domingo, 26 de janeiro de 2014

O ESPÍRITA ANTE À SINDROME DO MEDO

O ESPÍRITA ANTE À SINDROME DO MEDO
Jorge Hessen, domingo, 8 de maio de 2011

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Em uma situação de crise, seja de ordem econômica ou agravamento da insegurança pública, como sói ocorrer nos dias de hoje, as relações sociais, pessoais e familiares se alteram. Diante desse quadro, é perfeitamente normal que sintamos medo. Na verdade, sentir medo nos leva à imobilização, pois essa fobia aumenta, consideravelmente, a incerteza do que uma atitude poderá causar. Pensar que não conseguiremos enfrentar uma doença, nossos erros, a perda do emprego ou dos bens, a velhice, a solidão, a perda de um amor e assim por diante, amedronta-nos, causa-nos ansiedade e desconforto psicológico.
Se tivéssemos certeza do sucesso das atitudes a tomar, não teríamos medo de coisa alguma. Não devemos, pois, desconsiderar nossos medos, mas, antes, valorizá-los como fonte de transformações a serem realizadas dentro de nós mesmos. Quando usados como instrumento de coerção, controle e exercício do poder e de autoridade sobre os outros, compromete-se a consciência dos indivíduos, criando, neles, a necessidade de mentir. É quando professores e pais usam os medos e ameaças para limitarem seus alunos e filhos. Contos e histórias infantis, que podem ser usados como armas para amedrontar e controlar as crianças, estão ajudando a realizar a tarefa da antipedagogia. É o antiensino. É a deseducação.
André Luiz ensina que “o corajoso suporta as dificuldades, superando-as. O temerário afronta os perigos sem ponderá-los.” (1) É verdade!  Há  atitudes que, frente aos medos, podem ser fruto da nossa irresponsabilidade. Trata-se de um erro de percepção ou da nossa incapacidade de julgamento. Sem medir as conseqüências dos nossos atos, seja qual for a razão, enfrentamos a ameaça e o perigo, sem, antes, analisá-los. Somos, muitas vezes, inconseqüentes nos nossos atos, não avaliarmos a imprudência que cometemos. Exemplos comuns de irresponsabilidade são as atitudes impulsivas ou exibicionistas praticadas por quem não pensa em correr quaisquer riscos com tais atitudes. A morte e a vida lhe são indiferentes.
Por essas razões é preciso que aceitemos nossos próprios medos, a fim de darmos início ao nosso autoconhecimento. Consiste, isso, em admitir que temos medos. Admitir também que todos têm medos. É o primeiro e decisivo passo para iniciar o caminho que nos levará a superá-los e, conseqüentemente, a superação de si mesmo.
A instabilidade psíquica e emocional faz parte da rotina de todos. É necessário ter “nervos de aço” para sobreviver nas grandes cidades modernas. Embora o medo seja um sentimento natural, a drástica realidade do cotidiano está transformando, em patologia crônica, um sentimento que é fundamental para nossa sobrevivência. “Ninguém poderá dizer que toda enfermidade esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podem garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças”. (2) O medo é normal quando é moderado. Quando excessivo, torna-se doença, passa a prejudicar a nossa vida.
“Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento”.(3) O medo excessivo (fobias) é o mesmo que semear espinheiros magnéticos  e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, conseqüentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que Deus nos concede com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.
Para Sigmund Freud, uma emoção como o medo, por exemplo, “é uma preparação para enfrentar o perigo. É um estado biologicamente útil, já que, sem ele, a pessoa se acharia exposta a conseqüências graves. Dele derivariam a fuga e a defesa ativa. Quando, porém, o desenvolvimento de certos estados vai além de determinados limites, passa a contrariar o objetivo biológico e dá lugar às formas patológicas”. (4)
Os ansiosos (estressados) visitam, cinco vezes mais, médicos que uma pessoa normal. O sintoma crônico do medo está gerando problemas físicos e emocionais, tais como infarto do miocárdio, úlcera e insônia. Essa  síndrome repercute no organismo de várias maneiras. No cérebro, pode provocar insônia e depressão. No coração, surgem as arritmias e a hipertensão. O sistema endócrino pode sofrer baixa taxa de açúcar no sangue e problemas com a tireóide; no sistema gastrointestinal, indigestão e colite. Portando, o stress(5) do medo desenvolve a úlcera, a ansiedade, as tristezas e os pânicos.  “O medo [patológico] é um dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas”.(6)
Para nós, estudiosos do Espiritismo, a solução para o medo é, sem dúvida, o exercício "da fé que remove montanhas” (7), mostrando-nos o rumo da vitória. É, igualmente, a certeza da reencarnação, a convicção de que a vida terrena não é mais do que um longo dia perante a eternidade real da vida do Espírito. Somos seres pensantes e imortais e, ante essas verdades, podemos enriquecer a nossa atividade mental, indefinidamente, rumo aos objetivos superiores. Podemos desenvolver recursos que nos conduzam a um relacionamento humano e social mais saudável, através do trabalho solidário e fraternal, aprendendo a entender as dores e angústias dos nossos companheiros, a ter compaixão, e, finalmente, "a amar o próximo como a nós mesmos”. (8)
Fundamentalmente, a fé deve apoiar-se na razão, para não ser cega. Por isso, fé não é um "dom" fornecido por Deus para alguém em especial, seja por essa ou aquela atitude exterior, mas sim o produto da nossa conquista pessoal na busca da compreensão do caminho correto, das verdades que permeiam a essência das nossas próprias vidas, por meio do conhecimento, da vivência da experiência, das reflexões pessoais e pelo esforço que fazemos em nos modificar para viver com mais amor, por entender que o amor é a causa da vida, e a vida é o efeito desse amor. Na mensagem do Mestre, aprendemos a lição da coragem, do otimismo vivo, fatores psicológicos, esses, capazes de renovar nossos pendores, obstando que o medo, a depressão e a angústia se apossem de nossa mente.

Jorge
Site http://jorgehessen.net
email jorgehessen@gmail.com

Emmanuel - Medo

“E, tendo medo, escondi na terra o teu talento.” — (Mateus, cap. 25, v. 25)

Na parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam.
E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo da incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.

(Fonte Viva, 132, F.C.Xavier, FEB)

O medo das crianças


São tão bonitas as nossas crianças! Desde recém-nascidas aprendemos a cultuar as nossas crianças como sendo as nossas jóias.

Nossas crianças de fato merecem essa assistência, esse carinho, essa atenção. Mas, é curioso perceber que, muitas vezes, desde cedo, muito cedo, elas apresentam os medos, os temores e, muito dificilmente, nós nos damos conta desses medos, desses temores, o porquê disso existir.

Por que é que nossas crianças têm medos? Medos dos mais variados. Há crianças que não ficam no quarto escuro de jeito nenhum. As mães precisam colocar aquelas lampadazinhas de baixa intensidade para que a criança tenha a segurança de que está num ambiente iluminado, ainda que parcamente. É muito interessante perceber isto, porque nas famílias são poucos os pais que dão atenção a esses medos infantis. Muitas vezes atribuem que seja falta de vergonha da criança, que seja mimo demais. Cada um diz uma coisa. Pode ser que haja mimo, pode ser que haja a sem-vergonhice da criança para ficar junto com a mãe. No entanto, é importantíssimo que olhemos os medos da criança com olhar mais psicológico.

Por que é que ela tem medo, se nunca lhe pusemos medo? Se nunca impusemos medo aos nossos filhos de onde é que vêm esses medos? Jamais lhe falamos alguma coisa que pudesse impor-lhe qualquer medo.

Vale a pena pensar que nossas crianças, nossos filhos são Espíritos. Sim, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos eles agem, como Espíritos eles procedem. E porque nós somos espiritualistas e acreditamos que nossos filhos sejam Espíritos, muitas vezes é necessário entender que eles vieram de alguma região espiritual para a Terra, para o nosso encontro. São almas ligadas a nós, de passado próximo ou de passado remoto, ou que estão contato conosco pela primeira vez, mas são Espíritos. Muitas entidades espirituais ficam retidas nessas regiões do Além durante muito tempo. Algumas, atravessando dificuldades em função das vidas pretéritas; outras, com menos problemas, em função da vida passada.

Naturalmente, quando pensamos nisso, poderemos cogitar se esse medo expresso por nossa criança não vem dessas experiências no Além, antes de que chegasse à Terra. Desse modo, vale a pena que nós não imponhamos à criança essa resistência ao medo.

Se, por acaso, ela estiver apresentando medo de escuridão, não lhe obriguemos a ficar num lugar escuro. Poderemos criar-lhe traumas de difíceis conseqüências para o seu futuro. Será importantíssimo que nós trabalhemos para que ela fique bem e, como falamos, as mães colocarem uma lampadazinha de baixa intensidade para que a criança se sinta confortável.

Às vezes, ela acorda chorando e os pais imaginam que seja manha para ir para a cama do casal. Pode ser que seja, mas como não teremos certeza, enquanto esta certeza não tivermos, vamos atender a nossa criança. Não haverá nenhum problema que ela fique um pouco junto de nós e quando ela durma, quando ela se acalme, nós a levaremos para a sua caminha de novo.

Há muitas crianças que sofrem pesadelos tanto quanto os adultos sofremos pesadelos e, como elas não sabem dizer, elas poderão dizer que viram bichos, que viram monstros e nós, se não tivermos essa sensibilidade, estaremos criando um problema muito mais sério, muito mais grave para os nossos filhos do que se nós estivermos lhes.dando agasalho.

Medos em crianças precisam ser analisados porque, afinal de contas, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos carregam as pressões do seu passado, de sua vida anterior a essa, ou de suas vidas anteriores a essa. E, por causa dessa pressão, tudo pode acontecer.

Antigos adversários que as acompanham, seres da família e que elas, não tendo consciência, poderão assustar-se ao vê-los, no seu desprendimento pelo sonho.

Daí, então, vamos conversar com a nossa criança, trabalhar para que se.lhe diminua a intensidade do medo, mostrar para ela que não há razão para ela ter medo. Por que? Porque ela está dentro de casa, junto do papai, junto da mamãe, junto aos irmãos. Mas não vamos menosprezar essa reação que a nossa criança possa apresentar de medo, de pavor em muitas ocasiões. Afinal de contas, nós precisamos agasalhar com carinho os nossos filhos.

* * *

Falamos, desse modo, desse cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças, exatamente pelas condições psicológicas dos nossos pequenos. É importante, porém, que não seja obra dos pais, ou dos adultos colocar medo nas crianças.

É muito comum, na tentativa de abolir determinado comportamento da criança, que os pais lhe imponham medos, medos do papão, do bicho papão, para fazê-la dormir.

Às vezes, as mães, com intenções as mais variadas, colocam nos seus filhos medos do velho, do guarda, da polícia, medo do preto, medo da mulher, medo completamente irracional.

As crianças não têm ainda condições de discernir, elas não conseguem ainda avaliar o que signifique isto que seus pais ou que um adulto lhes esteja dizendo. Ela então se perturba, se amofina, se apoquenta, sem saber como sair dessa situação.

Nós criamos, na mente infantil, esses quadros dantescos que, na imaginação criativa da criança, ganham uma forma inusitada, uma extensão inimaginável e uma intensidade brutal. Quantas e quantas vezes problemas sérios, que acompanharão a criatura até a idade adulta nasceram nesses medos na infância.

Dessa maneira, vale a pena ter muito cuidado com medos de nossas crianças. Por vezes, elas apresentam medos de determinados bichos, medo de aranha, medo de barata, bichos que aparecem em casa, medo da lagartixa. Tanto quanto seja possível, se seus pais não forem dotados deste mesmo medo, poderão mostrar para as crianças que esses são animais inofensivos. Deverão ensinar a elas a ter cuidados porque pode ser animal que traga algum tipo de enfermidade, pelos lugares por onde passeie. Como nós aprendemos a espantar as moscas porque elas pousam em qualquer lugar, os mosquitos, muitas vezes será necessário ensinar às crianças a respeito da questão higiênica: porque é que não temos determinados tipos de animais na nossa convivência, mas não porque elas devam ter medo, não porque os pequenos devam temer isso, mas o cuidado.

Ensinar. Sempre que ensinamos, nós libertamos a criança. Deixamos de ensinar, a criança fica escrava do medo irracional.

Quantos adultos inseguros não ficam em casa sozinhos jamais, não saem à rua sozinhos jamais, não viajam jamais a sós... E quando nós vamos buscar as razões disso, as raízes de tudo isso, as raízes se encontram nos medos que lhes foram inculcados na infância.

É tão importante uma vida sem medo, mas com cuidados. Não temos medo de escuridão, mas sabemos que não devemos passar por lugares inóspitos, escuros em determinados horários, porque há pessoas de má índole que, muitas vezes, querem pregar sustos ou criar problemas graves: um assalto, um furto.

Então, nós estamos raciocinando. Não é um medo do escuro pelo escuro; é a preocupação de que há criaturas que se valem da escuridão para causar transtorno a outras pessoas.

Não fugiremos de determinados insetos por causa do medo que tenhamos deles, mas por sabermos, conscientemente, o tipo de problemas que eles nos possam trazer. Com isso, a nossa criança se desenvolve, ela aprende, ela cresce e nós ficamos felizes por não criarmos filhos, por não influenciarmos crianças a partir do medo.

É tão bom a gente não ter medo. É tão bom termos coragem de fazer as coisas, de viver as circunstâncias, de enfrentar desafios novos. É tão importante, é tão bom. E vale lembrar Jesus quando, num momento em que os discípulos estavam apavorados, após a Sua crucificação, e ninguém sabia Dele, e todos sentiam falta Dele, ei-LO que surge! E, ao se dirigir aos discípulos os saúda dizendo: Sou Eu, não temais.

A partir dessa presença de Jesus em nossa vida não temos nada a temer. Vamos passar Jesus de todas as maneiras para as vidas das nossas crianças, para a vida dos nossos filhos. Foi Ele mesmo que nos propôs: Deixai que venham a Mim as crianças, não as detenhais.

É tão importante que, a partir da lucidez com que ensinamos as crianças a viver da nobreza, com que permitamos que os nossos pequenos cresçam, aproximá-los de Jesus, dos ensinos do Mestre.

A partir daí, teremos a certeza de que eles crescerão saudáveis, corajosos positivamente, audaciosos no Bem, criando doravante o mundo novo que todos nós aguardamos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 97, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 1º de junho de 2008.
Em 04.08.2008.

A preocupação e o medo da morte


Quem em nosso mundo não pensou algum dia.

“Como será após a minha morte, será que tudo que se passou em minha vida vai ser perdido?”

Quantos seres humanos já morreram e deram a vida por causas da caridade como Madre Tereza, ou  quantas pessoas deram suas vidas para salvar outras pessoas.

Quantos Pais e Mães que passaram suas vidas com um único objetivo, trabalhar e sustentar seus filhos com dificuldade, não desistiram, foram até o fim.

Mulheres que se submeteram a várias humilhações durante suas vidas, acreditaram sempre em Deus e em Jesus Cristo, nunca reclamaram e nem se indagaram.

“Será que vale a pena este sofrimento?”

Todas estas vidas vividas não estão perdidas porque desencarnaram, seus projetos e pensamentos ficam estampados em seus espíritos, suas obras continuam, seus corpos podem ser enterrados em caixões de madeira, não importa se foram ricos ou pobres, o que importa são os frutos que deixaram na terra.

Mesmo assim há pessoas que se apavoram, passam horas e horas preocupadas com fortunas acumuladas.

"Quem vai cuidar do meu dinheiro, quem vai continuar na minha empresa, quem vai gastar o dinheiro que eu ganhei, quem vai ficar com os meus imóveis, será que vou ter conforto e poder lá no céu, será que todo o dinheiro que ganhei não me dá algum valor?"

A preocupação e o medo da morte são evidentes quando a pessoa não está apenas com o medo exatamente só da morte em si, mas sim de perder o status e o poder, perder o dinheiro, perder o cargo, diante de si está uma transformação que não se tem como passar um cartão de crédito e nem de se fazer um seguro de previdência que garanta o mesmo status após sua passagem para outro plano.

As obras que Deus dá valor em nossas vidas, que nos torna digno de sua benevolência, são obras do espírito e do coração.

Principalmente o amor deixado aqui, as caridades espirituais, palavras de conforto com amigos, amizades e bem querer, o amor ao próximo, coisas de Deus que fizemos na terra, o coração que temos em nosso peito, a sinceridade e a fé, são estas as obras que tem valor perante a Deus.

Não se sinta impotente contra a morte, saiba que você é único no universo, tenha sempre em mente que Deus olha por você, o medo da morte é um sentimento abstrato, na verdade nem sabemos do que exatamente que estamos com medo.

Na verdade temos medo do obscuro, da incerteza, a idade não nos importa, a morte pode acontecer a qualquer momento.

Nosso espírito sabe que estaremos conscientes após a nossa desencarnação, em nossa mente sempre teremos o medo do desconhecido isso é normal porque o desconhecido é incontrolável.

O ser humano tem o instinto de sobrevivência natural da evolução e este instinto torna ainda mais forte e consistente o medo de morrer.
Espiritualista

O medo na visão espírita - Morel

Você sabe que o medo é o seu pior inimigo, não sabe? É aquele que boicota as suas melhores intenções, aquele que atrapalha todos os seus passos, aquele que faz a sua jornada parecer difícil, aquele que faz você mentir pra si mesmo. Aquele que lhe faz passar vergonha, e lhe segura os pés, e lhe puxa para trás quando você teima em avançar. Não estou me referindo aos seus piores defeitos. Esses são o orgulho e o egoísmo, sempre. Falo do seu inimigo, que talvez lhe persiga há muitas reencarnações. O medo! O podre, covarde e horripilante medo!

O medo pode perseguir suas vítimas por muitos séculos. Vida após vida, encarnado ou desencarnado, o medo pode persegui-lo sem piedade. Tem aquela velha história de que o medo tem sua utilidade, que ele nos acompanha desde a pré-história, quando tínhamos que fugir das feras etc.  Conversa pra boi dormir.

Não estou negando a existência e conveniência dos instintos. Mas o medo já não é só instinto, é sentimento de inferioridade, é falta de confiança em si mesmo, é sensação de impotência perante a vida, as pessoas, o mundo, os fatos.

Quem sente medo se vê incapaz de realizar seus sonhos. Não confia em sua capacidade. Se acredita que é capaz, não confia em sua sorte. Quem é vítima do medo não desenvolve seus talentos, pois acha que não nasceu pra isso, que não tem as condições necessárias pra isso. A pessoa que sente medo nunca se expressa com perfeição, nunca tem coragem de se mostrar verdadeiramente como é, mesmo que seja uma ótima pessoa e tenha consciência disso. A pessoa perseguida pelo medo pode ser mais inteligente, mais bondosa, mais talentosa, mais forte, mais saudável e mais capaz que uma outra, mas essa outra está sempre à sua frente, pois não sente medo.

Não há pior inimigo. O medo é um padrão de pensamentos defeituoso. O medo deturpa a realidade. Toda informação que chega à mente de quem tem medo é distorcida pelo medo. Toda nova resolução, tudo o que a pessoa se propõe a fazer pra mudar a sua vida, é freado pelo medo. Nada deslancha. Nada anda. A vida passa, as oportunidades vão sendo desperdiçadas uma a uma, a confiança em si mesmo vai ficando cada vez menor, até que o conformismo tome conta. Então é um festival de mentiras pra si mesmo, mecanismos de defesa para disfarçar a própria incapacidade de lidar com a vida.

Mas o mal causado pelo medo não para por aí. O medo é contagiante, e muitas vezes hereditário. Quem é criado por pessoas medrosas sofre sua influência nefasta, e muito provavelmente vai acreditar que tudo é difícil, que tudo é uma porcaria que nunca dá certo. Quem convive cotidianamente com pessoas assoladas pelo medo tem que ser muito forte e seguro de si pra não se deixar contaminar.

Como se livrar do medo? Fácil! Não pense nele! Achou muito difícil? Sinto muito por desapontá-lo, mas se nem Jesus não evitou o medo de Pedro, que poderei fazer eu, pobre pecador que sou? Um dia, quando estavam pescando, Pedro viu Jesus caminhando sobre as águas e quis fazer o mesmo. Entusiasmado, conseguiu andar um pouco. Mas logo duvidou, teve medo, e começou a afundar…

Mas o medo é pensamento, só isso. E o rumo de seus pensamentos pode e deve ser controlado por você. O medo não é vencido de um dia para o outro. Um inimigo que pode estar no encalço de sua vítima há séculos não pode simplesmente ser mandado embora. É preciso tempo e perseverança. E ação. O método mais eficaz de se combater o medo é justamente fazer aquilo que dá medo. Depois de algumas tentativas nesse sentido, as novas experiências vão substituindo as velhas imagens do medo. Forme novos padrões de pensamento vitoriosos e mantenha-os em sua mente.

E não esqueça nunca que você é manifestação de Deus. Você é uma partícula divina com capacidade infinita. Permita que o seu melhor apareça, se mostre, se desenvolva. Seja mais racional e perceba que medo é burrice. Talvez você não se importe de ser considerado medroso, mas não aceitaria ser considerado burro. Não dê chance ao pensamento de medo. Não dê importância a ele. Você já deve ter provas suficientes de que as coisas que você teme são irreais, são ilusões, são doenças da imaginação. Seja inteligente para perceber e determinado para combater.

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Síndrome do Pânico na Visão Espírita

Entrevista com Jaider Rodrigues de Paulo

Fonte:  CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - www.cvdee.org.br

Tema : Síndrome do Pânico na Visão Espírita

01.O que é Síndrome do Pânico? (índice)

Resposta: É uma vivência geralmente abrupta sem motivos aparentes levando o individuo portador a um estado de pavor, medo de morrer e de enlouquecer, como sentimento de estranheza e varias sintomas orgânicos tais como taquicardia, sudorese, mau estar, boca seca, falta de ar e outros.

02.Quais são as medidas profiláticas dessa síndrome? (índice)

Resposta: Toda e qualquer atitude salutar diante da vida.


03.Quais são as causas da síndrome do pânico? Orgânicas-genéticas ou espirituais (obsessivas)? (índice)

Resposta: A ciência oficial ainda não tem uma causa definida e clara para esta síndrome.
Somos do parecer pelos estudos que já fizemos que o núcleo central da síndrome do pânico está na reencarnação translata, quando o individuo teve uma morte violenta e prematura, por acidente ou suicídio. Nas regressões de memórias que submetemos a alguns clientes com essa síndrome encontramos em todas uma morte traumática. A dificuldade em desvenciliar-se do corpo físico morto, sentindo as conseqüências de sua decomposição, fixa no perispírito das pessoas aquelas impressões desagradáveis que o corpo físico da seguinte reencarnação, não consegue apagar. De uma maneira geral temos observado que pessoas que têm síndrome do pânico tem medo de cemitério e não gostam de freqüentar velórios, ou seja, evitam inconscientemente aqueles locais aonde sofreram muito. Quanto à parte genética, há a possibilidade de transmissão autossômica dominante com reentrância parcial do gene do cromossomo 16.


04.Como podemos viver em harmonia com alguém que sofre dessa síndrome? (índice)

Resposta: Primeiro entendendo que se trata de uma pessoa enferma necessitando de compreensão e apoio. Segundo, auxiliando-o em seu tratamento especializado.

05.Na prática do dia-a-dia, como podemos ajudar um companheiro que possui a síndrome do pânico? (índice)

Resposta: Procurando entender o seu sofrimento e fazendo a ele o que você gostaria que fosse feito a você, como por exemplo, evitando criticas exigências que ela não dá conta de fazer.


06.Sensação de medo do futuro, ansiedade, tontura gerando insegurança, sensação de falta de ar, são possíveis sintomas da síndrome do pânico? A síndrome do pânico pode ser confundida com a aproximação de energias estranhas à nossa? (índice)

Resposta: Não, estão mais parecidos com crise de ansiedade. Com energias estranhas sim, principalmente se a pessoa for médium.


07.Gostaria de saber se a obsessão é sempre a causa desta síndrome, e se devemos tomar remédios controlados para amenizar as crises já que estes viciam e afetam o perispírito, e também sobre a terapia de regressão se é talvez o caminho para a cura?
(índice)
Resposta: Primeiro há um engano na afirmação. Síndrome do pânico não tem ao nosso ver como causa a obsessão.Isso é vicio de interpretação de espíritas mal informados que afirmam que tudo que um individuo sente em nível mental ou é obsessão ou mediunidade. Isso revela desconhecimento das obras de Kardec. Um processo obsessivo agrava um quadro de síndrome do pânico, mais isso não quer dizer que seja a etiologia da mesma. Quem tem síndrome do pânico necessita de tratamento especializado. Quanto ao fato dos medicamentos afetarem o perispírito, isso é uma verdade somente se o individuo usa o medicamento de maneira abusiva e não procura fazer nada que venha a modificar as suas atitudes diante da vida. A regressão de memória pode ser muito útil para o paciente portador dessa síndrome.


08.Atualmente estou ficando com a língua, os braços e as pernas dormentes, sem contar com a sensação de perda de consciência e sensação de falência. Já realizei vários exames e fui a diversos especialistas, todos me dizem que estou com síndrome do pânico. Tenho discordado, pois além de não estar com medo de sair de casa e das pessoas (o que é um sintoma), essas crises aparecem nos momentos de maior relaxamento. Tenho a impressão que essa sensação tem influencia espiritual. Pergunto: é possível associar esses sintomas com a questão espiritual? (índice)

Resposta: Acreditamos que sim, embora falte ainda uma análise mais detalhada para suspeitarmos de síndrome do pânico.


09.Como lidar com esta síndrome com um filho adulto e espírita? (índice)

Resposta: Por ser espírita seu filho tem mais recursos para lidar com a doença embora tenha necessidades de tratamento medico. Os recursos espíritas ajudam a amenizar as influências espirituais o que pode aliviar muito a sobrecarga sobre o paciente. Porém repetimos que ele necessita de tratamento especializado.Você pode incentivá-lo a procurar tais ajudas.


10.A síndrome do pânico pode atingir alguém que mora em uma cidade pacata, do interior? (índice)

Resposta: Perfeitamente.


11.A síndrome do pânico não deveria ser tratada como obsessão? Por que espíritas se refugiam na medicina quando não querem enfrentar a causa espiritual primaria de muitas doenças? (índice)

Resposta: Não porque não é simplesmente uma obsessão. Trata-se de uma nosologia medica com tratamento medico. Querer tratar problemas psicológicos e orgânicos somente com recursos espirituais é não aceitar a realidade e muitas vezes refugiar-se na doutrina espírita para não aceitar que está doente. O inverso também ocorre como você está dizendo. Tem muitos espíritas que refugiam-se em consultórios médicos quando na realidade deveriam assumir as suas necessidades
espirituais.

12.Onde eu poderia ter algum esclarecimento sobre o tema? (índice)

Resposta: Dentre muitas revistas medicas e livros que versam sobre o assunto, existe um livro com o titulo “pânico” de Mario Eduardo Costa Pereira muito bom.


13.Até que ponto a mente influencia no comportamento do individuo e o ajuda a conquistar o que deseja, tanto material quanto espiritual? (índice)

Resposta: A mente está na base de todos fenômenos humanos. Uma vontade firme determinada é capaz de realizar prodígios muitas vezes inimagináveis por nós. Como dizia Einstein é preciso crer para ver.


14.Quando se acorda, sentindo um medo que não se sabe de que, um vazio, apesar de ter inúmeras atividades, isso é síndrome do pânico? (índice)

Resposta: Não. É bem provável que sejam vivencias obsessivas ou admoestações feitas por mentores nos orientando que estamos fora do caminho programado.


15.Como diferenciar síndrome do pânico de uma influenciação, uma aproximação de alguma entidade espiritual? (índice)

Resposta: A síndrome do pânico apresenta sintomas característicos embora, alguns possam confundirem com influência espiritual. Uma influência de tamanha proporção já está nas raias da obsessão e esta apresenta outras características. Os pesadelos persecutórios com despertar na madrugada com medo, insônia por medo de dormir,irritabilidades constantes crises de ansiedades sem outros sintomas físicos, mudanças de humor constantemente, idéias esquisitas invadindo a mente do individuo, aversões sem justificativas, pensamentos suicidas e outros quase sempre estão presentes nas obsessões.


16.Ocupar o nosso tempo com atividades úteis, alegres, participativas auxiliam o tratamento de pessoas que tem síndrome do pânico? (índice)

Resposta: Muito, porque elevam o padrão mental da pessoa, fazendo-a vibrar numa oitava a cima do normal dela,dificultado as incursões inconsciente da mente nos dramas passados que ao nosso ver são as verdadeiras causas da síndrome do pânico.

17.Não sei se aplica ao pânico, mas como se analisa a questão do medo advindo de experiências nessa existência que minaram a confiança da pessoa ( ex.. sofrer atos de violência física ou mental, acidentes, etc )? Qual o melhor caminho para se desvencilhar desse medo? (índice)

Resposta: Essas experiências traumáticas muitas vezes tornam o individuo mais sensível e costumam despertar dificuldades ocultas que até então estavam sobre controle em seu campo mental.Nesses casos o bom seria procurar um profissional competente que ajudasse a pessoa a se dessensibilizar-se desses traumas. Existem técnicas de tratamento para isso.


18.O que fazer quando percebo que a “crise” está começando... o coração passa de 220 batimentos por minuto... tenho medo de enfartar ( o cardiologista falou que não tenho nada no coração). Eu começo a orar, peço ajuda, mas parece que não consigo evitar...estou tomando passe e água fluidificada. (índice)

Resposta: Normalmente é isso que acontece. As pessoas dizem: rezo, rezo, rezo e não melhoro vou ao centro tomo passe água fluidificada e nada. Será que Deus esqueceu de mim? A sua questão vem reafirmar o que estamos dizendo: paciente com síndrome do pânico necessita de tratamento especializado, alem da ajuda espiritual.


19.Senti-me mal e foi diagnosticada síndrome do pânico. Sou espírita e fiquei com uma interrogação : ouvi dizer que tem a ver com falta de fé, mas não me considero sem ela. Isto é correto? (índice)

Resposta: As maiores dificuldades que temos na vida realmente é por falta de fé. Mas no caso da síndrome do pânico isto não é apanágio da falta de fé propriamente dito.


20.Teria a síndrome do pânico algum papel punitivo ou educativo na encarnação? (índice)

Resposta: Punitivo não porque Deus não pune os seus filhos que erram porque são ignorantes. Essa idéia de punição são resquícios de idéias religiosas da “psicologia do inferno”. Educativas sim. Pois todo sofrimento quando bem entendido tende a levar a conscientização da pessoa.


21.Uma pessoa que tenha um problema tipo ciúme obsessivo, pode ter síndrome do pânico? (índice)

Resposta: Pode sim, mas não vejo ligação direta entre eles.


22.Tenho uma formação espírita desde criança, leio livros espíritas, participo de reuniões semanais e faço o evangelho no lar. Mesmo assim não consigo me livrar da síndrome de pânico, tomo regularmente Rivotril, duas vezes ao dia e nas tentativas que fiz para parar de tomar me senti péssima. Tudo começou após o nascimento de minha filha, hoje possui dez anos. A sensação que tenho é que alguma catástrofe está para acontecer, a todo instante mas principalmente a noite e em ambientes fechados. Tenho muito medo de que algo me aconteça ,pois, mesmo acreditando na vida em outro plano, não quero que minha filha sofra a minha falta ainda tão nova, não quero vê-la sofrer. Atualmente tenho sofrido muito, pois o meu marido está desempregado e a empresa que eu trabalho já avisou que irá demitir funcionários, pois está sendo adquirida por outra. Não tenho me sentindo bem e, mesmo com os remédios, vivo em pânico, acordo durante a noite e fico pensando como vou sustentar a minha família. Às vezes tenho vontade de morrer, mas ao mesmo tempo não quero que isto aconteça pois quero criar a minha filha, encaminha-la na vida. Estou sofrendo muito. O que o espiritismo pode ajudar quanto ao pânico? (índice)

Resposta: O seu quadro ao nosso ver trata-se de transtorno de ansiedade generalizado, complicado pelas vicissitudes da vida. Não me parece estarmos diante de um quadro de Síndrome do Pânico característico. Você necessita de fazer o tratamento deste transtorno e trabalhar mais a sua fé no criador. Alias, no momento atual pelo qual passamos, todos nós necessitamos buscar na nossa fé, a força necessária para vencermos essas dificuldades que assolam o nosso país.


23.Quero saber como devo agir no meio de tanto estresse, para evitarmos tê-la, e melhor, como auxiliar alguém que esteja começando a tê-la ou até já esteja em grau um pouco mais adiantado da doença? (índice)

Resposta: Fazendo uma analise de como você está administrando a sua vida. O que realmente é necessário e o quê está de supérfluo ocupando o espaço do vital para você. Nós muitas vezes sofremos desnecessariamente por não sabermos o que queremos da vida. Necessitamos priorizar em nossa vida o que realmente é necessário. Leia o livro “mereça ser feliz” vai lhe ajudar muito, espero.


24.Deve a pessoa que tem síndrome do pânico, tomar medicação? A meu ver trata-se somente de obsessão. (índice)

Resposta: Já foi respondido em outra parte (questões 4 e 11).


25.Milha filha apresentou esse problema alguns anos atrás. Os médicos demoraram muito para diagnosticar; tiveram que fazer muitos exames. Enfim, ela ficou sete dias internada. Fez tratamento alopático e só. Gostaria de saber se há possibilidade de voltar o problema e em que situação? (índice)

Resposta: Geralmente são os psiquiatras ou cardiologista que fazem o diagnostico com mais facilidades, pois é grande a freqüência em suas clinicas de tais pacientes. Junto com o tratamento alopático (sempre necessário), deve-se buscar a psicoterapia e também os tratamentos complementares. A ajuda espiritual é muito benéfica. Leituras salutares, o hábito da oração, esportes, divertimentos sadios são muito importantes para manter a mente da pessoa sempre em um nível superior, pois o pessimismo o vicio de mentalizar o lado negativo da vida podem ser fatores desencadeante das crises.


26.Sou casada há l2 anos e tenho um filho de seis anos. Tenho sofrido ao longo de sete anos entre período de depressão e outro, e hoje foi diagnosticado que tenho além de fibromialgia, que é um distúrbio neurológico, a síndrome do pânico. Há dias que é ainda mais intenso o meu pavor e aversão ao mundo externo. Gostaria de saber porque esta síndrome se instala e se há cura. (índice)

Resposta: A causa como já falamos alhures, é desconhecida pela ciência. Existem varias hipóteses, mas nenhuma por si responde todas as questões. É muito comum depressão, fibromialgia e síndrome do pânico, estarem presente numa mesma pessoa. No final destas questões exporemos o nosso ponto de vista sobre a síndrome do pânico.

27.Como ajudar uma pessoa com esses sintomas fora de um centro espírita? A terapia de regressão a vidas passadas não incorre em riscos para o paciente (se Deus nos deu a benção da amnésia parcial, será beneficio relembrar certas vivencias)? (índice)

Resposta: Aconselhando-a procurar um médico em primeiro lugar. Depois a orientando fazer uma revisão de como tem vivido. Procurar vincular-se a um trabalho voluntário em favor de alguém e não esquecer de buscar o habito da oração.Quanto ao fato da regressão de memória a vivência passadas, costuma ser muito útil no tratamento destas pessoas. O esquecimento do passado é realmente uma benção, mas não impede que busquemos recursos para a solução dos nossos problemas hoje. O nosso “ EU” superior só permitirá vir á consciência aqueles fatos que o nosso psiquismo de superfície já suportar elaborar. A mente tem os seus mecanismos de defesas, que protegem a integridade psíquica. Quando Emmanuel desaconselha vasculhar o passado, afirma isso nas questões de curiosidade e não para tratamento. Para tratamento somos do parecer que é valido desde que seja feito por profissional competente.


28.Como o medo e a solidão influenciam no processo da síndrome do pânico? (índice)

Resposta: O medo quando em grau superlativo, é o pior sentimento que uma pessoa possa sentir. A síndrome do pânico é um medo extremo, que desencadeia vários sintomas numa pessoa. Ele é para nós a porta de entrada da síndrome do pânico.

29.Minha mãe teve síndrome do pânico logo após o desencarne de meu pai ( ele ficou doente 15 anos e nesse tempo todo ela dedicou somente a sua doença). Com a síndrome do pânico, ela várias vezes foi ao hospital com a pressão alta e após várias crises, foi constatada a doença. Ele hoje está bem melhor, mas continua tomando os medicamentos. Na mesma época que ela começou o tratamento, ela voltou a aplicar passe no centro. Não sabemos se a melhora foi devido aos trabalhos no centro ou a medicação. Se ela parar com a medicação a síndrome pode voltar? Ela não queria mais ficar tomando tantos remédios. (índice)

Resposta: Somos do parecer que foram as duas coisas que redundaram na melhora. É bom que ela procure o seus médico e converse com ele na possibilidade de reduzir a medicação e observar como ela irá sentir.

30.Observação do entrevistado (índice)

A síndrome do pânico à nossa experiência tem como provável causa uma morte traumática na reencarnação próxima passada. Geralmente por suicídio. No livro Memórias de um suicida, Camilo Castelo Branco descreve com rara felicidade os principais sintomas encontrados em tal síndrome. A dificuldade em desvencilhar-se do corpo vital quando de um desencarne abrupto provocado direta ou indiretamente pelo próprio individuo é que ao nosso ver responde por todo cortejo de sensações estranhas que a pessoa sente. De uma maneira geral vários sintomas são confundidos com esta síndrome. Ansiedade, palpitação, mal estar e outros por si só não nos autoriza a dar este diagnostico A sensação de desrealização, despersonalização, medo de enlouquecer ou de morte eminente com a angustia de que ninguém pode ajudar, são para nós os principais sintomas dessa síndrome. Os pacientes em regressão de memória quando acessam estes momentos, nos revelam esses sentimentos. A dificuldade em desencarnar (não de morrer) é que trás esse sofrimento. A morte pode ser de varias maneiras: suicídio, enfarto, guerra, traumas vários, mas é a dificuldade em desvencilhar-se do corpo e ficar preso ao duplo etérico quando o corpo já está morto que é o grande problema. Ao reencarnar, o novo corpo não é capaz de abafar as sensações violentas do passado e por ressonância com vivencias atuais , pode abrir-se uma janela dos passados e essas sensações podem materializarem-se na vida atual. O momento da morte como do nascimento é muito importante para todos nós.

MEDO: INSTINTO OU PATOLOGIA?

MEDO: INSTINTO OU PATOLOGIA?
(matéria publicada na Folha Espírita em 2003)
A Folha Espírita entrevistou a Dra Maria Julia Peres, psiquiatra e criadora da Terapia Reestruturativa Vivencial Peres – TRVPeres e o Dr. Jaider Rodrigues de Paulo (AME-MG).

O medo é uma emoção presente em quase todos os seres da natureza, representada por um conjunto de sentimentos que se manifestam com grande inquietação e angústia diante de um perigo real ou imaginário de um fato desencadeante de ameaça, pavor, susto, perdas e dor profunda (física ou mental), entre outros.

Ele é expressado nos seres humanos por reações corporais como o susto, olhar espantado, boca seca, taquicardia e sudorese, entre outros, traduzindo o incômodo físico e mental que provoca. Sua presença excessiva é um dos grandes fatores de angústia para o ser. “O medo, em si, não constitui uma patologia e sim, um comportamento de cautela para maior segurança do indivíduo. Ele é racional, perfeitamente controlável, não interfere nas atividades diárias, nem desencadeia sintomas físicos, psicossomáticos”, declara a psiquiatra e especialista em terapia regressiva Maria Júlia Peres, criadora da Terapia Reestruturativa Vivencial Peres – TRVPeres. “Ele é ontológico na raça humana, uma reação emocional a um agente externo, o qual é percebido como agressor à integridade física do indivíduo”, completa o psiquiatra Jaider Rodrigues de Paulo, da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AME-MG). Para a ciência psíquica, segundo ele, um dos diferenciais com a ansiedade é o fato de ele ter um objeto real e ela nem sempre. “O medo se caracteriza a partir de uma vivência objetiva, como, por exemplo, de animais, altura e escuro, entre outros. A ansiedade expressaria mais os fantasmas internos”, completa.

De acordo com Jaider, o medo se origina de quatro vertentes. A primeira seria criada pelo instinto de conservação, evitando que o indivíduo se exponha a perigos desnecessários. “Se a pessoa sentisse dor e não tivesse a presença do medo, provavelmente não aprenderia a evitar novos fatos semelhantes, que a levaríam a senti-la, ou seja, não fixaria o aprendizado”, aponta. Este é um fator positivo do medo, segundo o médico. “Dentro deste pensamento, temos, também, o medo do desconhecido, como da imensidão do mar e do cosmo, ou quando viajamos para algum local sem referências”, lembra.

A segunda vertente, de acordo com Jaider, seria fruto do complexo de culpa, originado de atos que julgamos delituosos, em vidas passadas ou nesta própria. “É quando o culpado instala em sua intimidade o tribunal da consciência, o pior de todos, criando o seu inferno particular, despertando este sicário de todos nós, o medo”, informa. A terceira vertente seria fruto dos sofrimentos atrozes que experimentamos nas zonas inferiores da erraticidade, quando brinquedos de inteligências perversas. “Nesses casos, seriam os egressos do suicídio, do homicídio, os viciados de toda sorte, os quais não fazem nenhum movimento para a sua redenção. A mente destas pessoas é povoada de imagens apavorantes que, mesmo depois de serem resgatadas pelas mãos dos obreiros do senhor, continuam como cruéis prolongamentos daqueles momentos infelizes que a reencarnação não consegue abafar”, declara. “Deparando-se com situações que guardam ressonância com este passado, podem despertá-lo, criando campo mental propício para a emersão no presente, daquelas situações pretéritas traumatizantes. São pessoas que aportam a uma nova reencarnação trazendo, em sua estrutura psíquica atual, o temor constante, o qual, muitas vezes, dirige seus atos”, completa.

Mas o medo pode ser conseqüência de educação equivocada, quando os familiares, no intuito de controlar as suas crianças, criam em suas mentes figuras de monstros, como de assombração, bicho-papão e demônios, sem saberem que estão formando clichês mentais torturantes, que podem perturbá-las. “O indivíduo, quando vive sob o guante do medo, é uma pessoa basicamente insegura, assustada e raivosa. Estes sentimentos podem torná-la agressiva, retraída, aparentemente pouco responsável e, às vezes, paradoxalmente temerária”, diz.

Fobia: transtorno neurótico
A fobia é um transtorno neurótico, relacionado ao estresse, que apresenta reações somatoformes (antes chamadas de psicossomáticas) e está caracterizada na CID 10 (Classificação Internacional das Doenças, itens F40 a F48). Segundo a psiquiatra Maria Júlia Peres, criadora do Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Vivencial Peres, de São Paulo (SP), ela é um medo patológico, exagerado, persistente e irracional, que ocorre em relação, entre outros, a objetos (facas, objetos pontiagudos etc), atividades ou situações (sair ou viajar sozinho, medo de multidões, altura, lugares fechados, lugares públicos e de ser foco de atenção etc), coisas específicas (animais e insetos), forças naturais (tempestades, relâmpagos, enchentes, terremotos etc), “hospitalares” (sangue, injeção, cirurgia, ferimentos, vômitos etc) e situacionais (elevadores, túneis, aeroportos etc), entre outros. A literatura médica cita mais de 500 modalidades de fobias.

Entre as reações apresentadas estão os sintomas de ansiedade, que se apresentam antes e durante o aparecimento da situação temida. São eles as palpitações (aumento da freqüência cardíaca), sudorese, tremor; dificuldade para respirar, náusea ou desconforto abdominal, desequilíbrio, tontura, atordoação, medo de morrer. “Pelo menos três dos itens citados devem aparecer no verdadeiro diagnóstico de fobia. O paciente apresenta angústia marcante, causada pelo sintoma, e evita situações fóbicas, que o levam à ansiedade, que ele próprio reconhece que são excessivas e irracionais, como medo das imagens do objeto fóbico e das situações que aparecem em televisão, revistas e outros”, afirma Maria Júlia.

Origem
As fobias são classificadas de várias formas e por várias correntes. Para os chamados “comportamentalistas”, segundo a psiquiatra, são condutas adquiridas em experiências traumáticas ampliadas por reações excessivas, desencadeadas por estímulos que as cercam ou pela insegurança devido à ausência da mãe. Elas podem surgir em qualquer época da vida, em que tenha havido um evento doloroso, que tivesse sido marcante para o paciente. Para os “psicanalistas”, acrescenta, o mecanismo causal da fobia é um conflito intrapsíquico inconsciente não resolvido, geralmente de origem edipica (menino que deseja sexualmente a mãe, mas teme a punição do pai, na forma de castração – vide Freud em O Pequeno Hans). Neste caso, o paciente tem medo das suas pulsões e as substituiu por um objeto. Por não poder assumi-las e por negar sua realidade, desloca suas angústias para um objeto simbólico (no exemplo freudiano do Pequeno Hans, ele desloca o medo de punição do seu pai para o medo de um objeto externo, passando a ter fobia de cavalos. Assim, a evitação de cavalos permitia a evitação da ansiedade causada pelo conflito intrapsíquico, a raiva do pai). Pode surgir também em qualquer época da vida.

Para os “neurobiologistas”, a fobia tem origem em anormalidades neuroquímicas, que ocorrem no transtorno de ansiedade. Envolvem os sistemas Gaba, noradrenérgico e serotoninérgico. As áreas cerebrais do lobo frontal e do sistema línbico estão envolvidas nesta fisiopatologia e há evidências de que os fatores genéticos têm influência na origem destes problemas, ocorrendo em cerca de 20% de parentes de primeiro grau, principalmente de sexo feminino. A concordância para gêmeos monozigóticos é de 50% contra 15% para os dizigóticos.

TRVPeres 
Na visão dos “terapeutas em TRVPeres”, a fobia pode aparecer em vários períodos da vida atual e em suposta vida passada. Em geral, são resultantes do contato do paciente com algum fato marcante ocorrido em algum período do seu passado, que ficou reprimido em sua mente inconsciente e bloqueado pela consciente. Com este bloqueio consciente a fobia se torna irracional e se manifesta com atitudes evitativas em relação ao objeto ou situação causadores da mesma. “Assim, um paciente que tem fobia em dirigir carro, pode ter sofrido um acidente de automóvel enquanto estava no útero materno. Outro pode ter fobia de galinha, porque, quando criança, foi atacado quando tentou pegá-la para brincar”, conta Maria Júlia.

“Um paciente obeso, com fobia de solidão e de ser rejeitado, em suas vivências reestruturativas em seções de TRVPeres, relatou ter lembrança, que reconstruiu e vivenciou da cela de uma prisão durante muitos anos, de ter desencarnado solitário, triste, abandonado e faminto. No momento mais traumático dessa sua experiência vivencial, elaborou uma decisão, com padrões negativos e repetitivos de comportamento que, supostamente, o levaram as suas fobias atuais. Esta decisão foi a de ‘nunca mais passar fome´, daí a razão de sua obesidade”, lembra. “Estou sozinho e abandonado” e “minha vida é terrivelmente triste” foram a razão da fobia de solidão e rejeição. Porém, segundo ela, o paciente elaborou uma redecisão que, com a prática concreta, reestruturou sua vida para uma situação adaptativa ao seu momento atual.

Especialistas recomendam tratamento
O tratamento básico do medo, segundo o psiquiatra Jaider Rodrigues de Paulo, é a psicoterapia em suas várias correntes, principalmente, se forem voltadas para o resgate da dignidade humana. “A propósito, a hipnoterapia ericsoniana e a terapia de vivências passadas estariam bem indicadas, principalmente quando há um sintoma claro desencadeante de um quadro específico, como, por exemplo, o medo de altura, de animais, de locais fechados e de viagem”, informa.

“A real terapia do medo, no entanto, em um processo terapêutico bem orientado, é o esforço de transformação interior, pois só ele é capaz de nos proporcionar a paz íntima, imunizando-nos contra os males internos e externos. Somente a busca sincera do real sentido da vida e a integração com este, no cotidiano, serão capazes de libertar o indivíduo dos equívocos da existência, das ilusões e adentrá-lo na intimidade de si mesmo, buscando o Deus interior, o único capaz de libertá-lo em definitivo das ameaças do existir”, completa.

Geralmente, segundo a psiquiatra Maria Júlia Peres, as fobias têm cura. “Mas isso vai depender da etiologia de sua modalidade, do tipo de personalidade de seu portador, do tempo em que ela está instalada no paciente e da existência concomitante de outras enfermidades no paciente”, avalia. “Elas devem ser tratadas, mas cada caso é um caso e não se deve generalizar um tratamento global para todas elas e sim, encaminhar o paciente para um terapeuta experiente para fazer, se for indicado, uma psicoterapia adequada e receitar uma complementação medicamentosa, se for necessário”, complementa.

Paralelamente ao tratamento, a psiquiatra também recomenda práticas que considera úteis, como, por exemplo, o relaxamento, a meditação e o yoga, distrações saudáveis e prática comedida e inteligente da religiosidade. E deve-se evitar programas de TV e filmes “pesados” que contenham violência, filmes de guerra e crimes.

O medo sob a ótica espírita

MARCELO HENRIQUE PEREIRA
cellosc@floripa.com.br
Florianópolis, Santa Catarina (Brasil)


O medo sob a ótica espírita


Quem de nós já não sentiu ou sente medo (ou medos)? Medo do escuro; dos mortos; de aranhas ou cobras; de lugares fechados...

De perder; de lutar; de chorar; de perder quem se ama...

De empobrecer; de não ser amado...

De dentista; de sentir dor...

Da violência; de ser vítima de crimes...

Do vestibular; das provas escolares; de novas oportunidades de trabalho ou emprego...

O medo envolve as pessoas e, generalizadamente, as impede de realizar as mínimas obrigações do dia-a-dia. Ou, de outro modo, as perturba de modo tão profundo, que provoca o desânimo, a prostração, a imobilidade, a depressão...

O certo é que, de uma forma ou de outra, temos de conviver com alguns medos. E evitá-los, muitas vezes, ou esquecê-los...

A própria cultura ou formação religiosa nos incute o medo. Veja-se, por exemplo, a crença do pecado original que a Humanidade, segundo tal entendimento, carrega até hoje. Isto resulta, naturalmente, no medo de Deus e das reprimendas ou represálias que Ele pode lançar sobre as pessoas ou civilizações. Por conseqüência, a religião incute o medo do futuro, a vida além-morte, já que, segundo o entendimento dominante, a passagem nos levará a uma de três situações: Céu, Inferno e Purgatório. Como raros são os que se consideram habilitados para o Paraíso, não nos considerando criaturas tão evoluídas ou merecedoras assim, dentre as possibilidades possíveis, ou iremos para o Inferno ou - dos males o menor – para o Purgatório. E teremos de suportar mais sofrimentos. Então, tememos por eles...

Restringindo um pouco mais o alcance do entendimento do medo, podemos analisar os chamados medos dos espíritas, ou os medos decorrentes do contato com a filosofia espírita. São eles:

Medo da vida; da morte; do futuro; dos relacionamentos; dos outros; dos Espíritos; da reencarnação; do destino...

Temos medo da vida, ou seja, do que a vida nos oferece em termos de conjuntura e possibilidades. Na verdade, o medo é de fracassarmos no resgate de erros pretéritos ou da experimentação, por novas provas que poderiam, ambas (provas e expiações), nos garantir o ingresso em melhores condições espirituais futuras.

Medo da morte, porque por mais que possamos ler obras que relatam a vida no Plano Espiritual e os depoimentos daqueles que lá estão, ainda somos céticos em aceitar tais informações como verdades, primeiro porque não temos recordação de nossos “retornos”, segundo porque não nos achamos, muitas vezes, nos mesmos patamares daqueles que nos trazem informações “do lado de lá”.

O medo do futuro acha-se associado à pós-morte, como visto acima, mas também enquadra a extensão dos dias de nossa atual experiência encarnatória, imaginando que haverá, ainda, muitos débitos para serem ajustados e experiências desconhecidas, as quais não temos idéia se conseguiremos ou não administrar e sermos exitosos.

Quanto aos relacionamentos, tendo em vista o nível comum dos seres que habitam este orbe, temos medo de “nos abrirmos” ao outro, com receio de sermos enganados, machucados, prejudicados. Disto resulta a ausência de plenitude, de envolvimento, de vivência dos sentimentos e das sensações que fazem parte da própria vida, ou seja, é impossível saber o “gosto” das coisas e situações sem experimentá-las.

Então, temos medo dos outros, de que eles nos possam causar mal, em qualquer dos ambientes em que nos inserimos: o colega de trabalho ou estudo, o vizinho, o conhecido, o amigo, o parente... Todos, ou quase, nos representam ameaças vivas àquilo que projetamos ou desejamos para nós. Contudo, de igual forma como o anterior, não é possível antever com certeza absoluta e plena “quem” é o outro, “como” ele se comporta ou “por quê” ele age dessa ou daquela maneira. Somente vivenciando é que saberemos se o outro é companheiro ou inimigo, se quer nos ajudar ou prejudicar...

Curiosamente, de todos os medos antes listados, comuns aos espíritas, o mais intrigante é o de Espíritos. Afinal, no cotidiano das instituições espíritas, com seus diversificados trabalhos, o contato e a parceria entre nós e eles, isto é, entre encarnados e desencarnados, é a matéria-prima da atividade espiritista. Como podemos temê-los, se a teoria kardequiana nos explica, detalhadamente, quem são eles, quais suas características e de que modo se processam as relações entre “vivos” e “mortos”? Há espíritas, muitos mesmo, por aí, que se arrepiam ante a perspectiva de travarem qualquer contato com “os Espíritos”, de presenciarem qualquer fenômeno mediúnico. Chegam a ter medo de dormir, de ficar sozinhos, de apagar a luz, na iminência de serem “surpreendidos” por alguém que já está “do outro lado”.

E por que, então, têm eles medo da reencarnação? Porque, pela interpretação espírita, quando não aproveitamos as situações de nossa atual existência e continuamos a perseverar no erro, provavelmente teremos de retornar em condições existenciais mais difíceis, com maiores provas e sujeitos à reparação de outros débitos. Então o ser olha para si, para sua vida, para aquilo que considera quase impossível de realizar ou melhorar, e sente enorme receio de ter que retornar a este “vale de lágrimas”.

Por fim, há o medo do “destino”, como se este existisse, como se, a cada um de nós, estivesse “reservado” isso ou aquilo, desse ou daquele modo. Enxergamos a vida como se ela fosse pré-traçada de modo definitivo (ou quase) e que não pudéssemos, nós, alterar-lhe o curso pré-estabelecido.

Assim sendo, caberia a pergunta: – Por que o Espiritismo destrói o medo em nós?

A resposta possui várias vertentes ou condicionantes que, somados e bem compreendidos, podem nos auxiliar a superar os medos que vivenciamos:

1. Somos Espíritos, logo, somos seres imortais. Não somos aniquilados e a eventual destruição do planeta, pela ação humana, não nos deixará “sem morada”. Daí, Vida e Morte serem etapas da trajetória espiritual a que todos estamos sujeitos;

2. Reencarnamos porque precisamos. Somente a teoria das vidas sucessivas pode explicar as desigualdades entre os Espíritos (encarnados ou desencarnados). É por ela que todos os Espíritos podem experimentar as diversas contingências da evolução (provas, expiações, missões), de modo que, em cada uma das encarnações, o ser poderá viver sob diferentes condições, entre as quais a riqueza, a pobreza, a fartura, a necessidade, a inteligência privilegiada, a limitação dos sentidos, a beleza, a feiúra, entre outros. Por conseqüência, o progresso é sempre ascendente, razão pela qual é acertado dizer que, hoje, somos infinitamente melhores do que já fomos.

3. Não há destino, sorte ou azar. Deus não escolhe (premia ou pune) os indivíduos a seu bel-prazer ou mediante critérios personalísticos e discutíveis. Deus não castiga, nem recompensa. Nós é que recebemos o efeito daquilo que praticamos. Somos, sempre, o resultado de nós mesmos. As lutas que travamos são sempre contra nós mesmos, em relação às nossas imperfeições morais. O resultado, quando exitoso, importa no avanço na escala evolutiva, que representa a vitória sobre nossas limitações e o credenciamento a outras (e melhores) oportunidades.

4. O passado espiritual de cada um, por certo, é composto por erros, limitações, dívidas. Mas a Justiça e a Contabilidade divinas que administram nossas idas e vindas, sob diferentes roupagens, não são baseadas em automatismos ou abordagens cartesianas (do tipo pagar na mesma moeda o mal causado). A dinâmica das Leis Espirituais comporta um mecanismo perene e perfeito de “dar a cada um segundo suas obras”, isto é, de considerar, a cada passo, em cada evento, tanto o que fizemos de errado quanto o que obramos em acerto, o que deixamos de fazer e a responsabilidade, pessoal e intransferível em relação a cada procedimento (ação ou omissão).

5. O presente, a vida física nos direciona à necessidade de agirmos como pessoas encarnadas, vivenciando as experiências do ser material, mas com a atenção às questões de natureza espiritual (tal como asseverou Jesus, “viver no mundo sem ser do mundo”). Ou seja, viver do melhor modo possível, aproveitando os capítulos da vida como meios de aprendizado e busca da felicidade, ainda relativa.

6. O futuro deve ser encarado sob duplo viés: a) a vida no Plano Espiritual, com características bastante similares à vida física, pois continuamos a ser o que somos, com nossas simpatias e antipatias, gostos e pendências, valores e limitações; e, b) o preparo para novas encarnações, nas quais ocorrerá a nossa depuração, até galgarmos os estágios da Escala Espiritual.

A arma para vencer todos os medos (assim como as limitações espirituais) é, sempre, o conhecimento. Conhecimento que deriva da informação acerca das realidades física e espiritual, o primeiro decorrente das pesquisas e experiências científicas e, o segundo, do intercâmbio mediúnico e do desenvolvimento de teses espíritas. O conhecimento, porém, não é só mera teoria. De nada valem as decorebas das questões e máximas espíritas. Isto é somente informação. Esta, para transmudar-se em conhecimento, há que estar aliada à prática, à conduta, que nos qualificará como seres em contínua evolução, superando medos e limitações.

Medo e Culpa - Slides

http://pt.slideshare.net/institutoespirita/medo-e-culpa-instituto-esprita-de-educao