão da forma de tratamento e relacionamento entre pais e filhos. Por mais que os pais se esforcem para tratá-los com igualdade, não o conseguem, pois cada criança é uma alma completamente diferente da outra. Em vista disso, o modo de tratar é consequentemente desigual, nem poderia ser de outra maneira, mas os filhos se sentem indignados com isso.
A emoção da inveja no adulto é produto das atitudes internas de indivíduos de idade psicológica bem inferior à idade cronológica, os quais, embora ocupem corpos desenvolvidos, são verdadeiras almas de crianças mimadas, impotentes e inseguras, que querem chamar a atenção dos maiores no lar.
O Mestre de Lyon interroga as Vozes do Céu: "Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?" E elas, com muita sabedoria, informam: "... Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade (...) São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja ..."
A necessidade de poder e de prestígio desmedidos que encontramos em inúmeros homens públicos nas áreas religiosas, política, profissional, esportiva, filantrópica, de lazer e outras tantas, deriva de uma "aspiração de dominar" ou de um "sentimento de onipotência", com o que tenhamos contrabalançar emocionalmente o complexo de inferioridade que desenvolveram na fase infantil.
Encontramos esses indivíduos, aos quais os Espíritos se reportam na questão acima, nas lutas partidárias, em que, só aparentemente, buscam a igualdade dos "direitos humanos", prometem a "valorização da educação", asseguram a melhoria da "saúde da população" e a "divisão de terras e rendas". Sem ideais alicerçados na busca sincera de uma sociedade equânime e feliz, procuram, na realidade, compensar suas emoções de inveja mal elaboradas e guardadas desde a infância, vivida em dificuldades e carências no mesmo ambiente de indivíduos ricos e prósperos.
Tanto é verdade que a maioria desses "defensores do povo", quando alcançam os cumes sociais e do poder, esquecem-se completamente das suas propostas de justiça e igualdade.
Eis alguns sintomas interiorizados de inveja que poderemos enumerá-los como dissimulados e negados:
perseguições gratuitas e acusações sem lógica ou fantasiadas;
inclinações superlativas à elegância e ao refinamento, com aversão à grosseria;
insatisfação permanente, nunca se contendo com nada;
manifestação de temperamento teatral e pedantismo nas atitudes;
elogios afetados e amores declarados exageradamente;
animação competitiva que leva às raias da agressividade.
O caráter invejoso conduz o indivíduo a uma imitação perpétua à originalidade e criação dos outros, e como consequência lógica a frustração acarretando uma sensação crônica de insatisfação escassez, imperfeição e perda, estimulando sempre uma crescente dor moral e prejudicando o crescimento e desenvolvimento espiritual das almas em evolução.
Hammed - as dores da alma
A INVEJA - Ney Prieto
A - A INVEJA
"- Invejais os prazeres dos que vos parecem os felizes do mundo. Mas sabeis, por acaso, o que lhes está reservado? Se não gozam senão para si mesmos, são egoístas e terão de sofrer o reverso. Lamentai-os, antes de invejá-los! Deus às vezes permite que o mau prospere, mas essa felicidade não é para se invejar, porque a pagará com lágrimas amargas. Se o justo é infeliz é porque passa por uma prova que lhe será levada em conta, desde que a saiba suportar com coragem. Lembrai-vos das palavras de Jesus: 'Bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados'."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo I. Penas e Gozos Terrenos. Parte da resposta à pergunta 926.)
Com um pouco de observação de nós mesmos, facilmente reconheceremos as manifestações de inveja que, até mesmo de forma sutil, podem limitar o necessário esforço que devemos desenvolver para elevar o padrão dos nossos sentimentos. A inveja reflete a fragilidade em que o nosso espírito ainda vive, deixando-se consumir em desejos inconsistentes, até mesmo ilusórios, principalmente de ordem material, em lugar de lutar pelas conquistas dos valores eternos que enobrecem o espírito.
É ela resultante da nossa limitada compreensão da lei de causa e efeito, aplicada a nós mesmos, segundo a qual as atuais condições da nossa existência, escolhidas e programadas na Espiritualidade, são as que melhores resultados nos podem proporcionar no resgate dos desacertos do passado. Então, às vezes, momentaneamente enfraquecidos, esquecidos da luta que selecionamos ao programarmos essa existência, caímos nas teias dos desejos mais recônditos, refletindo as reminiscências de vidas que tivemos em existências anteriores.
Interessante é que, ao constatarmos nos outros algo que desejaríamos possuir, manifestamos uma vibração de ódio gratuito para com eles, como se fossem os culpados da nossa condição precária, da remuneração baixa no trabalho material, ou de qualquer outro aspecto limitante dentro das dificuldades em que vivemos.
Vivemos no permanente erro de sempre culpar alguém pelos males que sofremos, como fuga a um olhar corajoso para dentro de nós mesmos, onde encontraríamos as causas, remotas ou próximas, dos tormentos de hoje.
Vejamos as características mais comuns da inveja:
a) Desejo manifestado dentro de nós de possuir algo que vemos em alguém ou na propriedade de alguém;
b) Crítica a alguém que pouco faz e muito possui, comparando sua posição com os sacrifícios que a vida nos apresenta;
c) Estados de depressão, causando tristeza, sofrimento, inconformação e revolta com a própria sorte;
d) Sentimento penetrante e corrosivo que emitimos quando assim olhamos para outrem, nos deixando entregues a ódios infundados, por deterem o que ambicionamos;
e) Sentimento destruidor da resignação, da tolerância, da conformação e da fé, que devemos alimentar em nossos corações nas ocasiões de penúria material;
f) Resultado do apego, ainda presente em nós, aos valores transitórios da existência, tais como: posição social, objetos de uso pessoal, bens materiais, recursos financeiros.
O próprio conhecimento popular já definiu o conceito de "mau olhado", que, ao ser dirigido por determinadas criaturas, a tantos causa prejuízos em seus bens materiais, quando não o mal-estar e a indisposição. É a vibração que o invejoso emite de tão forte envolvimento negativo, que, ao atingir alguém desprotegido e desprevenido, realmente pode provocar vários males.
Muito cuidado, portanto, com os sentimentos de inveja que venhamos a emitir para quem quer que seja, lembrando sempre que colheremos, para nós mesmos, todo o mal que aos outros provocarmos.
B - CIÚME
"— Inveja e ciúme! Felizes os que não conhecem esses dois vermes vorazes. Com a inveja e o ciúme não há calma, não há repouso possível. Para aquele que sofre desses males, os objetos da sua cobiça, do seu ódio e do seu despeito se erguem diante dele como fantasmas que não o deixam em paz e o perseguem até no sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre continua. É essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com essas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, e que a terra se transforma para ele num verdadeiro inferno?"
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo I. Penas e Gozos Terrenos. Parte da resposta à pergunta 933.)
O nosso apego aos objetos e às pessoas tem, no ciúme, uma das suas formas de manifestação. O zelo demasiado, o cuidado excessivo, a valorização descabida aos nossos pertences chegam às raias da preocupação, do desequilíbrio, do desassossego, nas reações do indisfarçável ciúme. É mesmo um estado febril de intranquilidade, que pode nos tirar o sono muitas vezes.
O ciúme anda próximo da inveja. Ambos são expressões da cobiça, e se manifestam no nosso desejo de posse ou na nossa condição possessiva, ambiciosa, egoísta. Quando o ciúme se refere às pessoas do nosso relacionamento, é indício da paixão, do amor ainda condicionante, dominante, restritivo, exclusivista. Ninguém em verdade pertence a outrem. Alguns pares, no entanto, podem desenvolver laços afetivos que os liguem a compromissos ou a tarefas comuns, como entre cônjuges, por exemplo, assumindo responsabilidades a dois, num desejável clima de compreensão, tolerância e respeito mútuo.
Os suplícios ou tormentos muitas vezes são criados voluntariamente, quando começamos a exigir, a cobrar do outro, o que achamos ser de sua obrigação: o ciúme impõe condições. É assim que quase sempre se origina a inconformação, o desespero, o desentendimento entre casais. Respeito e liberdade, de ambas as partes, na confiança que edifica e fortalece, aprofunda a amizade para muito além dos limites de uma paixão, tudo isso pela admiração construtiva, mútua, que estimula o bem proceder e amplia o reconhecimento dos valores individuais dos dois.
Quantos ciúmes doentios não geram desconfianças e desarmonias desnecessárias? Por que vamos, então, transformar nossa vida num verdadeiro inferno? Procuremos serenamente indagar o porquê dos nossos ciúmes. Com que sentido nos deixamos envolver por eles? Será por carência, ou por insegurança? Por apego ou desespero? Localizemos as causas do aparecimento desse fantasma que é o ciúme.
Fantasma criado pela nossa imaginação, que pode estar mal informada ou até deformada, e que precisa ser realimentada com a confiança, a fé, o otimismo, a esperança, a alegria, a dedicação e o desprendimento, para sermos felizes em profundidade, gerando felicidade e bem-estar em volta de nós.
C - AVAREZA
"Aquele que acumula sem cessar, e sem beneficiar ninguém, terá uma desculpa válida ao dizer que ajunta para deixar aos herdeiros? - É um compromisso com a consciência má." (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo XII. Perfeição Moral. Pergunta 900.)
"Rico, dá do que te sobra; faze mais; dá um pouco do que te é necessário, porquanto o de que necessitas ainda é supérfluo, mas dá com sabedoria."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVI. Não se Pode Servir a Deus e a Mamom. Emprego da Riqueza )
A avareza diz respeito igualmente ao apego específico ao dinheiro e aos objetos materiais que possuímos. O homem avaro é o egoísta que nega o auxílio pecuniário a quem lhe bate à porta, desprezando as oportunidades de servir, e até mesmo de ouvir quem lhe venha pedir socorro. O avaro centraliza sua preocupação na aquisição do dinheiro ou nas diversas formas de enriquecimento. Para ele, o objetivo principal da existência é o dinheiro e o que ele lhe proporciona para usufruto.
A atmosfera vibratória do avaro é certamente obscura, densa. Ele tem grande dificuldade em sentir a inspiração que vem de mais alto, em captar sugestões mais nobres com relação ao seu proceder. É exatamente a eles que a ironia do destino causa os maiores impactos quando a desventura os atinge. A queda é grande e o sofrimento, profundo, pois retira o que lhes é mais valioso: o dinheiro. Guardamos, em diferentes gradações, as manifestações de avareza, que também se refletem nas nossas preocupações diárias, com maior ou menor intensidade.
A importância que damos aos nossos pertences e as inquietações que tantas vezes nos desequilibram, pelo fato de termos perdido esse ou aquele objeto de maior estima, representam nosso apego a eles. O zelo demasiado quando relutamos em emprestar algumas das nossas quinquilharias, com receio de perdê-las ou desgastá-las, é igualmente" uma forma de avareza, como também um aspecto do ciúme.
A mania de guardar por tempo indeterminado, até mesmo sem usar, jóias, roupas ou outros pertences pessoais, reagindo em dar a alguém que mais necessite, sem justificativas, caracteriza também o avaro. Nenhum benefício real, dentro dos valores eternos que os Aprendizes do Evangelho já conheceram, pode resultar da avareza e, por isso mesmo, precisa ser identificada e combatida.
Como exemplo de desprendimento dos valores materiais, lembremos um episódio da vida do estimado benfeitor espiritual, Dr. Bezerra de Menezes. Certo dia, ao consultar em seu gabinete médico uma senhora de parcas posses, entregando-lhe o receituário, ouviu suas lamentações, pois ela não contava com numerário suficiente para a compra dos remédios. Então, o magnânimo médico, não encontrando em seus bolsos o correspondente em moeda corrente, entregou à senhora o seu anel de formatura, para que com ele obtivesse dinheiro que lhe permitisse medicar a criança doente que trazia ao colo.
Ney P. Peres
A Inveja
A Inveja
Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status que, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.
Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.
COBIÇA E BEM-ESTAR
Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.
Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.
“902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa?” (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)
A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.
Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.
Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração desse vício hediondo e asqueroso.
TRIO DE FERRO
A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.
Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.
Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.
Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.
O INVEJOSO EM AÇÃO
O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.
O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.
Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.
Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?
INSTINTO DEGENERADO
A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.
“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”
Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.
O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruíram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.
Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.
A VIRTUDE
Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.
Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.
Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.
Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).
A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).
Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.
A EDUCAÇÃO
O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas conseqüências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.
A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.
O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)
A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.
Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.
Escreve: Eugenio Lara - julho/1998 – Santos/SP
Fonte: http://www.viasantos.com
Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status que, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.
Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.
COBIÇA E BEM-ESTAR
Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.
Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.
“902. É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?
— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa?” (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)
A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.
Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.
Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração desse vício hediondo e asqueroso.
TRIO DE FERRO
A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.
Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.
Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.
Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.
O INVEJOSO EM AÇÃO
O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.
O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.
Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.
Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?
INSTINTO DEGENERADO
A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.
“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”
Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.
O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruíram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.
Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.
A VIRTUDE
Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.
Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.
Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.
Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).
A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).
Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.
A EDUCAÇÃO
O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas conseqüências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.
A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.
O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)
A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.
Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.
Escreve: Eugenio Lara - julho/1998 – Santos/SP
Fonte: http://www.viasantos.com
INVEJA E COBIÇA
INVEJA E COBIÇA
“A inveja é uma das mais feias e tristes misérias do vosso globo. A
caridade e a constante emissão da fé extirparão todos esses males,
que desaparecerão, um a um, à medida que se multiplicarem os
homens de boa vontade que virão depois de vós"
(SÃO LUÍS, 1858. Revista Espírita).
A inveja é um dos tristes vícios que mais causa tristeza, especialmente, em quem sente. Inveja não é cobiça. A cobiça é o desejo de querer algo que não se tem, mas, que não se incomoda que o outro tenha. Admiração é prezar o talento do outro em conquistar algo. A inveja não é nenhuma coisa e nem outra, é não querer que o outro tenha aquilo que se deseja e, que não se tem talento suficiente para conseguir.
Não existe, assim, "inveja branca" ou "inveja boa", como se costuma acreditar. Existe sim, segundo teóricos, graus de inveja: (1) leve - quando eu gosto do que você tem; (2) médio - eu quero o que você tem, incomoda-me, mas, não vivo em função disso e; (3) grave - o outro não merece ter, então, passo a viver em função disso. Este é considerado uma patologia, a qual merece maiores cuidados. A inveja não é natural, é um vício adquirido. A fome, por exemplo, é natural, o indivíduo para sua subexistência terrena precisa alimentar-se. A gula, no entanto, é uma patologia, uma doença que precisa ser tratada, pois, tem várias causas, desde a oralidade (psicologia) e, pode acarretar sérios danos físicos ao indivíduo, como a obesidade.
A inveja e tantos outros vícios são causadores de infelicidade e sofrimento. Descartes (Paixões da Alma, art. 182) define como inveja: "uma perversidade de natureza, que faz certas pessoas ficarem contrariadas com o bem que veem acontecer aos outros homens". O filósofo romano Cícero, considerou que “a inveja é a amargura que se sofre ao ver a felicidade alheia”. Vejamos o quão profundo é o ensinamento de Jesus sobre a inveja contido na parábola que se segue:
"Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. – Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. – Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. – Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família – dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. – Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom?" (Trabalhadores de Última Hora, cap. XX. E.S.E.).
Provavelmente, se o patrão tivesse pago um valor menor aos trabalhadores da última hora, os da primeira não tivessem reclamado, o que indica claramente um sentimento de inveja, ou seja, achar injusto que o outro receba.
Desde cedo somos todos propensos à inveja, apenas não entendemos ou conhecemos o seu significado. Muitas vezes, confundimos com outro sentimento negativo, que também causa tristezas, o ciúme. Os irmãos brigam entre si, em muitos casos, mais movidos pela inveja do que pelo ciúme, como gostam de acreditar as mães: "é ciúme!". Logo, as mães devem estar atentas a estes vícios (ciúme ou inveja) e buscar, como ensina o Evangelho de Jesus, "cortar o mal pela raiz", através da boa educação, não a educação que torna o homem instruído, mas, a que o torna um homem de bem. Como ensina o Espírito Fénelon, livro dos Espíritos, questão 917: "A educação se bem entendida, é a chave do progresso moral".
O progresso moral é uma virtude que se conquista pelo esforço, como nos esclarece Allan Kardec: "aquele que a possui a adquiriu pelo seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco de suas imperfeições" (E.S.E. - Introdução). É possível vencer a inveja através da prática da benevolência, do querer bem ao outro. Jesus ensina: "Amai-vos uns aos outros" (E.S.E.).
Esclarecem os Benfeitores: "Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem pela inveja" (L.E.). Sentir prazer quando o outro perde o que se quer ter, ou, se doer de angústia pela vitória do outro é sentir-se incapaz de viver a própria a vida, resultado do egoísmo. O egoísmo é a fonte de todos os vícios: o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme que o magoam a todo instante (L.E. Q. 917). O amor é a fonte de todas as virtudes.
Eu posso controlar a minha inveja a partir do momento que passo a admitir que aquilo me incomoda. Logo, o primeiro passo para qualquer transformação é o reconhecimento de si mesmo: "Conhece-te a ti mesmo". Muitos são capazes de dizer-se prejudicado por "olho gordo" ou "mau-olhado", poucos, porém, são incapazes de reconhecer que sofrem com a felicidade do outro. Antes de culpar os outros pelo próprio fracasso, é necessário olhar para si mesmo e perceber se não é você mesmo o causador de seus infortúnios. Para combater o "mau-olhado", Jesus ensina: Vigiai e Orai. Vigiai os próprios pensamentos e as más inclinações. Maus pensamentos atraem espíritos inferiores, o bom pensamento é oração que eleva-nos à Deus e afasta todo o mal, de encarnado e desencarnados.
É possível administrar a inveja pela medida do "suficiente", não querer mais do que se pode ter, ou do que se pode ser. Trabalhe o seu próprio talento através da generosidade. Toda conquista se dá pelo trabalho, cobiçar somente não basta, é preciso esforço para se conseguir realizar. É preciso sonhar, idealizar e realizar, ou seja, acreditar no sonho e torná-lo ideal e realizável - palpável. Deus não disponibiliza os bens senão pelas necessidades, não físicas, e sim morais, de cada ser para o seu próprio aprendizado e evolução. Todos têm talento próprio, não é preciso desejar o que é do outro. Pode-se até cobiçar algo que não se tem, mas não querer tirar o que o outro tem. "Deus é justo e não condena senão aquele cuja existência é voluntariamente inútil e vive na dependência do trabalho dos outros. Ele quer que cada um se torne útil, segundo as suas faculdade" (L.E. Q. 643). Que Assim Seja!
Luz e amor!
"Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, diz ele, os pobres de espírito, quer dizer: os humildes, porque deles é o Reino dos Céus; Bem-aventurados os mansos e pacíficos; Bem-aventurados os misericordiosos. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizesse; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar. Orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater. Mas ele faz mais do que recomendar a caridade, pondo-a claramente como a condição absoluta da felicidade futura". (Fora da Caridade não há Salvação, cap. XV; 3. E.S.E.)
“A inveja é uma das mais feias e tristes misérias do vosso globo. A
caridade e a constante emissão da fé extirparão todos esses males,
que desaparecerão, um a um, à medida que se multiplicarem os
homens de boa vontade que virão depois de vós"
(SÃO LUÍS, 1858. Revista Espírita).
A inveja é um dos tristes vícios que mais causa tristeza, especialmente, em quem sente. Inveja não é cobiça. A cobiça é o desejo de querer algo que não se tem, mas, que não se incomoda que o outro tenha. Admiração é prezar o talento do outro em conquistar algo. A inveja não é nenhuma coisa e nem outra, é não querer que o outro tenha aquilo que se deseja e, que não se tem talento suficiente para conseguir.
Não existe, assim, "inveja branca" ou "inveja boa", como se costuma acreditar. Existe sim, segundo teóricos, graus de inveja: (1) leve - quando eu gosto do que você tem; (2) médio - eu quero o que você tem, incomoda-me, mas, não vivo em função disso e; (3) grave - o outro não merece ter, então, passo a viver em função disso. Este é considerado uma patologia, a qual merece maiores cuidados. A inveja não é natural, é um vício adquirido. A fome, por exemplo, é natural, o indivíduo para sua subexistência terrena precisa alimentar-se. A gula, no entanto, é uma patologia, uma doença que precisa ser tratada, pois, tem várias causas, desde a oralidade (psicologia) e, pode acarretar sérios danos físicos ao indivíduo, como a obesidade.
A inveja e tantos outros vícios são causadores de infelicidade e sofrimento. Descartes (Paixões da Alma, art. 182) define como inveja: "uma perversidade de natureza, que faz certas pessoas ficarem contrariadas com o bem que veem acontecer aos outros homens". O filósofo romano Cícero, considerou que “a inveja é a amargura que se sofre ao ver a felicidade alheia”. Vejamos o quão profundo é o ensinamento de Jesus sobre a inveja contido na parábola que se segue:
"Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. – Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. – Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. – Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família – dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. – Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom?" (Trabalhadores de Última Hora, cap. XX. E.S.E.).
Provavelmente, se o patrão tivesse pago um valor menor aos trabalhadores da última hora, os da primeira não tivessem reclamado, o que indica claramente um sentimento de inveja, ou seja, achar injusto que o outro receba.
Desde cedo somos todos propensos à inveja, apenas não entendemos ou conhecemos o seu significado. Muitas vezes, confundimos com outro sentimento negativo, que também causa tristezas, o ciúme. Os irmãos brigam entre si, em muitos casos, mais movidos pela inveja do que pelo ciúme, como gostam de acreditar as mães: "é ciúme!". Logo, as mães devem estar atentas a estes vícios (ciúme ou inveja) e buscar, como ensina o Evangelho de Jesus, "cortar o mal pela raiz", através da boa educação, não a educação que torna o homem instruído, mas, a que o torna um homem de bem. Como ensina o Espírito Fénelon, livro dos Espíritos, questão 917: "A educação se bem entendida, é a chave do progresso moral".
O progresso moral é uma virtude que se conquista pelo esforço, como nos esclarece Allan Kardec: "aquele que a possui a adquiriu pelo seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco de suas imperfeições" (E.S.E. - Introdução). É possível vencer a inveja através da prática da benevolência, do querer bem ao outro. Jesus ensina: "Amai-vos uns aos outros" (E.S.E.).
Esclarecem os Benfeitores: "Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem pela inveja" (L.E.). Sentir prazer quando o outro perde o que se quer ter, ou, se doer de angústia pela vitória do outro é sentir-se incapaz de viver a própria a vida, resultado do egoísmo. O egoísmo é a fonte de todos os vícios: o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme que o magoam a todo instante (L.E. Q. 917). O amor é a fonte de todas as virtudes.
Eu posso controlar a minha inveja a partir do momento que passo a admitir que aquilo me incomoda. Logo, o primeiro passo para qualquer transformação é o reconhecimento de si mesmo: "Conhece-te a ti mesmo". Muitos são capazes de dizer-se prejudicado por "olho gordo" ou "mau-olhado", poucos, porém, são incapazes de reconhecer que sofrem com a felicidade do outro. Antes de culpar os outros pelo próprio fracasso, é necessário olhar para si mesmo e perceber se não é você mesmo o causador de seus infortúnios. Para combater o "mau-olhado", Jesus ensina: Vigiai e Orai. Vigiai os próprios pensamentos e as más inclinações. Maus pensamentos atraem espíritos inferiores, o bom pensamento é oração que eleva-nos à Deus e afasta todo o mal, de encarnado e desencarnados.
É possível administrar a inveja pela medida do "suficiente", não querer mais do que se pode ter, ou do que se pode ser. Trabalhe o seu próprio talento através da generosidade. Toda conquista se dá pelo trabalho, cobiçar somente não basta, é preciso esforço para se conseguir realizar. É preciso sonhar, idealizar e realizar, ou seja, acreditar no sonho e torná-lo ideal e realizável - palpável. Deus não disponibiliza os bens senão pelas necessidades, não físicas, e sim morais, de cada ser para o seu próprio aprendizado e evolução. Todos têm talento próprio, não é preciso desejar o que é do outro. Pode-se até cobiçar algo que não se tem, mas não querer tirar o que o outro tem. "Deus é justo e não condena senão aquele cuja existência é voluntariamente inútil e vive na dependência do trabalho dos outros. Ele quer que cada um se torne útil, segundo as suas faculdade" (L.E. Q. 643). Que Assim Seja!
Luz e amor!
"Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, diz ele, os pobres de espírito, quer dizer: os humildes, porque deles é o Reino dos Céus; Bem-aventurados os mansos e pacíficos; Bem-aventurados os misericordiosos. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizesse; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar. Orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater. Mas ele faz mais do que recomendar a caridade, pondo-a claramente como a condição absoluta da felicidade futura". (Fora da Caridade não há Salvação, cap. XV; 3. E.S.E.)
Remédio infalível contra ciúme e inveja, por Allan Kardec
Remédio infalível contra ciúme e inveja, por Allan Kardec
"Para todos os sentimentos de inveja e ciúme por parte de outras pessoas, nós possuímos um meio infalível para torná-los inócuos. Vamos nos esforçar para desenvolver a nossa inteligência, para melhorar os nossos corações e mentes. Vamos competir com os outros na prática das boas obras, no exercício da caridade e do auto-sacrifício. Deixe o lema do "amor fraterno" ser inscrito em nossa bandeira, e deixe que a busca da verdade seja o objetivo da nossa existência.
Imbuídos destes sentimentos, podemos desafiar a zombaria dos nossos contraditores e da má vontade de nossos inimigos. Se nos enganarmos, vamos reconhecer o nosso erro, e superá-lo: observando estritamente as leis da caridade e auto-sacrifício, evitando todo sentimento de inveja e ciúme, temos a certeza de que estamos no caminho certo. Estes devem ser os nossos princípios, são eles os laços de unidade, que deverão reunir todos os 'homens de boa vontade sobre a terra', enquanto o egoísmo e a falsidade definitivamente os separariam."
Allan Kardec, Revista Espírita, página 307, 1869
"Para todos os sentimentos de inveja e ciúme por parte de outras pessoas, nós possuímos um meio infalível para torná-los inócuos. Vamos nos esforçar para desenvolver a nossa inteligência, para melhorar os nossos corações e mentes. Vamos competir com os outros na prática das boas obras, no exercício da caridade e do auto-sacrifício. Deixe o lema do "amor fraterno" ser inscrito em nossa bandeira, e deixe que a busca da verdade seja o objetivo da nossa existência.
Imbuídos destes sentimentos, podemos desafiar a zombaria dos nossos contraditores e da má vontade de nossos inimigos. Se nos enganarmos, vamos reconhecer o nosso erro, e superá-lo: observando estritamente as leis da caridade e auto-sacrifício, evitando todo sentimento de inveja e ciúme, temos a certeza de que estamos no caminho certo. Estes devem ser os nossos princípios, são eles os laços de unidade, que deverão reunir todos os 'homens de boa vontade sobre a terra', enquanto o egoísmo e a falsidade definitivamente os separariam."
Allan Kardec, Revista Espírita, página 307, 1869
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