segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Reforma Íntima POR RAMON SILVA


No decorrer da nossa vida nos deparamos com situações difíceis que requerem soluções complexas. Muito desse conhecimento que precisamos para resolvê-las adquirimos nas nossas vidas passadas e, é claro, na nossa vida presente. Tudo que aprendemos tem um objetivo: aperfeiçoar-nos.


Com a perfeição as provas aumentam, o nosso fardo vai ficando mais pesado e o jugo de Deus para conosco, da mesma forma; quem é mais culpável, um doutor da lei que comete um crime contra a sociedade ou um indouto analfabeto que o comete da mesma forma?

Por isso, não adianta querer só adquirir conhecimentos da vida espiritual se não tiver o desejo de colocá-los em prática. Todo o conhecimento deve estar no nosso cotidiano a fim de podermos dar o exemplo para os que nos cercam, assim como fez o Cristo. Senão a nossa evolução intelectual não andará ombro-a-ombro com nossa moral e precisaremos retornar a este plano a fim de recuperar o tempo perdido.

Ter a vontade da Reforma Íntima requer muito mais esforço do que ler centenas de livros sobre um determinado assunto. De nada adianta aprender algo agora e ter que voltar no futuro para colocá-lo em prática.
Muita Paz!

A Casa mental e a reforma íntima


A compreensão dos mecanismos da mente auxilia-nos a entender como se opera o grande objetivo da transformação espiritual
Autor:Veículo:
Publicação:
Edição Num:
Data Edição:
Ano Edição:
Wanderley OliveiraRevista Cristã de Espiritismo
ABR2010
79
ABR2010
10


Diz André Luiz: "Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: no primeiro situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o domicílio das conquistas atuais, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro, residem o esforço e a vontade; e no último estão o ideal e a meta superior a ser alcançada.

Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro" ,- (No Mundo Maior. Pelo espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, capítulo 3. FEB).

O estudo deste tema é fundamental em quaisquer assuntos da reforma íntima. É um tema de fácil entendimento e usaremos da ilustração para ajudar a compreensão.

André Luiz fez uma comparação dos níveis mentais com uma casa. O porão é onde guardamos tudo aquilo que poderá nos servir em algum momento. É o armazém ou depósito da mente, denominado pelo autor espiritual como subconsciente, no qual se encontram todas as experiências, boas ou infelizes, representando todo o nosso passado espiritual. Tudo que nós fazemos é registrado nessa parte da mente.

A parte social da residência é o local no qual mais nos movimentamos, assim como a cozinha, quarto, sala e demais cômodos mais usados em uma casa. É o nível chamado de consciente e corresponde a todas as operações relativas ao momento presente, constituindo a personalidade atual desde o renascimento na matéria até o momento atual.

O sótão é a parte da casa que mais raramente utilizamos, no intuito de relaxar, descansar ou refletir. Representa o superconsciente ou região nobre da mente, onde se encontram todos os germens divinos da perfeição, em estado latente. É o nosso futuro.

Na ilustração da página seguinte, você pode ver uma relação entre as cores amarelo, branco e preto como sendo superconsciente, consciente e subconsciente, e os respectivos andares da casa. Os três níveis mentais têm correspondência com três áreas da vida cerebral no corpo físico, mas não vamos aqui aprofundar esse aspecto que poderá ser estudado no livro de André Luiz. Segundo o autor espiritual, no subsconsciente mora o automatismo e o hábito. No consciente reside o esforço e a vontade; e no superconsciente encontramos o ideal e a meta.

A compreensão dos mecanismos de interação entre estes "moradores" auxilia-nos imensamente entender como se opera o grande objetivo espiritual da reforma íntima.

Os moradores dos três níveis
Essas três partes da vida mental estão em constante interatividade. Do subsconsciente partem apelos automatizados que foram consolidados ao longo de várias reencarnações e que podem dominar nossas ações, pensamentos e sentimentos. Por exemplo: quem fumava, em reencarnações recentes, ou desenvolveu o talento de tocar piano terá impulsos para fumar novamente e grande facilidade para aprender piano na presente existência corporal.

Na reforma íntima, como temos que superar muitos impulsos ou tendências do passado, é necessário que os moradores do consciente, ou seja, o esforço e a vontade, sejam manejados decididamente para tomar conta da vida mental e escolher com sabedoria o que queremos fazer, pensar e sentir, diante dos ideais de transformação moral. Aqui, temos um primeiro conceito de reforma íntima: a ascendência da vontade e do esforço sobre nossos milenares hábitos cristalizados no subconsciente.

O conflito interior nasce dessa luta entre consciente e subconsciente. É preciso muita disciplina para conter os impulsos, nem sempre nobres, dessa parte subconsciente da vida mental.

Outro conceito importante de reforma íntima é o aprendizado de despertar os valores divinos que se encontram adormecidos no superconsciente. Educação é exatamente esse ato de extrair ou colocar para fora os tesouros de nossa divindade que se encontram adormecidos nesse nível. Todos nós os temos guardado nesse campo da vida mental superior. Por exemplo: quando buscamos a calma, a alegria, a fé e tantos outros patrimônios espirituais, em verdade, todos eles já se encontram no superconsciente. A meditação, a oração, o desenvolvimento da honestidade em relação aos nossos sentimentos, o hábito do autoamor através do cuidado conosco e o serviço do bem são algumas das muitas formas de acessar essa zona mental nobre e recolher o conteúdo energético que nos fará sentir o bem-estar de uma vida saudável e plena.

O estudo da casa mental lança uma luz sobre o tema reforma íntima, porque auxilia-nos a entender que não destruímos nada daquilo que fomos; apenas transformamos para melhor. O subconsciente não morre, não acaba. Ele faz parte do processo de ascensão do espírito. Ali estão gravadas as experiências felizes e infelizes e ambas serão importantes para seu progresso.

Portanto, focar o conceito de melhoria espiritual ou reforma íntima apenas na ótica de "matar o homem velho" ou exterminar o passado (subconsciente), pode conduzir-nos a um esforço de contenção e disciplina muito acentuado ao ponto de criarmos o martírio. Mais do que contenção ou repressão, precisamos de educação, isto é, aprender a trabalhar o desenvolvimento das potencialidades que estão no superconsciente. Ninguém faz reforma íntima legítima apenas disciplinando o subconsciente.

Procure fazer um estudo da obra No Mundo Maior, de André Luiz, e conjugue-a com a obra Reforma intima sem martírio, de Ermance Dufaux. Você verá o quanto aprenderá sobre seu mundo mental em favor da construção de uma pessoa nova e melhor a partir de você mesmo. 

Livro de Ney Peres

http://todaoferta.uol.com.br/comprar/manual-pratico-do-espirita-peres-ney-prieto-NEQTFSUAVY#rmcl

A REFORMA ÍNTIMA EM RESPOSTA À IDEOLOGIA CAPITALISTA

Alicia Mérola



O mundo capitalista se apresenta sob a lógica neoliberal. Essa lógica defende a busca do lucro pelo lucro, independente de outros valores como ética e respeito pelo próximo. Formou-se assim uma sociedade onde os valores morais foram deturpados, onde a mídia nos incentiva diariamente o consumismo e a busca pela beleza exterior. Frente a isso, apresentamos a reforma íntima como alternativa para a melhora da sociedade, mostrando um esboço do que seria o homem ideal.

A lógica do capitalismo neoliberal defende o progresso da civilização através da benéfica concorrência das empresas em um mundo livre. Segundo essa lógica, todos os indivíduos da sociedade capitalista tem a oportunidade de abrir o seu próprio negócio e alcançar sucesso e riqueza através dele. Isso irá depender exclusivamente da competência de cada indivíduo. No capitalismo as oportunidades de riqueza e prosperidade estão abertas a todos, esse sistema surge como modelo de sociedade a ser seguido, pois ele é naturalmente o meio de progresso da humanidade.

O pensamento contrário ao neoliberal não é proibido na sociedade capitalista, afinal, vivemos num mundo capitalista livre. No entanto, numa sociedade onde a minoria rica é dona de todos os meios de comunicação e difusão das idéias, não é errado dizer que até as idéias contrárias são deturpadas e utilizadas para garantir a perpetuação do modelo neoliberal.

Mas se essa riqueza é acessível a todos, nessa sociedade livre, como se explica que 23% da população do planeta consomem 67% das riquezas totais produzidas. Como se explica a miséria na qual a maior parte da população do planeta vive? Certamente que essa liberdade é ilusória e serve para poucos.

O pensamento neoliberal, adotado pelo sistema capitalista, não valoriza em nada o ser humano. O homem não é visto, respeitado, classificado pelo que ele é moralmente e sim pelo que ele tem em se tratando de bens materiais.

O capitalismo, sistema com mais de trezentos anos de história, defende uma mentalidade norteada pela busca do lucro pelo lucro em um mercado competitivo que já tomou conta de todos os setores de vivência humana, as pessoas foram igualmente transformadas em mercadorias e máquinas de competir. Nesse contexto, vale à pena apreciar as palavras do teólogo Leonardo Boff falando sobre a sociedade capitalista:

“Os fundamentos de uma sociedade estão nas relações e intercâmbios entre pessoas. Só existe sociedade se existe relação entre as pessoas. Uma sociedade cujo motor é a competição e a esnobação como sinônimo de poder é uma sociedade que se propõem ao suicídio. Se me ponho a competir com outros, não existe mais intercâmbio, mas apenas estratégias que permitem algum contato tendo por base o interesse. Não posso compartilhar, dividir, somar com ele, mas devo desconfiar de meu concorrente, sondá-lo, retirar dele o que me for útil, eliminá-lo e destruí-lo”. (Leonardo Boff, Fundamentalismo, A globalização e o Futuro da Humanidade, Ed. Sextante, 2002, PP.36)

Através dessas palavras o autor consegue resumir o pensamento capitalista. Nesse sistema não são levados em consideração os aspectos psicológicos dos indivíduos, nem os aspectos ecológicos quando se trata de alcançar o lucro através da destruição do planeta e muito menos os aspectos humanistas.

Infelizmente, o que vemos no mundo atualmente é a pobreza, o descaso com o próximo, destruição do planeta e violência. Não vemos a violência só nas ruas, entre bandidos, entre bandido e vítima, mas dentro das casas no seio familiar. Vendo os noticiários, lendo jornais, vemos cada vez mais a violência crescer no mundo. A moral e os bons costumes parecem ter desaparecido do planeta. São pais que agridem os filhos, filhos que agridem os pais, o uso de drogas cresce entre os jovens do Brasil. Fora esses problemas, ainda estão as enchentes, as secas, o clima do planeta está totalmente desequilibrado, conseqüência da exploração irresponsável praticada pelo homem.

Diante desse quadro desanimador, a pergunta que vem à mente é: como promover uma mudança? Como sobreviver nessa sociedade egoísta? É preciso ter muito cuidado também nessa questão, pois até mesmo esse setor da vida humana já foi transformado em fonte de lucro. São tantas seitas prometendo a salvação, a redenção ao homem e que se estudadas a fundo, percebemos que são apenas promessas vazias de pessoas mais preocupadas em enriquecerem através da ingenuidade e ignorância dos menos privilegiados do que na melhoria da humanidade. Por essa razão, surge a proposta da reforma íntima em resposta ao sistema capitalista e a ideologia neoliberal.

Pensando na reforma íntima, trago uma história aonde o pai chega a casa, cansado do trabalho e o filho lhe pede atenção para brincar. O homem, tentando se livrar e prender a atenção do filho, pega uma página do jornal que tentava ler onde havia o mapa do mundo, rasga em vários pedaços e entrega ao filho, dizendo: - assim que você terminar poderemos brincar. Pensando que o menino iria demorar muito, o pai se surpreende quando o menino em menos de 5 minutos lhe traz o mundo montado. Espantado o pai pergunta: - como você fez isso. O menino, em sua inocência, lhe mostra o outro lado da folha, onde aparece a figura de um homem e diz: - pai, primeiro eu consertei o homem e assim o mundo foi consertado também. Moral da história: de nada adianta querermos consertar o mundo, seja ele capitalista ou não, a primordial mudança que cada um consegue realmente promover é em si mesmo.

A proposta da reforma íntima é pedra fundamental da doutrina espírita. Porém acredito que qualquer doutrina que consiga ligar o homem a Deus, (re-ligar= religião) e promover seu crescimento espiritual e moral, podem cumprir perfeitamente esse papel.

Um dos motivos que me levou a simpatizar com a doutrina espírita é o fato de ser uma filosofia onde não é defendida a idéia de que fora do espiritismo não há salvação, ao contrário, a doutrina traz a máxima “fora da caridade, não há salvação”. Nessa doutrina servem as palavras de Jesus quando ele diz “são muitos os caminhos que levam ao meu pai”, então o que vale é a caridade, a bondade, a real vontade de amar o próximo e ajudá-lo e não qual religião ele segue. Para explicar essa doutrina e a sua concepção de homem, trago um trecho e faço um comentário do capitulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, onde é sugerido o modelo de homem ideal.

O espiritismo é uma doutrina que aliada à ciência propõem que o mundo é regido por leis naturais, como a lei de causa e efeito, ou seja, de ação e reação. Segundo essa lei, toda a ação seja ela boa ou má gera uma reação do mesmo tipo. A escolha da atitude a ser tomada é decisão da pessoa, pois o homem tem o livre livre-arbítrio de agir segundo a sua vontade. O espírito de cada homem foi criado por Deus simples e ignorante, a evolução do espírito é galgada através das suas próprias escolhas. Portanto, não existe castigo, ou fatalidade tudo no universo ocorre por conseqüência das atitudes de cada um e sob a vontade de Deus. Se existe o livre-arbítrio também existe Deus, e nada ocorre sem que seja a vontade Dele. Deus é o poder supremo, Deus é o amor supremo e é primordial seguir o seu primordial mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Francisco do Espírito Santo diz: “o amor que tenho é o amor que dou”, é ingenuidade acreditar que podemos amar ao nosso irmão sem amar a si mesmo, pois este é o mandamento divino: “amar o próximo como a si mesmo.”

No evangelho segundo o espiritismo, codificado por Allan Kardec, no capítulo 17, coloca-se o seguinte:

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XVII
SEDE PERFEITOS

O homem de bem

“3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.”

Se o ser humano seguisse essa conduta, agindo segundo as leis de justiça, de amor e de caridade, o mundo seria um lugar muito melhor de ser viver.

“Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.”

O homem deveria ser capaz de aceitar as mazelas da vida, sabendo que elas são parte essencial para a sua evolução. Realizar o bem, despretensiosamente, sem esperar retribuição.

“Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.”

O egoísmo é sem sombra de dúvida a causa primeira das diferenças sociais trazidas pelo capitalismo.

“Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.”

A caridade não está somente no auxílio financeiro, na esfera material, a caridade muitas vezes é uma palavra amiga, um afago, um carinho. Igualmente a violência não é só física, a violência através de palavras, gestos muitas vezes traumatiza muito mais que uma agressão física. Por isso, aquele que se guia pela caridade não prejudica o seu irmão em hipótese alguma.

“Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.”

O verdadeiro homem de bem, tem o sentimento de humildade. Não se julga melhor que ninguém, procura usar da empatia ao se relacionar com os outros. Perdoa e procura ajudar o próximo em suas fraquezas.

“Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.”

Se dentro das empresas as pessoas pudessem se relacionar dessa forma, sem abusos de poder dos que ocupam cargos de mando e com o devido respeito por parte dos que são subordinados, incluindo-se somente esse parágrafo na lógica capitalista, muitas mazelas seriam evitadas.

“Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.”

Sintetizando as idéias aqui apresentadas, o ser humano deveria se livrar do egoísmo, pensando mais no próximo, respeitando as leis de Deus. Procurando se melhorar. Cada um deveria cuidar da sua reforma íntima, tentando melhorar a cada dia, assim o mundo mudaria e poderia ser consertado. O caminho é longo e difícil, mas com a verdadeira fé em Deus, aquela que remove as montanhas do ódio, da tristeza, do orgulho, da vaidade um mundo melhor é possível.


BILIOGRAFIA



BOFF, Leonardo. Fundamentalismo a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2002.

HOLZMANN NETTO, Jacob. Espiritismo e Marxismo. Campinas, Edições Fagulha, 1970.

KARDEC, Alan. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. 112ª edição. Título do original francês: L'Évangile selon le Spiritisme (Paris, abril- 1864).

Capitalismo. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo. Acessado em: 25/05/2009.

Mundo Moderno, Colonização e Relações Étnico-Culturais (1500-1808). Disponível em: http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.asp?id_projeto=27&id_objeto=39079&tipo=ob&cp=994d99&cb=&n1=&n2=Proposta%20Curricular%20-%20CBC&n3=Ensino%20M%C3%A9dio&n4=Hist%C3%B3ria&b=s. Acessado em: 25/05/2009.

Neoliberalismo. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo. Acessado em 25/05/2009.

O Espiritismo e a Sociedade Sustentável. www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=7976 Acessado em 26/05/2009.

REFORMA ÍNTIMA COMO FAZER?




O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a nossa Transformação Íntima, e Santo Agostinho em resposta à Q. 919 de O Livro dos Espíritos   nos oferece uma excelente receita para isto: “Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto estes nenhum interesse têm em mascarar a verdade, e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência, aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.” Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes. Portanto, procuremos conhecer a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, e em como eles nos afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar ferramentas adequadas para substituí-los em nosso comportamento.

Que Jesus nos fortaleça na nossa caminhada
O MEDO DA ILUMINAÇÃO ou O MEDO DA REFORMA INTIMA

O medo da verdade é, também, o medo da iluminação. Poucos são capazes de perceber isso! Mas, o medo da iluminação é mais comum do que se pensa. Todos imaginam estar buscando por um paraíso pessoal. Nele tudo será matematicamente calculado. O problema é que a vida não é feita de cálculos.

Todos somos vítimas do medo! Todos temos o medo de alguma desgraça pessoal. Entretanto, é bom que possamos distinguir entre os dois tipos de medo. Por um lado, existe o medo físico. O medo de cair de algum lugar, por exemplo. Mas existe o medo psicológico. É este medo que mais assombra o homem.

O medo psicológico é o medo de entregar tudo em nome do amor. O medo psicológico é o medo de se entregar à verdade. Entenda: o medo sobre o qual estou falando é o medo de correr o verdadeiro risco. E se existe um risco no que diz respeito à iluminação, este é o medo de se perder ou ficar louco.

Por isso, insisto: o medo da iluminação é o medo de perder o controle da própria vida. Geralmente, esperamos que o nosso barco caminhe numa direção correta, sem nenhuma mudança de direção. Esperamos que ele chegue até o mar de uma forma segura. Então, seguramos o leme firmemente. Não queremos nenhuma alteração na rota que escolhemos. Mas é difícil para você compreender que nada na vida é garantido. A vida é insegurança.

Estou falando da própria existência. O barco que carregamos atravessando o nosso próprio coração pode se dissolver a qualquer momento. Então, o medo da morte se torna uma calamidade. A iluminação é uma forma muito lenta de suicídio. Para o ego, a iluminação é uma verdadeira catástrofe. De forma alguma, pretendemos nos entregar a isso. Raramente somos capazes de nos entregar à morte.

Esperamos uma iluminação com férias garantidas. Esperamos um estado de aposentadoria iluminada. Não poderia haver equívoco maior! A iluminação é equivalente ao instante em que nos perdemos, de uma vez por todas, nesta vida. Nenhum futuro, nenhum passado. Apenas o eterno instante. O aqui/agora.

Se você tem medo da verdade, não se preocupe. Isso é mais comum do que você pensa! Poucas pessoas são capazes de se render sem nenhuma ressalva. A rendição é algo que assusta. Imagine sua vida sem nenhuma direção. É isto o que a iluminação nos traz. É isto o que a iluminação significa.

É preciso estar atento! Você busca a iluminação. Mas, curiosamente, você foge dela desesperadamente. Você não deseja uma calamidade em sua vida. A iluminação é uma verdadeira calamidade para o ego. Você deseja uma vida tranqüila, isenta de qualquer mudança. Sinto muito: isso é impossível. A impermanência faz girar a roda do mundo. A impermanência é o nosso grande capataz. Nada dura para sempre.

Entregue-se… a maior contradição da existência é a busca e a inesperada fuga da verdade. Você deseja apenas o lado bom da laranja. Mas a vida é feita de contrastes. Não há como separar apenas a parte boa desta história. Se você ambiciona por Deus, compreenda de uma vez por todas: é preciso tragar o mundo. É preciso não oferecer nenhuma chance para que o mundo nos perturbe.

Viva no mundo! Mas não seja do mundo! Nisso consiste a iluminação. É preciso, realmente, engolir o mundo. Basta você reparar um pouco: quanta miséria existe por aí. E você é um destes miseráveis. Entretanto, a verdadeira vida é encontrada nos pequenos detalhes. Dessa forma, se você aguarda pela iluminação saiba: você terá que se envolver com os seus verdadeiros medos. Você precisará dissolve-los à luz da verdade.

O que você mais espera? A iluminação é o último pesadelo. Quando pensamos agarrá-la, ela nos foge. Tudo isso se deve a um único motivo: você deseja a bem-aventurança, mas essa mesma bem-aventurança é encontrada nas coisas mais simples da vida. Assim, por favor, compreenda da uma vez por todas que a iluminação não é um estado nada “especial”. A verdadeira iluminação só é encontrada no seu dia-a-dia. A verdadeira iluminação é a libertação do medo. Você está disposto a correr o risco?



REFORMA INTIMA - Henrique Fracalanza



Em toda Casa Espírita as pessoas vão ouvir falar constantemente sobre Reforma Intima.

Trata-se da modificação que devemos empreender em nos mesmos visando nossa melhoria.

Por que isso? Porque é através da nossa melhoria que tudo em nossa vida pode mudar para melhor.

A maioria dos nossos males provem das nossas próprias ações.

Os sofrimentos que padecemos, as doenças que nos infelicitam, as dores morais que nos fustigam, os inimigos que se levantam contra nós, são em ultima analise resultados das nossas ações erradas.

Se prejudicarmos alguém, poderemos ter criado aí um inimigo que, não nos perdoando o gesto infeliz, poderá se transformar em perseguidor a nos atazanar a existência.

Qualquer mal feito à alguma pessoa resultará em males a nos atingir no futuro na forma de doenças, dificuldades na vida, contratempos equivalentes ao mal proporcionado àquela criatura.

Se tivermos vícios como a bebida, o fumo, as drogas, e outros, somos sérios candidatos a graves doenças físicas resultantes desses vícios, podendo até encontrarmos a morte na situação indesejável de suicidas inconscientes - que pode tornar-se suicídio consciente, quando o viciado é sabedor dos riscos que corre, e ainda assim persiste no vicio.

Se tivermos o habito da maledicência, enxovalhando o nome e a honra das outras pessoas, colheremos adiante a calunia e o falso testemunho atirado contra nos, e viveremos num clima de azedume resultado das vibrações de ódio emitidas contra nos, quando a vitima vem a saber da nossa indiscrição.

Se cultivarmos hábitos nocivos como a lamentação indevida, o pessimismo crônico, a rebeldia ante as dificuldades e os insucessos da vida, a hipocondria, a censura gratuita às outras pessoas, a tristeza permanente, os pensamentos indignos, o palavreado chulo, a busca pelas sensações desenfreadas de baixo nível, estaremos nos predispondo a viver em clima de desgosto e aflição.

Se agirmos com desonestidade nos negócios, enganando e nos aproveitando dos outros, seremos atingidos no futuro por miséria e falência, se não nesta vida, em uma vida futura.

Se fizermos mal uso da riqueza material, utilizando-a somente para usufruto pessoal, para satisfação dos nossos desejos, egoisticamente, sem colocar esses recursos em ação também a beneficio de outras pessoas, seja na forma de empreendimentos que criem empregos dignos, seja no auxilio direto aos necessitados, estaremos nos condenando a uma vida futura de pobreza e dificuldades materiais.

Se estivermos em cargos públicos e fizermos o uso da maquina publica a nosso favor, descuidando de atender ao povo que espera nossa atenção, também colheremos certamente no futuro a miséria.

Enfim, tudo que fizermos em desacordo com a lei do bem e do amor, cumprindo a regra de ouro deixada por Jesus que é o “fazei aos outros somente aquilo que gostaria que vos fizessem a vos”, serão com certeza dissabores a nos facear a existência.

Por isso recomenda-se sempre a Reforma Intima.

Mudando nosso comportamento e atitudes para melhor, não criaremos dificuldades para nosso futuro, alem de proporcionar desde já uma vivencia mais saudável e equilibrada.

Para isso é necessário atentar nas lições que são permanentemente prodigalizadas nos centros espíritas e também recorrer a leitura dos livros da doutrina para nosso esclarecimento.

Devemos ter sempre em mente que ouvir as leituras e exposições é muito mais importante que o tratamento a que vamos nos submeter, ou a reunião publica que vamos simplesmente assistir.

De nada, ou de pouco adianta freqüentar uma casa espírita buscando ali o passe, a água fluidificada, o trabalho de desobsessão em nosso favor, se não modificarmos a nossa forma de ser e agir. Aí, o tratamento na casa espírita será somente um paliativo, um curativo que se faz na ferida aberta, sem contudo se conseguir extirpa-la, porque continuamos a agir erradamente agravando nossas feridas abrindo outras novas.

A casa espírita e seus trabalhadores, nessa situação, são compelidos a agir como quem está secando gelo com toalha, ou seja, aliviando momentaneamente os sofrimentos sem conseguir estanca-los, para depois a criatura voltar a errar, e tornar ao centro na semana seguinte igual ou pior do que estava.

Comportam-se como a criança estouvada que raspou o joelho e vem buscar socorro com sua mãe. Ela carinhosamente limpa e ferida e faz curativos, não sem antes dizer ao filho para tomar cuidado, para ser mais prudente, não ser tão atirado, e etc. Se o filho não escutar sua mãe, certamente irá se ferir de novo, voltando para ser cuidado, com a mãezinha renovando seus conselhos para maior cuidado nas brincadeiras. Se ele persiste em não ouvir, continuará se ferindo até que uma dor maior o faça parar e refletir, atendendo então aos conselhos de sua mãe. Caso tivesse inicialmente atendido as recomendações, não teria se ferido de novo.

Da mesma forma acontece conosco, crianças espirituais que ainda somos. Vamos a casa espírita com a alma ralada de dor e angustia, recebemos ali o atendimento do passe e da água fluidificada, dos trabalhos de desobsessão, mas sempre recebendo antes o devido aconselhamento a nossa conduta por meio de leituras e exposições dos trabalhadores da casa visando nosso esclarecimento e despertamento para a vida correta de se viver. Se sairmos de lá sem nada termos absorvido das lições ministradas, nos feriremos novamente, e voltaremos na semana seguinte para novo tratamento. Se de novo não atentarmos para os aconselhamentos, tornaremos a errar, nos ferir, e voltar talvez pior do que antes, até que uma dor maior nos faça parar e aceitar as modificações sugeridas para nosso aperfeiçoamento.

Se junto ao passe recebido tivéssemos prestado atenção nas lições e as tivéssemos posto em pratica, não teríamos nos machucado novamente.

Por isso é que dizemos que evoluímos pela dor ou pelo amor.

Pelo amor é quando ouvimos os conselhos “com ouvidos de ouvir e olhos de ver” como dizia Jesus, colhendo ai as preciosas recomendações para nosso aperfeiçoamento moral, e rapidamente deixando de errar e sofrer.

Pela dor é quando teimamos em continuar como somos, errando e sofrendo as conseqüências, até sofrer uma dor muito grande que nos faça para e refletir.

Por isso a necessidade da tão propalada Reforma Intima. Não é uma mera obrigação religiosa, mas sim uma importantíssima e eficiente ferramenta de construção da nossa felicidade. Somente por ela é que deixaremos de sofrer. Não adianta recorrer ao socorro permanente da casa espírita, se não modificarmos nosso modo de ser e proceder.

Para efetuar a Reforma Intima, deve-se fazer o seguinte:

- Escutar sempre as lições, leituras e exposições da casa que freqüentamos.

- Procurar colocar em pratica as lições aprendidas.

- Ler o mais possível os livros para seu esclarecimento espiritual, como o Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, e os livros que possam auxiliá-los com exemplos de vida, como aqueles que narram passagens reais do cotidiano das pessoas, mormente os livros da psicografia de Chico Xavier, Divaldo Franco, Richard Simonetti, Carlos Bacelli, e outros divulgadores da doutrina dos espíritos.

- Efetuar o exame de consciência todos os dias antes de recolher-se. Examine se suas ações durante o dia não feriram a alguém, ou se seu comportamento foi correto, e se encontrar algo errado, procure consertar-se, e se possível desculpar-se com quem prejudicou ou ofendeu.

- Examine-se permanentemente, visando sempre sua melhoria intima, para que rapidamente diminuam seus padecimentos.

Com isso observado e colocado em prática, você vai perceber que as coisas começarão a melhorar, a dar certo. As dificuldades irão parecer menores e menos doloridas. As pessoas se aproximarão mais de você, e começarão a desaparecer as queixas que lhe faziam. A convivência com as pessoas queridas e do seu relacionamento social e profissional será mais agradável. Você passará a sentir mais otimismo e vontade de viver. Vai sentir sua vida mais equilibrada e harmoniosa. Tudo isso fruto da sua modificação intima.

Pois não é modificando o mundo a nossa volta que mudaremos a nossa existência.

É mudando a nos mesmos que o mundo será outro para nós, mais feliz, mais agradável e mais justo.


Dúvida: Espíritas – O que é a Reforma Íntima?


A Reforma Íntima é um processo contínuo de auto-análise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos.
Podemos e devemos substituir nossos defeitos como, o Orgulho, a Inveja, o Ciúme, a Agressividade, o Egoísmo ou Personalismo, a Maledicência, e a Intolerância por virtudes, tais como a Humildade, a Resignação, a Sensatez, a Generosidade, a Afabilidade, a Tolerância e o Perdão.
Algumas pessoas que estão iniciando estes estudos imaginam que bastará a primeira leitura para ficarem livres de todos os seus defeitos. Ao verificarem na vida prática que não houve nenhuma mudança, desanimam e abandonam seu propósito inicial de se reformarem. Porisso devemos dizer, logo de início, que este estudo é para a vida toda. A leitura deste artigo e dos livros da referência permitirá a você conhecer o assunto, mas sua reforma total só virá depois que você começar a identificar estes defeitos em cada situação da vida e aprender aos poucos a prática das virtudes que irão substituí-los. Portanto, esta leitura é importantíssima pois com ela você começará a pensar no assunto. Continue estudando sempre e no futuro, quando a vida já tiver lhe ensinado bastante, você ainda verá que a cada dia, um dado defeito, considerado como vencido, retorna com nova roupagem em outra situação, surpreendendo-o.
O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a reforma. A melhor maneira de fazê-lo é pelo estudo de dois excelentes livros, o primeiro de Ney Prieto Peres1 da Editora Pensamento e o segundo um novo lançamento da Editora O Clarim, de Abel Glaser2, pelo Espírito Caibar Schutel. E, sem dúvida, o estudo da Doutrina Espírita e sua prática em Centros Espíritas, que seguem a Doutrina de Allan Kardec, será de fundamental importância para a realização dessa reforma.

Lembre-se que temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes, muitas delas sugeridas por espíritos inferiores que desejam ver a nossa queda. Portanto conheça a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, em como eles o afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procure então se afastar desses momentos propícios em que eles se manifestam, para não ser mais envolvido por seus tentáculos, nem cair nas suas teias.

Quebrar dogmas, paradigmas, abrir a mente para novas idéias, rever alguns conceitos sobre a vida, respeitar limites, enfim, é um monte d e coisa….e cada um terá sua própria reforma íntima e diferente para cada pessoa
Uma pessoa perguntou à Louis Armstrong O QUE ERA JAZZ! Armstrong respondeu: SE VOCÊ NÃO SABE O QUE É JAZZ A PONTO DE PERGUNTAR, VOCÊ JAMAIS FICARÁ SABENDO.

Reforma íntima e saúde



Escrito por Dr. Milton Santiago   
Na medida em que cada criatura conhece a sua real identidade, a espiritual, compreendendo as suas origens, a sua destinação maior e a função redentora da vida presente, automaticamente relativiza os valores transitórios do mundo e se projeta com convicção na reconstrução do futuro moral.
O Espiritismo nos esclarece sobre a necessidade do esforço próprio na conquista do progresso espiritual. Quebrando paradigmas ancestrais de salvacionismo religioso, traz como uma de suas principais bandeiras a conquista individual e intransferível do “Reino dos Céus”, relembrando ao homem que a luta diária na Terra é o veículo do seu progresso e da sua redenção.
A reforma íntima é a palavra de ordem na aquisição da saúde moral e, portanto, espiritual. Reformar, no sentido espiritual, significa corrigir, endireitar, aperfeiçoar, reconstruir e renovar. Reformar-se na intimidade significa renovar-se de dentro para fora, numa reflexão profunda sobre as inclinações e tendências, as práticas cotidianas e os anseios reprimidos, as máscaras sociais e os quereres reais, sobre o que interessa momentaneamente à personalidade encarnada e o que importa em profundidade para a evolução do ser eterno.
O Mestre, ao entregar-se ao martírio da Cruz, legou-nos o último testemunho de não-violência, mas também de não-acomodação com as trevas a que se compraz a maioria das criaturas. Reconstruir o futuro implica em romper com o passado, com as conquistas e prazeres efêmeros com se faz costume comprazer-se, à maneira de Paulo de Tarso no deserto de Damasco. Há que se conciliar intenção e gesto!
“Brilhe vossa luz!”, convidou-nos o Mestre. Convite a que os homens se edifiquem, se reconstruam, nos seus exemplos de amor, renúncia e serviço pelo próximo.
Edificar os outros, as construções alheias, pode ser obra legítima de caridade, mas substitui a edificação de si próprio? Como ser o pedreiro de si mesmo? Parece mais fácil avaliar as rachaduras na residência alheia do que analisar os alicerces carcomidos da própria fundação. Santo Agostinho, espírito, afirma que o conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual. Conhecer a si mesmo e, a partir daí, partir corajosamente para a renovação de valores, hábitos, costumes e comportamentos, referenciados nos ensinamentos do Divino Mestre: eis uma receita infalível de saúde!

JULGAMENTOS E REFORMA ÍNTIMA


Deicy Isabel Winckler
"Não Julgueis, a fim de que não sejais julgados; porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros; e se servirá para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles". (Cap. X, item 11, Evangelho Seg. Espiritismo - Allan Kardec)

O espiritismo prega a necessidade de evolução da criatura humana, bem como, que, para isso, é necessário que cada ser faça uma reforma íntima, substituindo os sentimentos que o mantém atrasado por outros, que impulsionem o seu progresso.
Somos Espíritos imortais que necessitam da vida física para adquirir conhecimentos e o aprimoramento das nossas virtudes. Para isso, reencarnamos muitas vezes, tantas quantas forem necessárias para atingir o objetivo da nossa criação: a perfeição do ser espiritual. 
Reencarnar quer dizer entrar de novo na carne. Renascemos muitas vezes e, no intervalo entre as existências corporais, continuamos vivendo no local de onde viemos e para onde sempre voltaremos: o plano espiritual. 
No plano espiritual também aprendemos muito, mas é preso a um corpo físico, esquecido de suas origens e do seu passado espiritual, que o ser mostra-se tal qual é, tendo a possibilidade de aprender, através de inúmeras experiências, algumas boas, outras difíceis e, até mesmo dolorosas, a ter consciência dos valores verdadeiros, despertando a sua essência profunda. 
Em nossa escala evolutiva, certamente já andamos bastante. Entretanto, o ambiente onde estamos colocados mostra o grau de adiantamento em que nos encontramos. Se analisarmos o mundo terrestre, vamos perceber que aqui prevalece o mal e a imperfeição. Apesar de haverem seres de graus diversos de evolução em nosso planeta, havendo, inclusive, aqueles que, por sua autoridade moral, demonstram estar aqui por missão, a grande maioria passa neste mundo em situação de expiação ou de provas. 
Não precisamos observar muito para encontrarmos exemplos e situações em que imperam o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a prepotência, a ganância, a mentira, o cinismo, a agressividade e muitos outros sentimentos e atitudes que demonstram a inferioridade do homem atual. 
Mas, a nossa tendência é olharmos essas imperfeições nos outros. Esquecemos de olhar para dentro de nós. E quando deparamos em nossas atitudes com os sentimentos feios, os ressentimentos, a inveja, o mau-humor, a má-vontade em relação aos outros, rapidamente nos justificamos e, raramente, admitidos que há uma necessidade de reforma do nosso mundo íntimo. 
A reforma do mundo, que nós percebemos que é muito injusto, cruel e cheio de infelicidade, começa com a reforma íntima dos cidadãos deste mundo. Todos desejamos reformar o mundo, sonhamos que ele se torne melhor, mas não nos dispomos a começar por descobrir o que podemos melhorar em nós. 
O filósofo antigo já falava do conhecimento de si mesmo. O Espírito Hammed, na obra Renovando Atitudes1 alerta que toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente ligado a fatos antecedentes.
Alerta o autor espiritual para o fato de que possuímos uma tendência julgadora que decorre dos conhecimentos e experiências do nosso passado e que estão sedimentados em nossa memória profunda. Desta forma, os nossos julgamentos seriam pré-concebidos e não produto de reflexão profunda e adequada à situação presente.
Conforme afirma Hammed, possuímos um tipo de "reservatório moral", a partir do qual catalogamos atitudes em boas ou más. Assim, as censuras, observações, admoestações, supertições e preconceitos decorrem de informações e noções adquiridas em nossas experiências, nos servindo delas para resguardarmos o que acreditamos ser verdades absolutas. Por essa razão, os julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas informam sobre aquilo que temos por dentro.
Essas colocações do valoroso autor Espiritual, servem para reforçar a questão que foi colocada no início do presente: a necessidade de reforma íntima.
Hammed lembra que
 só podemos nos reabilitar e reformar até onde conseguimos nos perceber; ou seja, aquilo que não está consciente em nós dificilmente conseguiremos reparar ou modificar. Prossegue analisando sobre a necessidade de reavaliar nossas idéias retrógradas para julgar os indivíduos de forma não generalizada, percebendo quejulgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Exemplifica que apesar de podermos julgar a prostituição moralmente errada, não devemos julgar a pessoa prostituída.
Alerta que a medida para sermos julgados será a mesma dos nossos julgamentos. Assim, se uma pessoa declarar abominável o homossexualismo, poderá estar estabelecendo a repugnância por entes queridos seus, que venham a apresentar algum impulso homossexual. Se afirmar que "idosos não tem direito ao amor", pode estar condenando a si próprio a um futuro de solidão.
A partir das colocações tão sábias do autor espiritual citado, queremos tecer algumas considerações, no sentido de aproximar a necessidade do auto-conhecimento e auto-reforma, com o desenvolvimento da capacidade de julgamento livre e consciente, despido de preconceitos.
Pensamos que a melhor forma de julgarmos os outros é começar por nos colocar no lugar deles, partindo da constatação de que a situação em que o outro encontra-se envolvido poderia estar acontecendo conosco.
Precisamos nos despir do orgulho e da vaidade, para nos reconhecer como seres humanos iguais aos nossos irmãos e passíveis de todas as falhas e imperfeições constatadas na humanidade.
Por outro lado, o fato de entendermos algo como condenável, não quer dizer que realmente o seja aos olhos do mundo e, principalmente, aos olhos de Deus.
Desta forma o verdadeiro Espírita, que realmente esteja disposto a reformar-se deve começar pelo desenvolvimento da cautela. Precisamos refletir a causa dos sentimentos que possuímos em relação a tudo. Precisamos meditar e analisar todas as situações em suas diversas nuances, antes de emitir uma opinião, a fim de não sermos divulgadores de idéias preconceituosas e contrárias ao sentimento de caridade.
O desenvolvimento do amor fraterno de forma profunda, deve desencadear em nós a capacidade de ao olhar o outro, ter o cuidado de antes olhar para dentro de nós próprios, despindo-nos das idéias e sentimentos pré-concebidos.
Assim, quando sabemos, por exemplo, que um crime foi cometido, a despeito de todo o pesar e consideração para com a vítima, vamos pensar também no autor do ato. Não para condená-lo, posto que não nos é dado o direito de atirar pedras em quem quer que seja, mas para nos colocar no lugar dele, no lugar de seus familiares e perceber que estes, muitas vezes precisam muito mais de amparo.
Diante de atitudes infelizes de nossos irmãos, vamos ter consciência de que muitas vezes nossas atitudes não foram mais felizes do que a deles.
Comentar e divulgar as falhas alheias é uma forma muito cruel, não somente de julgamento, mas de condenação e imposição de uma penalidade. A penalidade de não poder se reabilitar diante da própria consciência e dos olhos do mundo, posto que sempre haverá um dedo apontado sobre aquela criatura, não permitindo que ela se liberte do peso do passado e possa construir um futuro melhor.
Desta forma, a reforma íntima do ser humano deve começar pela revisão de sua forma de julgamento, da abertura da possibilidade de conhecer outras idéias, outros conceitos a respeito do que pensamos sobre todas as coisas, fugindo aos padrões inflexíveis e rígidos pelos quais estamos acostumados a nos conduzir.
Verdadeiramente livre é aquele que sempre admite a possibilidade de conhecer novos conceitos, refletir sobre os conceitos antigos, se permitindo mudar de idéia, pois somente assim, poderá suplantar o homem velho que por ventura ainda haja em si. 



1HAMMED (Espírito). Renovando Atitudes. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 1997.