terça-feira, 7 de outubro de 2014

CIÚME E INVEJA


Sentimentos contrariam adesão aos princípios morais/Recordando Allan Kardec

Esses dois sentimentos são destruidores da paz que se deve buscar para a harmonia da convivência. Apegos, medos e especialmente a insegurança pessoal, aliados ao egoísmo são seus geradores. Além da presença nos lares, nos relacionamentos, eles também comparecem com toda força nas instituições inspiradas pelo Espiritismo, pois que provenientes da imperfeição do caráter humano, ainda necessitado de correções morais. Como destaca Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, item 336, referindo-se aos inimigos do Espiritismo, “(...) os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem nas sombras; estes, o acariciam com uma mão e o difamam com a outra. (...) graças aos surdos enredos que passam desapercebidos, semeiam a dúvida, a desconfiança e a desafeição; sob a aparência de um hipócrita interesse pela coisa, criticam tudo, formam  rodas que cedo rompem a harmonia do conjunto (...) Esse estado de coisas, deplorável em todas as sociedades, o é mais ainda nas sociedades espíritas, porque se não levam a uma ruptura, causa uma preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção”.
São severos inimigos da boa convivência. Filhos do orgulho, comparecem na seara doutrinária do Espiritismo com os sintomas da animosidade crônica. Diríamos que como uma estranha rivalidade com alguém ou um fechamento intencional do afeto, que coagula as emoções na frieza disfarçada. Tais sentimentos não aceitam a felicidade, o êxito alheio ou perfis psicológicos diferentes dos quesitos pessoais do próprio invejoso ou ciumento. E formam os sutis detetives da conduta alheia. Na verdade significam apego e apropriação de espaços de trabalho, em cargos ou atividades, e mesmo ainda em autênticas disputas mentais que o invejoso trava entre si e aquele que julga como oponente, em razão muitas vezes, da desenvoltura do imaginário adversário.
A Revista Espírita traz abordagens sobre tais temas. O Espírito São Luiz abordou a questão da inveja, respondendo a um questionamento: “(...) seu Espírito está inquieto, sua felicidade terrestre está no auge; ele inveja o ouro, o luxo, a felicidade aparente ou fictícia de seu semelhante; seu coração está destroçado, sua alma surdamente consumida por essa luta incessante do orgulho, da vaidade não satisfeita; ele carrega consigo, em todos os instantes de sua miserável existência, uma serpente que ele reaquece, que lhe sugere, sem cessar, os mais fatais pensamentos: ‘Terei essa volúpia, essa felicidade?’ (...) E se debate sob sua impotência, vítima dos horríveis suplícios da inveja. (...)” E conclui: “(...) Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro sobre a Terra as obras de caridade e de submissão, as únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de Deus; essas obras do bem farão vossa alegria e vossa felicidade eternas; a inveja é uma das mais feias e das mais tristes misérias do vosso globo; a caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos esses males (...)”
A outra referência, sobre o ciúme, está assinado por O Espírito protetor do médium e trata-se de mensagem recebida na presença do Codificador. Pondera o autor: “(...) O ciúme é o companheiro do orgulho e da inveja; ele vos leva a desejar tudo o que os outros possuem, sem vos dar conta se, invejando a sua posição, não pedis senão que se vos faça presente uma víbora que aquecereis em vosso seio. (...)” Claro que esse comentário pode ser estendido a todas as demais conquistas daquele que sofre a ação do ciúme e não se circunscreve aos patrimônios materiais.
Em ambos os casos, porém, a clara indicação do aprimoramento interior no combate a esses sentimentos, frutos do orgulho. Ambos são tolos e causam enorme perda de tempo, tranqüilidade e progresso. E já que a finalidade da presença do Espiritismo no planeta é a melhora moral dos seres humanos, iniciemos desde já uma análise interior para avaliar a presença desses indesejáveis sentimentos e seu expurgo, mesmo que a longo prazo, para que possamos desfrutar da incomparável experiência de viver buscando o progresso que a vida destina a todos nós.

(Orson Peter Carrara)

A inveja e os seus males

“A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não  do estado material do meio em que se acha” - Emmanuel
Invejar não é apenas desejar para si o que o outro tem ou é, a isso chamamos cobiça. Além de cobiçar, quem inveja pretende sobretudo que o outro não tenha ou não seja. A grande tragédia do invejoso é interiorizar que a sua felicidade não depende de si próprio mas sim da infelicidade dos outros.
Apegos, medos e especialmente a insegurança pessoal, aliados ao egoísmo são seus geradores.
Com uma sociedade que é cada vez mais materialista e competitiva, voltada para fora, para a aparência e satisfação dos sentidos, cria-se a idéia de que a posse e o holofote é o ideal de todos.
Não faz sentido andar constantemente a estabelecer comparações com aquilo que os outros são quando desconhecemos o melhor que podemos ser. Para erradicar a semente da inveja da nossa alma é necessário cultivar o saudável hábito de gostar de nós. Amar quem somos!
A inveja é um processo doloroso e  perturbador a nível psicológico. As virtudes, êxitos e felicidade dos outros são para o invejoso uma força que ameaça o seu equilíbrio emocional, enfraquecendo terrivelmente o seu amor-próprio e a confiança. Sente-se irredutivelmente inferiorizado perante a vida, recalcando sucessivos fracassos e frustrações. Tal como uma criatura ferida, reage por instinto, destilando o veneno da maledicência e do desprezo, que usa para esconder a raiva que sente, a insegurança em que vive e a inferioridade que o martiriza.
Pela primeira vez, uma pesquisa científica mostra onde ela e o shadenfreude - palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado - são processados na mente humana.
De autoria do neurocientista japonês Hidehiko Takahashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, o estudo "Quando a sua Conquista É a minha Dor e a sua Dor É a minha Conquista: Correlações Neurais da Inveja e do Shadenfreude" foi publicado recentemente pela prestigiada revista cientifica americana Science. Por meio de ressonância magnética realizada em 19 voluntários (dez homens e nove mulheres), na faixa etária dos 20 anos, foi possível identificar onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singulado anterior é ativada.

O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. "A inveja é uma emoção dolorosa", afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. "O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado", diz o pesquisador. Durante a pesquisa, Takahashi induziu os voluntários a imaginarem um cenário que envolvia outros três personagens, do mesmo sexo, faixa etária e profissão que eles. Dois deles seriam, hipoteticamente, mais capazes e inteligentes.
Dessa comparação nasce a inveja, especialmente quando as pessoas são muito parecidas. Ou seja, é mais comum uma mulher se incomodar com outra, da mesma faixa etária e profissão, do que com alguém com características totalmente diferentes. "Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade", explica o neurocientista Takahashi. "Quando há essa sensação, é porque houve comparação e a pessoa perdeu."
Mas por que há pessoas muito invejosas e outras que passam a vida quase sem sentir essa emoção? A psicóloga Sueli Damergian, professora da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o segredo está em não ultrapassar a linha da afeição. "A inveja é sempre fruto da admiração", diz. "Se ela ficar restrita a isso, pode funcionar como impulso para o desenvolvimento." O problema é quando essa barreira é rompida. "Se o impulso destrutivo for muito forte, o invejoso passa a viver a vida do outro e isso pode ser danoso tanto para ele quanto para o invejado."
É preciso fazer uma análise profunda sobre os defeitos morais, que são como chagas abertas.
Toda falha moral vem revestida de uma profunda ignorância, o que devemos fazer é uma investigação sobre nós mesmos, buscando a corrigenda e o entendimento, pois, não somos perfeitos, erramos, mas caminhamos sempre para uma condição melhor de espíritos, onde com as experiências vivenciadas no dia a dia, vamos nos tornando melhores e mais distantes destes defeitos.
 
Quem assim vive atrai para si sofrimento, o primeiro passo para sair desta triste situação, é vencer o negativismo, a preguiça mental e buscar ser merecedor, reformando-se moralmente.
“Cuidemos de nosso coração, porque é de lá que sai o que é bom ou ruim, , o que constrói e destrói” Papa Francisco.
“Cada pessoa é aquilo que crê, fala do que gosta; retém o que procura;ensina o que aprende; tem o que dá e vale o que faz” – Emmanuel.
“Seus pensamentos revelam suas companhias espirituais” André Luíz

A INVEJA NO ESPELHO


LEILA BRANDÃO
“... Inveja e ciúme! Felizes aqueles que não conhecem esses dois vermes vorazes. Com a inveja e o ciúme não há calma, não há repouso possível...
O invejoso e o ciumento vivem em estado febril...
A inveja é o ciúme aliado à mediocridade...”
(Q.933 – L. dos Espíritos – Kardec)
Segundo o dicionário do Aurélio: a inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio. Definição muito próxima à de Descartes no seu livro “As paixões da Alma”: “A inveja é um desgosto ( mescla de tristeza e ódio) com o bem que se vê acontecer a outros.”
Mas, por que a felicidade de alguém poderia causar sofrimento em quem quer que seja? Não faz sentido sofrer-se com as conquistas alheias. Ao contrário, deveria ser um estimulo à esperança perceber que alguém foi capaz de conquistar um bem desejado por muitos... No entanto, faz sentido se entendermos que esse sentimento acontece na zona do inconsciente. O sentimento de insuficiência (eu não sei se mereço ou se sou capaz), que se desenvolve através da educação ética deficiente torna-se tão fortemente incorporado ao psiquismo do invejoso que ele sente a sua alma arder ao julgar-se incapaz de realizar os feitos de outrem. Assim, ameniza o seu “estado febril” projetando sobre o invejado o veneno produzido por esse tormento íntimo.
Diz Jung que a consciência é como uma rolha boiando em um oceano1.O oceano representa o inconsciente. O que pensamos que somos está muito distante do que realmente somos... Essa analogia é perfeita porque existe mesmo um oceano misterioso a ser explorado no íntimo de cada ser. Podemos comprovar isso frente aos desafios do cotidiano... Quantas e quantas vezes cada um de nós se surpreende com as próprias ações e se pergunta: - Por que agi assim? A inveja tem muitas máscaras! A inveja entre irmãos, entre marido e mulher, entre profissionais, mascaradas em zelo, prudência ou outro artifício qualquer. Essa frase “ falo isso porque quero o seu bem” nem sempre é bem assim...
Portanto, poderíamos acrescentar que a inveja é, entre tantas, uma das muitas dores transitórias (Kardec chamou, também, de “tortura da alma”) daqueles que ainda não tomaram consciência das próprias emoções.
Ela se apresenta como uma herança atávica nos seres humanos. Faz parte do seu mecanismo de defesa porque, ao construirmos um mundo competitivo, exacerbamos o instinto de sobrevivência, que é irracional e muitas vezes cruel. Sob o império dessa paixão, o ser não percebe o quanto pode agir insensatamente. Se conseguíssemos identificá-la e olhá-la sob a ótica do aprendizado, a inveja poderia até se tornar auto-estimulante, impulsionando o indivíduo às conquistas que valorize no outro. Encará-la frente a frente sob essa ótica faz com que compreendamos melhor as limitações que nos caracterizam. Fingir que não a possui é permanecer na ignorância de si mesmo.
No velho testamento está escrito que a inveja tem origem no orgulho. Mas o que é o orgulho senão a ignorância de si mesmo e do seu destino? Concordamos com os ensinamentos bíblicos e estamos certas de que um bom caminho seria desenvolver projetos que desmascarasse o orgulho e diminuísse o egoísmo, enfraquecendo, assim, as raízes de todos os males desse mundo.
O afastamento, ainda que inconsciente, do sentido verdadeiro da vida, tem trazido pesados ônus ao progresso individual.
“O reino de Deus está dentro de vós” asseverou o Mestre. Afirmativa inquietante, uma vez que nos remete ao oceano (Inconsciente) de Jung e nos leva a perguntar: Como navegar nesse oceano desconhecido, povoado de monstros e sombrios labirintos?
Como não se deixar afogar nas ondas desse mar bravio? Como conseguir sair dos abismos escuros e frios dos desafetos (os traumas sofridos)? Como olhar para o retrato que se vê no espelho de si mesmo e gostar do que se vê? Diz sabiamente Amélia Rodrigues que o caminho do Reino é uma longa subida2, sim, porque após descer à profundidade do próprio psiquismo, é preciso fazer o caminho de volta e trabalhar no “Ego” (Personalidade) as crises da mudança.
Qual brasileiro que ainda não ouviu falar do “olho gordo”, do uso da “figa”, do “galho de arruda”, da “espada de S. Jorge” para proteger-se do famoso “mau olhado” e até do “fechar os olhos dos mortos” para que não invejem a vida dos que ficaram vivos?
A sabedoria popular fala, de forma simbólica, dessa energia destruidora que consome o íntimo do invejoso e prejudica o invejado, que nem sempre se encontra atento às forças negativas da alma.
Precisamos urgentemente aprender a pensar, a valorizar a energia que estamos exteriorizando e recebendo! “Orai e Vigiai”.
Eis a advertência do Mestre Jesus mais atual que nunca!
1 Psicologia do Inconsciente – C. G. Jung
2 Primicias do Reino – Amélia Rodrigues (Psicografia Divaldo Franco)

Leia este artigo na íntegra no site www.cema.org.br

A inveja

Vamos falar sobre uma coisa muito comum e cujos efeitos todos conhecem: a inveja. Ela resulta da mistura do pensamento e do sentimento mesquinho de alguém que não se contenta com o que possui e fica desejando o que não lhe pertence.
Mas como combater as cargas de energia negativa que o invejoso lança sobre nós? Gerando forças positivas, magnetismo de elevado teor.

Quando vibramos numa freqüência de elevado teor, estamos criando em torno de nós uma aura capaz de nos defender não só da inveja mas também de outros malefícios. É uma energia que geramos através da nossa vivência fraterna e pelo cultivo dos valores do otimismo, da confiança, da fé, e de todas aquelas virtudes que o Cristo ensinou. Uma vontade positiva e forte também é fundamental para nossa defesa.

Nossos sentimentos, pensamentos e emoções são forças vivas que geramos e que passam a circular em nosso sistema energético extrapolando-o e formando em torno de nós um campo, ou aura, que até pode ser fotografada. E foram os cientistas ex-soviéticos que descobriram isto. A aura do corpo bioplásmico (energético ou vital) é fotografável e pode ser observada em seus detalhes, com toda a sua exuberância de cores, através do processo kirlian.

Alguns pesquisadores fotografaram a aura antes, durante e após o “passe” e puderam constatar fotograficamente a transfusão energética de uma pessoa para outra.

A pessoas otimistas, dinâmicas, confiantes, são muito menos afetadas pela inveja, pelas obsessões, os “trabalhos de Terreiro”, as más vibrações, o ódio etc. Mas as pessoas pessimistas, que estão sempre vendo desgraças em toda parte, que vivem a se queixar de tudo, são bem mais frágeis diante das agressões mentais ou astrais.

Isto acontece porque as Leis de Deus foram elaboradas visando nossa evolução e crescimento interior, e, é justamente nesse labor que empregamos para vencer as dificuldades e os embaraços da vida, que evoluímos. Os problemas e a luta pela sobrevivência nos dão experiência e capacidade e nesse esforço adquirimos competência, aptidões, força interior, paciência e demais valores.

O nosso mundo íntimo, ambiente da alma, nossa mente, nossa consciência em seus diversos níveis é nutrido pelas forças divinas, pelo fluido cósmico, pelo amor universal. E conforme crescemos em nossas capacidades relativas à vivência material, não podemos nos descuidar do crescimento espiritual, para que não ocorra desequilíbrio evolutivo. Isto porque, se crescemos em capacidades terrenas e intelectuais, mas estacionamos no desenvolvimento das qualidades divinas, nosso psiquismo acaba por se desarmonizar.

É por isso que Deus permite haja tanta inveja na Terra, tanta obsessão, tanta perseguição espiritual. Essas forças negativas representam na verdade chamamentos, para que nos lembremos de desenvolver também os valores espirituais.

As pessoas que vivenciam o desamor, a violência, a desonestidade, a imoralidade, a ganância e outros assemelhados, estão criando vínculos com as sombras, com as forças negativas e ficam, por isso, mais sujeitas à desarmonia interior. Mas as que procuram vivenciar as virtudes do Evangelho estão começando a construir as melhores condições de defesa contra a inveja e demais energias negativas que possa, ser lançadas sobre elas.

“Desfrutar os bons momentos, falar neles, contá-los a outras pessoas, relembrá-los equivale a gerar “memória” positiva, antidepressiva.

Quanto aos sofrimentos, problemas ou dificuldades não se prenda a eles, não os prenda a si.

Tente resolvê-los da melhor maneira, mas não permita que eles grudem em você.

Procure sorrir sempre e passar para os outros vibração otimista para que eles se contagiem e a devolvam a você, ajudando-o a manter um estado de espírito positivo.”

(Do Livro “Nós e o Mundo Espiritual” – Saara Nousiainen).

Inveja no OLE

Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso para aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão nenhuma trégua e o perseguem até no sono.

L. E.

A inveja desvendada

A inveja desvendada


Pesquisa revela que esse sentimento é processado na mesma região cerebral que a dor física. Saiba como controlá-lo

Claudia Jordão e Carina Rabelo

Certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo. "Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba o mesmo e em dobro", sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade. É por meio dessa fábula que a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) definiu na obra "Inveja e Gratidão", um dos principais estudos já feitos sobre o tema, o comportamento de quem vive intensamente esse sentimento.

Ao mesmo tempo que o ciúme é querer manter o que se tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, a inveja é não querer que o outro tenha. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Afinal, todo mundo, em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém. Há até um lugar no cérebro reservado para a inveja. Pela primeira vez, uma pesquisa científica mostra onde ela e o shadenfreude - palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado - são processados na mente humana.

De autoria do neurocientista japonês Hidehiko Takahashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, o estudo "Quando a sua Conquista É a minha Dor e a sua Dor É a minha Conquista: Correlações Neurais da Inveja e do Shadenfreude" foi publicado recentemente pela prestigiada revista cientifica americana Science. Por meio de ressonância magnética realizada em 19 voluntários (dez homens e nove mulheres), na faixa etária dos 20 anos, foi possível identificar onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singulado anterior é ativada.

O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. "A inveja é uma emoção dolorosa", afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. "O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado", diz o pesquisador. Durante a pesquisa, Takahashi induziu os voluntários a imaginarem um cenário que envolvia outros três personagens, do mesmo sexo, faixa etária e profissão que eles. Dois deles seriam, hipoteticamente, mais capazes e inteligentes.

Dessa comparação nasce a inveja, especialmente quando as pessoas são muito parecidas. Ou seja, é mais comum uma mulher se incomodar com outra, da mesma faixa etária e profissão, do que com alguém com características totalmente diferentes. "Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade", explica o neurocientista Takahashi. "Quando há essa sensação, é porque houve comparação e a pessoa perdeu."

O ator Roberto Birindelli perdeu muitas batalhas, mas parece ter vencido a guerra. Ao longo de seus 46 anos, a inveja sempre o perseguiu. Na escola, nutria o sentimento pelos colegas de classe que conquistavam as garotas com facilidade. Na vida adulta, sofria quando um colega ator conseguia um teste para o melhor papel de uma produção.

O sentimento o corroía tanto que ele chegou a invejar o modo como uma determinada jaqueta de couro caía bem em um conhecido. "O que me deixava mal era saber que a roupa não ficaria tão boa em mim", confessa Birindelli. "A minha inveja se repetia em tantos palcos quanto houvesse situações de comparação." Insatisfeito em se projetar o tempo todo nos outros, o ator foi em busca de auto-conhecimento.

Descobriu o eneagrama (técnica para estudo do comportamento humano), fez terapia e mergulhou na meditação. "Percebi que o problema era comigo", reconhece. "Sou inseguro em relação à maneira como a sociedade me vê." Amparado, aprendeu a lidar com a questão. "Hoje em dia, sempre que vou sentir inveja de alguém, me pergunto: ser como ele é melhor do que ser quem sou?", explica Birindelli, que está no ar na novela "Poder Paralelo", da Record. Além da insegurança, a baixa autoestima, o sentimento de incapacidade e a sensação de injustiça são características comuns aos invejosos. "Pessoas bem resolvidas e esclarecidas tendem a ter menos inveja", diz o psiquiatra José Thomé, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Mas por que há pessoas muito invejosas e outras que passam a vida quase sem sentir essa emoção? A psicóloga Sueli Damergian, professora da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o segredo está em não ultrapassar a linha da afeição. "A inveja é sempre fruto da admiração", diz. "Se ela ficar restrita a isso, pode funcionar como impulso para o desenvolvimento." O problema é quando essa barreira é rompida. "Se o impulso destrutivo for muito forte, o invejoso passa a viver a vida do outro e isso pode ser danoso tanto para ele quanto para o invejado."

Em casos patológicos, que, segundo especialistas, são mais comuns do que se imagina, quem sofre do mal é capaz de caluniar, perseguir, e, em casos mais extremos, desejar a morte do invejado. Há, também, os que somatizam. Nessas situações, podem apresentar quadro depressivo, autodestrutivo, agressividade e tendências suicidas. O psiquiatra Thomé acredita que, salvo os casos patológicos, as pessoas têm livre-arbítrio para viver ou eliminar a inveja. "É um sentimento muito primitivo, que deve ser trabalhado."

Entre a inveja destrutiva e a construtiva, a artista plástica Roberta Martinho, 34 anos, ficou com a segunda. Garota curiosa, ela teve consciência do sentimento ainda na pré-adolescência. Queria ser como o Visconde de Sabugosa, personagem de Monteiro Lobato, em "O Sítio do Pica-Pau Amarelo" - é recorrente a inveja de personagens fictícios ou pessoas distantes do convívio, como as celebridades. Seu segundo contato com a emoção, dessa vez mais realista, foi por meio da professora de história. "Invejava a cultura, a erudição e a inteligência dos dois", diz Roberta. Numa versão light do sentimento, ela nem chegou a desejar o infortúnio de seus invejados. "Queria ser como eles, mas não me sentia inferiorizada nem injustiçada", diz.

A maneira que encontrou para lidar com a questão foi mergulhar nos livros. "Ler muito, estudar, pesquisar", diz. Quando a pessoa consegue fazer com que o sentimento, em tese negativo, impulsione ações positivas, ela o transforma no que os especialistas chamam de inveja criativa. "Inveja, ciúme e raiva são tão importantes quanto a visão, a sexualidade e a alimentação", defende o psiquiatra Carlos Byington. "Todos eles trazem informações importantes para formar e transformar a própria identidade." Hoje, Roberta é frequentadora assídua de biblioteca e museu. E diz não sentir mais inveja de nada, nem de ninguém. "Descobri que as pessoas são únicas e que não devemos seguir padrões alheios."

Comum em toda a sorte de relações humanas, a inveja está presente até mesmo dentro de casa. As irmãs Júlia e Lídia Loyola, 25 e 23 anos, respectivamente, e suas meias-irmãs Fernanda e Gabriela Fernandes, 17 e 13, moram juntas e compartilham da incômoda emoção. Filhas da mesma mãe e de pais diferentes, estão sempre se comparando e lamentando aquilo que não são.

As mais velhas invejam a vida cheia de oportunidades das mais novas. "Aos 15 anos, quando precisava de dinheiro, trabalhava", diz Júlia. "A Fê não precisa disso." Fernanda reconhece. "Não fico tripudiando, mas reconheço que me sinto recompensada por ter vantagens em relação às minhas irmãs mais velhas, apesar de elas estudarem tanto", diz. "Ao mesmo tempo, queria ser como elas: tirar boas notas e não ficar de castigo."

O ambiente de trabalho, por sua vez, também é terreno fértil para os invejosos. Uma pesquisa das universidades de Warwick e Oxford, na Inglaterra, mostra que nem sempre se inveja a maneira de ser do rival, mas suas posses. No experimento, os entrevistados poderiam ganhar ou "queimar" o dinheiro do concorrente, sob o custo de perder parte de sua verba - 62% dos participantes escolheram se voltar contra o outro. Segundo a psicóloga Glaura Maria Verdiani, autora da tese de mestrado "Um Estudo sobre a Inveja no Ambiente Organizacional", pelo Centro Universitário de Araraquara (SP), é provável que esse sentimento esteja impregnado em 100% das relações profissionais.

"Em uma equipe de 30 pessoas, é possível que todos invejem alguém, em algum nível", revela. A emoção pode ter origem em qualquer um e partir para diferentes direções. Acontece entre pessoas do mesmo cargo, funcionários de funções inferiores e superiores. "Há chefes invejosos de seus subordinados, que são mais jovens, mais dispostos e, muitas vezes, mais talentosos", diz Sueli.

Aos 28 anos, a designer Claudia Neves foi vítima da inveja em seu local de trabalho. Até seis meses atrás, ela era a única funcionária entre vários homens do departamento em que trabalhava, numa agência de publicidade em São Paulo. Sua vida profissional virou de pernas para o ar com a chegada de outra garota, da mesma idade, que passou a dar expediente numa função com remuneração menor. No início, as duas se davam bem - ao menos aparentemente. Até que a nova colega passou a evitá-la e agir de maneira estranha.

"Ela não fazia o tipo feminina e, de repente, começou a me pedir dicas de maquiagem", conta Claudia. Além disso, mais gordinha, passou a se preocupar com a quantidade de calorias que ingeria. "Essa neurose começou depois que os meninos compararam o corpo dela com o meu", diz. Com o tempo, o melhor amigo de Claudia se afastou. E seu supervisor passou a implicar com seu trabalho.

A designer desconfia que foi vítima de calúnias. "Certa vez, meu chefe foi grosseiro comigo", conta. "Nessa hora, pude ver no rosto dela que estava rindo por dentro." Triste com a situação, Claudia pediu para ser demitida. "O ex-marido dela me disse que ela tinha ódio mortal de mim e queria me destruir", conta. Apesar da atitude drástica que teve de tomar, ela não acredita que a colega tenha saído vitoriosa. "Ela conseguiu me eliminar, mas estou muito feliz fora de lá", afirma.

Em novembro passado, nos Estados Unidos, o ex-âncora de telejornal Larry Mendte, 51 anos, além de demitido, foi condenado a pagar uma multa de US$ 5 mil (R$ 10,1 mil) e a prestar 250 horas de serviços comunitários por violar o e-mail de sua colega de bancada, Alycia Lane, 36 anos. Por dois anos, Mendte enviou mensagens se fazendo passar por ela para veículos de imprensa e colegas de trabalho. Durante o caso, admitiu ter inveja por causa do salário anual de US$ 780 mil (R$ 1,6 milhão) de Alycia. "O meu papel na emissora estava sendo reduzido quando ela me falou que era a nova estrela", disse, à época.

Assim como os demais sentimentos, a inveja vem de berço. Segundo Melanie Klein, até mesmo os bebês nutrem esse sentimento. Eles invejam o seio materno, capaz de alimentá-los e confortá-los. A emoção, no entanto, começa a se tornar mais visível na primeira infância e se manifesta na forma de cobiça. Pedro, 5 anos, e Isabela, 4, são primos e estudam juntos. "Eles disputam tudo: a atenção da família, dos professores, dos colegas", diz a educadora Caroline de Oliveira, 32 anos, mãe de Pedro. "Isabela é mais de cobiçar os brinquedos do primo, e ele, por sua vez, disputa a atenção das pessoas quando ela se destaca." Para lidar com a atenção, a mãe explica para o filho que não é possível ter tudo o tempo todo. "Tento prepará-lo para lidar com essa sensação, que estará sempre presente."

A psicóloga Sueli, da USP, assina em baixo. "É importante eliminar os sentimentos de inferioridade e baixa autoestima e mostrar o outro lado", explica. "Se a pessoa não é boa em algo, certamente será em outra coisa." Afinal de contas, a melhor maneira de domar o sentimento da inveja é, assim como fez o ator Birindelli, identificá-lo e aprender a lidar com ele. Graças a seu esforço, ele hoje circula satisfeito com a jaqueta de couro que tanto invejou no outro e, finalmente, comprou.

Colaborou Rodrigo Cardoso

Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 3 de junho de 2009.


Carlos Miguel Pereira* comenta

A inveja é uma das emoções mais antigas e também uma das mais devastadoras que a humanidade conheceu. Ela esteve na origem de conflitos tremendos, ódios sangrentos, assassínios cruéis e injustiças que a história não conseguiu apagar. Sentir inveja é algo tão pernicioso que raros são aqueles que ousam confessar que a sentem, nem mesmo para si mesmos.

Invejar não é apenas desejar para si o que o outro tem ou é, a isso chamamos cobiça. Além de cobiçar, quem sente inveja pretende sobretudo que o outro não tenha ou não seja. A grande tragédia do invejoso é interiorizar que a sua felicidade não depende de si próprio mas sim da infelicidade dos outros.

Tal como nos relata a notícia, a inveja é um processo muito doloroso e bastante perturbador a nível psicológico. As virtudes, êxitos e felicidade dos outros são para o invejoso uma força que ameaça o seu equilíbrio emocional, enfraquecendo terrivelmente o seu amor-próprio e a confiança nas suas capacidades criadoras. Sente-se irredutivelmente inferiorizado perante a vida, recalcando sucessivos fracassos e frustrações. Tal como uma criatura ferida, reage por instinto, destilando o veneno da maledicência e do desprezo, que usa para esconder a raiva que sente, a insegurança em que vive e a inferioridade que o martiriza.

Como uma emoção instintiva, podemos apreciar a inveja entre diversos animais e, mesmo de uma forma ingênua e natural, nas crianças. É normal que em algumas situações possamos ser invadidos por pensamentos de que determinado indivíduo é melhor do que nós em alguns detalhes, que poderão ser intelectuais, morais, físicos ou materiais. Se não tivermos a maturidade e capacidade necessárias para lidar com as limitações próprias da nossa imperfeição pessoal, esses pensamentos transformar-se-ão num instrumento que conduzirá ao medo, insatisfação e frustração. No fundo, se não conseguirmos aceitar aquilo que temos e aquilo que somos, o fantasma daquilo que os outros têm e são irá assombrar-nos constantemente. Acossados por esse inimigo externo, que passeia as suas virtudes debaixo do nosso nariz, e pelo ditador interno, que aponta constantemente as nossas imperfeições, desiludidos conosco mesmo e tomados por um sentimento de inferioridade, que nos impossibilita de chegar mais adiante, resta-nos apelar a que aqueles a quem nos comparamos sejam despromovidos na sua pretensa jactância. Essa é a obscura forma de prazer a que o invejoso pode almejar: que os outros se deem mal. Apenas dessa forma, diminuindo o termo de comparação, é que ele consegue oferecer algum deleite ao seu confuso espírito.

A inveja ainda prolifera nos nossos dias porque andamos distraídos por uma sociedade que é cada vez mais materialista e competitiva, voltada para fora, para a aparência e satisfação dos sentidos. Estamos tão preocupados em parecer mais que os outros que nos esquecemos de sermos melhores pessoas a cada dia que passa. Vivemos tão obcecados em saber mais sobre tudo e todos que nos esquecemos que as mais importantes descobertas são acerca de nós próprios. Não faz sentido andar constantemente a estabelecer comparações com aquilo que os outros são quando desconhecemos o melhor que podemos ser. Para erradicar a semente da inveja da nossa alma é necessário cultivar o saudável hábito de gostar de nós. Amar quem somos! Olhar no espelho e dizer: “És um cara único e especial. Eu te amo!”. Dessa forma, aceitando verdadeiramente quem somos e aquilo que esta existência nos proporcionou, ficamos menos suscetíveis a comparações confusas e deturpadas.

Confúcio dizia que “não interessa o que se trata de levar a termo: o que interessa é perseverar até ao fim.” É verdade que leva tempo e muito trabalho para nos tornarmos na pessoa que sonhamos ser. Mas se o ideal é legítimo não podemos desistir de nossos sonhos. Não podemos deixar que as naturais imperfeições do nosso Espírito detenham o nosso crescimento. Invejar é parar de crescer. É reconhecer que não somos capazes de ir mais além quando ainda mal iniciamos o caminho. Aquele que persiste alcança. A água que afoga também sacia a nossa sede. Por isso, se tivermos a humildade suficiente, a inveja pode ser transformada num saudável processo de admiração que nos impulsionará e instigará ao desenvolvimento e ao aprendizado. Será o sublime dínamo que nos dará o estímulo à evolução.

* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.

Inveja, mal de muitos

O poeta português Luiz Vaz de Camões já dizia que: “Onde há inveja não pode haver amizade”.

O estudo dessa semana refere-se ao ciúme e a inveja.
A inveja e o ciúme dois sentimentos que corroem a natureza humana.Esse sentimento daninho que causa tanto mal a todos nós.
No Livro dos Espíritos,Kardec pergunta aos
espíritos Superiores sobre essas paixões humanas Vejamos a resposta dos espíritos e as considerações de Kardec sobre o assunto.

933 Se muitas vezes o homem é o causador de seus sofrimentos materiais, também será dos morais?

– Mais ainda, porque os sofrimentos materiais são algumas vezes independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, enfim, são torturas da alma.

A inveja e o ciúme! Felizes aqueles que não conhecem esses dois vermes roedores! Com a inveja e o ciúme não há calma nem repouso possível para aquele que está atacado desses males: os objetos de sua cobiça, seu ódio, seu despeito se dirigem a ele como fantasmas que não lhes dão nenhuma trégua e o perseguem até durante o sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre contínua. Será essa uma situação desejável, e não compreendeis que com suas paixões o homem criou para si suplícios voluntários, e que a Terra torna-se para ele um verdadeiro inferno?"(Allan Kardec)
"A inveja/ciúme é um sentimento inferior que se instala em nós sob a forma de frustração, de tristeza, de mal estar, de constrangimento por nos vermos miniaturizados, inferiores a alguém. Sentimo-nos menores por não termos o que o outro possui, seja o que for. A criatura entra em desequilíbrio íntimo, oriundo deste sentimento paralisante das verdadeiras forças psíquicas. Não desfrutamos do mesmo padrão de vida, da mesma cultura, do mesmo perfil físico, da mesma situação social e espiritual do semelhante e isto nos incomoda.
 A inveja é um sentimento destruidor. A pessoa que o possuiu tanto faz mal a si mesma, quanto àquele que é a vítima da inveja, porque o invejoso sempre deseja destruir as pessoas ou coisas que despertam sua inveja."

    O invejoso está mais preocupado com a vida alheia do que com a sua. Ao invés de tentar progredir, em crescer tanto materialmente, quanto espiritualmente, ele prefere ficar sofrendo quando vê o sucesso dos outros.
Que procuremos descobrir  esses sentimentos  nocivos ,(não somente a inveja) que estão em nosso interior procurando substituí-los por bons fluidos para que possamos seguir o caminho de LUZ que CRISTO nos ensinou.

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/inveja-mal-de-muitos/#ixzz3FT869vTW

A inveja no ESE - Tormentos Voluntários

http://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-5-bem-aventurados-os-aflitos/instrucoes-dos-espiritos/vi-os-tormentos-voluntarios/

Afinal, o que é a inveja?


A inveja é um sentimento intrigante. Apesar de todos nós o experimentarmos, ninguém gosta de reconhecer quando o está sentindo. Afinal, é um sentimento controverso: indica que algo positivo desperta algo negativo.
Vamos imaginar uma conversa entre pessoas que estão jogando papo fora. Do nada, alguém começar a falar das coisas boas que estão lhe acontecendo. Quantos rostos e mentes diferentes surgem naquele momento! Poucos expressam interesse real e se regozijam com sinceridade. A maioria irá sentir inveja, mesmo que não se dê conta...
Alguns expressam sua inveja com brincadeiras de mau gosto. Outros, calados, costumam pensar: Como ele é exibido e gosta de contar vantagem!. Já aqueles que não conseguem conter o ardor da inveja a queimar o seu interior, passam a criticá-lo, com a intenção de depreciar abertamente a sua boa sorte. Há ainda aqueles que passam a dar conselhos para ajudar aquela pessoa de sucesso a garantir o seu triunfo.
O clima pesa, pois não há mais empatia entre as pessoas. Provavelmente, muda-se de assunto. Pois a essa altura da conversa todos estão sofrendo: quem contou sente-se só e arrependido. Quem escutou, agora sente-se incomodado, inquieto e talvez nem saiba porquê. A inveja é destrutiva, tanto para quem a sente quanto para quem a recebe.
Quem já não vivenciou um mal-entendido quando alguém resolveu dar boas notícias!
O senso comum concorda que é melhor se precaver: Inveja traz mau-olhado. Quando estamos vivendo uma situação muito boa é melhor calar.
Olho-gordo é um nome popular para a inveja. Pois quando o invejado toma para si as projeções negativas do invejoso, acaba por concretizá-las. O tema que evoca a inveja é sempre alguma coisa que poderia revelar o que está faltando na personalidade daquele que a sente. É como se o invejoso falasse em voz alta algo que o invejado não gostaria que jamais viesse à tona. Neste sentido, para não se deixar contaminar pelo veneno do invejoso, o invejado deve observar com honestidade sua reação frente ao ataque do invejoso. Se ele estiver livre das questões expostas pelo invejoso, sua clareza de intenção irá protegê-lo do possível ataque do olho-gordo.
Quando somos criticados por avaliações contaminadas pela inveja, podemos nos sentir injustiçados e vulneráveis frente ao ataque externo. Neste momento, é bom lembrar que é praticamente impossível ser compreendido por todos, assim como é inviável agradar a gregos e troianos. O importante é mantermos o foco em nossas metas para não nos contaminarmos pela inveja alheia, pois ela sempre estará presente, de uma forma ou de outra.
A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar nossas metas e realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar aquilo que não fomos capazes de fazer. No entanto, muitas vezes a sensação de incapacidade, a matriz da inveja, deve-se à escolha inadequada de metas, como desejar algo que não está ao nosso alcance. Em geral, costumamos não valorizar as coisas que já realizamos e assim cultivamos a sensação de desvalia sem nos darmos conta de nosso próprio valor. Neste sentido, a inveja consome o invejoso, porque o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance.
A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem aceitos pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente. Isto ocorre porque ela se forma muito cedo em nossa vida. A inveja surge nos primeiros meses de vida na relação com quem nos alimenta! Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com inveja dele, queremos destruí-lo. Como podemos constatar, a inveja é um sentimento primitivo, pouco elaborado. Ela está baseada no sentimento de inferioridade, adquirido pela comparação que se faz com outra pessoa em algum aspecto específico.
Assim como escreve Elisa Cintra em Melanie Klein Estilo e Pensamento (Ed. Escuta): `Quem desdenha quer comprar´, diz o ditado: a inveja é quase sempre detectável na vida cotidiana por esse trabalho de desvalorização do outro, o que também foi narrado pela fábula da raposa e das uvas. Impossibilitada de ter acesso às uvas, a raposa começou a tecer considerações sobre a falta de valor dos frutos, o fato de estarem verdes... A inveja dirigiu-se aos frutos, isto é, à criatividade da árvore, àquilo que ela pode oferecer e criar. A idéia de `frutos´permite que se lembre a inveja da obra do outro, de suas idéias, de seu trabalho e de sua capacidade de criar obras de arte ou científicas. Entretanto, a inveja vai mais longe: além de depreciar os frutos, ela tenta diminuir o prazer da própria situação de gratificação, como na expressão popular `não dar o braço a torcer´, admitir o poder do outro.
As impressões registradas no psiquismo durante os primeiros meses de vida são de grande relevância para o desenvolvimento posterior. Quando a criança não consegue sentir que é capaz de modificar seu ambiente (quem a alimenta), fica com um sentimento "eterno" de impotência: um sentimento profundo de inadequação e insuficiência.
Esta é a base da inveja: supervalorizar os outros (que podem, segundo a fantasia do invejoso, fazer tudo) e esvaziar a si mesmo (que é inferior porque não pode fazer nada). Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele não fique só. Segundo o psicanalista Mário Quilici, a inveja dá-se em quatro fases especificas:
1- Primeiramente, o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para ele. Ou seja, vê, admira e deseja.
2- No momento seguinte, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Ele toma consciência de uma falta sua porque já discrimina. Aqui o processo cognitivo é importante.
3- Aí se dá o terceiro momento da inveja, que é a percepção - e ao mesmo tempo a vergonha - de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele.
4- Logo estamos na quarta e última fase: A inveja é disparada pela percepção de uma falta no indivíduo. Essa insuficiência faz com que ataque e conseqüentemente espolie o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida.
Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar.
O invejoso sente tem até mesmo dificuldade de receber presentes, pois ele teme qualquer situação que revele sua auto-imagem de carência e necessidade. Por isso, quando os recebe, procura sempre retribuí-los logo. Muitas vezes, a dificuldade de delegar tarefas também pode estar relacionada à inveja.
A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro lhe dá algo de bom grado e sim, o faz por necessidade de humilhar o invejoso.
O Novo Dicionário Aurélio explica: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch esclarece: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”. Portanto, aquilo que é invejável é encarado como algo de muito valor.
Se prestarmos atenção às qualidades do objeto, pessoa ou situação pela qual sentimos inveja, poderemos compreender melhor o que nos sentimos incapazes de conquistar. Neste sentido, a inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos, onde estamos e para onde queremos ir.
Saber para onde queremos ir é a condição básica para sair da imobilidade. Por isso, se aprendermos a reconhecer os padrões emocionais que sustentam nossa inveja poderemos torná-la um método eficiente para diagnosticar nossas faltas. Desta forma, poderemos transformar a inveja numa força inspiradora de conscientização, no lugar de um sentimento apenas desagradável. Reconhecer para onde queremos ir é em um estímulo para tomarmos uma atitude proativa diante de nossas dificuldades.
Talvez não possamos modificar nada ao nosso redor. Mas se pararmos para aprender com nossos sentimentos negativos, poderemos mudar a nossa atitude mental e atrair o novo para nossa vida. Thomas Moore faz um comentário interessante em seu livro Cuide de sua alma (Ed. Siciliano): “Por um lado, a inveja é o desejo por alguma coisa, e por outro, é uma resistência ante o que o coração realmente quer. Mas inveja, desejo e abnegação trabalham juntos para criar um senso característico de frustração e de obsessão. Apesar de a inveja ter um ar masoquista - a pessoa invejosa acha que é uma vítima de má sorte -, ela também envolve forte vontade na forma de resistência ao destino e ao caráter. Quando invejosa, a pessoa torna cega a sua própria natureza. [...] O verdadeiro problema da inveja não é a capacidade do indivíduo viver bem, é a sua capacidade de não viver bem”.
:: Bel Cesar ::
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id

Ciúme e inveja

Ciúme e inveja

Orson Peter Carrara

Sentimentos contrariam adesão aos princípios morais

Recordando Allan Kardec

Esses dois sentimentos são destruidores da paz que se deve buscar para a harmonia da convivência. Apegos, medos e especialmente a insegurança pessoal, aliados ao egoísmo são seus geradores. Além da presença nos lares, nos relacionamentos, eles também comparecem com toda força nas instituições inspiradas pelo Espiritismo, pois que provenientes da imperfeição do caráter humano, ainda necessitado de correções morais. Como destaca Allan Kardec em O Livro dos Médiuns1, item 336, referindo-se aos inimigos do Espiritismo, “(...) os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem nas sombras; estes, o acariciam com uma mão e o difamam com a outra. (...) graças aos surdos enredos que passam desapercebidos, semeiam a dúvida, a desconfiança e a desafeição; sob a aparência de um hipócrita interesse pela coisa, criticam tudo, formam conciliábulos e rodas que cedo rompem a harmonia do conjunto (...) Esse estado de coisas, deplorável em todas as sociedades, o é mais ainda nas sociedades espíritas, porque se não levam a uma ruptura, causa uma preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção”.

São severos inimigos da boa convivência. Filhos do orgulho, comparecem na seara doutrinária do Espiritismo com os sintomas da animosidade crônica. Diríamos que como uma estranha rivalidade com alguém ou um fechamento intencional do afeto, que coagula as emoções na frieza disfarçada. Tais sentimentos não aceitam a felicidade, o êxito alheio ou perfis psicológicos diferentes dos quesitos pessoais do próprio invejoso ou ciumento. E formam os sutis detetives da conduta alheia. Na verdade significam apego e apropriação de espaços de trabalho, em cargos ou atividades, e mesmo ainda em autênticas disputas mentais que o invejoso trava entre si e aquele que julga como oponente, em razão muitas vezes, da desenvoltura do imaginário adversário.

A Revista Espírita2 traz abordagens sobre tais temas. O Espírito São Luiz abordou a questão da inveja, respondendo a um questionamento: “(...) seu Espírito está inquieto, sua felicidade terrestre está no auge; ele inveja o ouro, o luxo, a felicidade aparente ou fictícia de seu semelhante; seu coração está destroçado, sua alma surdamente consumida por essa luta incessante do orgulho, da vaidade não satisfeita; ele carrega consigo, em todos os instantes de sua miserável existência, uma serpente que ele reaquece, que lhe sugere, sem cessar, os mais fatais pensamentos: ‘Terei essa volúpia, essa felicidade?’ (...) E se debate sob sua impotência, vítima dos horríveis suplícios da inveja. (...)” E conclui: “(...) Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro sobre a Terra as obras de caridade e de submissão, as únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de Deus; essas obras do bem farão vossa alegria e vossa felicidade eternas; a inveja é uma das mais feias e das mais tristes misérias do vosso globo; a caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos esses males (...)”

A outra referência, sobre o ciúme2, está assinado por O Espírito protetor do médium e trata-se de mensagem recebida na presença do Codificador. Pondera o autor: “(...) O ciúme é o companheiro do orgulho e da inveja; ele vos leva a desejar tudo o que os outros possuem, sem vos dar conta se, invejando a sua posição, não pedis senão que se vos faça presente uma víbora que aquecereis em vosso seio. (...)” Claro que esse comentário pode ser estendido a todas as demais conquistas daquele que sofre a ação do ciúme e não se circunscreve aos patrimônios materiais.

Em ambos os casos, porém, a clara indicação do aprimoramento interior no combate a esses sentimentos, frutos do orgulho. Ambos são tolos e causam enorme perda de tempo, tranqüilidade e progresso. E já que a finalidade da presença do Espiritismo no planeta é a melhora moral dos seres humanos, iniciemos desde já uma análise interior para avaliar a presença desses indesejáveis sentimentos e seu expurgo, mesmo que a longo prazo, para que possamos desfrutar da incomparável experiência de viver buscando o progresso que a vida destina a todos nós.

129a edição IDE, novembro de 1993, tradução de Salvador Gentille.

2Em Julho de 1858 sobre A inveja e Outubro de 1861, sobre O ciúme. Edições do IDE, respectivamente páginas 177/178 e 315, tradução de Salvador Gentille.