terça-feira, 2 de julho de 2013

Pedidos Inconscientes

Pedidos Inconscientes


Jesus nos assegurou: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre” (Mt. 7:7-8).
O ser humano pede, busca e bate. E o Universo em sua plena e total realidade — visível e invisível; material e espiritual — lhe atende. Todavia, gravem bem este ponto: muitas pessoas recebem respostas a pedidos que não se lembram de haver feito. Mas se a resposta veio, é prova de que o pedido foi formulado: o fruto é da mesma natureza da semente.

Como se explica que a maioria das pessoas esteja recebendo limitações econômicas, enfermidades, tristezas, inarmonias, se oram pedindo prosperidade, saúde, alegria, concórdia?

Começa aqui uma importante meditação: as pessoas não vigiam os seus pensamentos e emoções. Continuamente geram e alimentam pensamentos e emoções negativas durante o dia: são sementes que inadvertidamente estão lançando ao Universo, suscitando-lhe respostas iguais, porque os semelhantes se atraem. É ação de causa e efeito ou, se quiserem, a lei de Newton: “Uma ação gera uma reação diretamente oposta e correspondente”.

É assim que a humanidade tem produzido os seus próprios males. O Universo é governado por leis. Mas o homem recebeu a mente para aprender essas leis e agir em conformidade com elas. Se teima em viver na ignorância delas, infelicita-se, mesmo que seja uma pessoa culta.

Disse o Mestre: “Os homens darão conta de toda palavra frívola que proferirem, porque, por suas palavras serão justificados e por suas palavras serão condenados” (Mt. 12:36,37).

A Lei é esta: Causa e Efeito. Se pensamos no mal, atraímos o mal; se nutrimos ódio atraímos o ódio. Mas se pensamos em harmonia, em saúde, em abundância e agradecemos antecipadamente, com sinceridade ao Deus amoroso e sábio que sempre nos provê o melhor, é isso o que recebemos!

Paremos de pedir, de buscar e de bater à porta dos males deste mundo. Sempre que nos descuidamos e pensamos neles e os tememos, eles vêm, porque os chamamos, porque acreditamos neles, porque os tememos! Sabemos que isto acontece porque desde crianças recebemos idéias equivocadas. Tornou-se mecânico. Mas agora, adultos, esclarecidos, devemos decididamente pôr termo a esse engano.

Nós não somos os pensamentos e as emoções. Por isso é que podemos e devemos transformá-los para melhor, a pouco e pouco. Ponhamos definitivamente de lado o pensar e sentir que somos azarados, feios, inferiores aos outros, enfermiços e fracos, etc.. Esses estados só nos podem prejudicar. Não servem absolutamente para nada de bom. Por que Mantê-los, então?

No Livro de Jó, lemos: “O que eu temia me veio; o que eu receava, me aconteceu”. Jó teve consciência disso. Mas a maioria não percebe o que pensa e teme e atrai. Por isso acusa circunstâncias, pessoas e até a Deus. As situações e pessoas aparentemente nos podem limitar e afligir, mas na realidade o que conta são as nossas reações a elas. Não podemos mudar a vida e as pessoas, mas podemos mudar o nosso modo de encarar e reagir a elas: de modo mais inteligente, equilibrado e compreensivo. Isso nos permitirá dominar a vida em vez de sermos dominados por ela. Ser-nos-á Mestra, em vez de verduga.

Ensina Jesus: “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. E: “a boca fala do que está cheio o coração”. Isto quer dizer que exteriorizamos o que pensamos e sentimos. E se não for positivo, influirá negativamente em nossas atividades e relacionamentos. Aquilo que mantemos em nossos pensamentos e emoções, edificam o “lar psicológico” em que vivemos. Ora, não importa a vida que tivemos, os desafios por que passamos: esqueçamos tudo isso e procuremos, hoje, formar um templo de harmonia, de júbilo, de progresso e de saúde, com novos e melhores pensamentos e emoções!

O ser humano deve aprender a ser feliz, tomando cada vez mais consciência do que sente e pensa; deve aprender a ser sábio e amoroso, pensando segundo a verdade dos Mestres e amando como Eles amaram, dentro, é claro, da prudência e não-resistência que a vida aí fora nos exige.

Diz o Senhor pela boca de Isaías: “Assim como a chuva desce para regar a terra e fazê-la produzir pão ao que come, assim será a palavra que sair de minha boca: ela não me voltará vazia. Antes fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”(Isaías 55:10-11). Devemos ter este propósito: de automaestria, de governo consciente do que falamos, para modelarmos emoções, palavras e atos que sejam para o nosso bem e o dos nossos semelhantes.

Então, em que devemos pensar? Como devemos pensar? Deixamos S. Paulo responder-nos, com beleza e simplicidade: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe os vossos pensamentos. E o Deus da paz será convosco”! (Filip. 4:8-9). v

Extraído do “Manual de Cura”, livreto de orientação aos participantes da Corrente de Oração UNIDADE.
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Por isso vos digo: Todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão. (Marcos, 11:24)

Seria ilógico concluir-se, desta máxima: “Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado”, que basta pedir para obter é injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. Assim procede o pai prudente, que recusa ao filho o que lhe será prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas, se o sofrimento é útil para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.

O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda das idéias que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da ação. Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: “Ajuda-te que o céu te ajudará”, e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Mas, na maioria das vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos.

Allan Kardec no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” - cap. XXVII, item 5 e 7.
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Elevando o seu espírito magnânimo ao Pai Celestial e colocando o seu amor acima de todas as coisas, Jesus nos ensinou a orar:

—“Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.”

E, ponderando que a redenção da criatura nunca se poderá efetuar sem a misericórdia do Criador, considerada a imensa bagagem das imperfeições humanas, continuou:

—“Venha a nós o teu reino.”

Dando a entender que a vontade de Deus, amorosa e justa, deve cumprir-se em todas as circunstâncias, acrescentou:

—“Seja feita a tua vontade, assim na Terra como nos céus.”

Esclarecendo que todas as possibilidades de saúde, trabalho e experiência chegam invariavelmente, para os homens, da fonte sagrada da proteção divina, prosseguiu:

—“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Mostrando que as criaturas estão sempre sob a ação da lei de compensações e que cada uma precisa desvencilhar-se das penosas algemas obscuro pela exemplificação sublime do amor, acentuou:

—“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”

Conhecedor, porém, das fragilidades humanas, para estabelecer o princípio da luta eterna dos cristãos contra o mal, terminou a sua oração, dizendo com simplicidade:

—“Não nos deixes cair em tentação e livra-nos de todo o mal, porque teus são o reino, o poder e glória para sempre. Assim seja.”

Humberto de Campos in Boa Nova — Editora: FEB          

BUSCAI E ACHAREIS - ESE

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec

CAPITULO XXV BUSCAI E ACHAREIS

AJUDA-TE, E O CÉU TE AJUDARÁ

1. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede, recebe; e o que busca, acha; e a quem bate, abrir-se-á. Ou qual de vós, porventura, é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, porventura, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Pois se vós outros, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas dádivas aos que lhas pedirem.
Mateus, 7: 7 a 11.

2. Segundo o modo de ver terreno, a máxima: Buscai e achareis, é semelhante a esta outra: Ajuda-te, e o céu te ajudará. É o princípio da lei do trabalho, e, por conseguinte, da lei do progresso. Porque o progresso é produto do trabalho, desde que é este que põe em ação as forças da inteligência.

Na infância da Humanidade, o homem só aplica a sua inteligência na procura de alimentos, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos inimigos. Mas Deus lhe deu, a mais do que ao animal, o desejo constante de melhorar, ou seja, essa aspiração do melhor, que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua situação, levando-o às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, pois é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Graças às suas pesquisas, sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. Às necessidades do corpo, sucedem as necessidades do espírito: após o alimento material, ele necessita do alimento espiritual. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.

Mas o progresso que cada homem realiza individualmente, durante a vida terrena, é coisa insignificante, e num grande número deles, até mesmo imperceptível. Como, então, a Humanidade poderia progredir, sem a preexistência e a reexistência da alma? Se as almas deixassem a Terra todos os dias, para não mais voltar, a Humanidade se renovaria sem cessar com as entidades primitivas, que teriam tido a fazer e tudo a aprender. Não haveria razão, portanto, para que o homem de hoje fosse mais adiantado que o dos primeiros tempos do mundo, pois que, para cada nascimento, o trabalho intelectual teria de recomeçar. A alma voltando, ao contrário, com o seu progresso já realizado, e adquirindo de cada vez alguma experiência a mais, vai assim passando gradualmente da barbárie à civilização material, e desta à civilização moral.

3. Se Deus tivesse liberado o homem do trabalho físico, seus membros seriam atrofiados; se o livrasse do trabalho intelectual, seu espírito permaneceria na infância, nas condições instintivas do animal. Eis porque ele fez do trabalho uma necessidade, e lhe disse: Busca e acharás; trabalha e produzirás; e dessa maneira serás filho das tuas obras, terás o mérito da sua realização, e serás recompensado segundo o que tiveres feito.

4. É em virtude da aplicação desse princípio, que os Espíritos não vêm poupar ao homem o seu trabalho de pesquisar, trazendo-lhe descobertas e invenções já feitas e prontas para a utilização, de maneira a só ter que tomá-las nas mãos, sem sequer o incômodo de um pequeno esforço, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia enriquecer-se, e o mais ignorante tornar-se sábio, ambos sem nenhum esforço, e atribuindo-se o mérito do que não haviam feito. Não, os espíritos não vêm livrar o homem da Lei do Trabalho, mas mostrar-lhe o alvo que deve atingir e a rota que o leva a ele, dizendo: Marcha e o atingirás! Encontrarás pedras nos teus passos; mantém-te vigilante, e afasta-as por ti mesmo! Nós te daremos a força necessária, se quiseres empregá-la.

5. Segundo a compreensão moral, essas palavras de Jesus significam o seguinte: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos Bons Espíritos, e eles virão ajudar-vos, e como o anjo de Tobias, vos servirão de guias: pedi bons conselhos, e jamais vos serão recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta; mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que sofrerdes constituirão a punição do vosso orgulho.
É esse o sentido dessas palavras do Cristo: Buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á.

OLHAI AS AVES DO CÉU

6. Não queirais entesourar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam. Mas entesourai para vós tesouros no céu, onde não os consomem a ferrugem nem a traça, e onde os ladrões não os desenterram nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração.

Portanto vos digo: Não andeis cuidadosos de vossa vida: que comereis? nem para o vosso corpo: que vestireis? Não é mais a alma do que a comida, e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, o vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais do que elas? E qual de vós, discorrendo, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E por que andais vós solícitos pelo vestido? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam; digo-vos mais: que nem Salomão, em toda a sua glória, se cobriu jamais com um deles. Pois se ao feno do campo, que hoje é, e amanhã é lançado ao forno, Deus veste assim, quanto mais a vós, homens de pouca fé! Não vos aflijais, dizendo: o que comeremos, ou o que beberemos, ou com o que nos cobriremos? Porque os gentios é que se cansam por estas coisas. Porquanto vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas se vos acrescentarão. E assim não andeis inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará o seu cuidado; e ao dia basta a sua própria aflição.
MateuS, 6: 19-21, 25-34.

7. Se tomássemos estas palavras ao pé da letra, elas seriam a negação de toda a providência e de todo o trabalho, e conseqüentemente, de todo o progresso. Seguindo esse princípio, o homem se reduziria a um espectador passivo. Suas forças físicas e intelectuais não seriam postas em atividade. Se a essa tivesse sido a sua condição normal na Terra, ele jamais sairia do estado primitivo, e se adotasse agora esse princípio, não teria mais nada a fazer. É evidente que não poderia ter sido esse o pensamento de Jesus, porque estaria em contradição com o que ele já dissera em outras ocasiões, como no tocante às leis da natureza. Deus criou o homem sem roupas e sem casa, mas deu-lhe a inteligência para produzi-las.

Não se pode ver nestas palavras, portanto, mais do que uma alegoria poética da Providência, que jamais abandona os que nela confiam, mas com a condição que também se esforcem. É assim que, se nem sempre os socorre com ajuda material, inspira-lhes os meios de saírem por si mesmos de suas dificuldades.

Deus conhece as nossas necessidades, e a elas provê, conforme for necessário. Mas o homem, insaciável nos seus desejos, nem sempre se contenta com o que tem. O necessário não lhe basta, ele quer também o supérfluo. É então que a Providência o entrega a si mesmo. Freqüentemente ele se torna infeliz por sua própria culpa; e, por não haver atendido as advertências da voz da consciência; e Deus o deixa sofrer as conseqüências, para que isso lhe sirva de lição no futuro.

8. A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar a sua produção, segundo as leis da justiça, da caridade e do amor do próximo. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o que sobrar para um, em determinado momento, suprirá a insuficiência momentânea do outro, e todos terão o necessário. O rico, então, considerará a si mesmo como um homem que possui grandes depósitos de sementes: se as distribuir, elas produzirão ao cêntuplo, para ele e para os outros; mas, se as comer sozinho, se as desperdiçar e deixar que se perca o excedente do que comeu, elas nada produzirão, e todos ficarão em necessidade. Se as fechar no seu celeiro, os insetos as devorarão. Eis porque Jesus ensinou: Não amontoeis tesouros na terra, pois são perecíveis, mas amontoai-os no céu, onde são eternos. Em outras palavras: não deis mais importância aos bens materiais do que aos espirituais, e aprendei a sacrificar os primeiros, em favor dos segundos. Não é através de leis que se decretam a caridade e a fraternidade. Se elas não estiverem no coração, o egoísmo as asfixiará sempre. Fazê-las ali penetrar, é a tarefa do Espiritismo.

NÃO VOS CANSEIS PELO OURO

9. Não possuais ouro nem prata, nem levai dinheiro nas vossas cintas; nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão, porque digno é o trabalhador do seu alimento.

10. E em qualquer cidade ou aldeia que entrardes, informai-vos de quem há nela digno, e ficai ali, até que vos retireis. E ao entrardes na casa, saudai-a, dizendo: A paz seja nesta casa. E se aquela casa na realidade o merecer, virá sobre ela a vossa paz; e se não o merecer, tornará para vós a vossa paz. Sucedendo não vos querer alguém na casa, nem ouvir o que dizeis, ao sair para fora da casa, ou da cidade, sacudi o pó de vossos pés. Em verdade vos afirmo: menos rigor experimentará no dia do juízo a terra de Sodoma e de Gomorra, do que aquela cidade.
Mateus, 10: 9-15.

11. Estas palavras, que Jesus dirigia aos seus apóstolos, ao enviá-los a anunciar a boa nova pela primeira vez, nada tinham de estranho naquela época. Estavam de acordo com os costumes patriarcais do oriente, onde o viajor era sempre bem recebido. Mas então eles eram raros. Entre os povos modernos, o aumento das viagens teria de criar novos costumes. Só encontramos agora os do tempo antigo nas regiões distantes, onde o tráfico intenso ainda não penetrou. Se Jesus voltasse hoje à Terra, não poderia mais dizer aos seus apóstolos: Ponde-vos a caminho sem provisões.

Juntamente como seu sentido próprio, essas palavras encerram um sentido moral bastante profundo. Jesus ensinava, assim, aos seus discípulos, a se confiarem à Providência. Além disso, desde de que nada possuíam, eles não podiam tentar a cupidez dos que os recebiam. Era um meio pelo qual distinguiriam os caridosos dos egoístas, e por isso lhes disse: "Informai-vos de quem é digno a vos receber", ou seja, de quem é suficientemente humano para abrigar o viajor que nada pode pagar, porquanto esses são dignos de ouvir as vossas palavras, e é pela sua caridade que os reconhecereis.

Quanto aos que nem sequer os quisessem receber, nem ouvir, recomendou ele aos apóstolos que os amaldiçoassem? Ou recomendou que se impusessem a eles, e usassem de violência, para os constranger a se converterem? Não, mas que se retirassem pura e simplesmente, à procura de gente de boa vontade.

Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: Não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para adotar a vossa; não lanceis o anátema sobre os que não pensam como vós. Acolhei os que vos procuram e deixai em paz os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo: antigamente o Céu era tomado por violência, mas hoje o será pela caridade e pela doçura.

A Prece


"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á." (Mateus, 7:7)


A prece é um ato de adoração, que consiste da elevação do pensamento a Deus (“O Livro dos Espíritos”, questões 649 e 659). Allan Kardec esclarece, no item 9 do cap. XXVII e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”[1], que “a prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação. Podemos orar por nós mesmos ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces feitas a Deus escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades; as que se dirigem aos bons Espíritos são reportadas a Deus. Quando alguém ora a outros seres que não a Deus, fá-lo recorrendo a intermediários, a intercessores, porquanto nada sucede sem a vontade de Deus.”

Na Obra “Entre a Terra e o Céu”[2], André Luiz ouviu o Ministro Clarêncio apresentando importantes elucidações a respeito da prece, das quais destacamos:

“A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina.”
(...)
“Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras.”

Martins Peralva, na obra “Estudando a Mediunidade”[3], classifica a prece em três grupos, a saber:

“Sendo a prece «um apelo», evidentemente somos levados a, de acordo com as instruções dos Benfeitores Espirituais, classificá-la de vários modos.”

“Em primeiro lugar, teremos a «prece vertical», isto é, aquela que, expressando aspirações realmente elevadas, se projeta na direção do Mais Alto, sendo, em face dos mencionados princípios de afinidade, recolhida pelos Missionários das Esferas Superiores.”

“Em segundo lugar, teremos a «prece horizontal», traduzindo anseios vulgares. Essa prece não terá impulso oblíquo ou vertical, porque encontrará ressonância entre aqueles Espíritos ainda ligados aos problemas terrestres, vivendo, portanto, horizontalmente.”

“Por fim, teremos a descendente. A essa não daremos a denominação de «prece», substituindo-a por «invocação», consoante aconselha o Ministro Clarêncio («Entre a Terra e o Céu» — André Luiz».)”

“Na «invocação», o apelo receberá a resposta de entidades de baixo tom vibratório. São os petitórios inadequados, expressando desespero, rancor, propósitos de vingança, ambições, etc.”


Foto de Alvaro Cordeiro
"Pai, (...) não se faça a minha vontade, mas sim a tua." (Lucas 22:42)


Atendo-nos à prece vertical, conforme definido acima, a prece será eficaz se possuidora de vibrações capazes de atingir o Alto. Kardec, no preâmbulo do capítulo XXVIII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, afirma que a prece deve ser inteligível; clara; simples; concisa e sem fraseologia inútil — em suma, deve fazer refletir.

A fim de evitar a confusão do entendimento de “prece eficaz” com “atingir o que se quer”, o Codificador informa, no item 12 do capítulo XXVII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “Admitamos que o homem nada possa com relação aos outros males; que toda prece lhe seja inútil para livrar-se deles; já não seria muito o ter a possibilidade de ficar isento de todos os que decorrem da sua maneira de proceder? Ora, aqui, facilmente se concebe a ação da prece, visto ter por efeito atrair a salutar inspiração dos Espíritos bons, granjear deles força para resistir aos maus pensamentos, cuja realização nos pode ser funesta. Nesse caso, o que eles fazem não é afastar de nós o mal, porém, sim, desviar-nos a nós do mau pensamento que nos pode causar dano; eles em nada obstam ao cumprimento dos decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza; apenas evitam que as infrinjamos, dirigindo o nosso livre-arbítrio. (...) É isso o que o homem pode estar sempre certo de receber, se o pedir com fervor, sendo, pois, a isso que se podem sobretudo aplicar estas palavras: ‘Pedi e obtereis.’ (Marcos, cap. XI, v. 24)”

O Espírito V. Monod, no item 22 do capítulo XXVII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, também recomenda atenção ao tipo de prece que se faz. Em suas palavras:

“A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como o fazem muitos: ‘Não vale a pena orar, porquanto Deus não me atende.’ Que é o que, na maioria dos casos, pedis a Deus? Já vos tendes lembrado de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh! não; bem poucas vezes o tendes feito. O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos e haveis com freqüência exclamado: ‘Deus não se ocupa conosco; se se ocupasse, não se verificariam tantas injustiças.’ Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, quase sempre depararíeis, em vós mesmos, com o ponto de partida dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, que vos possais melhorar e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.”


A respeito deste tema, leia também, neste blog, as postagens “A Prece (2)”, “Vigiai e Orai”, “Deus ajuda...”, “O fariseu e o publicano”, “Maus Pensamentos”, “Sintonia espiritual” e “Dia de Finados”.


Bons estudos!
Carla e Hendrio


1. KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 2ª ed. de bolso. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1999.
2. XAVIER, Francisco Cândido. “Entre a Terra e o Céu”. 17ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1997. Cap. 1.
3. PERALVA, Martins. “Estudando a Mediunidade”. 12ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1987. Cap. 33.


Leia mais no endereço: http://licoesdosespiritos.blogspot.com/2009/08/prece.html#ixzz2Xuw8VASy

Pedi, batei - palestra de Vânia Vasconcelos

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Buscai e achareis

Rodolfo Calligaris

"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á;
porque todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham;e a quem bate, se abre."
(Mateus, 7:7-8.)

Com essas palavras, Jesus exortou à oração e à confiança em Deus, na certeza de que Ele não deixará, jamais, de atender às nossas necessidades, sejam elas coisas materiais ou espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando por obtê-las.

Para não deixar a menor dúvida sobre esse ponto, após fazer aquela tríplice referência à solicitude com que devemos conduzir-nos, para que o céu nos ajude, o Mestre repete-a, afirmando, categoricamente, que "todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre".

Muitos homens supõem que, sendo Deus onisciente, sabe perfeitamente o de que carecemos e tudo fará por nós sem que precisemos pedir-Lhe nada, nem dar-nos a qualquer incômodo.

Demonstram, com essa atitude, que não compreenderam as promessas do Evangelho.

Primeiramente, a razão do "pedir" não é informar a Deus do que havemos mister, nem lembrá-Lo de algo que, porventura, tenha esquecido, porque, de fato, Ele sabe de tudo a nosso respeito e não é de Sua natureza fazer-se rogado para derramar-nos as Suas bênçãos.

Com o "pedir", confessamos nossa indigência, nossa fraqueza, e, com esse ato de humildade e de fé, teríamos aquelas condições de receptividade indispensáveis para que a graça divina possa atuar sobre nós, fortalecendo-nos o ânimo, de modo a levarmos a bom termo os nossos empreendimentos, inspirando-nos soluções adequadas aos problemas que nos aflijam, assim como infundindo-nos paciência e resignação, quando se trate de vencermos uma prova difícil.

Não basta, porém, pedir. É preciso, em complemento, "procurar" e "bater", isto é, que nos mexamos, que trabalhemos persistentemente, até atingirmos o objetivo colimado.

Assim, quer almejemos a conquista de uma situação mais confortável, quer desejemos vencer nossas inferioridades morais a fim de formarmos um caráter reto, seja o benefício que for, os esforços próprios são absolutamente necessários.

Esperar que Deus nos dê esses bens, dispensando-nos de qualquer colaboração, fora insensatez, porquanto, neste ou naquele terreno, "o progresso é filho do trabalho".

Há outra classe de homens que, igualmente, nada pedem a Deus. É a dos auto-suficientes, que, confiando apenas em si mesmos, julgam tudo poderem conseguir só com os recursos de sua inteligência e operosidade.

A esse Deus não castiga, como erroneamente se afirma por aí, mas abandona-os às próprias forças. As quedas e frustrações que, na certa, virão a sofrer, incumbir-se-ão de abater-lhes o orgulho, fazendo que reconheçam suas limitações e se voltem para o Alto.

Não sejamos, portanto, nem dos que se mantêm apáticos, inertes, esperando que Deus preveja e proveja tudo para eles; nem destes outros, arrogantes, presunçosos, que acreditam poderem prescindir do auxílio de Deus.

Oremos, confiantes, e trabalhemos, perseverantes; assim procedendo, sempre acharemos quem nos estenda mãos amigas, e todas as portas abrir-se-nos-ão, pois não há obstáculos que não sejam removidos ante o empenho de uma vontade inquebrantável, aliada a uma fé viva e operante.

Pedí, e dar-se-vos-á

Narrativa Evangélica


7 Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.
8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.
9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
10 Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?
 Comentários do GEET

 Jesus nestes versículos apresenta a Providência Divina ou as leis universais divinas que nos protegem e nos encaminham para a perfeição segundo a determinação do Pai supremamente Justo e Bom.

A comparação do Mestre é com os pais terrenos que mesmo sendo “maus”, isto é, imperfeitos ainda, já procuram dar boas coisas aos seus filhos, o que diria do Pai Perfeito que é Deus.

Pensemos em algo diferente para meditarmos no ensino de Jesus. Qual o pai que dá ao filho de menor, que ainda não sabe escolher, algo que lhe faça mal como drogas ou veneno? Da mesma forma se pedíssemos a Deus algo que nos faça mal, Ele nos daria?

Assim, Jesus se referia aos valores espirituais, como em todas as suas lições. Pedir, buscar e bater se refere a valores da alma. O pão e o peixe que o homem deve pedir é o ensinamento do alto que nos orienta para o bem e o amor que nos sublima. A pedra e a serpente são a indiferença e a maldade, que nossos benfeitores espirituais seriam incapazes de nos deixar.

A ética deste conhecimento é que não estamos desamparados no bem. O Pai sabe o que precisamos e nos aguarda o amadurecimento para que alcancemos os seus presentes para nós. É a ética da lei de ação e reação, da evolução e do merecimento.



Mensagem Espiritual


Que a paz do Mestre possa, nesse momento ser o presente, passado e o futuro a nos plenificar as ações e os sentimentos.

Quão consoladora e substanciosa a lição do Mestre estudada na noite de hoje. Gostaríamos de acrescentar aos vários comentários da noite de hoje a nossa humilde colaboração.

Entendemos, que nessa passagem o Mestre Jesus nos ensina a respeito da nossa relação com o Creador  na constante  e evolutiva  manifestação do amor.

Inicialmente pedimos, vibramos, pensamos e sentimos. E se vibramos amor receberemos de volta amor. Posteriormente, iniciamos o caminho para a ação através da busca e passamos então a buscar e se nos arriscarmos a buscar o amor o encontraremos.

E continuando a evolução, não satisfeitos em apenas vibrar o amor, buscar o amor, vamos bater, trabalhar, agir, materializar o amor. E então, assim, abrir-se-nos-a a porta da felicidade.

Jesus nos ensina que, qual o pai que o filho não requisitar dele carinho e amor lhe retribuirá com o ódio e indiferença? O Pai amoroso, bondoso, justo e perfeito nos aguarda a requisição para vivenciarmos o amor. Para então, adentrarmos em seu Reino de Luz, de Justiça e Sabedoria. Para plenos de felicidade entender o real sentido da Vida.

O Amigo Espiritual de Sempre.  

O desejo oculto - Adenáuer Novaes

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á.” Mateus, 7:7.

Nas várias vidas sucessivas estabelecemos metas que nem sempre alcançamos. Desejos reprimidos, frustrações não resolvidas, que acabam por ocupar um grande espaço na psiquê. Vão se somando, tornando-se um grande e enovelado complexo, cuja dissolução se torna impraticável a curto espaço de tempo. Os grandes feitos e as conquistas morais do Espírito acabam por reduzir gradativamente o tamanho daquele complexo, permitindo que se viva sem que ele necessariamente constele ou suba à consciência.

As desencarnações prematuras (crianças, jovens, adultos-jovens), ocorridas principalmente por acidentes, mesmo que obedecendo o necessário planejamento, provocam, após o desencarne, a frustração de planos que foram cuidadosamente elaborados e que se constituíram na razão de viver do  ex-encarnado. Esses cortes num futuro que fora antecipadamente idealizado, promovem o surgimento de desejos internos, guardados em camadas da psiquê, que anseiam por realizar-se. Face ao esquecimento do passado, tornam-se núcleos de ansiedade e tristeza, cuja erradicação necessitará de realização ou reelaboração do que foi negado.

Aos poucos esses desejos íntimos são organizados num processo único ou em alguns semelhantes, que, quando realizados, preenchem de satisfação o Espírito, sem que ele se dê conta do motivo de sua incontida alegria. O acúmulo demasiado dessas frustrações provoca crises depressivas, além de baixa auto-estima.

Nesse sentido, podemos dizer que a psiquê, como uma função do Espírito, tem a capacidade de armazenar os desejos mais recônditos e, no momento oportuno, realizá-los a fim de liberá-lo da contenção sofrida. O pedido antes feito, em algum tempo, quando as circunstâncias favorecerem, será realizado. Nem sempre da mesma forma que foi solicitado, face à união com outros desejos que se assemelham, mas algo será realizado.

A colocação do Cristo vai ao encontro do Self, tendo em vista sua função ordenadora e condutora psíquica do desenvolvimento do Espírito. Na medida que evoluímos, cada vez mais reestruturamos a nossa psiquê, que passa a atender a novos modos de executar as emoções, pensamentos e desejos do Espírito. Pedir é, em certo sentido, estabelecer novo modo de execução. A repetição do pedido provocará uma reorganização na função de execução, promovendo a obtenção do que se solicitou. 

A psiquê funciona como um canal condutor da vontade do Espírito. A exemplo de um canal condutor de um líquido, que, se alterada sua forma, modificará o formato do contorno do líquido conduzido, a psiquê poderá ser remodelada, modificando o produto desejado. A vontade, a emoção e o pensamento, oriundos do Espírito, serão exteriorizados de formas distintas a depender da estrutura da psiquê, veículo (função) responsável pela execução.

A afirmação do Cristo se dirige também à intimidade psíquica do Espírito. Seu alcance permite que o Espírito registre o poder que possui, bem como a responsabilidade de sua vontade sobre o mundo. A vontade gera emoções,que, por sua vez, geram pensamentos, e estes, atitudes que nos situam no mundo. Somos responsáveis pelo que queremos, sentimos, pensamos e fazemos ou deixamos de fazer.

A mente humana executa os nossos desejos mais íntimos, face a uma função estrutural, enraizada no Espírito. Pedir a Deus, à Vida ou ao Universo, não importa o nome que se dê, torna-se, dessa forma, algo importantíssimo, face às conseqüências que acarreta ao Espírito. “Pedi, e dar-sevos-á” funciona como um alerta, isto é, parece que o Cristo nos previne: Cuidado! O que você desejar, obterá, pois há uma função que se estruturará para atender seu pedido.

O pedido que fazemos, nem sempre é atendido como o queremos, pois nos falta percepção do que é melhor para nosso processo evolutivo. Se pedirmos algo inadequado, inconveniente ou mesmo impossível, a psiquê se estruturará para nos oferecer as circunstâncias que favorecerão uma lição que nos eduque a pedir.

Mobilizamos o universo a nossa volta com nossos desejos. O universo conspira a favor da evolução do
Espírito. As leis de Deus funcionam nesse sentido. Quanto mais evoluídos somos, mais flexível se torna nosso destino, mais capacidade temos de modificá-lo. Isso possibilita que estruturemos a psiquê a serviço do amor, da harmonia e da paz, sem que criemos mecanismos artificiais de desenvolvimento mental. Aprendemos, aos poucos, através das repetidas experiências reencarnatórias e com paciência, como pedir e obter o que é melhor para o Espírito, e não para o ego.

Os pedidos que normalmente fazemos à Vida, ou mesmo a Deus, se situam na esfera do desejo do ego e se destinam a atender as necessidades materiais, porém esses pedidos são geralmente aqueles em que não obtemos o objeto desejado. No lugar do objeto recebemos lições que novamente nos ensinarão a aprender a pedir.

Muito cuidado devemos ter ao pedir, pois estaremos modificando nossa estrutura psíquica, face à força do desejo e aos poderes que atribuímos ao ego. Acertadamente responderam os Espíritos Codificadores a Allan Kardec sobre o maior obstáculo ao progresso, como sendo o egoísmo ao lado do orgulho.

Esse desejo interno que todos temos, e que às vezes se manifesta como o de possuir, de viver, de amar, de crescer, vem do Espírito, porém, quando o fazemos para satisfação exclusivamente pessoal, ele provém do ego, tornando-se egoísmo.

O universo do ser humano nasce com sua consciência da própria existência. Não há Vida real sem a consciência da existência e do motivo para o qual se existe. O evangelho, ou a mensagem do Cristo, ou mesmo a mensagem transformadora do Espiritismo, possibilita, quando vivida, a consciência da existência.

A afirmação do Cristo “pedi, e dar-se-vos-á” possibilita a percepção de que o mundo se configura na forma como o enxergamos. Ele passa a ter os contornos dos nossos desejos e das nossas atitudes. A flexibilidade da vida é uma atribuição nossa, tanto quanto sua rigidez. O mundo é o que vemos e sentimos. Como a realidade é não o sabemos, porém, com certeza, ela é mais do que somos capazes de concebê-la. Essa parcela da realidade que não somos capazes de captar representa aquilo que necessitamos ir em busca. Quando a conquistarmos, veremos que ainda nos falta muito, mas muito mais do que imaginávamos. Os limites do corpo e as capacidades limitadas da psiquê não permitem aquela visão completa.

Nesse sentido, podemos entender a afirmação categórica do Cristo: “Aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará.”, isto é, há muito mais a se conhecer sobre nós mesmos do que imaginamos que já sabemos. É um processo contínuo de crescimento que jamais cessa.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Fatalidade existe, mas é relativa


Foi o genial Malba Tahan quem introduziu no português a expressão maktub, marca registrada do talento de Bariani Ortêncio em Goiás. Para quem não sabe, quando o maometano exclama:
– Maktub! – ele está manifestando o seu fatalismo e querendo dizer que estava escrito, tinha que acontecer. Em árabe, essa palavra é o particípio passado do verbo katab, que significa escrever. De certa forma, eqüivale ao “seja lá o que Deus quiser” dos cristãos, por meio do qual ele manifesta sua conformação com os desígnios insondáveis da vontade divina.
Existe mesmo a fatalidade?  
Existe, mas é relativa. Ensinam Emmanuel e Francisco Cândido Xavier que não há fatalidade para o mal e sim destinação para o bem. É por isso que a todas as criaturas foi concedida a bênção da razão, como luz essencial no caminho. Santo Agostinho afirma que a sede de luz, no viajor que ainda atravessa as regiões da sombra, é fatalidade.
Em O Livro dos Espíritos (Livro III, capítulo X), Allan Kardec pergunta: “O homem, por sua vontade e por seus atos, pode fazer com que os acontecimentos que deveriam ocorrer não ocorram, e vice-versa?” 
Os Espíritos Superiores respondem: “Ele pode, desde que esse desvio aparente possa se harmonizar com a vida que escolheu. Ademais, para fazer o bem, como o deve ser, e como isso é o único objetivo da vida, pode impedir o mal”.
O Codificador da Doutrina Espírita insiste, indagando se o livre arbítrio, presente de Deus ao homem, não deixa de existir com a fatalidade. Os Espíritos Superiores esclarecem: 
“A fatalidade não existe senão pela escolha que fez o espírito, antes de reencarnar, de suportar essa ou aquela prova. Escolhendo, ele traçou uma espécie de destino. Falamos das provas físicas, porque para o que é prova moral e tentações, o espírito, conservando seu livre arbítrio sobre o bem e sobre o mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Um bom espírito vendo-o fraquejar pode vir em sua ajuda, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar sua vontade. Um espírito mau, quer dizer, inferior, mostrando-lhe, exagerando-lhe um perigo físico, pode abalá-lo e assustá-lo, mas a vontade do espírito encarnado não fica menos livre de todos os entraves”. 
Os Espíritos Superiores asseguram que ninguém pode morrer antes da hora, a não ser que se suicide, o que constitui crime gravíssimo. Eles deixam claro:
“Tu não perecerás antes da hora e disso tens milhares de exemplos. Mas quando chega a hora de partir, nada pode te livrar dela. Deus sabe, antecipadamente, de qual gênero de mortes partirás daqui e, frequentemente, teu espírito o sabe também, porque isso lhe é revelado quando lhe faz escolha de tal ou tal existência”. 
Camille Flammarion, o famoso astrônomo que trabalhou com Kardec, frisa, no seu livro A Morte e o Seu Mistério, que o fatalismo é a doutrina dos sonolentos que, pura e simplesmente, aguardam os acontecimentos, ao invés de se esforçarem para os evitar ou modificar, quando o homem é ativo e não passivo e, só ele mesmo, pode construir o seu futuro.
Muita gente pergunta o que vem a ser reforma íntima, que proporcionaria ao homem viver, na Terra e no mundo espiritual, experiências cada vez mais felizes. 
Está em O Livro dos Espíritos que Deus cria constantemente espíritos, simples e ignorantes para, através do esforço próprio, no exercício do livre arbítrio, se aperfeiçoar até se tornar anjos. Nessa caminhada de milênios para a luz, sendo simples e ignorante e desfrutando de liberdade ou livre arbítrio, ele erra muito. Um dia chegará a anjo, que é puro e sábio. A pureza, o espírito em evolução adquire através da dor ou do amor. A sabedoria lhe vem através da experiência adquirida nas reencarnações. 
É ensinamento do Cristo que devemos fazer crescer dentro de nós o homem novo, quer dizer, liberto de suas misérias morais. O homem novo ama o próximo. Ele retirou da sua alma o ciúme e a maldade, a impaciência e o mau humor, o orgulho e a vaidade, a maledicência e a inveja, essas e todas as demais manifestações nefandas do egoísmo. Ele fez sua reforma íntima.
Allan Kardec, n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, evidencia que a reforma íntima é individual e intransferível. Não a podemos fazer por outrem e ninguém a pode realizar por nós. 
Reforma íntima é eliminar o nosso ego humano e desenvolver o nosso Eu divino. Reforma íntima é o desenvolvimento contínuo e progressivo das perfeições que jazem latentes no nosso espírito.
Assim, quem pretende se tornar cada vez mais feliz, precisa acelerar sua reforma íntima que, com certeza, já começou. Nosso próximo é nosso trampolim para Deus. É impossível servir a Deus sem servir ao próximo. Ele constitui, na realidade, nosso mais importante patrimônio.
Gibran Khalil, o grande pensador árabe do século passado, imagina Jesus, o Filho do Homem, ensinando a Pedro:
– Vosso próximo é o vosso Eu morando atrás de uma parede. Pela compreensão, todas as paredes cairão. Vosso próximo é também a manifestação do Altíssimo, que não conheceis. Eu gostaria que amásseis vosso próximo como eu vos amei.
(Jávier Godinho, jornalista)

domingo, 9 de junho de 2013

Reforma Íntima

Amigos,

Falando em relatividades (clique aqui para ler o texto), comecei a pensar sobre a tal da “Reforma Íntima”, citada algumas vezes pelos nossos escritores espíritas. Sempre dizem que precisamos fazer a reforma íntima, ou seja, precisamos pensar em nós e em nossas posições perante a vida e a relação com os irmãos. Mas, será que até mesmo essa reforma íntima é relativa? E quando sabemos que estamos indo bem nesse aspecto ou não?

Eu não tenho as respostas mais corretas para essas questões, mas tenho algo que, para mim, faz muito sentido. Olhemos nossas vidas com sinceridade. Ela é a resposta.

Sim, a vida nos responde no dia a dia. Quando vamos reencarnar, aceitamos uma série de questões a serem melhoradas em nossos “eus” espirituais. Quanto espíritos, temos uma visão sem os limites da matéria e conseguimos entender que algumas situações ruins de nossa existência acontecem para facilitar nosso aprendizado. Obviamente esse aprendizado é extremamente individual, cada um sabe o que tem que ser desenvolvido e isso tudo é acertado antes mesmo da concepção.

Certo, entendemos que alguns problemas pelos quais passamos são frutos dessa nossa escolha com a finalidade única de aprendermos alguma coisa. Esse é, também, mais ou menos o princípio da reforma íntima: observarmos nossos passos para ver se nos mantemos em linha reta e, acima de tudo, andamos para frente.

Bom, como a vida pode nos responder a isso tudo? Simples: quando nossa vida está bem em seu sentido mais amplo. Como está sua reação com a família? Com os amigos? Com seus pares? Você anda sorrindo mais do que chorando? Você tem mais respostas boas que ruins? Lembram-se que estudamos que os iguais se atraem, quando falamos de energias e de espíritos? Pois bem; se sua reforma íntima está em dia, se você está progredindo como pessoa, a tendência é que você tenha mais respostas positivas em sua vida. Quando isso falhar, a vida se encarregará de te dar respostas negativas novamente.

Nós, espiritualistas, às vezes temos nesse pequeno pormenor a vaidade de apontar um irmão e dizer que ele não faz corretamente sua reforma íntima. Mas esquecemos de olharmos para nós e observarmos a nossa própria reforma. Às vezes temos a tendência de observar as conquistas do irmão com certo desdém mas, se é uma conquista, é porque ele fez por merecer. O julgo é complicado nesses momentos porque, quase sempre, é carregado de egoísmo, vaidade e, muitas vezes, rancor.

Eu não sei, na verdade. Vocês que me acompanham há algum tempo sabem como costumo agir: no final do dia, relembro o dia todo tentando encontrar as situações pelas quais passei e ver onde agi mal e onde agi bem. Quando vejo que agi bem, deixo isso passar. Quando vejo que agi mal, tomo como lição e tento não deixar mais acontecer. Não sei se esse é o melhor caminho mas é o qual eu acredito e, para ser sincero, é isso que me faz um Soldado de Oxalá: a noção de que não sou perfeito e de que posso errar.

E o que eu quero dizer com isso tudo?

Reforma íntima é íntima. É de cada um para consigo mesmo. Não é algo que importe a outros e não é algo dos outros que importe a você. Cada um segue seu caminho rumo ao Pai Maior, seja lá qual nome damos a Ele e achar que um irmão não faz isso direito é, no mínimo, vaidade de sua parte. Afinal, quem seria você, nesse meio, para julgar alguém?

Cuidado com seus apontamentos. Dificilmente nós conseguimos ver no irmão aquilo que não temos em nosso coração. Se você só vê maldade, talvez seja hora de repensar sua própria reforma íntima.

Abs.

http://www.artefolk.com.br/novo/blog/2013/06/03/reforma-intima/

Reforma íntima...

Causos da Vovó Chica – VIII

Vó Francisca de Aruanda, trabalhadora calejada das lides dos terreiros. Mulher experimentada nas dificuldades da vida. Caridosa, amorosa e corajosa. Traz seu axé para os filhos de fé dos terreiros da vida!
Serão dez causos da vó Chica, postados neste
blog ao longo do tempo para fazer pensar.
Então senta que lá vem história!!!

Reforma íntima...

O templo de umbanda estava em pleno funcionamento, consulentes sendo atendidos, médiuns trabalhando e a caridade sendo prestada. Do Alto os irmãos de luz cuidavam para que tudo corresse bem, os trabalhadores espirituais estavam a postos e tudo corria normalmente naquela noite de atendimentos...
Os sábios pretos velhos estavam naquele ambiente mais uma vez, resgatando almas, orientando e retirando as más vibrações dos filhos de fé...
Na primeira fila estava a médium de vovó Chica já sob sua vibração, atendendo um consulente frustrado e cheio de dúvidas.

Consulente: _Todo mundo fala que é preciso fazer a reforma íntima, não sei mais o que fazer para me ajudar... São tantas cobranças internas! Preciso ser perfeito, não posso falhar, tenho que dar conta de tudo, saber tudo sobre tudo, nossa! Estou cansado, muitas pessoas não são verdadeiras, todo mundo prega a bondade, mas não é assim que fazem com os outros...

Vovó Chica: _Mas não pode perder a fé zin fio! Os problemas são ocorrência natural da vida, é preciso ter uma cota adicional de paciência e humildade para saber vencer com sabedoria as armadilhas... Ê, ê!

Consulente: _Estou arruinado! Fiquei descuidado e vaidoso, melindrei-me demais e os guias se afastaram de mim... Me diga por favor, como posso voltar a ser como antes?

Vovó Chica: _Ficar melhor suncê quer dizer, né zin fio? É só fazer a reforma íntima que dá tudo certo, não tem mistério!

Consulente: _Todo mundo fala nessa tal de reforma íntima, eu mesmo não sei mais o que é realmente!

Vendo que o rapaz tinha enormes dificuldades em compreender as lições e as orientações, vovó Chica iniciou um cântico e depois falou:

Vovó Chica: _Suncê é médium... Serve numa casa de umbanda onde esta negra velha sabe que a caridade vem em primeiro lugar! Então vamos lá. Eu vou te ajudar, vou lhe dar a receitinha mágica... O filho tem boa memória?

Consulente: _Eu tenho, vovó!

Vovó Chica: _Então vamos lá, a reforma íntima serve para cada filho de fé de uma forma diferenciada, pois na vida cada um exerce um posto, o seu é entre outros  o de médium, mas não existem médiuns perfeitos, existem bons médiuns. No seu caso a reforma íntima deve ser trabalhada assim: Na casa onde trabalha o filho deve auxiliar com passes, preces, conselhos nos atendimentos fraternos, nas incorporações, não é mesmo, filho?


Consulente: _Hum, hum!


Vovó Chica: _A reforma íntima que um médium deve fazer é a de observar-se primeiramente e depois agir! Como aconselhar os irmãos consulentes que sofrem, inspirando-os a perdoar e a fazer somente o bem ao semelhante e esquecer-se de aplicar este conhecimento em si mesmo? Como desejar dar passagem para caboclo forte com nome conhecido, se não está nem apto a incorporar os anônimos trabalhadores do astral superior? Como querer evangelizar os desencarnados errantes e empedernidos no mal, se em vossa casa, entre os familiares consanguíneos não há respeito, amor, perdão nem tão pouco união? Como é que o filho quer ser um bom médium e ter os irmãos trabalhadores do plano espiritual novamente ao seu lado, se não para de consumir alcoólicos em demasia, de frequentar zonas de baixo meretrício e de envaidecer-se? Para evangelizar é preciso ser evangélico!!! No caso dos médiuns, meu filho, para ser mesmo bom é preciso ser disciplinado, humilde e estudioso. Fora disso não há verdade e nem equilíbrio. Reforma íntima é o trabalho que se faz da autoeducação... No seu caso eu acho que expliquei bem, mas a reforma íntima pode se adaptar com facilidade a outras situações, pois pelo que me consta não é preciso ser medianeiro nem vestir o branco para ser evangelizado. Homens e mulheres podem e devem aplicar este conhecimento em suas vidas e em seus lares... Perdoar o entes aborrecidos e raivosos, conciliar amor com respeito, educar, refrear os impulsos inferiores... Corrigir as falhas no momento em que elas surgem, ser humilde, dar a vez ao outro, não vingar-se, não pensar mal de ninguém, não roubar, não matar... Né, zin fio? Já entendeu ou esta negra velha deve continuar?




Autoria: Marcos Marchiori/Letícia Gonçalves  - Missão de Luz

http://missaodeluz.blogspot.com.br/2013/06/blog-post_2.html