domingo, 31 de março de 2013
A Visão Espírita do Divórcio
A Visão Espírita do Divórcio
Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
em conjunto com a Escola Espírita Cristã Maria de Nazaré
e Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas
e-mail: eecmnrio@unisys.com.br
Palestrante: Regina De Agostini
Rio de Janeiro
25/02/2000
Organizadores da palestra:
Moderador: "Brab" (nick: ||Moderador||) "Médium digitador": "pip" (nick: Regina_de_Agostini)
Oração Inicial:
<lflavio> Amigo Jesus, Irmão Maior e companheiro de todas as horas, Rogamos que a tua luz possa envolver a todos nossos corações, nestes momentos de estudo e reflexão...
Muitas duvidas Mestre, nos vem, neste instante, relacionados a família, casamento, e uma busca da felicidade. Rogamos, assim, que possamos aproveitar estes momentos que passaremos juntos, e buscar o esclarecimento que esta doutrina de luz nos oferece.
Que os amigos espirituais possa iluminar, de maneira especial, nossa irmã Regina, que fará o tema da noite, e que possamos iniciar, o estudo, dando Graças a Deus por este instante. Que assim seja !
Apresentação do Palestrante:
<Regina_De_Agostini> A todos os companheiros novos meu nome é Regina De Agostini, e trabalho no Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas, que tem suas atividades doutrinárias e de estudos no Leblon. É com muito prazer que estamos aqui para conversar a respeito da Doutrina Espírita que tanto amamos.(t)
Considerações Iniciais do Palestrante:
<Regina_De_Agostini> O tema de hoje, "A Visão Espírita do Divórcio" foi tratada por Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Diz ele: "O divórcio é Lei humana que tem por objetivo separar legalmente o que já, de fato, está separado." Desta forma entendemos que a Doutrina Espírita não é contrária ao divórcio mas também entendemos que em momento algum estimula a esta prática. Entende a Doutrina Espírita que o casamento, a união entre dois seres é a oportunidade abençoada de desenvolvermos laços de afeto. Nem sempre as uniões, na Terra, buscam este objetivo, nem sempre se fazem nas bases de sentimentos, dificultando o relacionamento em bases conjugais. (t)
Perguntas/Respostas:
<||Moderador||> [01] <Brab> Cara Regina, como encarar o princípio "Não separeis o que Deus Uniu" nos colocado pelo próprio Jesus e utilizado durante tanto tempo para significar a bênção religiosa a um matrimônio? O Espiritismo adota esse princípio em algum momento para afirmar alguma união seja duradoura ou não, abençoando-a ou não? Como encara essa afirmação de Jesus?
<Regina_De_Agostini> O próprio Kardec no cap. XII de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", tratou desta afirmativa. No próprio diálogo narrado por Matheus, Jesus se reporta à dureza do vosso coração, como causa da separação entre marido e mulher. Deus une pelo amor. Quando existe o amor e a afeição não existe a separação. O Espiritismo é uma Doutrina de liberdade e responsabilidade, cada um de nós é livre para tomar as decisões que nos competem. No entanto, recolhemos em forma de bênçãos ou aflições o resultado de nossas próprias atitudes.
Dentro da questão do divórcio e das relações afetivas, gostamos de citar Emmanuel, um profundo conhecedor da alma humana, quando nos diz que "a Sabedoria Divina jamais institui princípios de violência, e o Espírito com quanto em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraça." (t)
<||Moderador||> [02] <lflavio> Será que o divórcio pode ser parte do aprendizado que temos que viver, ou será que é uma "desistência" nos compromissos que assumimos perante a espiritualidade?
<Regina_De_Agostini> Acreditamos que a maioria dos divórcios esteja na conta das desistências ou fugas que realizamos ao longo da nossa vida. A responsabilidade de cada um de nós é que muda em relação às situações que se apresentam. Muitas vezes os casamentos são desfeitos em concordância dos parceiros, digamos "Desistência a dois?", que não causa grandes perdas. Em outras situações, um dos parceiros pode se sentir bastante lesado nos seus sentimentos. Cada caso é diferente e, portanto, as responsabilidades também. (t)
<||Moderador||> [03] <Brab> O divórcio, muitas vezes, não é tão suave como descrito: "separar o que já é separado", mas acompanhado de muita carga de ódio, mágoa, ressentimento e dor. Seria em relação a esses casos que o espírito Emmanuel certa feita nos falou sobre "não arrebentar os nós que podemos desatar"? Como encarar esse princípio no caso de um divórcio que se aproxima?
<Regina_De_Agostini> É perfeita a fala do nosso querido Emmanuel, conquanto nem sempre sabemos agir no sentido de desatar e não romper. Acredito que este é um dos grandes aprendizados que precisamos realizar, agora que, racionalmente, entendemos o valor das ações pacificadoras nas nossas vidas. Veja bem que eu disse, racionalmente, viver isto é colocar este entendimento no sentimento. Em relação às separações, Emmanuel nos fala que o melhor é que não sejamos nós aqueles que a busquemos, mas quando nosso parceiro quiser partir que nós o libertemos.
O significado desta libertação é o trabalho interno de nossas almas no sentido de não acolhermos mágoas, ressentimentos, ódios. É um exercício que precisamos começar a realizar. (t)
<|moderador|> [04] <Sophia_> Serão os filhos motivo para se manter uma união em que não existe amor? O espírita deveria continuar com o cônjuge pelo bem dos filhos, mesmo que não o ame mais?
<Regina_De_Agostini> De que amor estamos falando? Que tipo de amor temos buscado? Estamos falando de amor, ou romance eterno, ou sentimento de plenitude constante? Entendemos que a separação deve acontecer no momento em que o convívio entre os dois cônjuges esgotou todas as possibilidades e pode levar a um mal maior, neste caso é preferível a separação. Os filhos são sempre um motivo para se tentar, com boa vontade, resolver as situações delicadas que se apresentam dentro de um casamento de forma a dar-lhes segurança para seu desenvolvimento.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" encontramos os seguintes dizeres: "Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, afim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitissem aos filhos, e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.".(t)
<|moderador|> [05] <Brab> Os casamentos realmente duradouros, como você descreveu como "laços de afeto", se perpetuam no mundo dos espíritos? Permanecemos "casados" depois que desencarnamos?
<Regina_De_Agostini> Os laços de afeto jamais se rompem. Quando amamos, permanecemos unidos, aonde quer que estejamos. Não sei o que você quer dizer com este casado depois de desencarnado, continuamos juntos, buscando sempre realizar este sentimento. (t)
<|moderador|> [06] <lflavio> Quanto ao princípio não separar o que Deus juntou, como podemos ver o amor neste principio?
<Regina_De_Agostini> Eu entendo que o que Deus juntou, juntou com amor, porque o amor é a essência do Universo. No momento em que aprendermos a amar INCONDICIONALMENTE, o que significa dizer não às nossas próprias necessidades, não haverá mais separação para nós.(t)
<|moderador|> [07] <Brab> Como é que um espírito que ama muito o outro reage vendo-o se relacionar com outra pessoa, numa vida em que só um deles retornou ao corpo carnal? Reside aí - nesse ciúme - uma causa de obsessão que estimula o divórcio?
<Regina_De_Agostini> Sabemos que em nossas vidas sofremos a influência espiritual de companheiros de outras encarnações. Esta influência pode ser uma grande ajuda ou, também, um processo obsessivo que pode levar à separação de uma casal. Tudo depende das relações entre os espíritos envolvidos no mesmo relacionamento. (t)
<|moderador|> [08] <lflavio> Muitos dizem que nos programamos os casamentos ainda na espiritualidade, como entender o número crescente de divórcios?
<Regina_De_Agostini> Realmente muitos, ou a maioria dos casamentos, é programada ou acertada no plano Espiritual, no entanto nos diz também Emmanuel que a maioria dos casamentos, aqui na Terra, visa reajustes, ou seja, são casamentos provacionais e certamente o relacionamento não será dos mais fáceis. Enquanto desencarnados podemos perceber com muita clareza a extensão de nossos débitos e aceitamos nos reunir para diminuir ou saldar estes mesmos débitos. Uma vez encarnados, com a benção do esquecimento dos desajustes passados, nos deixamos envolver, mais uma vez, pelos prazeres que o mundo nos oferece e voltamos quase sempre a falir nos compromissos assumidos.
O número crescente de divórcios deve-se a um entendimento equivocado de felicidade e objetivos principais de estarmos vivos.(t)
<|moderador|> [09] <Silencio_dos_Inocentes> Será que a maioria dos divórcios que acontecem atualmente poderíamos dizer que na espiritualidade foram não programados e sim ocorrem devido a diversos fatores como, por exemplo, o livre arbítrio do espírito encarnado?
<Regina_De_Agostini> Sem dúvida. Nunca li em lugar algum que houvesse uma programação visando a uma desvinculação afetiva. (t)
<|moderador|> [10] <superego> Porque Jesus disse àquela samaritana que dirigiu-se a ele que mesmo ela tendo sido casada cinco vezes , o homem que vivia com ela agora não era seu marido? (Citação: Jo, 4:16-18)
<Regina_De_Agostini> Muitos ditos do Evangelho o sentido não nos fica claro, e para ser sincera nunca me ative a estudar esta passagem, desta forma não tenho como responder a sua pergunta. (t)
<|moderador|> [11] <superego> Uma vez que as pessoas devem estar unidas por sentimentos, e que toda a hipocrisia será posta à vista depois da morte, porque agüentar um casamento infeliz?
<Regina_De_Agostini> Na realidade não temos que agüentar um casamento infeliz. o que realmente precisamos é tentar transformar esta infelicidade. Tudo nos é lícito mas nem tudo nos convêm. Quando "agüentamos" um casamento infeliz, na maioria das vezes não estamos construindo uma relação saudável. o que buscamos não é "agüentar" é transformar, buscar soluções, buscar observar a vida sob um outro ponto de vista, estendendo as nossas percepções para além de nosso mundo acanhado. (t)
<|moderador|> [12] <Sophia_> Como a amiga veria o caso de longos relacionamentos rompidos antes do casamento? As "conseqüências" pela separação podem ser comparadas as do divórcio, espiritualmente falando?
<Regina_De_Agostini> A Doutrina Espírita entende casamento como união entre dois seres. Desde que duas pessoas estejam unidas, realizando uma comunhão sexual, mesmo que não tenham firmado nenhum compromisso formal perante a sociedade, estão casadas. Desta forma estes "longos relacionamentos rompidos" são entendidos como divórcio com conseqüências para ambos ou um dos parceiros. (t).
Considerações Finais do Palestrante:
<Regina_De_Agostini> Agradeço a todos a oportunidade de estar aqui, expondo o meu entendimento sobre a Doutrina Espírita. Gostaria, de deixar a todos vocês uma mensagem de muita Fé, Esperança e de muito Amor. O momento que passamos é da maior importância para todos nós, e diante dos esclarecimentos que a Doutrina Espírita nos trás colocando luz nos ensinos do nosso Mestre Jesus, é o momento certo para que nos esforcemos buscando entender a vida, o mundo, as relações, e nós mesmos sob um novo prisma, que Jesus nos abençoe, nos ajude e nos sustente.(t)
Oração Final:
<Isabela> Mestre Jesus, agradecemos imensamente por esta oportunidade de aprendizado e consolo para muitos que sofrem com o divórcio. Peço por todos aqueles que se encontram desesperados, sem rumo porque acabaram depositando no parceiro todas suas esperanças, e as viram desmoronar. Peço ainda pelos filhos dessas uniões desfeitas para que o senhor os ilumine, para que tenham maturidade suficiente para superar as dores que terão que enfrentar por conta do livre arbítrio de seus pais. Agradeço muito pelos ensinamentos recebidos. Que o mestre nos ilumine, agora e sempre. Assim Seja!
CASAMENTO & DIVÓRCIO = FAMÍLIA (NA VISÃO ESPÍRITA)
CASAMENTO & DIVÓRCIO = FAMÍLIA (NA VISÃO ESPÍRITA)
- 1. INTRODUÇÃO:
Casamento, conflito, desagregação familiar e divórcio são fatos marcantes em nossa convivência com os outros seres humanos. Nosso objetivo é refletir sobre esses temas, tendo por paradigma os postulados da Doutrina Espírita.
- 2. CONCEITO:
Casamento - do lat. medieval casamentu significa ato solene de união entre duas pessoas de sexos diferentes, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e/ou civil.
- Família - do lat. familia significa pessoas aparentadas, que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos.
- Divórcio - do lat. divortiu significa dissolução do vínculo matrimonial, ficando os divorciados livres para contrair novas núpcias.
- 3. HISTÓRICO:
O clã totêmico é apontado pelos antropólogos e cientistas sociais como o primeiro dos núcleos familiares que se tem notícia. Baseado no fato religioso, o totem assume misticamente, e não por consangüinidade, a descendência familiar.
O clã primitivo, indiferenciado, passa a ser diferenciado na família patriarcal agnática greco-romana. A "gens" romana, como o clã, é principalmente uma associação religiosa: os membros têm o mesmo culto, e em dias e lugares determinados praticam os mesmos ritos e sacrifícios. Na família patriarcal agnática, o pai e chefe religioso tem o direito de reconhecer e repudiar o recém-nascido, de repudiar a mulher, de casar o filho e a filha e de designar tutor à mulher e filhos, quando morre. Tudo o que pertence à mulher e ao filho, mesmo o fruto do seu trabalho, pertence ao pai.
A família patriarcal evolui para a família paternal. Pouco a pouco os cognatos adquiriram certos direitos. A mulher, por exemplo, obteve direitos de herança e a posse do seu dote. A família paternal, ou família germânica, derivaria diretamente da família maternal. Por isso conserva mais traços do comunismo primitivo do que a família patriarcal.
A família conjugal, mais próxima do tipo germânico que do romano, caracteriza a família atual. Na família patriarcal a comunidade subsiste, concentrada na pessoa do pai; a família é um todo onde as partes não têm individualidade própria. Na família conjugal, cada membro tem individualidade e esfera de ação próprias. A mulher os filhos podem ter bens. Os direitos paternos são limitados, e a lei prevê casos de perda do poder paterno.
Estudos históricos têm mostrado que a estrutura familiar não mudou tanto com a urbanização e industrialização como se supõe. O núcleo familiar é o prevalecente da era pré-industrial e continua como a unidade básica da organização social. A diferença entre a família moderna e as anteriores reside na forma de atendimento de algumas funções. Hoje , ao contrário da família agrária, existem diversas instituições especializadas para atender à demanda por novos serviços: produção econômica, educação, religião e recreação. A diferença está muito mais na forma do que na essência. (Cuvilier, s/d/p)
- A relação entre casamento e celibato pode ser resumida:
a) até a Segunda Guerra Mundial.
- O número de casamentos e a fecundidade estavam em declínio e o celibato em ascensão;
- Com o surgimento do fenômeno "baby boom", os casamentos e a fecundação sobem e o celibato cai.
b) entre 1961 e 1965 rompe-se esse modelo.
- Surgem a pílula anteconcepcional e os movimentos feministas;
- As pessoas começaram a se casar menos com o vínculo legal;
- Há um aumento considerável das mães solteiras.
- 4. LEI DE REPRODUÇÃO E CASAMENTO:
De acordo com os postulados espíritas, Deus criou os Espíritos simples e ignorantes; logo, há necessidade da reprodução de formas físicas, a fim de atingirem a perfeição. Como é impossível atualizar todas as virtudes em uma única encarnação, os Espíritos voltam ao plano da matéria quantas vezes forem necessárias. Poder-se-ia dizer que as diversas encarnações têm o objetivo de sublimar o instinto sexual. Quer dizer, todo o Espírito passa do mundo das formas físicas, onde predomina a natureza animal, para os estados de Espíritos superiores, onde predomina a natureza espiritual. (Kardec, 1995, perguntas 686 a 694)
O casamento revela um progresso na marcha da Humanidade, porque é regulamentação do instituto familiar. A união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado de natureza. O casamento é um dos primeiros atos do progresso nas sociedades humanas porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas mais diversas condições. A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de alguns animais, que lhe dão o exemplo das uniões constantes.
O celibato somente é meritório quando feito para o Bem, pois todo sacrifício pessoal, visando o Bem e sem segunda intenção egoísta, eleva o homem acima de sua condição material. (Kardec, 1995, perguntas 695 a 699)
- 5. DIVÓRCIO:
A separação dos cônjuges não deve ser facilitada, pois o regime monogâmico é o que melhor se presta para a evolução do ser encarnado. No casamento, o que é de Natureza Divina é a união dos sexos e a Lei do Amor para operar a renovação dos seres que morrem; mas as condições que regulam essa união são de ordem humana, sujeita aos costumes de cada povo.
O divórcio é uma lei humana que tem por fim separar legalmente o que está separado de fato; não é condenável perante Deus, pois, ele trata de legitimar o que já está separado, isto é, regular separações onde não há amor, mas somente a união dos sexos ou de interesses materiais. (Kardec, 1984, cap. XXII)
- 6. CONFLITOS FAMILIARES:
Em 1990, de acordo com os dados do I. B. G. E., havia, no Brasil, 38 milhões de famílias, com a média de 1,9 filhos, sendo que 18% das mulheres chefiavam os seus lares, com renda média de 0,5 a 5 salários mínimos. Os dados mostraram um aumento razoável do número de divórcios e de famílias unicelulares e uma queda acentuada do número de registros de casamentos, passando dos um milhão, em 1985 para os 777 mil, em 1990.
O que explica a queda do número de casamentos e o aumento do número de divórcios e famílias unicelulares? Na visão dos psicólogos, há inúmeras razões, entre as quais, citam a ascendência da mulher no mercado de trabalho. Até então o núcleo familiar tinha o homem como o centro das decisões. Com o aumento da renda, gerado pelo trabalho feminino, a ordem do pátrio poder desestrutura-se. Surgem, a partir daí, os diversos conflitos, os quais não resolvidos satisfatoriamente, implicaram em separações.
A crise do casamento não é só financeira. Lembremo-nos das dificuldades de relacionamento entre os membros de um lar. Quando as pessoas não conseguem comunicar os seus sentimentos, as suas aspirações e a sua maneira de ser há um vácuo de entendimento, levando, em muitos casos, à ruptura dessas relações. O princípio da ação também pesa muito. Quando esse princípio é fortemente apoiado em um único fator, a crise é mais acentuada. Observe aqueles que se casam somente pela atração física. Ao surgirem as responsabilidades naturais que a união encerra, fogem atemorizados. (Jornal da Tarde)
- 7. VISÃO ESPÍRITA DA DESAGREGAÇÃO FAMILIAR:
É no lar que, salvo raras exceções, as formas físicas são procriadas. A importância da família prende-se ao fato que é ali, no cadinho das quatro paredes, que o novo ser receberá apoio para a sua jornada terrena. Não basta apenas procriar; é preciso que a forma física, animada por um Espírito, receba a influência educativa dos seus progenitores, no sentido de avivar a fraternidade e a solidariedade. Não é sem razão que a maioria dos grandes pensadores definem a família com sendo a célula máter da sociedade
No que tange aos conflitos familiares, o Espiritismo fornece-nos meios para uma reflexão mais profunda. Em primeiro lugar, não podemos descartar os resgates familiares, pois a maioria dos casamentos ainda é, na atualidade, uma tentativa de solucionar problemas não resolvidas em outras encarnações. Em segundo lugar, como resgatar, se ao primeiro contratempo, dispersamo-nos com a separação? É por essa razão que o divórcio não deve ser facilitado, pois estaremos sempre desperdiçando uma excelente oportunidade de redenção e crescimento espiritual.
A desagregação familiar que as estatísticas mostram não é de estarrecer. Ela é fruto de uma mensagem eminentemente materialista, transmitida pelos vários níveis de comunicação de massa. Quando a indução ao consumismo, desde os produtos mais elementares até àqueles que incentivam as fantasias sexuais, é extremamente valorizada, o sentimento religioso, a fé, a esperança perdem terreno, diminuindo sensivelmente a nossa capacidade de suportar o sofrimento.
- 8. CONCLUSÃO:
Higienizemos o nosso reduto doméstico com o teor vibratório dos nossos pensamentos elevados. Não nos esqueçamos, porém, de pedir forças suplementares para vencermos galhardamente as dificuldades que se nos apresentarem.
Sérgio Biagi Gregório.
9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
CUVILLIER, A. Manual de Filosofia. Porto, Educação Nacional, s/d/p.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
Jornal da Tarde, 06/03/94, p. 11.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/casamento-divorcio-familia/#ixzz2P9ZzU5N2
O que Deus uniu - Palmares Espírita
"Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: 'Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?' Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio. Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado. Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos assim; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o."
Mateus, capítulo 19
Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento.
Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando este se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.
O mestre disse que respeitava sua opinião, mas lhes contou a seguinte história:
Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia a escada para preparar o café e sofreu um enfarto.
Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando, a levou até à caminhonete. Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta.
Durante o Velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou.
Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados.
Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção:
Meus filhos, foram 55 bons anos... Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é o compartilhar a vida com alguém por tanto tempo.
Fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou:
Ela e eu tivemos juntos muitas crises. Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade.
Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam.
Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos nossos erros...
Filhos, agora ela se foi e eu estou contente. E vocês sabem por quê?
Porque ela se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim...
Quando meu pai terminou de falar, meus irmão e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava, dizendo:
Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa.
E por fim o professor concluiu:
Naquele dia entendi o que é o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo e do erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se dedicam duas pessoas realmente comprometidas.
Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam.
O verdadeiro AMOR se revela nos pequenos gestos, no dia a dia e por todos os dias.
O verdadeiro AMOR não é egoísta, nem é presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.
QUEM CAMINHA SOZINHO PODE ATÉ CHEGAR MAIS RÁPIDO, MAS AQUELE QUE VAI ACOMPANHADO, COM CERTEZA, CHEGA MAIS LONGE.
Casamento, Divórcio e Culpa
Recebemos uma mensagem, da qual reproduzimos o essencial:
(...) "hoje estamos namorando, mas temos muita pena dela, as vezes remorso, culpa pelo sofrimento dela, e nos amamos, quero saber se vamos pagar todo esse sofrimento ocorrido, nunca desejamos mal a ela, sentimos que nosso amor e verdadeiro" (...)
É ainda motivo de alguma confusão para quem se interessa por Espiritismo, a questão do divórcio, e das suas possíveis consequências reencarnatórias.
A maior parte das pessoas que se interessam por Espiritismo são oriundas de famílias católicas, e foram elas próprias católicas durante muitos anos. E todos sabemos que o Catolicismo condena o divórcio, não o admitindo sequer e afastando dos sacramentos os católicos que se divorciem, e fazendo assim pesar sobre as suas cabeças uma culpa sem remissão.
Como não somos católicos, não nos cabe questionar esses procedimentos. As nossas fontes para uma análise do problema são a nossa consciência, o senso-comum, e, dado que o Espiritismo é o Cristianismo Redivivo, temos como fonte a palavra de Jesus.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", uma das cinco obras basilares da Doutrina Espírita, é analisado pormenorizadamente o "não separe o homem o que Deus uniu". Entendem os Espíritos, e entendemos nós em consciência, que o sentido desta passagem bíblica é o de que ninguém deve separar duas pessoas que se amam, seja em nome de raça, religião, fortuna, ou qualquer outro tipo de preconceito.
Ninguém pode separar o que está já separado de facto. Há casos de casais que permanecem unidos anos a fio, mas apenas na aparência, pois afectivamente a separação já se consumou há muito.
O que fazer nesses casos? Jesus nunca celebrou casamentos, não mandou que se celebrassem nem ditou regras para os mesmos. O casamento, à época de Jesus, era, tanto para Romanos como para Judeus, um acordo firmado na afinidade entre dois seres e na disposição mútua de fazerem vida em comum. O Direito era simples e claro nessa matéria, admitindo a separação com justa causa, decidida entre cônjuges. A figura do "casamento indissolúvel" é uma criação eclesiástica posterior, a par com as missas, as confissões, e tantos ouros preceitos religiosos.
O Espiritismo não "encoraja" o divórcio, nem leva o casamento de ânimo leve. Não existe "casamento espírita". para os espíritas, o essencial de qualquer casamento, seja ele religioso, civil ou informal, é o amor e a lealdade.
O Espiritismo não prescreve regras de vida. Por isso, neste caso como em todos os outros, cabe a cada um e a cada par, decidir de acordo com a sua consciência, pesando bem os prós e os contras da decisão.
Na nossa óptica, não existe qualquer tipo de fatalidade no divórcio. O pensamento católico que subsiste em muitos de nós ainda nos leva a temer o "castigo divino", por via de algo que, no fundo, consideramos uma desobediência às leis de Deus. Ainda nos acorre a ideia de que mais tarde vamos "pagar" por causa de nesta vida termos querido pôr termo a uma situação de infelicidade e procurar viver mais felizes.
No entanto, nada na doutrina espírita nos diz que será assim. Nada nos obriga a viver um casamento sem amor, ou, pior, um casamento em que reine o ódio, a violência, ou inclusive haja perigo de alguma ocorrência grave para um ou ambos os cônjuges.
Observado o superior interesse dos filhos, caso os haja, e tendo concluído ambos que estão esgotadas as tentativas de uma vida em comum feliz e harmoniosa, a separação não nos parece uma solução pior do que manter um casamento de fachada, em nome do "parece bem ou parece mal" ou de qualquer convenção religiosa.
Estamos convictos de que, em última análise, para Deus contará a pureza das intenções de cada um. O que decidirmos em consciência será o melhor, pois é o melhor que conseguimos, com a inteligência e discernimento que possuímos.
Todos os dias erramos. Erramos até em coisas que só Deus sabe que estão erradas, já que nós ainda nem o descortinamos. Erramos em coisas que sabemos que estão erradas, mas que ainda não conseguimos evitar. O divórcio, contudo, parece ser uma daquelas situações que bulem com o que de mais recôndito existe no nosso ser, pois que mexe com a busca da Felicidade, algo que tradicionalmente associamos ao "pecado", tal como associamos o sofrimento a uma hipotética "virtude".
Não separeis o que Deus juntou
Artigo publicado originalmente na coluna dominical "Chico Xavier pede licença" do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.
fonte: http://www.herculanopires.org.br/newsletter/apoioafetivo.html
APOIO AFETIVO • Francisco Cândido Xavier
“Os temas em foco eram os assuntos atuais da família, destacando-se o divórcio. Depois de muitas opiniões contraditórias, no início das tarefas, O evangelho segundo o espiritismo nos ofereceu para estudo o item 2 do capítulo XXII, sobre as questões que preocupavam a assembleia de frequentadores de nossos trabalhos.
No término da reunião, nosso caro Emmanuel escreveu os apontamentos a que intitulou Divórcio e lar, que passo às suas mãos.“
NOTA – O capítulo XXII de O evangelho segundo o espiritismo tem por título “Não separeis o que Deus juntou”. Examinando o problema do divórcio, ante o dogma da indissolubilidade do casamento, Kardec estuda os versículos de 3 a 9 do capítulo XIX do Evangelho de Mateus, esclarecendo de início: "A não ser o que procede de Deus, nada é imutável no mundo. Tudo o que procede do homem está sujeito a mudanças.”
Logo mais afirma: “No casamento o que é de ordem divina é a união conjugal, para que se opere a renovação dos seres que morrem. Mas as condições que regulamentam essa união são de tal maneira humanas que não há, em todo o mundo, e mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam absolutamente iguais. E não há mesmo um só país em que não tenham sofrido modificações através do tempo.”
Conclui Kardec que, na união conjugal, a lei divina é o amor, acentuando: “Deus quis que os seres se unissem não somente pelos laços carnais, mas também pelos laços da alma, a fim de que a mútua afeição dos esposos se estenda aos filhos.”
DIVÓRCIO E LAR • Emmanuel
Indubitavelmente o divórcio é compreensível e humano, sempre que o casal se encontre à beira da loucura ou da deliquência.
Quando alguém se aproxima, reconhecidamente, da segregação no cárcere ou no sanatório especializado em terapias da mente, através de irreflexões com que assinala a própria insegurança, é imperioso se lhe estenda recurso adequado ao reequilíbrio.
Feita a ressalva, e atentos que devemos estar aos princípios de causa e efeito que nos orientam nas engrenagens da vida, é razoável se peça aos cônjuges o máximo esforço para que não venham a interromper os compromissos a que se confiaram no tempo. Para que se atenda a isso é justo anotar que, muitas vezes, o matrimônio, à feição de organismo vivo e atuante, adoece por desídia de uma das partes.
Dois seres, em se unindo no casamento, não estão unicamente chamados ao rendimento possível da família humana e ao progresso das boas obras a que se dediquem, mas também e principalmente – e muito principalmente – ao amparo mútuo.
Considerado o problema na formulação exata, que dizer do homem que, a pretexto de negócio e administração, lutas e questões de natureza superficial, deixasse a mulher sem o apoio afetivo em que se comprometeu com ela ao buscá-la a fim de que compartilhasse a existência?
E que pensar da mulher que, sob a desculpa de obrigações religiosas e encargos sociais, votos de amparo a causas públicas e contrariedades da parentela, recusassem o apoio sentimental que deve ao companheiro, desde que se decidiu a partilhar-lhe o caminho?
Dois corações que se entregam uma ao outro, desde que se fundem nas mesmas promessas e realizações recíprocas, passam a responder, de maneira profunda, aos impositivos de causa e efeito, dos quais não podem efetivamente escapar.
Todos sabemos que do equilíbrio emocional, entre os parceiros que se responsabilizam pela organização doméstica, depende invariavelmente a felicidade caseira.
Por isso mesmo, no diálogo a que somos habitualmente impelidos, no intercâmbio com os amigos encarnados na Terra, acerca do relacionamento de que carecemos na sustentação da tranquilidade de uns para com os outros, divórcio e lar constituem temas que não nos será lícito esquecer.
*
Se te encontras nas ondas pesadas da desarmonia conjugal, evoluindo para divórcio ou qualquer outra espécie de separação, não menosprezes buscar alguma ilha de silêncio a fim de pensar.
Considera as próprias atitudes e, através de criterioso autoexame, indaga por teu próprio comportamento na área afetiva em que te comprometeste, na garantia da paz e da segurança emotiva da companheira ou do companheiro que elegeste para a jornada humana. E talvez descubras que a causa das perturbações existentes reside em ti mesmo.
Feito isso, se trazes a consciência vinculada ao dever, acabarás doando ao coração que espera por teu apoio, a fim de trabalhar e ser feliz, a quota de assistência que se lhe faz naturalmente devida em matéria de alegria e tranquilidade, amor e compreensão.
O QUE DEUS JUNTOU • J. Herculano Pires (Irmão Saulo)
É a lei do amor que une as almas. Os casamentos de interesse ou conveniência ligam apenas os corpos, quando os ligam. “O juramento pronunciado ao pé do altar se torna um perjúrio, se foi dito como simples fórmula”, ensina O Evangelho Segundo o Espiritismo. Disso resulta que há casamentos indissolúveis porque determinados pela lei do amor, que é a lei de Deus, mas também existem casamentos insustentáveis porque feitos segundo as leis variáveis dos homens, obedecendo a interesses e conveniências puramente humanos ou a ilusões passageiras dos sentidos.
Essa a razão principal da separação de casais. O que Deus juntou pelo amor permanece unido pela própria força do amor. E se alguém o separar estará cometendo uma ação contrária à vontade divina. Mas o que os homens juntaram por interesse não tem estabilidade. Por isso os próprios homens criaram leis humanas que preservem a sociedade da desagregação produzida pelas separações inevitáveis.
Kardec ensina: “O divórcio é uma lei humana, cuja finalidade é separar legalmente o que já estava separado de fato. Não é contrário à lei de Deus, pois só reforma o que os homens fizeram.”
Os que acusam o espiritismo de divorcista não conhecem a posição verdadeira da doutrina ante esse problema. Manter a união legal de um casal já de fato separado é atentar contra a moral da sociedade, pois os casais separados se renovam com a formação de dois novos casais, ambos ilegítimos, dos quais resultarão naturalmente os filhos ilegítimos. Isso é um mal social, uma doença da sociedade, para a qual só existe um remédio, que é o divórcio, legalizando a separação e permitindo a legitimidade dos novos lares constituídos. O espiritismo é realista, vê as coisas como elas são e não como queríamos que fossem.
Mas, como vemos na mensagem de Emmanuel, o espiritismo só admite o divórcio nos casos extremos, ensinando que as obrigações morais assumidas na vida terrena têm a sanção da lei divina de causa e efeito, de ação e reação. Jesus mesmo permitiu o divórcio, como vemos em Mateus, XIX: 3-9. Por causa desta permissão evangélica, a legislação do divórcio no estado de Nova York [nos Estados Unidos] só admite como motivo o adultério.
As pessoas interessadas no esclarecimento do assunto devem ler o capítulo XXII de O evangelho Segundo o Espiritismo.
Não separar o que Deus juntou
O Evangelho de Mateus, capítulo 19, versículos 3 a 9, registra que os Fariseus aproximaram-se de Jesus, e, tentando-o, perguntaram-lhe se é porventura lícito a um homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo.
Jesus observou que no princípio Deus os fez macho e fêmea e que, portanto, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne e que, por isso, não separe o homem o que Deus juntou.
Os fariseus, então, voltaram a perguntar por que mandou Moisés dar o homem à sua mulher carta de desquite e repudiá-la.
Jesus explicou que Moisés agiu desta maneira pela dureza dos corações, mas no princípio não foi assim.
Compreendamos que além da união dos sexos deve haver a união de almas, a afinidade espiritual, o cumprimento da lei do Amor, quando os dois “farão uma só carne”. Aí, então, justifica-se a recomendação de Jesus: “Não separeis o que Deus juntou”.
Mas, como fazer, se a harmonia que deveria reinar não acontece entre um casal? É neste sentido que Allan Kardec, na questão 940 de O Livro dos Espíritos, indaga:
A falta de simpatia entre os seres destinados a viver juntos não é igualmente uma fonte de sofrimentos, tanto mais amarga quanto envenena toda a existência?
A resposta dos Espíritos:
Muito amarga, de fato; mas é uma dessas infelicidades de que, na maioria das vezes, sois a primeira causa. Em primeiro lugar, as vossas leis são erradas, pois acreditais que Deus vos obriga a viver com aqueles que vos desagradam? Depois, nessas uniões procurais quase sempre mais a satisfação do vosso orgulho e da vossa ambição do que a felicidade de uma afeição mútua. E sofreis, então, a consequência dos vossos preconceitos.
É aí que vem o divórcio, “uma lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já estava separado de fato. Não é contrário à lei de Deus, pois só reforma o que os homens fizeram, e só tem aplicação nos casos em que a lei divina não foi considerada”. (O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXII, item 5.)
Mas atentemos bem o que recomenda Emmanuel, no capítulo sobre o divórcio do livro Vida e sexo. Explica o benfeitor espiritual que “partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas”.
Na maioria das vezes, as desuniões acontecem principalmente por falta de diálogo. Lembra-nos o procedimento daquele advogado de família, espírita, que quando um casal o procurava para realizar a separação, ele, antes de qualquer coisa, reunia o casal e fazia uma preleção de dez minutos, onde falava sobre a importância da união do casal perante os filhos, a família, a sociedade etc., e depois perguntava se eles queriam, realmente, se separar. O casal se propunha a colocar em prática, durante uma semana, todas as recomendações do profissional. O certo é que nenhum dos casais voltava para realizar o divórcio, sinal de que o que faltava era, principalmente, o diálogo, que sempre conduz à compreensão.
André Luiz, na obra Ação e reação (FEB), enfatiza que “o divórcio não soluciona o problema da redenção, porque ninguém se reúne no casamento humano ou nos empreendimentos de elevação espiritual, no mundo, sem o vínculo do passado, e esse vínculo, quase sempre, significa débito do Espírito ou compromisso vivo e delongado no tempo. O homem ou a mulher, desse modo, podem provocar o divórcio e obtê-lo, como sendo o menor dos piores males que lhes possa acontecer... Ainda assim não se liberam da dívida em que se acham incursos, cabendo-lhes voltar ao pagamento respectivo, tão logo seja oportuno”.
ALTAMIRANDO CARNEIRO
alta_carneiro@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)
alta_carneiro@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)
NÃO SEPAREIS O QUE DEUS JUNTOU - Jotz
NÃO SEPAREIS O QUE DEUS JUNTOU
Indissolubilidade do casamento
Procuramos trazer a
posição de espíritos superiores e grandes pensadores espíritas, mais do que
nossa própria opinião a respeito de um tema que nos toca tão de perto. Assim:
Livro dos
Espíritos, questão 695:
Será
contrário à Lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois
seres? É
um progresso na marcha da Humanidade.
Casamento - de ordem
divina é a união dos sexos > reprodução;
Imutável só o que vem de
Deus. Condições que regulam a união > são humanas >> variam segundo os
costumes e as necessidades locais.
Emmanuel, no livro Vida e Sexo, em psicografia do Chico:
O casamento
implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra,
no campo da assistência mútua. Essa união reflete as Leis Divinas que permitem
seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, na
criação e desenvolvimento dos valores para a vida.
Dolorosa, sem
dúvida, a união considerada menos feliz. Claro que não existe obrigatoriedade
para que alguém suporte, a contragosto, a truculência ou o peso de alguém,
ponderando-se que todo espírito é livre no pensamento para definir-se, quanto
às próprias resoluções. Que haja, porém, equilíbrio
suficiente nos casais jungidos pelo compromisso afetivo, para que não percam a oportunidade de
construir a verdadeira libertação.
Nas ligações terrenas – alegrias
e provações. Recebemos, quase sempre, no companheiro(a)
da vida íntima, os reflexos de nós próprios. Podem surgir colheitas de momentos
anteriores a perturbar a relação.
Benedita Fernandes, através do Divaldo, escreve em SOS Familia:
O lar
estruturado no amor e no respeito aos direitos de seus membros é a mola
propulsionadora do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em
conjunto. Para esse desiderato são fixados compromissos de união antes do
berço, estabelecendo-se diretrizes para a família, cujos membros se voltam a
reunir com finalidades especificas de recuperação espiritual e de renascimento
intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão. Esta é a finalidade primeira da
reencarnação.
Joanna de Angelis, também em SOS Família escreve:
Há sinais de
alarme que podem informar a situação de dificuldade numa união conjugal:
- silêncios injustificáveis
quando os esposos estão juntos;
- tédio inexplicável ante a
presença do companheiro ou companheira;
- ira disfarçada quando o
consorte ou a consorte emite uma opinião;
- saturação dos temas
habituais, versados em casa, fugindo para intermináveis leituras de jornais ou
inacabáveis novelas de televisão;
- irritabilidade contumaz
sempre que se avizinha do lar;
- desinteresse pelos
problemas do outro;
- falta de intercâmbio de
opiniões; atritos contínuos que ateiam fagulhas de irascibilidade, capazes de
provocar incêndios em forma de agressão desta ou daquela maneira ...
1 - O que seria, verdadeiramente, o casamento, segundo a Doutrina
Espírita?
União
2 pessoas = parceria > reencontram > se auxiliarem mutuamente >
progredir.
Deve
e precisa ser baseado no amor, respeito, afinidade, amizade, compromisso, carinho
mútuo, concentração do casal para a formação do lar, educação, tolerância,
compreensão, pequenos gestos diários de amor > levar uma vida conjunta.
Compromisso
de crescimento na espiritualidade (espiritual, moral e intelectual) amparando um
ao outro.
2 - Quais os requisitos necessários para que uma relação se
configure efetivamente como um casamento?
Compromisso
mútuo, envolvimento, objetivos afins de vida.
Respeitar,
não só na fidelidade, mas sim os ideais que ambos tenham para o crescimento
individual.
3 - Quais as responsabilidades que um casamento implica aos
cônjuges, tanto material, quanto moral e espiritualmente?
Equilíbrio
– físico, moral, espiritual > mais tranqüilidade nas provações
Fé
e equilíbrio espiritual > Vencemos problemas materiais, concertamos erros >
Resultado do esquecimento da moral de Jesus.
4 - Qual a finalidade do casamento?
Além
da "união dos sexos para operar a renovação dos seres que morrem", é
um crescimento a dois, reajustando os erros do passado.
EM
TODAS AS RELAÇÕES EXISTEM ERROS DO PASSADO A CORRIGIR?
Segundo
Martins Peralva, no livro Estudando a Mediunidade, os casamentos se classificam
em:
·
Acidentais: encontro de almas menos elevadas espiritualmente, por efeito
de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual; pessoas se vêem, se
conhecem, se aproximam > livre arbítrio; VOCÊ É RESPONSÁVEL PELAS PESSOAS
QUE CATIVA.
·
Provacionais: reencontro de almas, para reajuste necessários à evolução de
ambos; a maioria dos casamentos obedece a esta classificação. A compreensão
evangélica, a boa vontade, a tolerância e a humildade são virtudes que
funcionam como amortecedores.
·
Sacrificiais: reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o
objetivo de redimi-la; pode ser o homem ou a mulher o sacrificado.
·
Afins: reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.
·
Transcendentes: almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações
imortais.
O casamento tem reunido os mais variados tipos evolutivos,
demonstrando que a união na Terra, funciona como meio de consolidação de laços
de pura afinidade espiritual e, em sua maioria, como instrumento de reajuste.
PREFIRO
PENSAR COMO OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO.
Joanna de Angelis, ainda fala em SOS Família:
É natural que
ocorram desacertos. Ao invés, porém, de separação, reajustamento. A questão não é de uma nova busca, mas de
um redescobrimento do que já possui.
Antes da decisão precipitada, ceder cada
um no que lhe concerne, em benefício dos dois. Se o companheiro se desloca,
lentamente da família, refaça a esposa o lar, tentando nova fórmula de
reconquista e tranqüilidade; se a companheira se afasta, afetuosamente, pela
irritação ou pelo ciúmes, tolere o esposo, conferindo-lhe confiança e renovação
de idéias
Richard Simonetti no livro Pisando na bola:
1- Como ser feliz no casamento?
Sendo feliz antes dele. A felicidade é
uma realização pessoal.
Richard Simonetti ainda falando sobre casamento:
1-
Todo Espírito que reencarna obedece a um planejamento espiritual?
Genericamente, sim. Reencarnação
> programa de Deus para nossa evolução; Carne > escoadouro de impurezas
espirituais; Por que estamos aqui? > Aprimorar virtudes.
2-
As particularidades da existência humana profissão, casamento, duração, prole,
posição social são programadas?
Sim, geralmente de forma sumária. Planejamento implica em
compromisso, algo que somente Espíritos amadurecidos têm condições para assumir
e cumprir.
3-
Isso significa que podemos, por exemplo, ter casamentos não programados?
Acidentais > Ocorrem com freqüência > obedecem exclusivamente
à atração sexual ou ao interesse pecuniário > somos responsáveis pelas
mudanças de planos e pelas conseqüências que delas houver.
4-
Lares tumultuados, onde há muitas brigas e desentendimentos, são fruto de
uniões fortuitas ou resultam do reencontro planejado de inimigos do passado?
São fruto da falta de educação. Em qualquer situação, Espíritos
educados respeitam-se, conservando o equilíbrio e a serenidade.
5-
Casamentos não programados antes da reencarnação estão destinados ao fracasso?
Fracassam quando cônjuges não cumprem os deveres inerentes à vida
em comum.
6-
Então, mesmo os casamentos sem ascendentes espirituais podem dar certo?
Evidentemente. Senão, jamais teria êxito um segundo ou terceiro casamento
> normalmente ninguém reencarna com programação para mais de uma união.
7-
Não seriam os múltiplos casamentos tentativas que o indivíduo faz, à procura do
par ideal?
Semelhantes experiências exprimem falta de juízo. Casamento não é
sapato que experimentamos até encontrar um que se ajuste ao formato de nosso
pé. Segundo Jesus, o fracasso do casamento ocorre pela dureza de nossos
corações.
No Evangelho segundo o espiritismo, vemos:
1- Será então supérflua a lei civil e
dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza?
Não. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das
famílias, de acordo com as exigências da civilização.
No livro Reencarnação: Tudo o que
você precisa Saber
2
– Eventual segundo casamento ou subseqüentes também obedecem a um planejamento?
Quando parceiros se separam de forma irreversível (conflitos
insuperáveis), é justo recompor sua vida
afetiva. Se há seriedade na intenção
os mentores espirituais podem ajudá-los nesse propósito, orientando nova união.
3
– Se ocorre uma seqüência de desacertos haverá sempre novos planejamentos?
Os mentores procuram ajudar-nos, mas não cooperam com desatinos. Sucessão
de uniões indica incapacidade de assumir compromissos. Nestes casos, se afastam
para aprendermos com os próprios erros.
4
– O ideal, portanto, seria "suportar" o cônjuge para merecer o apoio
da espiritualidade?
Grande equívoco. As pessoas "suportam" o cônjuge por amor
aos filhos ou respeito à religião, esquecendo-se de que estão juntos para se
harmonizarem, aprendendo a conviver fraternalmente.
Estória
da senhora que suportava o marido. Após muitos anos de casamento em que o
marido vivia aprontando, discutindo, bebendo, a senhora desencarnou. Na pátria
espiritual ao encontrar com o seu mentor ele lhe pergunta: Como foi a
encarnação? Você não via? diz ela. Ele estava sempre bebendo e eu tendo que
suportar as suas ressacas. Muitas vezes saia a noite e eu tinha que suportar a
sua infidelidade. Ele era áspero comigo e eu tinha que suportar o seu
mau-humor. O mentor ficou ouvindo suas lamentações. Quando ela parou o mentor
lhe fez uma pergunta: Minha irmã, Jesus nos disse amai-vos uns aos outros ou
suportai-vos uns aos outros? Amai-vos, disse ela. Pois é, como você não
aprendeu a amar, precisará de nova encarnação com o nosso irmão para aprender a
amá-lo. Se já tivesse feito isto ao invés de apenas suportá-lo por
conveniências, não precisaria voltar a esta prova.
O divórcio
O divórcio é lei humana
que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é
contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só
é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina na sua origem.
Joanna de Angelis, do livro SOS família, Divaldo P. Franco.
PERÍODOS
DIFÍCEIS OCORREM EM TODO E QUALQUER EMPREENDIMENTO HUMANO. Na dissolução dos
vínculos matrimoniais, o que padeça a prole, será considerado como
responsabilidade dos genitores, que se somassem esforços poderiam ter
contribuído com proficiência, através da renuncia pessoal, para a dita dos
filhos .
Se te encontra
na difícil conjuntura de uma decisão que implique em problema para os teu
filhos, pára e medita. Necessitam de ti, mas também do outro membro-base da
família. Não te precipites, através de soluções que ás vezes complicam as
situações. Dá tempo a que a outra parte desperte, concedendo-lhe ensejo para o reajustamento.
De tua parte permanece no posto. Não sejas tu quem tome a decisão. A humildade
e a perseverança no dever conseguem modificar comportamentos, reacendendo a
chama do entendimento e do amor, momentaneamente apagada. Não te apegues ao
outro, porém, até a consumação da desgraça. Se alguém não mais deseja, espontaneamente
seguir contigo, não te transformes em algema ou prisão.
Quando se
modifica uma circunstancia ou muda uma situação ,não infiras disso que a vida
,a felicidade se acabaram. Prossegue animado de que aquilo que hoje não tens
será fortuna amanhã em tua vida . Se estiveres a sós e não dispuseres de forças
,concede-te-te outra oportunidade que enobrecerás pelo amor e pela dedicação . Se
te encontrares ao lado de um cônjuge dificil ama-o assim mesmo,sem deserção,fazendo
dele a alma amiga com quem estás incurso pelo pretérito,para a construção de um
porvir ditoso que a ambos dará a paz ,facultando ,desse modo,a outros espiritos
que se revincularão pela carne,a ocasião excelente para a redenção.
No
Evangelho seg. o espiritismo, cap. XXII
Na união dos sexos, além da lei material, há outra lei divina,
imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis
Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da
alma, a fim de que a afeição mútua do casal fosse transmitida aos filhos e que
fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los
progredir. Se nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor não é tida
em consideração, a afeição destes dois seres pode ser rompida. O de que se
cogita, não é da satisfação do coração e sim dos interesses materiais. Quando
isto acontece, enquanto é conveniente, os interesse materiais estão
satisfeitos, diz-se que os esposos igualmente estão e muito felizes hão de ser.
Se a lei do amor não preside à união resulta, freqüentemente, que separa-se
por si mesmos os que à força se uniu. Quando Jesus disse: "Não
separeis o que Deus uniu", deve-se entender com referência à união segundo
a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.
Indissolubilidade do Casamento - ESE
1 – E chegaram-se a ele os fariseus, tentando-o e dizendo: É porventura lícito a um homem repudiar a sua mulher, por qualquer causa? Ele, respondendo, lhes disse: Não tendes lido que quem criou o homem, desde o princípio os fez macho e fêmea? E disse: Por isso, deixará o homem pai e mãe, e ajuntar-se-á com sua mulher, e serão dois numa só carne. Assim que já não são dois, mas uma só carne. Não separe logo o homem o que Deus ajuntou. Replicaram-lhe eles: Pois por que mandou Moisés dar o homem à sua mulher carta de desquite, e repudiá-la? Respondeu-lhes: Porque Moisés, pela dureza de vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas ao princípio não foi assim. Eu, pois, vos declaro, que todo aquele que repudiar sua mulher, se não for por causa da fornicação, e casar com outra, comete adultério, e o que se casar com a que o outro repudiou, comete adultério. (Mateus, XIX: 3-9)
2 – A não ser o que procede de Deus, nada é imutável no mundo. Tudo o que procede do homem está sujeito a mudanças. As leis da natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas, porém, modificam-se segundo os tempos, os lugares, e o desenvolvimento intelectual. No casamento, o que é de ordem divina é a união conjugal, para que se opere a renovação dos seres que morrem. Mas as condições que regulam essa união são de tal maneira humanas, que não há em todo o mundo, e mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam absolutamente iguais, e não há mesmo um só em que elas não tenham sofrido modificações através dos tempos. Resulta desse fato que, perante a lei civil, o que é legítimo num país e m certa época, torna-se adultério noutro país e noutro tempo. Isso porque a lei civil tem por fim regular os interesses familiais e esses interesses variam segundo os costumes e as necessidades locais. É assim, por exemplo, que em certos países o casamento religioso é o único legítimo, enquanto em outros o casamento civil é suficiente.
3 – Mas, na união conjugal, ao lado da lei divina material, comum a todos os seres vivos, existe outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, e exclusivamente moral, que é a lei do amor. Deus quis que os seres se unissem, não somente pelos laços carnais, mas também pelos da alma, a fim de que a mútua afeição dos esposos se estenda aos filhos, e para que sejam dois, em vez de um, a amá-los, tratá-los e fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, é levada em conta a lei do amor? Absolutamente! Não se consulta o sentimento mútuo de dois seres, que se atraem reciprocamente, pois na maioria das vezes, esse sentimento é rompido. O que se procura não é a satisfação do coração, mas a do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: todos os interesses materiais. Quando tudo corre bem, segundo esses interesses, diz-se que o casamento é conveniente, e quando as bolsas estão bem equilibradas, diz-se que os esposos estão igualmente harmonizados e devem ser muito felizes.
Mas nem a lei civil, nem os compromissos que ela determina, podem suprir a lei do amor, se esta não presidir à união. Disso resulta freqüentemente, que aquilo que se uniu à força, por si mesmo se separa, e que o juramento pronunciado ao pé do altar se torna um prejuízo, se foi dito como simples fórmula. São assim as uniões infelizes, que se tornam criminosas. Dupla desgraça, que se evitaria se, nas condições do matrimônio, não se esquecesse à única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei do amor. Quando Deus disse: “Serão dois numa só carne”, e quando Jesus advertiu: “Não separe o homem o que Deus juntou”, isso deve ser entendido segundo a lei imutável de Deus, e não segundo a lei instável dos homens.
4 – A lei civil seria então supérflua, e deveríamos retornar aos casamentos segundo a natureza? Não, certamente. Porque a lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesse familiais, segundo as exigências da civilização, e eis porque ela é útil, necessária, mas variável. Deve ela ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como o selvagem. Mas nada, absolutamente, impede que ela seja um corolário da lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina decorrem dos preconceitos sociais e não da lei civil. Esses preconceitos, embora ainda vivazes, já perderam o seu domínio sobre os povos esclarecidos, e desaparecerão com o progresso moral, que abrirá finalmente os olhos dos homens para os males incontáveis, as faltas, e até mesmo os crimes que resultam das uniões contraídas com vistas apenas aos interesses materiais. E um dia se perguntará se é mais humano, mais caridoso, mais moral, ligar um ao outro, dois seres que não podem viver juntos, ou restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número das uniões irregulares.
O que Deus juntou o homem não separe
Pergunta-se o que exatamente Jesus quis dizer com “Não separe, pois, o homem o que Deus juntou” se os Israelenses daquela época praticavam a poligamia em alta escala e uma mulher podia ser dispensada segundo regras de Moises.
Mesmo dentre os cristãos a poligamia persistiu parcialmente até o século V quando, segundo Santo Agostinho, a Igreja Católica-Romana a proibiu para adequar a lei Greco-Romana que prescrevia uma só esposa legal tolerando concubinas e prostituição.
O tempo e a evolução dos costumes cuidaram para que a monogamia se estabelecesse, mesmo assim só em pouco mais de 2/3 da humanidade visto que exclui o Islã que tolera até 4 esposas.
Nos 2/3 que adotam o casamento monogâmico as relações extra conjugais ainda é praticada por pura sensualidade ou até mesmo por afinidade.
Para entender melhor está transcrito a seguir o único trecho do evangelho (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.) em que Jesus supostamente tratou do assunto, não por inciativa própria, porque foi provocado.
“Também os fariseus vieram ter com ele, para o tentarem, e lhe disseram:
Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo?
Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? - Assim, já não serão duas, mas uma só carne.
Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.
Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? - Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. - Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério”.
Na segunda declaração grifada Jesus diz ser lícito o divorcio em caso de adultério o que é conflitante com a indissolubilidade da união dita na primeira.
Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: "Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?" Isso significa que não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária.
Nesta segunda declaração Jesus ampliou o conceito de adultério em relação a lei de Iahweh ditada a Moisés.
O adultério era o grande mal da época.
Em Deuterômio 22.22 está:
“Se um homem é encontrado dormindo com uma mulher casada ambos devem morrer. Deve-se expurgar o mal de Israel!”
A titulo de exemplo Salomão teve 700 esposas e 300 concubinas (Reis 11:13)
Davi teve muitas esposas e concubinas (Samuel 5:13).
Isto se deve ao primitivismo daquele povo onde o instinto sexual era ainda predominante incluindo ai o homossexualismo e relações com animais.
Por este motivo Iahweh, espirito guia do povo de Israel e na Bíblia qualificado como deus único de Israel (não confundir com Deus “Inteligência Suprema do Universo e causa primaria de todas as coisas), estabeleceu restrições de relacionamento sexual que estão em Levítico capitulo 20, de 7 a 22, que está transcrito a seguir:
7
“ Dediquem-se completamente a mim e sejam santos, pois eu sou o SENHOR, o deus de vocês.
8
Obedeçam às minhas leis. Eu sou o SENHOR, e eu os separei dos outros povos para que vocês sejam somente meus.
10
Se um homem cometer adultério com a mulher de outro, ele e a mulher deverão ser mortos.
11
Se um homem tiver relações com uma das mulheres do pai, ele estará desonrando o pai, e ele e a mulher deverão ser mortos; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
12
Se um homem tiver relações com a nora, os dois deverão ser mortos por causa desse ato imoral; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
13
Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
14
Se um homem casar(*) com uma mulher e também com a mãe dela, isso é uma imoralidade grave, e os três deverão ser queimados vivos; essa imoralidade precisa ser eliminada do meio do povo.
15
Se um homem tiver relações com um animal, os dois deverão ser mortos.
16
Se uma mulher tiver relações com um animal, os dois deverão ser mortos; eles serão responsáveis pela sua própria morte.
17
Se um homem casar(*) com a irmã, seja por parte só de pai ou por parte de pai e mãe, os dois deverão ser expulsos publicamente do meio do povo. É uma vergonha um homem casar com a irmã; ele merece castigo.
18
Se um homem tiver relações com uma mulher durante a menstruação, os dois deverão ser expulsos do meio do povo. Os dois ficaram impuros, pois quebraram as leis da pureza a respeito da menstruação.
19
Se um homem tiver relações com a tia, os dois merecem castigo, pois são parentes.
20
E o homem que tiver relações com a tia envergonha o tio. O homem e a tia merecem castigo; eles nunca terão filhos.
21
Se um homem tiver relações com a cunhada, ele envergonha o irmão. É uma imoralidade, e os dois morrerão sem terem filhos.”
(*) Casar no sentido de toma-la para seu harém.
Com isto Iahweh, através de Moisés, tão somente colocou limites nos relacionamentos sexuais praticados, bem como na formação do harém de cada um.
Jesus, veio colocou sua doutrina muito bem resumida no sermão da montanha e certamente não se preocupou com o assunto poligamia, harém etc. porque sabia que o tempo e os costumes cuidariam disto.
Para finalizar e esclarecer bem o assunto a seguir está parte do trabalho publicado pelo Grupo de Estudos Allan Kardec que pode ser encontrado em www.luzdoespiritismo.com
O ser humano é uma criatura sociável que necessita do convívio com outros seres para desenvolver-se e por em prática os ensinamentos adquiridos.
A sociedade como a conhecemos é composta de várias outras sociedades menores que são as famílias.
Uma sociedade sadia só existe com famílias sadias.
E as famílias principiam no casamento.
No princípio da relação afetiva o amor-paixão é muito forte suplantando os demais.
À medida que o tempo passa, vai perdendo a sua força embora permaneça.
É quando surge então o amor-companheirismo, aquele amor que se alegra com a alegria do outro, onde nos sentimos bem em privar da sua presença, é quando fazemos o bem sem esperarmos retribuição.
No futuro, restará apenas o amor-companheirismo que se chamará então Amor Universal.
O casamento representa um alto estágio de evolução do ser, quando se reveste de respeito e consideração pelo cônjuge, firmando-se na fidelidade.
Naturalmente, o casamento civil é um dever a ser cumprido pelos espíritas, porque legitima a união perante as leis vigentes, que asseguram ao homem e à mulher direitos e deveres.
Tipos de Casamento
Martins Peralva [Estudando a Mediunidade] apresenta uma divisão didática dos diferentes tipos de casamento em 5 tipos distintos:
Transcendentais: São casamentos afins entre almas enobrecidas, que juntas, vão dedicar-se a obras de grande valor para a Humanidade. Raros os casos aqui na Terra.
Afins: São aqueles formados por parceiros simpáticos, afins, onde há uma verdadeira afeição da alma. Geralmente, eles sobrevivem à morte do corpo e mantém-se em encarnações diversas. Pouco comuns na Terra.
Provacionais: São uniões entre almas mutuamente comprometidas, que estão juntas para pacificarem as consciências ante erros graves perpetrados no passado e simultaneamente desenvolverem os valores da paciência, da tolerância e da resignação. São os mais comuns.
Sacrificiais: São aqueles que se caracterizam por uma grande diferença evolutiva entre os cônjuges. Um Espírito de mais alta envergadura que aceita o consórcio com outro menos adiantado para ajudá-lo em seu progresso espiritual.
Acidentais: São os casamentos que não foram programados no mundo espiritual. Obedecem apenas à afeição física, sem raízes na afetividade sincera.
Não sabemos em qual categoria nos achamos, mas não existe o acaso, ninguém se acha sob o mesmo teto por mera casualidade.
“Deus permite, nas famílias, encarnações de espíritos antipáticos ou estranhos com o duplo fim de servir de prova a uns e de avanço aos outros”.
O Divórcio
A posição espírita ante o divórcio está plenamente estabelecida nas duas obras mais conhecidas da codificação espírita: [O Livro dos Espíritos] e [O Evangelho Segundo o Espiritismo].
Em [LE-qst 697] Kardec pergunta se a indissolubilidade do casamento pertence a Lei de Deus ou se é apenas uma lei humana. Os Espíritos responderam:
“A indissolubilidade do casamento é uma lei humana muito contrária a lei natural.”
Os casamentos transcendentais e afins, que são poucos, se caracterizam pela estabilidade total por imperar a lei do amor. Neles a preocupação com divorcio e ligações extraconjugais inexiste.
O mesmo se pode dizer do cônjuge de alta envergadura nos casamentos sacrificiais.
A preocupação com divorcio e ligações extraconjugais cabe aos demais tipos de casamento.
Por se tratar de ligações provacionais a probabilidade de falha existe e, dependendo das desavenças ocorridas, é melhor que haja a separação que em muitos casos preserva a amizade criada o que já é um avanço.
Além disso, existem os casos em que a relação se esgotou e ambos ficam juntos, como amigos, por mera conveniência.
Neste caso, uma relação de afeto fora do casamento poderia ser até aceitável se não houvesse o risco de azedar tudo e fazer a relação de amizade desandar.
Para terminar esta transcrita a instrução contida no Evangelho Segundo o Espiritismo.
Na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.
A medida que avançamos no caminho da evolução os tipos de casamento tendem a ser trasncendetais e afins e ai a afirmativa de que “não separe, pois, o homem o que Deus juntou” passa a ser uma verdade absoluta porque o amor impera.
Não objetiva este artigo a defender o divorcio nem a infidelidade.
A infidelidade é uma das grandes causas das desuniões. Ela pode e deve ser evitada.
O sexo nós é altamente salutar porem para tal basta um homem e uma mulher.
Hoje, diferentemente do passado, se pode fazer testes.
Testar não é sair ficando com qualquer um. É namorar e assim o namoro deve ser um teste também para a fidelidade.
No casamento provisional, por ser prova é sinônimo de problemas futuros que só podem ser vencidos sem egoísmo.
É o egoísmo que nos leva a querer resolver os problemas querendo que o parceiro mude.
Errado. A gente só pode mudar a gente mesmo.
Entretanto, se pelo egoísmo as relações se tornarem um inferno é melhor que se separe e se preserve no mínimo a amizade.
Um do maior causador do divorcio é o casamento acidental.
Nesses não há o compromisso de provas ou ajuste e não tem laços do carma.
Casamentos vapt vupt via de regra são acidentais e na maioria das vezes nascem com o ficar indiscriminado e também com objetivos vazios.
Tanto os casamentos provacionais como os acidentais que desandaram podem ser chamados de casamentos de fachada.
Em alguns casos os cônjuges respeitam e se tornam amigos, em outros só se toleram e em outros mais chegam a odiar-se.
Ai vem o lado da fidelidade, do companheirismo.
Como ser fiel e companheiro de alguém que não suporta ou odeia? Impossível isso. É união, "sem união"
Isso acarreta desajustes que, pela lei de causa e efeito, deverão ser ajustados, mais provavelmente em vidas futuras., pois quando dois seres se unem, são responsáveis pela felicidade um do outo, é comprometimento.
Agora vem o lado do "mito" ,não é certo a separação, o divorcio, perante Deus. O que não é certo perante Deus é a infelicidade .
A maioria destes desajustem pode ser evitados com o namoro longo onde se testa também a fidelidade.
Se no tempo de Moisés as uniões se davam dos 13 aos 15 anos era porque a expectativa de vida era curta, por volta dos 40 anos.
Hoje a expectativa de vida já passa dos 70 anos.
Assim, sobra tempo para um namoro responsável.
O namoro, com sexo incluso, é a base sólida para qualquer união e uma duração maior do mesmo reduz a ação da paixão deixando as partes se conhecerem melhor.
Para terminar fica a lembrança que filho é um compromisso sério e que pode ser evitado durante o namoro.
Publicado por Paulo Artur Gonçalves
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